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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 - 12:05Automobilismo internacional, F-1, Grande Prêmio, Indy, IRL, ChampCar...

GRANDE MORENO (2)

GUARUJÁ (mormaço queima? ) – No ar a segunda parte da Grande Entrevista com o grande Roberto Moreno, no trabalho do Victor Martins. Senti falta de um pouco mais sobre Andrea Moda e Forti Corse, suas últimas passagens pela F-1. Será que sobrou material? Perguntarei a Martins. Mas o resto está sensacional, especialmente suas últimas aventuras nos EUA.

Sobre esse período derradeiro na F-1, conto eu algumas historinhas.

A Andrea Moda era um mistério. A estreia seria em Interlagos e Moreno deu uma coletiva na quinta-feira, creio. Eu perguntei se ele não tinha medo de sentar num carro que nunca tinha andado, e que estava sendo montado ali embaixo, nas garagens do autódromo.

Roberto ficou puto. Ele ficava puto com frequência com esses questionamentos, porque no fundo eles vinham sempre cheios de maldade. Me lembro que não perguntei apenas se ele tinha medo de andar com aquela carroça. Perguntei: “Para um cara que até outro dia estava na Benetton subindo ao pódio, não dá medo de pegar isso aí etc”. É maldade pura, ele tinha motivos para ficar puto. Jornalista é muito chato e maldoso.

Mas enfim… Veio o primeiro treino, bem cedinho, e fui acompanhá-lo no box da Andrea Moda. Se bobear, era o 21, que a gente usa na Superclassic. Lá no fundão, com certeza. Roberto sai dos boxes e volta logo depois. Estaciona com a alavanca do câmbio na mão. Escapou. O carro era uma temeridade. Os mecas da Andrea entravam e saíam do autódromo numa Kombi, atrás de oficinas que pudessem tornear uma peça, ou que dispusessem de um cabo, uma válvula, uma mola.

Depois, em Mônaco, teve aquela classificação heróica para o grid. Uma façanha, quase como ganhar uma corrida. Em Montreal, pouco depois, cheguei na quarta ou quinta-feira e a Andrea não tinha motor, estava sem grana, não tinha pago o que devia à Judd. Pegou emprestado um da Osella, ou da Fondmetal, sei lá. Na regata dos mecânicos na raia olímpica — era uma tradição daquela corrida, as embarcações feitas com sucata dos times —, o barquinho da Andrea Moda afundou quando se encaminhava para o “grid”. Era um barato, aquela equipe.

Na Forti Corse, lembro da apresentação da equipe e, depois, de um evento da Credicard, num restaurante do Itaim-Bibi. Os patrocinadores eram todos clientes do Pão de Açúcar. Na verdade, o time foi montado para o Pedro Paulo Diniz correr. Todo mundo que anunciava no carro tinha um esquema qualquer com os supermercados do pai. Era uma operação comercial para viabilizar o nascimento da equipe, que vinha da F-3000. Moreno foi claramente contratado como professor de Pedro Paulo.

Um dos anunciantes, como disse, era a Credicard. Que também patrocinava um garotinho de dez anos que estava fazendo sucesso no kart, Augusto Jr. Houve uma coletiva, que achei meio ridícula: um cara da Credicard, o Moreno com quase 40 anos e huma história no automobilismo e um garotinho de dez, mal saído das fraldas. O constrangimento do Moreno era evidente. Ao menos achei que estava constrangido, talvez tenha sido só impressão.

Mas o menino não era nenhum manco, ao contrário. Virou Augusto Farfus, e hoje tem carreira muito sólida na Europa.

Em resumo, é tudo demais, o Moreno e a entrevista. E essas histórias.

64 comentários

  1. oldparts disse:

    “Conheci” Moreno numa revista 4 rodas de 1980 sobre formula ford inglesa, e sempre foi difícil ter notícias dele, o que fazia, por onde andava. Tive o privilégio de encontrar com ele numa etapa de stock car aqui no Rio onde fiz uma foto que é um troféu p/ mim. Grande piloto, grande entrevista, emocionante.

  2. Rogério Magalhães disse:

    Putz, sensacional demais da conta a entrevista, hoje que fui ler as duas partes com calma… lembro da minha alegria em casa, naquela madrugada perdida em 1990, vendo aquela dobradinha fantástica do meu ídolo na F1 (o grande Nelson) e seu dileto amigo, grande batalhador que é o Moreno. E deu para perceber pela entrevista que podem até chamá-lo de azarado, mas não se pode negar que também contava com a sorte de ter o contato certo na hora certa para assumir alguma coisa em algum momento periclitante da sua carreira e, assim, somar mais alguns pontinhos no seu vasto currículo.

    E felizmente eu pude ter o prazer de ter conhecido pessoalmente, ainda que de forma bastante fugaz, o Moreno, num desses dias que coincidiu estar a GT3 em Interlagos em mesmo final de semana da Superclassic. Mesmo parecendo estar com aquela cara de quem acabou de acordar da sesta, afinal já eram coisa de 14h, 15h, lá estava ele pronto para entrar na pista e lá estava ele sendo bastante solícito para um brevíssimo dedinho de prosa, enquanto um amigo providenciava uma foto que até hoje não consegui ver…

    Se tem um cara que ainda merece muita coisa boa nessa vida no automobilismo, esse é o Moreno. Grande figura!!!

    E a propósito, sobre a célebre questão “mormaço queima”, digo com conhecimento de causa: queima. Já passei por isso uma vez em São Vicente e nem precisa estar em praia para sofrer com mormaço, em uma caminhada na Pampulha, em BH, quando fui ver o último jogo da Lusa no Brasileiro ano passado, tava céu fechado e mormaço. Nem precisa dizer que fiquei bem vermelho e queimado nos braços e na testa… protetor solar em praia sempre, de preferência Sundown 50, hahahahahahaha…

  3. Beto disse:

    Ótima entrevista!

    Algumas pessoas comentam que um grande problema do Moreno é que ele tinha uma saúde frágil também, e não era difícil ele chegar doente no inicio dos finais de semana (a ponto de passar mal no cockpit mesmo). Teria sido interessante abordar esse tema mais polemico.

  4. Carlos Alkimim disse:

    O Moreno com certeza não seria campeão na Toleman, mas faria um bom papel e se colocaria em melhor condição pro futuro, a equipe era a bola da vez pra se tornar uma grande, e isso se concretizou, é um fato.
    Basta ver os pilotos que por lá passaram, a maioria se firmou em equipes mais distintas, Senna-Lotus, McLaren, Stefan Johansson, que foi o contratado pra 85 se mandou pra Ferrari depois, Berger, alem de vencer a primeira pra Bennetton, se tornou um nome forte na F1e na Ferrari, McLaren etc…
    até o Teo Fabi fez boas corridas, a equipe era promissora sim,
    e aqueles motores BMW eram uns foguetes, foi vendida e hj esta ae na cabeça com a cores Renault.
    Moreno, se o destino assim o quisesse, poderia ter melhores dias na F1, mas a F1 é isso ae, muitas surpresas, agradaveis e outras não, muitas não até. Isso é parte da historia do Pupo.

  5. Théo do Palavrão disse:

    Cuidado Gomes… Mormaço queima pra caraleo…

  6. Jeba disse:

    Tem um colega meu, homossexual porém sem os trejeitos característicos, que ganhou o apelido de mormaço. Não parece, mas queima.

    Até!

  7. Rafael Barbeiro Travassos disse:

    * Morte na Paulista *
    Sentimentos tristes me abateram hoje.
    Vi a reportagem no Bom Dia Brasil, as pessoas fazendo os protestos na Praça dos Ciclistas, a família. Penso que perdi um ente querido da mesma forma, em Osasco, ao afundar a coluna do ônibus com sua cabeça. O ônibus o ignorou e fez uma conversão que o acertou quando vinha no sentido contrário em descida.
    Ao invés de chorarmos, deveríamos abrir uma campanha de conscientização dos motoristas. Saber que o código de trânsito nos favorece (ciclistas e pedestres), temos que impor isso nas auto-escolas, montar também cursos para ciclistas, sim. Direção defensiva para nós, sinalização, equipamentos, etc.
    Por que não usarmos isso como impulso para começarmos uma mudança?

    Flávio, sou um leitor assíduo do blog, apesar de não participar tanto, te admiro muito pela sinceridade.
    Gostaria de registrar aqui o protesto e que você ajudasse a uma campanha de conscientização sobre o relacionamento motorista x ciclista x pedestres.
    Abraços!

    Rafael

  8. Victor Massami disse:

    O cara tem que ser maluco de sentar em um carro “torto” e recém-batido, e tentar classificar em Indianápolis. É por essas coisas que tenho uma admiração por ele !

  9. Tevez disse:

    Roberto ficou puto. Ele ficava puto com frequência com esses questionamentos, porque no fundo eles vinham sempre cheios de maldade. Me lembro que não perguntei apenas se ele tinha medo de andar com aquela carroça. Perguntei: “Para um cara que até outro dia estava na Benetton subindo ao pódio, não dá medo de pegar isso aí etc”. É maldade pura, ele tinha motivos para ficar puto. Jornalista é muito chato e maldoso.

    A troco do que perguntar isso ao cara?
    faltou reconhecer a palavra invejoso na autocrtitca…piloto frustrado e fogo

  10. Entrevista sensacional, vou imprimir e guardar. Muito foda.

    Agora, essa aí de os mecânicos sairem de Kombi pela cidade foi espetacular, hahaha! Tô rindo até agora!

  11. Daniel disse:

    Excelente entrevista!

    Realmente o Roberto Moreno é um excelente piloto. Infelizmente não tenho muitas lembranças de sua carreira na F1, mas colocar o “carro” da Andrea Moda no grid em Monaco (!!!) realmente foi um grande feito.

    Tenho mais recordações dele na F-Indy/CART. Alguns resultados conseguidos por lá foram sensacionais, como o 3o lugar nas 500 milhas de Michgan de 1996 com o carro da equipe da Dale-Coyne (um Lola-Ford XB, motor que não era a última especificação) com o patrocinio da Data Control; a regularidade que ele mostrou em 2000, conseguindo um 3o lugar na classificação geral da CART também mostrou o talento que ele tem.

    Daniel.

  12. Não era o Moreno que “pegava emprestado” uns ônibus em Brasilia só pra dar uns cavalos-de-pau?

  13. Moramaço queima?
    me lembro de um calouro que ganhou o apelido de mormaço “parece que não queima, mas queima!!” hahahah, com o passar dos semestres, ganhou o apelido de “ultravioleta”… precisa explicar??

    http://antigosverdeamarelo.blogspot.com/

  14. Rafael Assis disse:

    Fala Flávio
    Ótima entrevisto com o Moreno, agora só ta faltando uma entrevista com o Gugelmin…heheh
    Abraços

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