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quinta-feira, 4 de junho de 2009 - 20:43Carros

OS NOVOS DEMÔNIOS

SÃO PAULO (e até amanhã) – Fecho o dia propondo uma reflexão da blogaiada (nossa, que coisa mais séria!). Ela deve ser feita a partir do artigo abaixo de Michael Moore, aquele cineasta que faz ótimos documentários muito críticos ao “American Way of Life”. Quem mandou foi a Joelma Couto, e o original em inglês pode ser lido aqui.

Depois eu volto para comentar.

*****

ADEUS, GM

Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.

Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares ansiosos a respeito do futuro da GM
e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão
abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma
cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?

É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência
programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos
anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela
mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público
queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah,
e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou
aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de
segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores”
carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão
para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho
sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar”
sua produtividade a curto prazo.

No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes,
milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros
países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores
americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de
tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos
compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma
maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do
sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram
chumbo em seus aquedutos.

Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda
não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer
da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal,
trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e
mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que
cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21
mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o
emprego.

Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros!
Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de
carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos
jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito
disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa
infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser
prioridade máxima.

Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas
poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia
alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que
a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e
ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se
deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra
especializada?

Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de
falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos
trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz
o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro
da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem
ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter
sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia
seja considerada:

1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl
Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra
e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em
indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia
alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua
produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para
construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou
muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.

Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós
travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes
corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os
produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje
verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças
climáticas e pelo derretimento da calota polar.

As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir,
mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza.
Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie
e boa parte do planeta.

A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do
petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o
petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando
até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo
do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.

Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser
verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta.
À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o
surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de
gasolina.

Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente
converter suas fábricas para novos e necessários usos.

2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela
continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para
manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a
construir os meios de transporte do século XXI.

3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O
Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este
ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de
atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5
décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia
capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de
trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso.
Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por
todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a
Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser
feito agora.

4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves
sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa
esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para
instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de
bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente
eficientes e limpos.

6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros
híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que
as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se
ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais.
Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite
em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos –
isso não é verdade)

7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para
moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia
alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente.
E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.

8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou
trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia
alternativa.

9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto
em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas
convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as
novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão
construir.

Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já
que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir
mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.

Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a
desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora
é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos
serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes
drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também.
Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar
ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através
da janela de um carro na Highway 1. E agora isso chegou ao fim. É um
novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos
trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse
momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.

Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte
certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint –
Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que
nós podemos fazer um trabalho melhor.

*****

É difícil não concordar com Moore, que é um sujeito muito eloquente e convincente, embora seja acusado, aqui e ali, de manipular fatos e dados para chegar às conclusões que deseja. Ele não é unanimidade nos EUA e em lugar algum, mas estou entre aqueles que admiram sua tenacidade para mostrar o que acha que está errado e, algumas vezes, apresentar soluções que muitas vezes parecem simplistas e inviáveis sob a luz da racionalidade.

A reflexão que esse texto nos leva a fazer é: qual o futuro desse negócio de que a gente gosta tanto, os carros? Serão eles, mesmo, os grandes vilões da humanidade? Por que, de um dia para o outro, qualquer coisa que tenha rodas e um motor virou um demônio?

Carros sempre foram, desde o início do século passado, quando a Ford os transformou em um produto acessível para qualquer mortal, um símbolo de liberdade e mobilidade. Graças a eles, a raça humana ganhou velocidade para ir de um lugar a outro. Os carros (e seus derivados) encurtaram distâncias, aproximaram pessoas, espalharam o progresso. É impossível imaginar o mundo sem eles.

O tempo foi passando e eles foram deixando de ser apenas um meio de transporte. Ganharam caras e formas, potência e charme. Realizaram sonhos e permitiram às pessoas ver o mundo à sua volta, foram para as telas do cinema, para as páginas dos livros, viraram objetos de culto.

Hoje não são vistos como nada disso, são o Mal esculpido em ferro, plástico e borracha, poluem, engarrafam as ruas, matam, furam a camada de ozônio, causam doenças respiratórias, derretem as geleiras, aquecem o planeta. Exagerando, gostar de carros é como fumar, faz de você um pária da sociedade, as fábricas quase se envergonham daquilo que produzem.

Mas e tudo aquilo que eles sempre foram, não vale mais nada? O prazer de pegar uma estrada com os vidros abertos, de rasgar o asfalto, de se sentir livre para ir aonde quiser ouvindo o murmúrio de um motor, o ronronar dos pneus no silêncio da noite, de se sentir parte dele, isso não conta mais?

As pessoas ainda gostam dos seus carros como eu, por exemplo, que nesta semana estou completamente apaixonado pelo jipinho russo que apareceu na minha garagem? Seremos todos uns foras-de-moda, cafonas e antiquados, condenados aos olhares de censura da modernidade?

Sei lá. Gosto dos meus carrinhos. Vou pegar meu jipinho nesta noite fria, ligar o ar quente e dar uma volta pela cidade. E se alguém olhar feio para ele e para mim, vou fingir que não vi.

117 comentários

  1. Daniel Ramos de Oliveira disse:

    O texto dele foi simplesmente ótimo.Tudo bem eu concordo com ele quando diz sobre os erros da GM,mas eu acredito que todos nós apaxoinados por carros adora ouvir o ronco de um potetente motor V8 rocando alto na sua frente,e sentindo toda a emoção de está acelerando e sabendo que você é o centro das atenções,e quando agente tá dentro de um desse,sem duvida acaba se esquecendo disso.Mas acredito que apartir de agora as pessoas vão querer ver carros mais ecológicos nas,mas tomara que nunca aconteça essas coisa de carro voador,carro que dirige sozinho etc,ideias absurdas que eriam acabar com a senção boa que é dirigir um carro,mas bem que as empresas poderiam começar a instalar motores movidos a Ethanol(o Brasileiro claro),Hidrogenio,Movidos a Eletrecidade e deixar o plástico,aço e outras coisas,para se utilizar materiais ecológicos,como a variedade de óleos e fibras que são produzidas atualmente,e que poderiam ser utilizadas tranquilamente no lugar desses materias que são usados atualmente.

  2. Hugo R.C disse:

    Não acho que a grande questão aqui seja o carro prestar ou não, a GM ser ou não a grande vilã deste enredo construído pelo M. Moore. O que não acho decente é o contribuinte Norte Americano (e nós também, por tabela, que pagamos essa farra do empresariado de potencias imperialistas) arcar com os prejuízos do capital privado. Durante as décadas de gordos lucros nunca vi a presidência da GM, ou de empresa alguma, ou seus acionistas e executivos bem pagos, distribuindo dinheiro para caridade, ou se preocupando com níveis de desemprego. Nesse ponto concordo com Moore, que se estatize a tal defunta, diminuindo os efeitos nocivos no mercado, nas nossas vidas, pobres mortais, atendendo a uma finalidade pública, ao invés de ficar injetando dinheiro publico no negocio privado, bancando a irresponsabilidade desses senhores. Ou então que a enterre logo, antes que comece a feder. Aliás, isso do governo ficar cedendo generosas quantias de impostos para empresário parece que virou moda recente, mas se fomos investigar melhor, veremos que essa prática é mais comum que se julga parecer. O problema é que, agora, se perdeu a vergonha, se faz “na cara” mesmo. Por isso costumo dizer que o interesse público é mais privado que se imagina. Não é por um acaso que os financiadores de campanhas eleitorais se incomodam tanto com um sistema eleitoral de financiamento exclusivamente público, que acabe com a chantagem, a dependência econômica da pecúnia privada nas candidaturas, na negociata as obscuras, na pilhagem da maquina pública. Ficamos aqui com discussões ingênuas, idealismos tolos, mas o fato é que nem temos idéia da sujeira que rola nos bastidores do poder, nem na bolada alta que está por trás disso tudo. É a mais pura verdade. Infelizmente.

  3. Lucas disse:

    Acabei me esquecendo…
    Pergunte aos ricaços e depois aos nossos políticos qual é à conta de luz gás e quanto se gasta por mês com combustível (carro helicóptero, avião, trem).
    Depois senta e chora, pois vocês espertalhões não podem gastar tanto com essas coisas legais (carrões, hidros, Paris, Dubai, Polinésia Francesa). Preferem economizar sua mísera conta de água luz ou o que seja…
    Pois não tem piscina nem 10 TVS de plasma, tão pouco um carrão na garagem.
    Abre o olho gente não estão cansados de fazer tudo para os outros viverem bem?
    Não sei nem como uma pessoa viveria nos dias de hoje sem utilizar coisa que poluem (seja diretamente ou indiretamente)

  4. Lucas disse:

    Parece até que esse bando de gente preocupada com a “poluição” acha que um dia vamos viver como em Blade Runner.
    É um bando de chatos.
    Quanta energia é gasta para se fabricar um par de tênis?
    Quanta energia é gasta para se fabricar um componente eletrônico do seu computador? Quanto lixo é produzido pelos ditos “eletrônicos” computadores que não tem mais uso e o escambal? Não olhem para nosso país, pois ele não é parâmetro pra nada…
    Olhem para os países ricos… Onde vocês acham que vão parar computadores obsoletos em países ricos? INCLUSÃO DIGITAL? HA HA HA
    Quanto dinheiro vocês acham que as indústrias ganham? Quanto dinheiro vocês acham que se gasta para “despoluir qualquer coisa”? Despoluir qualquer coisa é uma ação eficiente? De que modo?
    Ninguém se pergunta essas coisas?
    Simplesmente VOMITAM para todos os lados que o mundo vai acabar que a água vai acabar e o que valha.
    ESSES MESMOS CARAS andam de avião (polui pacas) usam produtos industrializados (as indústrias que os fabricam polui em pacas) todo tem suas casas, com luz elétrica, água encanada e esgoto, vivem em grandes metrópole e o cacete.
    Pergunta para um pobrezinho que mora no interior do sei La onde se ele se importa com essa baboseira… Esse cara quem uma geladeira, uma TV, um burrinho e meia dúzia de vacas. Pergunte a um CHINES bem La do interior da china o que ele acha disso…
    Vão à merda… O mundo é muito maior que um bando de rico querendo cagar regras… O mundo precisa de outras coisas e não de um bando de ecochato pentelho que fala um monte de merda e os bestas acreditam…
    Como já dizia Anatole France
    “Se 5 bilhões de pessoas acreditam em uma coisa estúpida, essa coisa continua sendo uma coisa estúpida”

    A poluição é um problema de todos? Que seja. Existem problemas muito maiores pra se preocupar.
    A poluição não vai acabar com o mundo nem nada disso… Acabaremos-nos com nos mesmos uma hora ou outra e não teremos tempo de usufruir do nosso universo Blade Runner.

    As favas

  5. Edilson Vieira disse:

    O problema não é o carro, mas, o que foi feito da invenção de Daimler e Benz. Há muito tempo que os motores á combustão deveriam ter sido encerrados (a patente do carro elétrico é de 1920!) são os motores a explosão que poluem e destroem mais a natureza, mas do que qualquer fábrica. O problema é que os americanos da industria petrolifera do começo do século passado achavam que suas reservas seriam suficientes ou podiam dominar os “atrasados” árabes e explorar todo o petroleo do jeito que bem entendessem. Todo mundo paga caro por isso hoje. Se hoje tívessemso carros a hidrogenio, ou eletricos em massa, a historia seria outra. Ah, mas sossegue, FG, vai demorar outro século para que os carros deixem de ser o que significam para nós ainda hj.

  6. Side Show Bob disse:

    Não adianta falar em reduzir emissão de carbono na atmosfera, seja através de bondinhos elétricos, ou impedindo a queima sistemática de áreas florestais.

    O único caminho é a urgente redução nos níveis de natalidade.

    Não adianta acabar com carros com motores de combustão interna, enquanto o petróleo continuará sendo extraído para fabricar plástico, isopor e fertilizantes para saciar necessidades básicas de um crescimento populacional vertiginoso e irresponsável.

    Poluição, ocupação desordenada do solo, criminalidade, escassez de alimentos, destruição dos mananciais de água passível de potabilidade…

    Tudo isto é inútil discutir, sem antes, ter um objetivo, concreto e coercetivo controle de natalidade.

    Quanto ao discurso do Michael Moore, tão óbvio e cheio de clichés como normalmente ele faz com uma câmera nas mãos. Uma elégia ao politicamente correto e ao irreal.

  7. Rafael Jorgens. disse:

    E isso que a GM acabou com os bondinhos nos states.

  8. Luis disse:

    A GM, ah a GM…
    O mundo em mudança constante, tudo muda, amanhã tudo será diferente. Não sei se melhor, mas será diferente.
    Pode ser que não saia pra trabalhar. Poderei ficar em casa por vários motivos, vou tentar enumerar alguns deles.
    - Os produtos que produzo duram por volta de cinco anos, porém incentivamos o consumo desenfreado deles para que eu possa produzir cada vez mais e pior.
    - Os meus chefes, acho eu, que não têm nem idéia do que produzo, a maioria deles, não tem a mínima idéia do que produzo e de como produzo, apenas querem que eu produza mais e “melhor”, aliás, eles nunca estiveram em um chão de fábrica.
    - Os meus chefes ganharam “bônus” que eu não sei qual o motivo, e acredito que nem eles saibam, mas claro que o bônus que eles ganharam é maior que o salário que eu iria ganhar na mesma companhia se trabalhasse lá por toda a minha vida.
    - Executivos, ah os executivos, estes ganham cada vez mais, fazem cursos no exterior, falam diversas línguas que eu não sabia nem que existiam, porém não tem a mínima idéia de como um motor de carro funciona, não tem a mínima idéia de como um carro é produzido.
    - Mas eles se preocuparam. Preocuparam-se em absorver outras marcas que tinham qualidade e história como principal produto, e agora não tem futuro.
    - Os executivos, ah os executivos. Estes estarão em outras empresas, ganhando bônus ainda maiores, “alavancando” negócios ainda maiores, porém com um futuro breve e certo.
    - Os funcionários da GM sabem muito bem disso.
    - Eu provavelmente saberei em breve…

  9. Ivan Tadeu disse:

    Flávio,
    O Michael Moore é um idiota: simples assim!

  10. carlos alberto moraes disse:

    com esta onda de motores com consumo menor la o governo deixa de ganhar muito em impostos , quero ver como vao tirar esta diferença .

  11. Marilia Compagnoni Martins disse:

    eu tb quero uma garagem onde jipinhos russos apareçam!!!! :P

  12. Lucas disse:

    Esse papo ecochato já deu nos colchões.
    Porque diabos nos do terceiro mundo (não que o texto diga isso) deveríamos nos preocupar com consumo de energia ou poluição??
    Veja bem:
    As mega indústrias não vão deixar de poluir (e vão encher o rabo de seus donos de dinheiro)
    Os países de primeiro mundo não vão deixar de consumir produtos que consomem energia (um americano médio tem cinco TVs em sua casa, dois carros com motor grande, consomem uma enormidade de produtos, que para serem feitos, poluem e gastam uma infinidade de energia e sem ser repetitivo, encher o traseiro dos donos de dinheiro).
    Uma indústria, por exemplo, que fabrica aço ou como a COSIPA, ou uma que produz fertilizante, deve poluir em um dia o mesmo que do todos os carros da cidade de São Paulo poluem em um mês.
    Esse papo de consumo de energia só vale pra pobre. O rico não vai deixar de consumir a qualquer custo a energia que consome.

    Penso que muita coisa que é dita o pessoal engole porque acha bonito, legal, politicamente correto. Ninguém para pra pensar e comparar a quantidade de energia que um cidadão brasileiro consome contra a quantidade de energia que um americano comum consome (o mesmo vale para a poluição)

    Abre o olho pessoal… Esse papo de que a água vai acabar é papo furado antes disso nos Seres Humanos não mais estaremos por aqui. O mesmo vale para as florestas e o escambal. Árvore não limpa ar nenhum, os fabricantes O2 do nosso planeta se chamam Cianofíceas ou ciano-bactérias.
    Para acabar um misero vulcão, isso mesmo um misero vulcão ativo, produz em um dia o mesmo que TODOS OS SERES HUMANOS PRODUZEM EM um ANO dos ditos gases de efeito estufa (diga-se de passagem, que o efeito estufa é natural do planeta terra sempre existiu mesmo milhões de anos antes de nos darmos a cara nesse planeta).

    Não sejam enganados e sempre se lembre que os ricos consomem e nunca vão parar de consumir

  13. Luciano disse:

    Olha Flavio, esse texto do Michael Moore tem toda a coerência, mas o grande problema está neste mundinho chamado EUA, que é onde ele vive. Admiro a eloquência e sensatez dos textos e filmes dele, mas todos eles miram os EUA somente, assim como o “American Way of Life” – e essa verdadeira zona economico-ecológica que o mundo virou se deve em enorme parte aos EUA. É muito poético falar para o mundo usar trens bala (acho que é assim) e deixar os carros de lado, mas dizer que os carros já nos serviram demais é coisa para americano ouvir, principalmente por possuírem – até hoje – peruas e carros enormes, beberrões e pesados, que engolem a natureza, enquanto que o restante do mundo dirige veículos mais leves, menores e tão seguros e ágeis (ou mais) quanto as banheiras americanas dos últimos tempos – e olha que eu sou um apaixonado pelos carros americanos das décadas de 50 e 60!
    É tudo questão de bom senso – não tem a menor lógica usar uma Veraneio para ir trabalhar, sozinho, todos os dias; assim como é ridículo hoje alguém dizer que não recicla pois “não tem tempo” ou “o poder público tinha que fazer isso” – não se trata só de carro, GM ou petróleo, trata-se de mudanças de prática, para mudar a cultura! O mundo não sustentaria nunca cinco países iguais aos EUA (e estamos nesta pindaíba porcausa disso), mas falar para algém guardar em casa e ir de trem bala é simples quando se tem um carro (ou até dois) na garagem, e mora numa linda casa – diga isso a quem pega um ou dois ônibus lotadaços para o trabalho/escola todo o dia, e tem que abreviar horas de sono porcausa disso; ou então tem que se isolar no bairro ou cidade onde mora devida a falta de carro. Posso estar sendo muito duro no meu comentário, mas vejo que ele é muito específico para a realidade americana (e porque não, canadense), que é bem diferente do resto do mundo. O meu grande receio é que isso acabe virando o padrão para TODO O MUNDO, e todo o mundo vire bandido de uma hora para outra.
    Fui na terça-feira para Floripa no meu Opala 74, saindo daqui de São Bernardo do Campo, e voltei para cá ontem. Foi um tesão de viagem, e se pudesse, faria tudo de novo hoje (e vou fazer o ano que vem, com algum outro antigo – se quiser, mando uma foto dele em Floripa). Realizei um sonho (sim, sempre quis viajar de carro antigo até algum lugar mais longe que a esquina), e recomendo a cada um que tenha carro antigo a deixá-lo em ordem para aguentar o tranco e colocá-lo na estrada, pois é bom para todo o mundo; e se algum eco-chato me olhar torto, eu não vou querer nem saber, pois por outro lado, preservamos e fazemos a história rodar. E não vai ser porcausa deles que vou vender meu Opala, o GTB, o Fusca ou qq outro carro (seja antigo ou novo), e me espremer no ônibus desregulado e superlotado para fazer o que precisar fazer, ou então ver o mundo deixar de ter um certo conforto porque os americanos estão falindo e não poderão mais manter dois SUVs gigantes na garagem (mas podem continuar comendo em uma semana a mesma quantidade de calorias que muitos brasileiros, chineses e indianos comem em três meses – aliás, alguém fala desse tipo de impacto ambiental provocado pelo consumo exagerado de alimentos e a consequente sobrecarga à cadeia produtiva de alimentos, remédios e insumos hospitalares, e quais os efeitos colateriais para o planeta?).
    Um abraço!

  14. José Renato disse:

    Não perdi tempo lendo o texto, apenas li os seus comentários.

    Mas, invariavelmente, tem sido assim, em tudo o que a gente vive: o óleo das frituras, por exemplo, é o responsável pela poluição das águas, e não se fala das grandes indústrias que, para ganhar rios de dinheiro, degradam os rios, que já não são mais só de água.

    Acho que cada um deve ser responsável pelo bem estar geral, mas dentro dos limites.

    Eu, por exemplo, vou tirar o catalisador do meu carro! hahaha.

    Abraços

  15. Marcio cordeiro disse:

    Brasil e EUA nao investem em trens bala, trens -balas ,trembalas? porque eles transferem todo seu orçamento na confecçao de balas ou uso das mesmas.EUA nas guerras e Brasil no trafico internacional pra abastecer os antes prodres de ricas fossas nasais europeias e norte americanas.

  16. Mário Mesquita disse:

    Pô, então se eu sair com meu LeBaron podre, eu vou preso? Ele polui mais pela “farofa” de ferrugem que deixa na pista… Vou trocar por um Gordini então. Para as pessoas deixarem mais o carro em casa, transporte publico decente e barato resolve. Aqui no Rio pra se ter um confortinho, só de van. Curioso é o monte de onibus para a zona sul vazios, já pro suburbio, lata de sardinha. Assim não dá pra ser feliz! Se o cara consegue comprar um chevelho ou uma moto, já tá dando uma banana pro busão. Para homenagear a Chevrolet vou dar uma volta no meu 52 esse fim de semana. R.I.P. Chevy!

  17. Enio Peixoto disse:

    “À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.”

    Já tem americano matando e morrendo por gasolina lá no Iraque.

    Moore é meio exagerado, mas tem razão. Como é que um país de dimensões continentais como os EUA (e o Brasil também) não tem trem bala.

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