TO PIZZA OR NOT TO PIZZA? | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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quarta-feira, 24 de junho de 2009 - 18:58F-1

TO PIZZA OR NOT TO PIZZA?

SÃO PAULO (ficou enorme, nunca mais escrevo sobre isso!) – Passada a tempestade, ficam duas perguntas. Terminou tudo em pizza? Quem ganhou e quem perdeu, afinal?

Primeiro, é um equívoco acreditar que tudo não passou de um teatro e que era fácil adivinhar seu desfecho. Não. Houve possibilidades reais de ruptura e temores dos dois lados. Das equipes, porque seriam incapazes de montar um campeonato em tão pouco tempo. Da dupla FIA/Bernie, de perder o que sempre tiveram, o controle da F-1. As chances maiores eram de um acordo, sim. Porque ele era necessário. Se não houvesse, porém, estariam todos lascados. E cada lado sairia a campo para lutar por sua sobrevivência, um tentando matar o outro. É assim nas guerras.

Mas houve um acordo, a guerra acabou, e voltamos às perguntas iniciais.

Terminou tudo em pizza?

Bem, pizza, assim, do jeito que a gente conhece, a clássica “fica tudo como está”, não. Afinal, a F-1 de 2010 será outra. O ambiente todo mudou. Max Mosley não será mais o presidente da FIA. Sem ele no comando, os times/montadoras podem pensar um pouco à frente, em colocar na cadeira do rei do chicotinho alguém mais simpático às suas causas. Não há pizza aí. Além do mais, o Mundial terá três equipes novas, algo que não aconteceria de forma espontânea. Será um campeonato diferente, que agrega mais três independentes, equilibrando um pouco a relação fábricas x “garagistas”. Não, definitivamente, sob esse ponto de vista, não acabou tudo em pizza.

Mas…

Há algumas sutilezas que devem ser observadas nesse episódio todo, e é preciso voltar um pouco no tempo para tentar compreender cada passo dado pelos combatentes nos últimos meses.

Max comanda a F-1 desde 1991, quando assumiu a presidência da FISA, o braço esportivo da FIA. Esse órgão seria extinto alguns anos depois. Mas em 1993 Mosley foi eleito presidente da entidade principal, o que dá na mesma.

Bernie sempre foi seu aliado, especialmente quando, no final dos anos 90, a Comissão Europeia acusou a FIA de monopólio por controlar tudo que dizia respeito à F-1 sem dar chances a ninguém de participar do racha do butim. Em 2000, numa manobra até hoje considerada bizarra, a FIA (leia-se Mosley) repassou os direitos comerciais da categoria à FOM (leia-se Bernie) por 100 anos. 100 anos! Estava, de certa forma, descaracterizado o monopólio que a Comissão Europeia contestava.

E tudo seguiu mais ou menos em paz, com um Pacto da Concórdia assinado em 1998 por dez anos, quando a presença das montadoras na F-1 ainda era fraca. Em 2007, porém, quando o acordo deveria ser renovado (para quem não sabe, o Pacto rege todas as relações entre FIA, FOM e equipes, comerciais e regulamentares), o quadro era outro. As fábricas, que tomaram a categoria de assalto, tiraram o pescocinho do engradado e começaram a pleitear fatias maiores das receitas que, achavam, eram magras demais para elas, as donas do espetáculo.

O que Mosley e Bernie fizeram? Cooptaram a Ferrari, assinando um contrato paralelo com o time de Maranello dando direito de veto aos italianos em questões ligadas às regras. Com a Ferrari ao seu lado, montadora nenhuma estaria disposta a encher o saco da dupla. Dupla que, diga-se, nunca confiou nelas, as montadoras, sob o argumento, muito aceitável, de que elas não tinham compromisso com o esporte, mas sim com seus balanços financeiros. Não iriam entregar nada a corporações que no dia seguinte poderiam se mandar da categoria. E foi assim, com esse equilíbrio meio mambembe, que a F-1 sobreviveu até setembro do ano passado, quando foi criada a FOTA.

Luca di Montezemolo, que não é tido como gênio por seus pares — antes, tem a fama de meio bronco e midiático além da conta —, assumiu a presidência da associação das equipes. E a Ferrari, que sempre rezou pela cartilha da FIA, alinhou-se às fábricas que, de novo, queriam fatias maiores do bolo que Bernie sempre mordeu com apetite inversamente proporcional ao seu diminuto tamanho. Foi assim que começou a guerra. Porque, além de querer mais dinheiro, as equipes-montadoras tinham um medo.

Mosley, àquela altura, já havia lançado, talvez na melhor das intenções, as bases de sua F-1 popular, barata, controlada. Controle. Era isso que apavorava os times das montadoras. Não é um acaso o fato de que as duas únicas associadas da FOTA que ficaram com a FIA sejam equipes realmente independentes. Têm nas corridas sua atividade principal. Não prestam contas a ninguém, exceto à Receita dos países onde estão sediados.

Ferrari, Toyota, Renault, BMW Sauber, McLaren, Red Bull e Toro Rosso são, por assim dizer, “filiais” das matrizes que fazem carros e latinhas de energéticos. A Brawn é a exceção nesse grupo, cuja decisão de não correr para a FIA é, para mim, ainda um mistério. Essas sete se arrepiam só de pensar em ter alguém de fora controlando suas contas, digamos, pouco ortodoxas. O medo não era tanto do teto. Era de ter alguém escarafunchando livros e notas fiscais para fiscalizar seu cumprimento.

Esse era o ponto. Foi por isso que os ânimos se acirraram tanto.

Vencedores e vencidos?

Bem, pelo comunicado oficial do Conselho Mundial, as equipes das montadoras (como estão sendo chamadas) não farão um campeonato novo, mandando em tudo, de cabo a rabo. Aí temos uma vitória da FIA. O regulamento, por outro lado, será o mesmo deste ano com algumas bobagens extras, como proibição de mantas térmicas nos pneus e fim do reabastecimento. Vitória dos times, que pediam estabilidade das regras. As equipes, por sua vez, vão reduzir seus gastos genericamente “aos níveis do início dos anos 90”. Vitória da FIA, mas neste caso apenas retórica, porque quero ver quem é que vai fiscalizar isso. O que veremos serão medidas práticas de economia, como equipamentos padronizados, motores e câmbios mais baratos etc. Mas elas, as equipes, continuarão aceitando a FIA como órgão regulador e fiscalizador das regras técnicas e esportivas, vitória da FIA de novo, que segue à frente da categoria como sua principal governante, algo de que Max não abria mão.

Mosley concordou em não concorrer à presidência em outubro, e aí temos uma vitória clara das equipes, que não o queriam mais no comando da federação. Mas todas se comprometeram a seguir os acordos comerciais da FIA até 2012, concordando em renegociar seus termos e estender o Pacto da Concórdia antes que ele expire. Mais um ponto para a FIA, e este é o mais importante.

Aí sim temos uma pizza das mais recheadas. Saborosíssima para Bernie Ecclestone, que no fim das contas é o grande vencedor dessa parada toda (alguém duvidava?). Afinal, o que todos queriam era controlar o dinheiro. E é ele que continua chefiando as finanças, dando as cartas, assinando contratos com TVs e promotores de corridas.

Para os times, de certa forma, tudo bem. A não-adoção do teto orçamentário permite que elas continuem gastando à vontade, sem controle externo. É uma espécie de compensação. Sem o teto, podem seguir com sua atual, digamos, liberdade financeira — que deixaria qualquer fiscal honesto do imposto de renda de cabelos em pé.

Assim, pode-se dizer que não há propriamente vencedores e vencidos, Ecclestone à parte. Nem Max foi à lona, nem os times ajoelharam diante da sede da FIA na Place de la Concorde pedindo perdão por seus pecados.

Cada um cedeu um pouco. A FIA continua fazendo as regras e Bernie segue com sua caixa registradora tilintando. As equipes e as montadoras não terão de se preocupar com situações constrangedoras caso alguém venha rebuscar seus livros fiscais. No que diz respeito àquilo que move o mundo, a grana, aí sim a redonda foi para o forno. E, a esta altura, a mozzarella já derreteu e todos comeram.

83 comentários

  1. A. CESAR PARDINI disse:

    Um cenário gozado– Brigando por falta de teto, e com cada -uta motor home! Não entendo essa turma.

  2. A. CESAR PARDINI disse:

    Mamma mia, se terminou em pizza, felizes aqueles que comeram um pedacinho pequeno, porque senão terão indigestão (ão, ão,ão). A coisa não acabou. O Max quer que Montezemolo desculpe-se publicamente por ter dito que quem está dirigindo a FIA no momento é um diretor; e ele já anunciou que pode mudar de opinião até Outubro. Quem vive o estado emocional dele, vergastado por chicotes verbais, e recebendo ordens de Bernie para ficar quietinho,deve estar pirando. Ele vai deixar os prazos mais críticos para eventual organização de providencias por parte da FOTA, e vai detonar tudo de novo. Segura que ainda vem rojão.

  3. Marilia Compagnoni Martins disse:

    acho que o Mosley quer ver vc escrevendo sobre isso mais um bocadinho…

  4. andré frej disse:

    Parabéns, Flávio. Bastante elucidativo o seu comentário.
    Outrossim, nas postagens percebi um tom de preconceito de alguns em relação ao Max Mosley. A vida pessoal dele em nada influencia sua atuação como dirigente máximo da principal categoria do automobilismo mundial.
    No mais, infelizmente, prevaleceu o vil metal.

  5. Alessandro disse:

    Muito bom comentário do Flávio Gomes!

    Também admirei os comentários do FG no GP de Silverstone. O que eu discordei foi a opinião que afirma que as montadoras tomaram a categoria da Fórmula 1 de assalto. Embora a F-1 tenha surgido de competições entre garagistas, nunca houve uma cláusula que proibisse a entrada de montadoras. Acho que elas estão no seu direito. A equipe Williams não pôde estar do lado da Fota não porque fosse contra ela, mas devido aos contratos firmados com a FOM e a FIA até 2012, como eles mesmos deixaram claro. O chefe da Williams está na expectativa de voltar a fazer parte da Fota e afirmou categoricamente que nunca esteve contra a Associação das Equipes, apesar dos seus compromissos contratuais (e que fique claro, os empregados da Williams vivem exclusivamente da F1). Aliás, segundo o Sr. Max, até Red Bull e Toro Rosso estariam inscritos incondicionalmente por compromissos contratuais (quanto a isso eu não sei). A Ferrari também teria contrato firmado até 2012, como FG disse, com uma cláusula de veto em questões relacionadas às regras da F1. Como o direito de veto da Ferrari foi desrespeitado na questão do teto orçamentário, então Montezemolo afirmou que não mais existia um contrato que impedisse a saída da equipe de Maranello (quebra contratual por desrespeito à cláusula que lhe dá direito de veto).

    As equipes das montadoras têm sido discriminadas por querer uma fatia maior na receita da F1, mas que diríamos de Red Bull, Toro Rosso e Brawn GP? A Williams possui um contrato bastante lucrativo com a FOM e a FIA, e o que dizer disso? Se operários de uma empresa, por exemplo, estão insatisfeitos com a falta de reajuste salarial, eles têm ou não têm direito a reivindicações? Observem que o simples fato de uma equipe ser de montadora não a exime de seu direito de reivindicação, assim como não exime as independentes de questionar a divisão de receitas na F-1.

    Outra opinião de imprensa e de alguns jornalistas é que as montadoras conseguiram o que queriam, tentando tapar, assim, o sol com a peneira. Pergunto: Os times (ou equipes) da F-1 conseguiram o que queriam ou foram apenas as montadoras? A Fota é a Associação das Montadoras de F-1 ou Associação dos Times da Fórmula Um? A Fota é uma associação composta exclusivamente de montadoras ou de times em geral, sem distinção entre garagistas e montadoras? Caso a FIA ache que as montadoras não possam mais pertencer ao circo da F-1, teriam elas direito ou não de formarem uma nova competição para elas? Um empregado, por exemplo, que não concorda com as políticas adotadas pela empresa onde trabalha tem ou não tem direito de pedir demissão e procurar outro serviço? Suponhamos a existência de uma associação, Associação dos Empregados da Caixa Econômica Federal, por exemplo. Essa associação de empregados tem ou não tem direitos para reivindicar algo para a categoria? E neste exemplo, poderíamos julgar que essa associação estivesse querendo se apossar da Gestão da CEF? Seria uma reivindicação sinônimo de querer usurpar um poder? Poderíamos entender as reivindicações da Fota como uma tentativa de assumir o lugar da FIA como entidade regulatória?

    Não vou aqui estender o assunto, pois já estou me delongando muito aqui e comentar um assunto como esse de forma muito sucinta seria como escrever um livro. Quem, entretanto, quiser discutir o meu comentário, estarei aberto para tal, o que parece não ser o caso, visto que mais são os que estão do lado da Fota e os que estão em cima do muro que os que estão do lado do Sr. Max Mosley. Entendo também a opinião daqueles que dão preferência única aos pilotos, sem se interessar pela competição entre construtores, afinal isso obscurece a atuação de certos pilotos, que poderiam ser talentosos com carros bons. Não dá para comentar sobre isto agora. Queria mais era resumir este jornal. O Word acusou quase 4000 caracteres, cerca de 04 comentários com capacidade para 1000 caracteres cada. Até mais, pessoal!!!

  6. Air Junior disse:

    É muita viagem da minha parte imaginar que todo esse barulho, com respeito a possibilidade de uma fiscalização mais radical de todos os gastos da F1, era o temor da descoberta de uso da F1 para lavar dinheiro “sujo”?? Estou viajando ou não??

  7. MSM disse:

    Cão que ladra, não morde, ou continua tudo como antes no quartel de abrantes.

  8. Lionel disse:

    Se o Gomes permitir gostaria de esclarecer uma duvida da ala femina que merece toda atençao…

    Enviado por: Marilia Compagnoni Martins
    esqueci
    será que agora, com a saída de Max, Ron Dennis volta?

    Marília o Ron Dennis não saiu por causa de Max Mosley, isso foi divulgado na midea e pegou…a prova é que a MclarenMercedes estava se lichando pra FIA e Mosley..estava na FOTA…
    A verdade é que Mosley nunca teve NADA com sua saida…
    Quem provocou sua saida foi a Mercedes …já haviam feito isso no passado ..a McLaren caiu…ai chamaram Ele de volta..
    Eu falei a mesma coisa dessa vez ..a McLaren vai cair….como caiu….talvez eles chamem Ele de volta…mas acho dificil…alemão é meio cabeçudo…adora PODER….acha que sabe tudo..( sabe fazer motor…mas não sabe dirigir uma equipe…) alemão venera PODER …o Max Mosley é inglês filho de alemão foi criado como alemão VENERANDO O PODER ficou cego…e deu no que deu…
    Enfim torço para Ron Dennis voltar…mas acho dificil…
    Ah …parabéns pelo comentário do HC .ESTÁ PERFEITO…..eu não sei escrever tão bem é isso ai .falou direitinho .e falou também do castigo de DEUS…que Eu havia esquecido…
    abraços à todos
    Lionel

  9. Cleiton Pessoa disse:

    excelente texto, perfect!.
    O dono da propaganda é quem manda, sempre.

    Mas no fundo isso me cheira a coisas do Duda Mendonça heim…. ele deve ter ligado pro Bernie e dito: – Cara, resolve isso ou eu e o Lula não vamos mais injetar dinheiro da Petrobrás em propaganda e commodities…

  10. Rodrigo Duarte disse:

    Seguindo a linha de alguns acima, perfeito, sem comentários, assino embaixo.

  11. Eduardo Nascimento - Blu/SC disse:

    E assim a vida segue!!!

  12. Flávio disse:

    Perfeito, xará! Abraço

  13. regi nat rock disse:

    Esqueci.

    Excelente análise Flavio.
    Como sempre.

  14. regi nat rock disse:

    Repito o que já escrevi outras vezes.
    PERDEU A GRAÇA.

    F 1 é um vício que me acompanha desde os anos 60.
    Já faz parte da minha natureza.
    Vou continuar assistindo, torcendo pelas ‘rossas’ já que sou fã a muuuuuito tempo.
    Phoda-se quem manda ou desmanda.
    Eu mesmo não ganho nenhum tostão com ela, ao contrário, gasto, e ajudo a encher as burras, direta ou indiretamente de todos os que dependem dela para sobreviver ou simplesmente enriquecer.

  15. JP disse:

    Às vezes penso que a F-1. é igual à Igreja Catolica: retrógrada, ultrapassada, preconceituosa e um “elefante branco”. Mas tem prestígio e nome e, dificilmente os perderá.

  16. askjao disse:

    Dizer o que… perfeito post. Passa régua e fecha a conta!

  17. Side Show Bob disse:

    A Brawn GP realmente merece uma análise perfunctória, pois, nela tudo parece desconexo e paradoxal.

    Uma equipe novata, liderando o campeonato e praticamente sem patrocinadores (no site há anuncio de lojas de roupas e outras menos cotadas).

    Na seara política seu alinhamento às equipes-montadoras foi igualmente surpreendente, afinal é a equipe mais independente.

    Afinal o que Brawn Quer?

  18. Cristiano Azevedo disse:

    Eu avisei. A culpa é do Bernie.

  19. João Ferreira disse:

    Pois é…depois que a FIA percebeu que a ameaça da FOTA era séria e não tinha meios de ganhar dinheiro sem as antigas equipes, eles pensaram e agiram de forma sensata.

    No xadrez seria um belo empate, alguns sacrifícios de algumas peças, mas ninguém teve o rei derrubado….

    Pelo menos a crise ajudou a concientizar todos, se não se controlarem, Honda, Toyota e Renault não aguentam e pedem pra sair…

    O duro vai ser ver as equipes conseguirem se manter a custos reduzidos ou limitados…

  20. Charles disse:

    É óbvio que no fim das contas Bernie e a FOTA foram os que mais ganharam nessa história toda.

    Bernie porque manteve seus lucros e seus interesses intactos.

    A FOTA porque queria estabilidade nas regras (conseguiu), eliminação do KERS (conseguiu), redução de custos sem teto orçamentário (conseguiu), regulamento único para todos (conseguiu), exclusão de Max Mosley do comando da FIA (conseguiu), participação dos times na definição do regulamento técnico e esportivo da categoria (conseguiu).

    A única coisa que Mosley conseguiu foi trazer 3 times novos para a categoria. Mas a partir de agora ele não apitará em mais nada no automobilismo. Ocupará uma vaga no senado da FIA, tal qual Ballestre ocupou após ser destituído. Mas seu poder será nulo.

    Nos últimos meses, Mosley cometeu uma série de erros de argumentação que só denotaram o seu autoritarismo e necessidade de poder.

    Engana-se quem pensa que ele sempre detestou as montadoras: seguindo recomendações de seu padrinho Ecclestone foi ele quem começou a implantar mudanças de regulamento técnico aumentando os custos da F1 e sufocando os times independentes (pneus com sulcos, volta da eletrônica, etc).

    Do mesmo modo, ele também estrangulou o campeonato de marcas no começo dos anos 1990, onde corriam Mercedes, Peugeot, Mazda, Toyota entre outras para trazê-las para a F1. Como algumas montadoras migraram para o WRC (Toyota), ele começou a estrangular também o regulamento do WRC.

    O discurso de Mosley contrário as montadoras só surgiu quando elas começaram a reclamar da fatia do bolo que recebiam de Bernie Ecclestone.

    Enfim, Mosley cometeu vários e vários equívocos no comando da categoria, sempre exercitando seu autoritarismo com medidas de “tentativa e erro” que só fizeram aumentar o custo da F1. Pensava que teria sempre Bernie a sustentá-lo e no fim das contas caiu do cavalo.

    Se há um perdedor nessa guerra toda, esse foi Mosley.

  21. MarceloPOA disse:

    Pelo que li aqui, esse episódio todo é como como a história do bode. A FOTA queria mais dinheiro. Veio Max/Bernie e disseram que haveria teto orçamentário (o bode). Brigaram, brigaram e chegou-se a conclusão de que não haveria mais teto. Fizeram as pazes. E a divisão do bolo???????? Ficou como estava e Bernie queria.

  22. Flavio disse:

    Impressionante Lionel, suas fontes são mesmo surpreendentes pois nem a Autosport (revista inglesa com ampla cobertura do mundo da F1) divulgou nada disso.

  23. Nilo disse:

    Eu estava pensando o mesmo que a Marília falou acima.
    E o Ron? Será que ele volta?

    Qual a sua opinião, Flavinho?

    By the way, concordo que não acabou em pizza, não. Mudou bastante coisa, para que tudo permanecesse igual, mas acabar em pizza tem outro significado.

  24. porsche 917 disse:

    Quem ganhou foi o Ecclestone que dobrou os times, com os contratos no bolso era só acionar os rebeldes na justiça, que todos teriam que abrir a carteira. Todo barulho pra nada; e tem mais agora estão articulando pra por o Todt no lugar do Mosley pra tríade Bernie-FIA-Ferrari permanecer macumunada e o jogo seguir com cartas marcadas; ou seja, só vai mudar a mosca, a merda permanece a mesma.

  25. HC disse:

    Não, não.
    O Max perdeu, e feio.
    Ele não disse que as regras do campeonato eram essas?
    Que o teto era necessário no ano que vem?
    Que quem não concordasse que saísse?
    Que ele (FIA) homologava qualquer categoria que fosse proposta?
    Que a F1 sobreviveria sem as montadoras e sem a Ferrari?
    Sim, ele disse tudo isso.
    Entrou nessa guerrinha besta de egos com a FOTA porque achou que fosse um blefe dela.

    Mas a FOTA bancou.

    E aí o Bernie entrou na história e disse:
    “Max, meu filho, vc está fazendo uma baita cag%#$@¨!
    Nós precisamos desses caras. Eles tem os carros, a grana, a visibilidade e os pilotos!
    Se eles saírem nosso campeonato vai ser uma bos%#%&@&!
    Baixa tua bola e faz um acordão aí senão o bicho vai pegar.”

    E agora perdeu até a vez dele no ano que vem…

    Deve estar sendo penitenciado por uma safadzinha nazi com um chicotinho vermelho em algum inferninho da baixa London.

    Perdeu preibói!

  26. Rogério Magalhães disse:

    Para mim, uma pizza portuguesa, por favor…

    Entre mortos e feridos, salvam-se todos, saída honrosa para todos e tudo continua circulando como deve circular… e Tio Bernie é quem sai como o grande vencedor, porque afinal de contas, quem manda mesmo na bagaça é ele… e o cabra não rasga dinheiro… aliás, como é que anda o rolo do Bernie lá com a ex-mulher dele, sobre a divisão da fortuna? Será que isso também não entrava na conta da preocupação dele?

    Bom, o que vale mesmo é ver os carros na pista, com todos os pilotos carregando o lastro mais pesado na barriga por conta dos vários e vários pedaços dessa pizza devidamente filados…

    Como diria o outro, “que faaaaaaaaaaase”…

  27. Celso disse:

    Todos ganharam, pois ficou tudo como esta.
    Os grandes perdedores somos nós, que continuaremos a ver as mesmas coisas chatas e tediosas.

  28. Aliandro Miranda disse:

    Olha, sinceramente nem li seu texto. Mas vou responder apenas à pergunta do primeiro parágrafo. Quem perdeu fomos nós, otários, que ficamos lendo notícias e especulações, enquanto as três figurinhas aí da foto continuam com seus bolsos cheios de dinheiro, jogando rumores noticiosos apenas para atender a seus interesses puramente particulares, que nem eu nem você temos a ver com eles.

  29. fabio audi disse:

    pizza nao tem recheio tem cobertura

  30. Pedro Araújo disse:

    …lembrei de uma coisa que não pus no comentário grande lá de cima…

    Num sei não, acho que essas modificações pro ano que vem vão dar um trabalhão pras equipes…

    Nem tanto a proibição do aquecimento prévio de pneus, isso só muda o tempo que se demorará, na pista, pra chegar àquela temperatura ideal.

    Mas acho que essa coisa do reabastecimento é que vai ser uma mudança bem marcante. Pra começar, se mudar a capacidade do tanque, mudou o centro de gravidade, a diferença entre os pesos máximo e mínimo em uma corrida, o peso total que o carro terá…

    Pelo que a gente vê, nesses carros qualquer coisinha já significa uns décimos a mais ou a menos, já faz diferença.

    Fora o fim as defenestradas ultrapassagens das paradas de box, né?

    Mas quer saber? Eu acho legal as paradas de box. Acho que deveria era liberar de novo a escolha de pneu, cada um usa o que quer. Sem essa de prime e option. Mesmo porque isso parece coisa de transformers…

  31. Rodrigo West disse:

    Imagina se o tio Bernie ia perder a bocada dele…

    Mas vejam que curioso, seria o Leão Lobo fazendo cobertura de F1??

    http://www.f1-live.com/f1/photos/imgactu/zoom09/mosley-silverstone-z-02_200609.jpg

  32. Seven disse:

    sou deficiente tecladístico:

    se acabar com o reabastecimento, os carros vão ter uma… …regulamento esportivo

  33. Seven disse:

    se acabar com o rabstecimento, os crros vão ter uma mudança dinâmica significativa – precisarão levar pelo menos o dobro do combustível que carregam hoje (mais peso, mudança no CG, etc). isso não é uma mudança só no regulaento esportivo, é no regulamento técnico também.

    e outra coisa, completando o comentário do Marcelo Teles aí acima – o regulamento da F1 deveria ter só uma regra, que seria com motivação ecológica e econômica: gasto de combustível por prova limitado. aí se o motor é 3 cilindros de 2 tempos, 16 em linha diesel ou 7 em estrela com metanol, não é relevante, importa é que consuma menos que x kg de combustível (poderia ser também tantos Joules, assim, qualquer combustível poderia ser usado, proporcional à sua energia específica)

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