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terça-feira, 9 de setembro de 2008 - 18:09Automobilismo brasileiro

UMA CARA PARA AS MIL MILHAS

SÃO PAULO (tem jeito) – Quando Antonio Hermann pegou as Mil Milhas e jogou os valores lá no alto, achei que cometia um erro. Ele queria subir o nível da prova, subiu os preços. E fez uma “sucursal” das corridas de Porsche, Maserati e outras coisas chiques que já pipocavam por aqui. Só rico andava, com patrocínio de remédio. Aí veio a possibilidade de incluir a prova na Le Mans Series, e achei duca. Afinal, era a chance de ver uma corrida com protótipos e carros de verdade, top de linha, jamais esquecerei dos Peugeot rasgando a reta em Interlagos num silêncio ensurdecedor, como diria um cronista antigo.

Foi uma pena que o público não compareceu, mas isso é outra história.

A Le Mans Series não volta (vai correr na China) e Hermann está com um mico gigante nas mãos. O que fazer com as Mil Milhas? A idéia, agora, é chamar a turma da Grand Am. Não quero urubuzar ninguém, mas não vai dar certo. É caro demais, e desinteressante para quem corre nos EUA.

O que vai acontecer é que neste ano teremos de novo uma prova elitizada com as sobras de Porsche, Maserati e um ou outro carro bacana que virá de fora a preço de ouro. Além dos protótipos brasileiros que, desestimulados, farão figuração.

Assim, as Mil Milhas vão perdendo a cara de vez. Se vale a sugestão, e se Hermann quer fazer algo pelo automobilismo brasileiro, já que a CBA, as federações e os clubes não fazem, que tal formatar de vez essa prova para que ela seja uma autêntica corrida nacional, a maior de todas, desejada e esperada por meses a fio, como antigamente? Estimulando construtores de protótipos e preparadores de carros de turismo, estabelecendo rígidas normas técnicas para dar um salto de qualidade, procurando um bom patrocinador que possa dar um bom prêmio aos participantes?

Não sou a favor de dar dez passos a trás e abrir a corrida para um enxame de Gols bolinha, Corsas e Fiestas, mas pode ser um momento interessante para, por exemplo, chamar as montadoras instaladas aqui, que podem formar times de fábrica e contratar pilotos de bom nível. Mesclando uma turma forte com os “garagistas” de sempre, desde que atendam às exigências de uma prova séria e competitiva, pode-se ter uma corrida bem legal.

É o caso de se pensar. Mas Hermann sabe que tem de fazer isso sozinho. Se pedir ajuda dos poderes estabelecidos, não sai nada.

60 comentários

  1. Hugo Guidini disse:

    Mas só quem não conhece Automobilismo e menos ainda o Antonio Hermam para saber que jamais daria certo e que o publico não viria e que seriam poucos carros. Qdo deu certo querer fazer esse tipo de corridas sem os carros nacionais?Nunca. Sou a favor de povoar sim de gols bolinhas, opalas, omegas, enfim tudo o que corre em regionais. Grid cheio, com boa divulgação é areceita. É só olhar para traz e ver como era. Times de fabrica aparecem, preparadores ganham e depois somem. O que deu? este ano nem corrida tivemos.

  2. Ana Paula disse:

    Flavio,
    quando Antonio Hermann se apropriou das 1000 milhas, já começou errado: Acabou com a tradicional largada à meia noite. Já descaracterizou o que vários organizadores e pilotos haviam construído em décadas.
    Flavio, você escreve que o público não compareceu…esqueceu de escrever que a única patrocinadora, a Telefonica, também não teve retorno de mídia. As mil milhas brasileiras são um fracasso de mídia e de público, onde seu departamento de marketing e assessores deveriam ser despedidos pela incompetência de deixar morrer uma das provas que poderiam gerar muitos empregos e turismo em São Paulo. As Mil Milhas Brasileiras foram destruídas por Antonio Hermann e equipe.

    Flavio, parabéns pelas suas matérias!
    Abraços
    Ana Paula

  3. Flavio S. J. disse:

    Somente hoje encontrei o vosso blog. Fui até o autódromo e achei excelente assistir ao treino das Mil Milhas gratuitamente. Pena que antigamente mesmo sem o auxilio da mídia havia muito mais publico. Acredito que existe espaço para todo mundo, se não e possível correr carros de 400cv com carros de 100cv, Que façam Duas Provas em datas diferentes, porque há Publico e Pilotos que participariam das duas. E as provas de longa duração dão mais chances às Equipes pequenas onde a Sorte e a Paixão prevalecem.

  4. CorredorX disse:

    O GP poderia ir lá cobrir essa corrida, Gomes.

  5. Jorge Lima disse:

    Excelente ideia. se aqui no ceara, nosso clube APME (ASSOCIAÇÃO DE PILOTOS DE MARCAS E ENDURANDE), Organizou uma uma corrida de 500 km.e foi um sucesso, com as segunites categorias. Turismo ate 1600, Turismo ate 2000, Protopipo Nacional até 2000, e Protopito acima de 2000. em janeiro tem a segundfa edição

  6. CorredorX disse:

    A idéia do Gomes é boa mesmo. Tem muito garageiro pelas binbocas do país que poderia participar. E seria uma chance das marcas realmente fazerem jus aos seus nomes em termos de envolvimento de verdade com o automobilismo e a um preço provavelmente muito acessível (como se grana fosse problema pras montadoras).

  7. Vitor disse:

    Cada um acha o que quiser, mas para mim os carros da GT3 são legais demais para não se tentar usá-los nas 1000 milhas.
    A partir daí, uma categoria para carros 1000, uma pros AP, uma para protótipos nacionais, e não precisa mais de nada.
    Se as fábricas resolvessem participar, mais uma categoria (2.0?).

  8. Concordo plenamente e poderiam também incluir uma categoria universitária, para colocar o pessoal das universidades para rebolar e “bolar” protótipos inovadores e diferentões! Seria um prato cheio para nós!!!

  9. Luiz Evandro águia disse:

    Caro Flavinho..Ja participei de varias Mil Milhas,, a 1a foi em 1965 com Renault Teimoso No 40..- 19o lugar….e as duas ultimas foram em 1983 ( com Chev Stock Car – 2o colocado ) e em 1988 com Ford Escort XR3..- 4o colocado – Achei sua sujestão sensacional…. Tomara que dê certo.. abraçao do sempre amigo Águia

  10. Pedro Jungbluth disse:

    Gol com motor AP é o carro de corrida mais barato do Brasil.
    Com 800 reais vc retifica um AP usando pistões forjados, além que existem milhares de peças de preparação à disposição, incluindo sobrealimentações, à preços pequenos.
    É possível, com custo abaixo de 15 mil reais, montar um AP com 400 cv.

    Tem preconceito o pessoal que não enxerga aí uma grande possibilidade de termos categorias de custo baixo.

    Aqui no Brasil, o pessoal é dos bons, só andam de F1!

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