QUEM SÃO ESSES CARAS? | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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terça-feira, 15 de setembro de 2009 - 15:31F-1

QUEM SÃO ESSES CARAS?

SÃO PAULO (não é aquela) – O nome Lotus de volta à F-1 é legal, claro. Mas seria mais ainda se fosse a Lotus de verdade. Essa aí é mulambenta. Aliás, é meio mulambento (existe, “mulambento”?) esse processo de escolha das novas equipes levado a cabo pela FIA. Falta transparência e lógica técnica. Até agora, não dá para entender porque duas equipes de verdade, que já existem e vivem do esporte, não aparecem na lista das eleitas: Prodrive e Epsilon Euskadi. Pode ser que tenham desistido, com a queda do teto orçamentário. Pode ser que não queiram usar motores Cosworth. Pode ser qualquer coisa.

No que diz respeito às duas novas de hoje, Lotus Mulambenta e Qadbak Racing Tabajara, tem cheiro de lavanderia. A BMW, montadora séria que perdeu meu respeito ao desistir da F-1 de forma tão abrupta e covarde, informa oficialmente que a Qadbak Investments Ltd, “um grupo suíço que representa interesses de certas famílias do Oriente Médio e da Europa”, comprou o time. O contrato já foi assinado.

A Qadbak não existe no Google, mau sinal, e na Wikipedia é um verbete de meia-dúzia de linhas. “Ficou conhecida em julho de 2009 quando comprou o Notts County FC”, diz a enciclopédia livre da net. O Notts é um clube da quarta divisão inglesa que leva a fama de ser o time profissional mais antigo do mundo, fundado em 1862, e a compra se deu através de uma subsidiária, Munto Finance, que por sua vez é ligada a grupos financeiros de Dubai. Sei.

A BMW informa ainda que os interesses do fundo Qadbak, originalmente baseado no Qatar, mas operado a partir da Suíça, serão representados Lionel Fischer, também suíço. Não sei quem é. A fábrica, na prática, se livrou do abacaxi. Vendeu ao primeiro que apareceu com dinheiro vivo, sem se preocupar muito de onde vem a féria. Passou o mico adiante. Não quer nem saber. O que será da equipe, a velha Sauber, é uma enorme interrogação.

Aí vem a Lotus, a nova Lotus, nas palavras de Mike Gascoyne, já escolhido como diretor-técnico. Ela será montada a partir da estrutura da Litespeed, uma equipe de F-3 na Inglaterra, com dinheiro da Malásia. Pelo que sei, a Proton, estatal que faz carros no país, tem os direitos de uso da marca. Acho que isso ainda vai dar rolo. O chefe da equipe será o malaio Tony Fernandes, dono da AirAsia, uma empresa aérea da linha “low price tickets” que patrocina a Williams.

Educado na Inglaterra, Fernandes (filho de “portugueses” de Malacca, ilha na Malásia colonizada pelos lusos desde os tempos das caravelas, onde ainda se fala português) sempre teve boas relações com os pica-grossas do governo malaio, e por isso sua companhia prosperou. Antes de comprá-la, foi executivo da Warner e trabalhou na Virgin de Richard Branson. Fernandes também tem uma cadeia de hotéis. É um milionário, daqueles que o capitalismo adora chamar de “empreendedor”.

Assim, de Lotus a nova Lotus não tem nada.

Fernandes pode ser apenas um aventureiro, como se achava que era Vijay Mallya, o dono da Force India. A F-1 nem sempre foi formada por garagistas, gente ligada ao esporte desde o berço. Já teve outros que encontraram na categoria um bom caminho para desaguar suas notas frias — como a turma do russo-canadense que comprou a Jordan, o grupo Midland, que durou pouco; vieram os “puristas” da Spyker e duraram pouco, também. E outros, ainda, que simplesmente gostam de corridas e conseguiram entrar nesse mundo fechado graças a suas fortunas pessoais. Mallya parece ser um desses, e está se revelando um bom dono de equipe, dedicado, apaixonado, como era Paul Stoddart — outro outsider que quando assumiu o controle da adorada Minardi, conseguiu manter acesa a chama da competição no time italiano. Como é “Didi” Mateschitz, da Red Bull. 

Nada impede que Fernandes acabe sendo mais um, posso estar sendo injusto no pré-julgamento. Mas não sei, não. A F-1 está se livrando das montadoras, isso é fato. Mais por causa delas, do que pela atual situação da F-1. BMW e Honda já saíram, a Renault está a um passo de, a Toyota é sempre uma dúvida. Elas vêm e vão, como sempre acreditou Mosley. Só que seu lugar está sendo ocupado por gente nebulosa. Esse grupo que comprou a BMW, por exemplo, não tem cara de ser coisa boa. Tony Fernandes, o amigo dos sultões, também não inspira muita confiança.

Em resumo, sempre fui um defensor dos times independentes. A história da F-1 foi escrita por eles — Jack Brabham, Bruce McLaren, Wilson e Emerson Fittipaldi, Giancarlo Minardi, Frank Williams, Ken Tyrrell, Guy Ligier, Collin Chapman, e mais as fábricas que sempre apostaram nas corridas, como a Ferrari. Gente do ramo.

Quando começa a entrar muito dinheiro de Dubai e do Qatar, quando do nada surgem fundos de investimentos que representam “certas famílias” da Europa e do Oriente Médio, quando a grana não tem dono ou origem, dou-me o direito de achar que correr de Lada em Interlagos diz muito mais sobre o automobilismo do que ter uma equipe na F-1.

145 comentários

  1. Eduardo Melo disse:

    Esqueci de mencionar: não tenho companheiro de equipe, kkkkk

  2. Eduardo Melo disse:

    Feliz sou eu… sou o piloto, patrocinador e dirigente da minha própria equipe, de kart, portanto estou me divertindo pacas sem ter que pedir arrego para ninguém (o melhor é que nosso campeonato é mais barato, tem ótimos pegas e mandamos as federações e confederações para as favas). Vamos pleitear um lugar na F1 para consertar aquela bagunça, he he he.

  3. Luiz Giovani Kauer disse:

    Assim como estas empresas aparecem na F-1 rapidamente elas somem…

  4. Alexei Michailowsky disse:

    Isso tá cheirando a lavagem da Ferrari. Vai ter equipe com motores dela podendo ser sua filial e com isso resolve-se o emprego de Kimi.
    Nesta altura, demitir um campeão do mundo que está carregando sozinho a equipe e trazendo alguns resultados com um carro ruim seria feio.

  5. Mauricio Camargo disse:

    Existe “Mulambento” sim. Este substantivo é uma corruptela de “Molambo” (Farrapo).

    “Que usa mulambo; que se descuida da própria aparência, em especial a vestimenta; estilo de quem opta por usar roupas surradas ou ragadas.”

  6. EduardoRS disse:

    A F1 parece ser um belo lugar para se esquentar dinheiro.

  7. Landyr Marucci disse:

    Flavio , so acrescentaria um comentário ao seu : Tudo isso só aconteceu pq Nelsinho é fraco como piloto ! Lembremos q “outros” vilões( todos nos sabemos quem sao) já passaram incólumes a outras maracutaias sem nada lhes acontecer pq eram rapidos … e dai a F1 perdoa …

  8. Marcelo David Macedo disse:

    Você leu “O Capital”? Parece que sim.

    O autor dessa pequena obra previu isso, mais ou menos. E quase 150 anos atrás…

  9. Marcio Henrique disse:

    A Lotus sempre teve um histórico de “negociatas fraudulentas”. O Colin Chapman, além de ser um grande engenheiro, também era um rato das finanças, que só não foi condenado à prisão porque morreu antes da sentença ser proferida.

    Em suma, acho que esse novo grupo que está utilizando a marca “Lotus” faz jus ao nome, haja vista que seus negócios também parecem ser um tanto quanto ilícitos.

  10. Ricardo Bigliazzi disse:

    Já disse que a F-1 sempre será F-1, mesmo que sejam alinhados “carrinhos de rolimã”.

    Pode vir qualquer fundo de pensão, torço apenas para que o pessoal de pista seja do ramo.

    Com a Cosworth e a Bridgestone apoiando a categoria e os “garagistas” a F-1 não morre tão cedo… depois ressurgiram os freios Lucas, as caixas de cambio Hewland e outras coisinhas mais…

    Segue o jogo…

    Abraços

    Imperador

  11. Marcio S. Tiene disse:

    realmente a coisa ta brava… Pelo jeito o melhor negocio é montarmos um campeonato de autorama, com os carrinhos da ferrari, lotus, mclaren, tyrrel, wiilians, que na essencia representava a verdadeira F1.

  12. vitão disse:

    o nome do tal fundo não parece prato do cardápio de restaurante árabe? Qadbak de filé ?

  13. MARCOS ANDRÉ RJ disse:

    COMO SEMPRE……FANTÁSTICO O SEU TEXTO, PENA QUE EM TODO O MUNDO ESTÃO EXTERMINANDO OS SAUDOSISTAS E GARAGISTAS…VEJA AS NOSSAS 1000 MILHAS.
    NOS VEMOS NO BC EM CAXAMBÚ…

  14. E o mesmo vale para as pistas, não bastasse os traçados insonsos, agora cada xeique ou sultão do petróleo resolveu ter a sua própria corrida… agora resolveram colocar suas equipes… tenho medo dos pilotos, já não bastasse o tanto de piloto que só faz figuração…

  15. GERALDO CASSELLI JÚNIOR disse:

    Botar mão na graxa e na gasolina faz bem pra pele e principalmente pra cabeça !!!

  16. RENATO RODRIGUES disse:

    excelente texto flavio!sem bajulação !expressa a realidade da f1 que está tentando se reencontrar…não acho que tenha que voltar ao cambio manual mas as independentes farão bem a categoria…pena que es´~ao chegando de uma maneira excusa como vc expos…

  17. Antonio disse:

    Gomes a McLaren foi vendida a tempos para aquele árabe, isso não é nenhuma novidade. o automobilismo de forma geral se sustenta com dinheiro de procedência duvidosa.
    Se uma montadora não aguenta o tranco, imagine uma equipe normal. Existem excessões mas , da turma que você citou só sobrou o Frank Wiliiams para contar a história. Esse é guerreiro mesmo. E agora tem o Ross Brawn que começou com o pé direito. E voce se esqueceu da tentaticva dp PROST que acabou falindo e levando boa parte da foruna do franc6es. A rapadura é doce mas não é mole não..

  18. Aliandro Miranda disse:

    Lotus paraguaia.

  19. João Kohl disse:

    Quanta gente estranha neste post… e na F1.
    Acho que o Rubinho, se não aliviar a bota, terá sobre vida na F1, que esta muito mudada, começando principalmente por equipes que entrarão e não sabem de nada e saindo equipes e dirigentes que sabe alguma coisa, exemplo é a fritura de Briattore… que ao que parece esta fora ano que vem, pois se a Renault sair… ele ficará sem equipe. Alguém o contrata? Ele compra o espólio da Renault?… Acho que será demitido para a continuação da fábrica francesa na F1, sem o italiano carcamano e agora mafioso…
    É… A Fómula 1 mudou e muito…

  20. Antonio Jorge disse:

    Bem vindo ao mundo real senhora F1. Estas sendo o espelho dos seus patrocinadores. Parabens pela transparência. kkkkk

  21. Max Mosley disse:

    Mas como reclama, hein? Se é montadora é ruim, se é investidor é ruim….o importante é que ainda tem gente interessada em colocar carro na pista.

    Temos que lembrar que essas coisas sempre existiram na F1. Vide Leyton House, Tom Walkinshaw e o próprio Vijay Mallya que apareceu na pista por causa de seu bolso cheio.

    Na contramão dessa estirpe temos gente como Prost, que afundou uma equipe outrora tradicional, Ron Dennis, cuja equipe protagonizou um caso de espionagem industrial e Frank Willians, que há mais de dez anos constrói porcarias lentas e nos testes de pré-temporada anda com o carro abaixo do peso para iludir potenciais patrocinadores.

    Na ponta do lápis, não sobra ninguém.

  22. lelo disse:

    infelizmente é assim , quase tudo neste mundo , ou vc acostuma , ou vae cobrir briga de galo.

  23. MindMaster disse:

    Boa Flavio, artigo nota 10!

  24. Nivaldo Ventura disse:

    Ixi!! Se ninguem sabe de onde vem o dinehiro e quem é o dono, deve ser do Maluf! Ou vai ver é dinheiro da conta secreta do senado, nesse caso pergunta para o Sarney! O fato é que a formula 1 já não é mais a mesma… Prova disso é Rubinho achando que é piloto… Ha ha ha Assim até eu vou ter chance na formula 1.

  25. hummer simpson disse:

    Isso não é novidade nenhuma,afinal o mundo é movido a dinheiro limpo ou sujo e pelos que se vendem a ele.quem anda de ferrari por exemplo ,na maioria é esbanjador e que não teve nenhum trabalho para conseguir o vil metal. E o pior mclaren e ferrari não ficam atrás na lavação de grana.

  26. Thales Sobral disse:

    Meio revoltado esse post hein?
    Mas tá com toda a razão. Esse critério de escolha das equipes foi muito obscuro, meio infundado, e aparentemente sem critério técnico ou lógico. Melhor, lógico: “para meus amigos, tudo”.

    Essa USF1 tem o dedo de bernie ecclestone. E que alguém me prove o contrário. A F1 de uns tempos pra cá vem se metendo em cada buraco que ninguém nunca ouviu falar no automobilismo, muito menos na F1 (China, Abu Dhabi, Cingapura…), quer dizer, “pagando bem, que mal tem?”, e deixando de lado circuitos importantes.

    Tá certo que a F1 sempre teve suas sujeiras, enfim, qual esporte grande não as tem? Veja o exemplo do futebol. Porém, a coisa tá ficando feia demais pro meu gosto. Chefe de equipe fazendo estratégia baseada em bater carros, piloto mentindo e depois sendo pego na mentira, e agora esses grupos que ninguém sabe quem são, nem de onde vem o dinheiro… Espero que a F1 não vire uma grande lavanderia… de $$$.

  27. paulo henriq disse:

    F1 não é esporte,Nascar tb não, tudo não passa de uma grande lavanderia, todos sonegam impostos e são milionarios

  28. MARCOS DUTRA disse:

    O mundo é assim mesmo, aqueles que tem a velocidade na veia (em seu DNA), que dedicaram a vida pelo esporte, sempre correram atras de patrocínio, de porta em porta e abertamente, pela imprensa, e por todos os meios disponíveis. Lembra do carro dos irmãos Fitipaldi, dançou por falta de patrocínio. Agora, quando o patrocínio vem atras do esporte a gente fica estranhando. Tem que deixar vir muitos mais desses com vontade de investir, e viva Darwin – “só os mais aptos sobrevivem”

  29. ATHANASE disse:

    ISTO AMIGOS, É OFUNDO DO POÇO, QUANDO O ESPORTE E O CONHECIMENTO , TECNOLOGIA, ETC DE CORRIDAS DE AUTOMOVEIS NAO SIGNIFICA MAIS NADA PARA O SR. MAX MOSLEY, UM ENERGUMENO. E A GAGASISSE DO SR,. BERNIE ECLESTONE.DESAGUARAM NISSO. ENFIM TODOS QUE COMPOEM A ALTA CUPULA DA MONTAGEM DO MUNDO DA FORMULA 1 HOJE. EM QUE INTERESSA SÓÓÓ OS CIFRÕES QUE IRAO RENDER DURANTE A TEMPORADA. UM BANDO DE SALAFRARIOS, QUE , PARA PIORAR ESTAO MANCOMUNADOS COM GRANDES EQUIPES TIPO FERRARI E MAC LAREN, QUE DEVERIAN PUXAR O TAPETE E DIZER PARA TUDO ISSO . ISSO NAO É DIGNO , NAO É ESPORTE.
    CHAMAR EQUIPES DO 15″ ESCALAO INGLES, DA MALASIA, DO FUNDO DE QUINTAL DO ARIZONA, SÓ PORQUE CONSEGUEM TRAZER DINHEIRO.

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