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quinta-feira, 18 de junho de 2009 - 22:53F-1

A F-1 ACABOU (2)

SÃO PAULO (muita calma nessa hora) – Bem, bem, bem. O comunicado da FOTA não dá margens a especulações. Não se trata mais de uma ameaça, mas de uma decisão. Que me surpreende, para ser sincero. Eu achava que no fim das contas Mosley iria vencer, dado o teor da enorme carta divulgada terça-feira, embasando todas suas decisões e acusando diretamente a Ferrari de liderar uma tentativa de levante com claros interesses próprios.

Venceria rachando a FOTA. Mosley não se importaria com deserções da Toyota, da Renault, da BMW Sauber, da Red Bull e da Toro Rosso. Essas ele sempre achou que não têm importância, entram e saem, não são comprometidas com a F-1. Também não se importaria se a Ferrari resolvesse bater o pé. Mas queria atrair Brawn e McLaren. Esta última seria seu grande trunfo para mostrar ao mundo que a Ferrari era a vilã da história.

Contava, para isso, com o pisar em ovos da McLaren desde o caso da espionagem e da mentira de Hamilton em Melbourne. Achava que o time prateado, para evitar problemas, acabaria cedendo, levando junto a Brawn por causa da Mercedes. Além do mais, Ross Brawn não é exatamente o maior amigo de Luca di Montezemolo por conta dos protestos do início do ano em relação aos seus difusores.

Mas talvez Max não considerasse seriamente a possibilidade de um novo campeonato. Com seus times novatos, mais a tradição da Williams, a Force India, a McLaren e a Brawn, daria um pé solene na Ferrari e nas montadoras que tanto abomina.

E não abomina por questões pessoais, aqui vale o parêntese. Há anos Mosley alerta para a instabilidade de uma categoria cujo alicerce são empresas dirigidas por gente que não tem no esporte um fim, mas um meio. Diz ele na carta de terça: “Quando a Honda anunciou sua desistência em dezembro de 2008, já havia feito sua inscrição para 2009 e era contratualmente obrigada a competir. Duas coisas ficaram claras para a FIA. Primeiro, qualquer montadora poderia sair a qualquer momento. E a FIA não teria como recorrer contra essas montadoras, contra a empresa principal, apenas contra as equipes que não teriam patrimônio nenhum, exceto suas dívidas. Segundo, que era muito provável que outras montadoras fizessem o mesmo antes de 2010″.

Segue a FIA, sempre com muita propriedade: “A Renault depende do governo francês. Parece duvidoso que os contribuintes franceses estivessem dispostos a gastar o dinheiro de seus impostos, em quantias tão altas, numa equipe de F-1. As operações da Toyota verificaram perdas pela primeira vez na história, e ela poderia desistir de gastar centenas de milhões numa equipe, enquanto a BMW, que faz enormes sacrifícios para cortar os custos em sua operação principal, poderia decidir não gastar pesadamente em seu time”.

“Diante da possibilidade de termos apenas 18 carros no grid em Melbourne e de as coisas piorarem em 2010, a FIA teve de agir. Havia dois passos óbvios. Primeiro, uma aproximação ao sr. Montezemolo para obter dele uma garantia de que as montadoras estariam no grid em 2010 e que a situação da Honda não iria se repetir. Segundo, iniciar conversas com a FOTA na direção de cortar os custos a um ponto que fizesse com que uma eventual saída das montadoras se tornasse improvável, que viabilizasse a existência das equipes independentes e a entrada de novos times.”

Aí seguem várias críticas a Montezemolo. Ele teria prometido as garantias, mas nunca apresentou sequer uma carta das montadoras garantindo seu compromisso com a F-1. “Nem mesmo da companhia dele, a Fiat”, diz a FIA. Depois, na reunião do Conselho Mundial de 17 de março, a Ferrari votou contra o teto orçamentário, mas não contra as liberdades para as equipes que o adotassem. Mais tarde, em outro Conselho Mundial, em 29 de abril, foi votado o regulamento para 2010 em detalhes. Montezemolo não apareceu. Elegeu o presidente da comissão italiana de kart, “Mr. Macaluso”, com uma procuração para votar em nome da Ferrari. Macaluso também não apareceu e participou da reunião por videoconferência. Votou contra as regras (foram dois votos contra), sem justificar o voto.

Veio depois a ação da Ferrari na Justiça francesa, e mais reuniões, e a FOTA empurrando tudo com a barriga, inclusive uma tentativa de esclarecer como seria feito o controle financeiro do teto orçamentário. Max foi ficando de saco cheio.

O presidente da FIA acha que a FOTA quer controlar a grana e as regras. Tem razão, quer mesmo. E argumenta que a F-1 precisa de um órgão regulador imparcial e independente “pela própria natureza do esporte”, porque ele é disputado “por pessoas que querem vencer (literalmente) a qualquer custo”. “Há vários exemplos disso, envolvendo ao menos quatro equipes da FOTA, nos últimos anos”, diz o texto. “Um bom governo não significa que a Ferrari deve governar. (…) A Ferrari é representada no Conselho Mundial desde 1981 e nunca se opôs aos nossos processos ou decisões até abril e maio deste ano.”

Mosley termina sua carta com uma reflexão um pouco mais filosófica sobre a F-1. “A discussão é sobre os princípios da F-1. Sobre liberdade técnica. É o reconhecimento da FIA e de várias equipes de que você pode ter liberdade técnica, liberdade para inovar, ou liberdade para gastar sem limites. Não é possível sustentar as duas coisas. (…) Comparada com as propostas da FOTA, o regulamento de 2010 é muito mais livre. A FOTA propõe não testar, eliminar o KERS, padronizar câmbio, aerodinâmica, limitar o trabalho nas fábricas. Em vez de buscar meios econômicos para fazer coisas inovadoras (que é o espírito da F-1 e o desafio da indústria automobilística), a FOTA quer impor restrições e diminuir os desafios técnicos.”

Mosley tem razão em tudo. O cenário econômico mundial não comporta a gastança da F-1 e as incertezas quanto à participação das montadoras. A Ferrari quer tomar conta de tudo, é o que Max quer dizer. Comprou a briga. Perdeu oito equipes, mas pode ganhar 15. Só que sem McLaren e Brawn, vai ter de ser muito hábil para montar uma nova F-1 que seja atraente para o público e para os parceiros de sempre.

Do outro lado da trincheira, as oito rebeldes também terão dificuldade para montar um grid razoável. Quem vai querer competir com gigantes que gastam o que querem? Quem vai querer colocar um carro na pista para levar ferro das já estabelecidas? E os contratos com os autódromos e com as TVs?

É o maior racha da história da F-1. Por enquanto, é tudo que dá para dizer.

221 comentários

  1. Eudemar disse:

    GENTE, VAI SER PRECISO MUITO DINHEIRO, PRA FAZEREM UM NOVO CAMPEONATO DE F1, FORA DA FIA! a FOTA ESTÁ MALUCA, PENSANDO QUE ISTO VAI SER UMA BELEZA!
    VAI DAR COM OS BURROS NÁGUA, NÃO ENCONTRARÃO PATROCINADORES, COM ESTA CRISE ECONOMICA, PARA BRINCAREM DE CORRIDAS, SIM, POIS TERÃO DOIS PILOTOS, CONCORRENDO, PRA QUEM IRÃO ESCOLHER, PRA VENCER!
    SERÁ UM CAOS TOTAL!
    NÃO VÃO CONSEGUIR MONTAR CAMPEONATO, NENHUM, POIS TUDO GIRA EM TORNO, DE MAX E BERNIE, NÃO TERÃO OUTRA OPCÃO!
    OU F1 COM A FIA OU NÃO VAI TER F1 EM 2010!

  2. Rodolfo Ricci disse:

    O interesante é que só você percebe como a Ferrari é malandra.
    Empresas como Toyota, Mercedes, BMW são todas cordeirinhos.
    São bobinhas e cairam no conto da Ferrari.
    Max, o nazi sexo masoquista, é democrata, faz as regras com grande antecedência, e estamos há mais de 20 anos sem nenhuma mudança de regulamentos.
    Realmente acredito estar em outro mundo, ou você está ainda acreditando que Stalin gostava de crianças e estava criando um mundo maravilhoso..
    Me desculpe, Flavio, mas essa é o meu comentário a respeito da sua crônica…
    .

  3. Roberto disse:

    SOMENTE COINCIDÊNCIAS

    A IRL foi uma dissidência da F-CART.
    A IRL ficou com Indianápolis e Penske.
    A F-CART se uniu (faliu) com a IRL e se tornou F-Indy (retorno)

    A FOTA (WGP) está sendo uma dissidência da FIA (F1)
    A FOTA ficará com Mônaco e Ferrari.
    A FIA futuramente se unirá com a FOTA e se tornará Grand-Prix (retorno)

    Quem viver verá!!!

  4. Roberto disse:

    No final o sr. Max vai até deixar o cargo para preservar o futuro da f1 e assim evitar a saída das equipes. Temos até o final do ano para que as coisas mudem.

  5. paulo disse:

    Ricardo Teixeira na CBF faz o mesmo que o Mosley na FIA.
    Quais são os pros e os cons?

    Max (socialismo da F1) x Montadoras (capitalistas da F1)

  6. Roberto disse:

    A WORLD GRAND PRIX SERÁ MUITO MELHOR DO QUE A F-1, SENDO COMANDADO PELAS EQUIPES. ELAS VÃO COLOCAR O CAMPEONATO SEM INTERVENÇÕES DE TITIO MAD MAX.
    SERÃO MUITO MAIS INTELIGENTES NAS CONSTRUÇÕES DOS CARROS. TERÃO LIBERDADE DE FAZER QUALQUER CHASSIS, DIREITOS EXCLUSIVOS DAS TRANSMISSÕES DE TV, PATROCINADORES DE PESO, GRANDES EQUIPES E GRANDES PILOTOS. SÓ A PARTE DOS CIRCUITOS EM QUE VÃO CORRER É QUE TERÃO PENDÊNCIA. MEIOS JURÍDICOS TENTARÃO A QUALQUER CUSTO IMPEDIR A ENTRADA DOS CARROS NOS CIRCUITOS. O DONO DO CIRCUITO DE MÔNACO JÁ DISSE QUE SAIRÁ SE FERRARI E OUTROS SAIREM.

    A F-1 VAI PERDER MÔNACO, FERRARI, RENAULT, ALONSO, HAIKKONEN, PATROCINADORES…. VÃO FAZER A LIMPA GERAL. MAX DEVE ESTA SENDO FRITADO. RSRSR

  7. Shelda disse:

    Por mim essa merda ja teria acabado à muito tempo… vai sobrar mais petróleo vocês não acham?

  8. Pepe disse:

    Acho legal a FIA querer impor quanto as equipes devem gastar, determinar limitações técnicas, acabar com testes, etc. Parece interessante, só que seria o mesmo que as equipes, que são as protagonistas do espetáculo, que se expõe, que correm os riscos, acharem que devem ingerir em quanto a FIA e o próprio Mosley pessoalmente devem gastar em prol do esporte. Na minha opinião cabe à FIA organizar um campeonato rentável e dando prioridade às decisões e pareceres de quem faz o espetáculo e considerando as opiniões dos patrocinadores que tanto investem e tanto se arriscam e dos espectadores, pois, são a fonte do sucesso ou não do espetáculo. A FIA por sua vez quer impor o que ela acha, forçando a razão de cima para baixo ao estilo nazista. Creio que ao Sr. Mosley deveria ser dado o prêmio “Chicote de Ouro” pelo especial dessecerviço que tem trazido à F1. Outra coisa, chamar toda essa parafernalia tecnica e todos os imensos intereses envolvidos, onde até os pilotos, patrocinadores, fornecedores de peças são escolhidos em função do pais que representam, tornando o negócio profissional do lado mais lucrativo, não me parece ser “esporte”, me parece sim ser competição não esporte, até porque o que menos conta é o lado esportivo, ou seja, a participação do piloto, pois, a maioria desses pilotos que ai estão, com o melhor carro também ganhariam campeonatos e não creio que disputa de carros possa ser considerado “esporte”. Espero que tudo se resolva bem em prol da competição.

  9. Luis Henrique disse:

    A F1 morreu há muito tempo no Brasil. Não há mais público, nem anunciantes.Os grandes responsáveis por isto são: 1. Piloto sub medíocre chamado Rubens Barrichello, cujo sentimento que causa nos outrora entusiastas transpôs a linha do lamento e frustração para o constrangimento vergonhoso e a aversão, que é o reconhecimento da incompetência contrastante. 2. A emissora Rede Globo que insistiu nesta figura triste, consolidada por esse pária falastrão e iletrado chamado Galvão Bueno.

  10. Thiagones disse:

    Flávio, seu texto é bom, mas acho que existe um “algo mais” que nunca e jamais saberemos.

    Tudo que envolve muitos milhões e leia-se FOTA e FIA com certeza não é discutido sem uma boa dose de interesses de todos os lados possiveis.

    ADORO F1, mas estamos num mundo meio diferente hoje. Gastos exagerados são incorretos, mas um regulamento dúbio também é.

    Por fim, acho que muita agua vai rolar. Como li em algum comentário acima, existem acordos de TV, patrocinio e muitos outros que com certeza, somadas as multas recisórias, teremos problemas.

    Vejo ainda mais. Cidades que investem dinheiro no circo da F1, poderiam processar a categoria? (FOTA e FIA) Ao meu ver isso é possivel.

    Por isso enquanto eu não ver duas categorias distintas correndo com carros de verdade….

    Em tempo, FIA ou FOTA se for pra ver uma corrida, dificilmente acreditaria na FOTA, pois toda instituição baseada em empresas não é confiavel e com certeza teremos resultados combinados.

  11. fernando disse:

    Podem apostar, a Record e o Bispo Macedo já compraram os direitos da FOTA, Ana Hichman de comentarista (só nas curvas). Dá-lhe FOTA e seja o que Deus não quiser.

  12. Andre disse:

    Béeee… ERRADO! CONTRAMÃO!
    O Mosley está na contramão. Crise?? De tempos em tempos o mundo passará por ajustes. A F1 é o maior evento de SP, a 4a maior cidade do mundo. Gera e mantém empregos, pesquisas em desenvolvimento, coisas que usam lá usamos hoje em nossos carros.
    Crise? Tá com medo de ir no banheiro come gelo.
    PENSEMOS GRANDE!!!! PRA FRENTE!!!
    Como queremos ver carros correndo durante 2 horas a 800 cavalos usando energia do sol ou renovável como o Kers daqui alguns anos, se esses caras que estão NA CONTRAMÃO da evolução querem limitar orçamento com medo de uma crise que está nos deixando mais fortes, e ainda passaremos por outras.

  13. Clemilton disse:

    Sou a favor da FOTA e contra a ditadura de Mosley, não há campeonato sem Ferrari e Maclaren, a FIA só que impor regras ao invés de discutir primeiro, chega de ditadura vamos formar um novo campeonato com aspecto de democracia.

  14. Ronaldo disse:

    Acredito que Sr. Max Mosley deu um tiro no proprio pé, talves essa mudança radical venha a beneficiar o esporte como um todo, apesar das consequencias judiciais que possam arrecadar. Fala-se em preços mais baratos para as competições, para as transmissões de radio e Tv e para os fans da velocidade. Quissas
    seja esta uma nova Formula1. Vamos Esperar para ver

  15. Fernando disse:

    Que bom, eu acho um absurdo alguém querer controlaro que eu posso ou não gastar!!!!!
    Se as equipes possuem muito dinheiro, bom pra elas que podem investir muito em carros melhores e mais potentes.
    Se não tem dinheiro pra investir, por que quer competir?
    A ferrari faz muito bem em sair da F1, pois ela seria a maior prejudicada!!!!!

  16. Marcelo Liberatori disse:

    Fico com a FOTA.

    Acho perfeitamente plausível que as equipes queiram comandar o espetáculo (leia-se tb $$$).

    E pq Ferrari e McLaren não podem se unir? Tem interesses em comum e o principal deles é o negócio que significa a razão de sua existência.

    Gomes, por favor, não compare Ferrari, McLaren e Williams com montadoras, elas estão lá há muito mais tempo. Elas nunca abandonaram o barco. São grandes equipes e representam a excelência em tudo o que está relacionado ao automobilismo.

    Abç

  17. Dino disse:

    A F-1 já faz tempo que tá de mal a pior. Tá na hora de acabar mesmo.
    Pelo menos assim vamos ficar livres do Galvão Bueno falando
    besteira.

  18. Eder Moraes disse:

    Se a FOTA aderisse ao teto orçamentário da FIA haveria demissões em massa nas montadoras.

    Sou FOTA!

  19. Carlos Renato - São Carlos disse:

    A limitação é algo horrivel veja o que aonteceu o Max consegui com as imposições colocar a Brawn uma estreante como virtual campeã antes da metade do campionato e pior conseguiu ferrar a ferrari e a mclaren, esta formula 1 q eles querem sem competição???

  20. ted disse:

    Eu só quero saber qual competição vai ficar com a Globo para eu assistir a outra, assim finalmente fico livre do Lixão bueno !!

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