MEUS BOTÕES | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 - 21:20Brinquedos, Futebol, Gomes

MEUS BOTÕES

 

SÃO PAULO (o relógio marca…) – Não espere nada muito original. Acho que todo mundo que já foi criança e se mete a escrever de vez em quando já escreveu sobre seus botões. Sobre grandes clássicos solitários, ou campeonatos com os amigos, primos e irmãos, golaços, partidas épicas, aquele botão especial.

Portanto, não espere nada muito original, pois é exatamente o que vou escrever. Sobre grandes clássicos solitários, campeonatos com os amigos, primos e irmãos, golaços, partidas épicas, aquele botão especial.

Fui jantar na casa dos meus pais ontem, era aniversário do patriarca, e minha mãe tinha tirado de uma das gavetas debaixo da cama em que eu dormi um dia, melhor, em que dormi muitas noites, tantas que nem sei quantas, uma caixa cheia de caixinhas com meus botões.

Estavam um pouco empoeiradas, as caixas. Os botões, não. O tato. O tato e o cheiro. O estojo verde claro rugoso, onde se lê em alto-relevo “acessórios”. De costura? Provável. Aquele estojo já guardou agulhas, alfinetes, dedais e carretéis de linhas de todas as cores, e botões, também. Botões de pregar.

Mas um dia passou a guardar os meus botões, o meu time, todo ele contratado no Rio, nas melhores lojas de armarinhos de Copacabana, botões de galalite, que nunca soube bem o que era, galalite, talvez uma espécie de criptonita, um material milagroso vindo de outro planeta. Ainda não sei o que é galalite.

O tato no estojo, o cheiro do talco. É, eu embebia meus botões em talco, para que escorregassem mais. De cara vi o Calegari. Aquele roxinho, com a base verde, número seis. E revi Xaxá, o sete, vinho com a base azul. Pontinha lépido, sempre pela direita, driblador, preciso.

E meus dois zagueiros enormes, Pescuma e Isidoro, tricolores porque no Rio não havia zagueiros rubroverdes, mas as cores do Flu me serviam bem. Atrás deles, Zecão, uma muralha, um bloco sólido de madeira que deve ter sido outra coisa na vida antes de virar um goleiro intransponível.

E, entre eles, Dicá e Camargo, dezessete e catorze, meus grandes reservas. Vocês podem não acreditar, não importa, até compreendo o erguer de suas sobrancelhas descrentres, mas juro, eles ganharam muitos jogos difíceis na sala de casa e na entrada do prédio de Copacabana, juro que ganharam, não tinha salão de festas, era na entrada do prédio que a gente jogava, ou no corredor de serviço, atrapalhando as empregadas pretas de bundas grandes que chegavam da padaria e do mercado rebolando cheias de pacotes.

Dicá e Camargo, o outro Enéas, não eram de galalite. Eram tampas de relógio, um pintado de bege por dentro, claro, Dicá, o outro chamuscado no vermelho, Camargo. Entravam quando a coisa estava ruim, quando uma virada se fazia necessária. Dicá batia faltas como ninguém, colocava o dadinho, no Rio eu jogava com dadinho, onde queria, um efeito mágico, desconcertante. Juro. Camargo era insinuante, recuperava bolas, dadinhos, impossíveis, o artilheiro das causas perdidas. Enéas, o oito, tinha ciúmes dele, mas eu era um técnico enérgico, se estava dormindo em campo, saía.

Lentos eram Dicá e Camargo, perto dos atacantes de galalite que deslizavam sobe o Estrelinha (nunca tive um Estrelão). Mesmo assim, se consagraram no morro do Caracol até que fomos todos vendidos para São Paulo, mala e cuia, e aí já havia um salão de festas e cavaletes para jogar de pé, eu sempre preferi de joelhos, mas eram outros tempos, profissionalismo, campeonatos, tabelas que eu mesmo fazia, regulamentos complicadíssimos, medalhas, o Estrelinha foi junto e virou Canindé, apareceu um campo maior, de gramado mais áspero e amplo, mudaram-se as táticas, as regras, o dadinho resistiu por algum tempo, vieram as bolinhas de feltro, foi difícil a adaptação, e assim a carreira de Dicá, Camargo e os galalíticos entrou em declínio.

Eram tempos já de mesada, e de descer a pé ou de ônibus elétrico usando passe escolar da CMTC até o começo, ou fim, da rua Augusta, ao lado da Sebring, a loja de esportes que não me lembro o nome, Esporte Paulista, talvez? Na vitrine, os times da Brianezi, cálices sagrados, caixas largas e baixas, com tampa transparente, cinco em cima, cinco em baixo, números grandes, pintura impecável, entre as duas fileiras de jogadores duas bolinhas à esquerda, o goleiro no meio, a palheta à direita. Jamais vou esquecer dessas caixas.

Foram semanas de cruzeiros guardados para, um dia, glória das glórias, levar para casa o time da Portuguesa, debaixo do braço como um tesouro, eu tinha medo de pivetes, era gíria do Rio, se um pivete tentasse algo com meu Brianezi, eu seria capaz de matá-lo a pauladas, meu time cujo escudo tinhas as cores trocadas, cruz de Aviz vermelha e contorno verde, tenho muita coisa da Portuguesa assim, invertida, não me peçam explicações, começava ali uma nova era, botões técnicos, de passadas largas e macias, imponentes e ameaçadores.

Eu tive alguns bons times da Brianezi. Depois desse, cujo médio-volante sumiu, consegui comprar a seleção da Itália, a seleção da Espanha, a seleção da Alemanha e o Atlético Mineiro. Era um patrimônio e tanto. Mas eu tinha times muito ruins, também. Um do Juventus da Mooca, desses de feira, tosco e irregular, mas bravo quando jogava no Estrelinha, numa retranca de dar arrepios, à Milton Buzzeto, mais o XV de Jaú, que ficava numa lata de balas Sönksen, o Galícia de acrílico com distintivos recortados da “Placar” abrigado em caixas de slides da Curt, e os goleiros.

Ah, os goleiros… Eu tinha verdadeira obsessão por eles e seus uniformes coloridos de grife: Athleta e adidas. Fazia-os com caixas de fósforos, cheias de chumbo para dar peso, chumbo que vinha de tampas de garrafas de uísque ou de invólucros de rolhas de vinho, cientificamente dobrados e colados com araldite, consistentes e confiáveis.

Fazia goleiros às pencas, de todos os times do campeonato, aquele de onde a Arena vai mal, um time no Nacional, CSA, Figueirense, Volta Redonda, Goiás, Caxias, Goiânia, Náutico, Inter e suas letras entrelaçadas dificílimas de desenhar, Guarani, Ceará, Ponte, ABC, Londrina, Avaí, Bahia, Flamengo do Piauí, Santa Cruz, Coritiba, Cruzeiro, Desportiva Ferroviária, e o único gringo, o Independiente da Argentina.

Em todos eles, eu mesmo desenhava as camisas e pintava com canetinhas Sylvapen, borrava um pouco, mas eu nem era tão mau assim como estilista de goleiros e fazedor de escudinhos, e colocava a data atrás. A data de seu nascimento.

Esses goleiros estão com pouco mais de 30 anos, alguns poderiam estar jogando até hoje, poucos tinham nome, só os da Portuguesa, quando Zecão parou entrou em cena o careca Miguel, 18 era a camisa dele torcida brasileira, o nome estampado na frente com aquelas fitas de máquinas etiquetadoras, um luxo só.

O Estrelinha era o alçapão temido por todos, em volta do gramado eu espetava as bandeiras das torcidas organizadas da Lusa, Leões, Falcões e a CUP, a que eu mais gostava, Corações Unidos da Portuguesa. Anotava todos os jogos em cadernos, perdi pouquíssimas partidas no meu Canindé, perdi todos os cadernos, mas assevero que ninguém ganhava de mim lá, apesar da técnica apurada dos Brianezi, mais apropriada para campos mais amplos, onde o contra-ataque era mortal.

Vi minha vida em meus botões, levei todos para casa, fiquei olhando para eles ontem à noite e de madrugada, cheirando o talco que os poupa das agruras do mundo, passando os dedos pelas camisas dos goleiros e pelos estojos e caixinhas e latinhas que sempre foram seu teto, para sempre serão, seja qual for o teto que me abrigar.

207 comentários

  1. Paulinho disse:

    Parabéns Flavinho! Grande história meu amigo. Sempre me identifiquei com você e suas ideias. Nelson Piquet, anti flamenguista e agora botonista das antigas. Guarde os com carinho pois anos felizes estarão eternizados nos seus antigos craques. Viva o jogo de botão, futebol de mesa ou Futmesa!

  2. Alvaro disse:

    Parabéns pelo site! Busco a caixa original dos botões Caninde antigos – a embalagem com a foto do goleiro Leão. Quem tiver pode me escrever no email alvaroasc@gmail.com. Sou do RJ, capital. Grato.

  3. Kulega disse:

    Prezado amigo, parabéns pelo seu trabalho.
    Estou procurando lentes transparentes com 600 mm de diâmetro e 11 graus de bainha. Vc sabe onde conseguir esse produto?

  4. Wbj disse:

    Os botoes da Brianezi eram obras de arte feitas na Rua Alvaro Ramos no Belém – SP.
    Já os arranca-rabos nas disputas de campeonato de futebol de botao em casa eram épicos e inesquecíveis.

  5. Wbj disse:

    Essa ao lado da Sebring parecia “televisao de cachorro em padaria”, ficávamos babando na vitrine e quando raramente dava alguma sobra de extras e economias, era para lá que eu seguia ! Quando a grana nao dava (fato comum) o abastecimento de botões era feito na relojoaria de rua mais proxima de casa.
    Nao me lembro o nome desta loja na Augusta, mas pelo visto ja tivemos a oportunidade de nos “topar” pelos mesmos caminhos em SP. Tempos deliciosos.

  6. Vladimir disse:

    Olá, Flávio. Tenho vários time de galalite para vender. Acho que uns trinta mais ou menos. Você se interessa? Obrigado.

  7. ADRIANO PEREIRA MEYER disse:

    GRANDE FLÁVIO GOMES,TE ACOMPANHO TODOS OS DIAS NO FOX SPORTS RÁDIO,E VEJO AS ATROCIDADES QUE AQUELES BABACAS MAURICINHOS DO MANO(ANABOL)E O NOJENTO DO BENJA(PICA-PAU MISTURADO COM JEAN RENO)FAZEM CONTIGO!!!SOU GREMISTA,MORO EM CACHOEIRINHA(GRANDE PORTO ALEGRE),SOU COLECIONADOR DE FUTEBOL DE BOTÃO DESDE OS MEUS 08 ANOS DE IDADE(TENHO 46),NÓS AQUI DO SUL,CHAMAMOS DE PUXADORES!!TENHO APROXIMADAMENTE 400 TIMES(EUROPEUS,ASIÁTICOS,BRASILEIROS,SUL-AMERICANOS…)SE PUDERES FAZER UMA MENÇÃO NO PROGRAMA DE AMANHÃ(20/04/2015)FICARIA MUITO GRATO!!!ADMIRO TEU TRABALHO,ABRAÇOS.

  8. Dane de Souza disse:

    Cara, simplesmente nota 10, meus parabéns! Estou com 38 anos e tenho mais de 300 times guardados até hoje, esperando o momento certo para compartilhar e passar esta importante herança para meu filho (hoje com 2 anos). Eu viajava com os times de futebol de botão, desde o momento de colar os escudos, passando pela confecção dos goleiros de caixa de fósforo, formulando tabelas, montando arquibancadas, placar eletrônico, bandeiras, faixas, placas de publicidade em torno do campo e finalmente jogando e narrando inúmeros campeonatos. Em meio a tantas parafernálias eletrônicas nos dias atuais, se eu conseguir passar ao menos 1% deste legado para meu filho serei um pai realizado.

  9. sergio disse:

    Tenho 45 anos e jogo toda semana com amigos.. praticamente a mesma turma desde 1980! jogamos aqui no Sul, com os famosos Puxadores (nome adquirído pois eram parecídos com puxadores de gavetas) tenho botões de muitos estílos.. galalite, baquelite, acrílico e utilizamos fichas de tecnil, pois deslizam naturalmente, usamos tb a parafína na parte de címa dos botões pois na de baixo os mesmos tem uma escavação que facilita os mesmos deslizarem nas mesas com medídas em média 1,60 x 1,20 de madeira chapa de móveis.. da cor original , geralmente bem clara!! utilizamos botões de acrílico Puxadores na zaga os patacões apelídos aos gigantes zagueiros com 55mm de diâmetro geralmente dois ou no máximo três zagueiros e o restante são em média 45mm.. listrados, bicolores, cavadores, lisos , lapas e outros diversos!! muito bom comentar sobre futebol de botão!! para quem quer encontrar galalites, no M. Livre terá a oportunidade de adiquirílos … mas os preços são realmente mais caros, pois são mais raros os materiais,, as fichas de cassino antígas, muitas delas são de galalite, mas cuidados a de serem tomados pois há muitas propagandas enganosas!! abraço a todos os botonístas!! Botão tem alma!!

  10. Wilson Junior disse:

    Pra completar seu time de Lembranças desse TIMAÇO da LUSA, o camisa 11 desse time era o Wilsinho, um ponta esquerda, rapído, habiladoso e de um cruzamento preciso!!!!!!!!!!

  11. Márcio Haddad disse:

    Belíssimas lembranças! Ótimo texto!

  12. Richard Bernaro disse:

    Boa noite Flavio.

    Trabalho como designer gráfico, e a algum tempo desenvolvo artes para botões. Gostaria de saber onde encontro botões sem arte para personalizar? Tenho 31 anos e moro em Belo Horizonte. Parabéns pelo blog!

  13. ERVIN "HORACIO" MORETTI disse:

    alguem se lembra da 1ª loja especializada em botões, lá numa das Galerias da 24 de Maio, em São Paulo? Feitos com as tampas de relogios de bolso ( comprava-se nas fornituras perto da Praça da Sé), e já se utlizava as bolinhas de feltro, feitas a mão. E do Lourival de Lima, que iniciou a fabricação dos botôes em acrílico? e do Della Torre, que fazia as melhores mesas em aglomerado, lá em São Bernardo? E das equipes do Maria Zélia do Muradian e Helton? Eu participei da introdução do botão na Volkswagen, nos anos 80. Pude juntar a paixão pelo Fusca com a do futebol de mesa. É, Flavio, agora voce realmente mexeu comigo. Abração, Ervin

  14. Artur disse:

    Excelente.
    Nos anos 70 (1971 e 72) eu morava na Pça da Arvore e compravamos botões na banca de jornal. Estes botões eram de plástico e tinham uma placa de aluminio que era fixada em baixo do botão. Esta placa tinha a fotografia do jogador e logo acima o nome do time, o nome do jogador e o numero. Tinham todos os times do Campeonato Brasileiro e o objetivo era completar a coleção. Lembro que na época o jogador mais dífici que faltava para quase todo o mundo completar a coleção, era o Tovar (Camisa 10 do América do Rio). Quando o primeiro moleque conseguiu comprar o envolopinho na banca que tinha o Tovar, foi uma festa só e logo depois a maioria conseguiu completar a coleção.
    Devido a problemas financeiros, tive de mudar para Diadema, e meu irmão perdeu a minha coleção. Desta, só restam as lembranças, mas não consigo lembrar o nome dos botões que eram vendidos na banca..
    Parabens novamente.

  15. Ivo Castro Jr disse:

    Caros, fiz uma verdadeira viagem lendo a crônica e as participações de vocês. Também faço parte desse mundo mágico que envolve o futebol, e consequentemente o futebol de mesa. Há 4 anos voltei a jogar novamente depois de 30 anos de afastamento. Conheci a regra 12 toques e a beleza dos times de acrílico que desfilam nas mesas. Daí para formar uma nova coleção foi coisa imediata. Hoje temos um grupo de amigos que se reúnem semanalmente aqui em Itajaí para desfrutar da emoção e beleza do futebol de mesa. Abraços à todos!

  16. André Nascentes disse:

    Não joguei botão. Joguei futebol Gulliver. Palmeiras x Corinthians. Os chutes do Evair eram indefensáveis.

  17. Sabino Agut Ruiz disse:

    Não tive oportunidade de ler antes este texto, fiquei muito emocionado com o parecer de alguns, me fizeram lembrar de bons tempos, ainda brinco com os meus filhos às vezes com jogos mais não são os mesmos da nossa época…
    Um grande abraço

  18. MARCOS BASTOS disse:

    Lindo esse texto… Me lembro dos meus times de “fichas de anibus”, dos botoes de coco, tas tampinhas de relogio… Me lembro da varanda da casa da minha mae; de “vermelhao” no chao e o campo para o jogo de botao era feito de giz… Partidas memoraveis… Ate hoje jogo botao (botao nao, agora e futebol de mesa). Parabens pelo texto.

  19. Junior disse:

    Onde consigo comprar jogo de botão de galalite em BH?

  20. Fernando Alexandre de Alcantara disse:

    Boa Noite, Flavio, Trabalho na Empresa de Onibus Gontijo-São Geraldo, é há um ano que Eu, meu Chefe e Doze Colegas de Setores, entre Jovens de 20 a 30 anos, resolvemos criar Torneios internos de Futebol de Botão, a Empresa nos deu Um Campo e outro nos compramos. A cada MÊS um novo Participante entra para Jogar, o que falta e achar Jogo de Botoes de Cores diferentes, para diferenciar os Participantes, colocamos carinhas de Jogadores. Inclusive já fomos Materias de Reportagem da Empresa, sobre o jogo e o passa-tempo nosso na hora do almoço. Estamos na Cidade de Belo Horizonte e Contagem – MG, e vamos divulgar esse esporte, e trazer de volta essa Brincadeira sadia e prazerosa, que une todos de uma Geração Feliz e alegre. Só falta empresa voltarem a Fabricar Jogos de Botões. Obrigado e Boa Noite.

  21. a pouco tempo redescobri meus botões. estou voltando a jogar com os velhos amigos e fazendo novos também , mas quando li seu texto fiquei realmente emocionado, a lembrança dos golaços do dinamite, das cobranças de falta do pelé e dos gols impossíveis do dario me enchem de saudade.
    não a saudade do passado nem dos velhos amigos, mas saudades de mim. saudades da inocência, da alegria pura e banal do dia a dia onde a maior preocupação era saber se ia passar de ano.
    Jogar botão hoje se transforma num revival de sonhos perdidos , de amigos ausentes, dos terríveis adversários, meu pai e meus tios, contra os quais nunca mais atirarei palhetas e sairei reclamando de campo. Saudades meu caro, dos meminos sorridentes que todos fomos um dia, contagiados por uma felicidade plena que residia no golaço dos nossos artilheiros , e qua a vida, caprichosa e insensível, guardou no fundo das gavetas junto dos nossos queridos botões.

    Um grande abraço.

  22. Saviani disse:

    Flávio,

    Você ainda tem celulóides para vender?

    Saviani
    Campinas

  23. Leonardo Lellis disse:

    Legal demais, Flávio. Sou sãopaulino, mas meu primeiro time de futebol de botão foi o da Portuguesa. Tinha 6 anos e comprei porque achei o escudo bonito. Mas não cheguei a jogar muito. Logo, o videogame tomou conta da minha infância e dos meus amigos.

  24. Carlos Alberto de Souza disse:

    Belissimo texto, Flávio. Para que foi (ou é) botonista, não há como não se emocionar.
    Há pouco tempo, eu também redescobri minha coleção (hj deve valer uma fortuna) dos “Botões Bolagol”, com os escudos dos times. Tenho mais de 50 times. Só que eu fui um pouco além de vc. Além de “namorá-los”, vou voltar a jogar com alguns outros “velhos” (em todas as acepções) amigos. Toda segunda à noite. Para começar bem a semana.
    Abraço.

  25. Vicente Couto disse:

    Uma bela viagem ao passado, também lamento que não tenha mais os meus botões… Perderam-se emprestados pra amigos e etc… Saudade do Roberto Miranda, Zequinha e Fischer. Gostava também de elaborar as tabelas dos campeonatos, me inspirava na Revista Placar. Tinha um tio que em vez de palheta usava seu pente. Ou seja, onde chegasse estava sempre apto a jogar.

    Uma vez ganhei um exótico botão de casca de côco, fraquinho não demorou a ser batizado de Peri da Pituba e jogar na lateral direita, um botão baiano no meio dos meus galalíticos, kkkkk.

  26. Acarloz disse:

    Os de lentes de relógio, eram os melhores para as bolas por cobertura

  27. MARCOS ANTONIO DOS REIS disse:

    Caro Flávio

    Nos meus botões , meu time era melhor do que o seu. Eu tinha Muca, Nena e Noronha, D.Santos, Brandãozinho e Cecy. Julinho, Renato, Pinga e Simão.
    Tive também : Félix, Cacá, Ditão e Edilson . Pampolini e Nair. Jair (ponta da seleção), Jair Pereira,… , Ivair
    Tive também Cabeção, Ypojucan, e um grande jogador gaúcho cujo nome não me lembro mais (aquele que fez 4 gols no Santos, dos 8 a 0)
    Meu time de botões sempre ganhava. Nas finais ganhava nos pênaltys
    Eu tinha gol-kipper, alfo direito, alfo esquerdo, ponta de lança, beque central e outros nomes que não se usam mais. Quem irradiava (narrava) os meus jogos era sempre o Pedro Luiz e o comentarista Mario Moraes. Na televisão era o Raul Tabajara, Paulo Planet e Flavio Iazetti.

    Infelizmente, não tive a mesma sorte de alguém guardar para mim os meus botões, com quem eu falava muito.
    Um abraço

    Marcos

  28. toninho de suzano disse:

    olha cara, eu nunca tinha escrito na internet, mas vc me fez abrir a minha caixinha de jogos de botão que tenho até hj, sou torcedor da lusa e tenho um time de botão igual ao seu
    tenho as redinhas de pano da brianezi.
    obrigado por ter me lembrado da minha querida infancia e do meu amigo renato.

    tenho os meus times guardados e os dele , a maioria de tampinha de relogio.
    obrigado tb por lembrar desses jogos , sem a parafernalha eletronica de hj

  29. Eduardo Masami Kitahara disse:

    Olha Flávio, nós somos da mesma geração (nasci em 65, sou mais velho, creio eu)… Esse seu texto me levou aos bons tempos, em que a gente só tinha uma preocupação: jogar bola na rua e jogar botão! Eu só jogava no Estrelão (era o que eu tinha), c/ botão mesmo ao invés da bolinha de feltro dos campos oficiais… Tive um time do São Paulo c/ as fotos do jogadores da época: Pedro Rocha, Terto, Chicão, Forlan e Cia… Uma época em que a gente sabia o nome dos jogadores… Hj em dia os caras mudam de time como se troca de cueca… Sou saudosista sim… Ao menos para estas coisas boas! A Sébring da Augusta, que lembrança!!! Eu levavam sempre meu carrinho Mabuchi p/ lá… Bons tempos… Saudades! Obrigado por ter me feito lembrar de um tempo que não mais retorna… Abraços e um Ótimo 2010!

  30. Nossa! Que saudade! Lembro do meu irmão indo comprar os nossos dois primeiros times!! Se não me engano eram da Canindé. As redinhas eram classicas pretas e lembravam as redes do Pacaembú dos anos 70. Palmeiras e Corinthians os dois primeiros. Ele palmeirense e eu sãopaulino!! Mas gostava daquele time do Corinthians. A escalação pedi pro meu irmão escrever; Solito, Zé Maria, Mauro, Alfinete e Wladimir; Caçapava, Biro-Biro, Zenon, Sócrates, Casagrande e Ataliba. Se eu começar a escrever a história disto tenho que escrever um livro. Valeu Flávio! É por isto que eu sempre passo por aqui pelo menos uma vez por semana! Abraços!

  31. Benê Farias disse:

    Flávio, confesso que sempre fui um grande perna de pau (ou palheta de pau, caso prefira) nos jogos de botão. Ao contrário da sua carreira vitoriosa eu sempre tomava ferro nas partidas no corredor do prédio ou na casa do vizinho. Mas depois de ler um texto desses dá até vontade de procurar no fundo do armário a minha caixa de botões.
    O campo maior, estilo mesa, e a bola de feltro sempre foram sonhos de consumo. Mas a trave que era de plástico que nós cortamos e colocamos uma redinha de verdade é um espetáculo a parte, e estou cheio de vontade de faze-la balançar novamente.
    Um grande abraço, e que continue escrevendo estes textos brilhantes!

  32. Serjão disse:

    Muito boa amigão, realmente só quem jogou é q sabe, infelizmente ñ tenho mais os meus, mas a saudade é grande. Só pra constar, tu se empolgou q esqueceu até o almoço. Abç!!!

  33. Roberto Miranda disse:

    até hoje lembro de dois times da Craks da pelota/caixa vermelha que retirei na banca de jornal ao preencher uma parte do albúm Tigrão, ano 1973, Portuguesa, Badeco, Eneás, Basílio, Palmeiras, Divino, Dudú. Luisão Pereira e Pio na ponta esquerda, quanta saudade !!!!
    Obs: Sou Tricolor e tive um Estrela com Jurandir na Zaga !

  34. Roberto Miranda disse:

    quando moleque não me esqueço de dois jogos dos Craks da Pelota que ganhei ao preencher uma página do albúm Tigrão, Portuguesa base de 1973 com Badeco, Enéas,Dicá
    contra Academia do Palmeiras, o ponta esquerda era Pio !
    Quanta saudade !
    Jogo e coleciono até hoje, 44 anos, muitas lembranças, celulóide, moeda que não vale nada dentro do goleiro,…

  35. Miguel disse:

    Flavinho só os botões pra me trazerem aqui de volta!!! rs..
    Depois de ler esse post fui correndo no armário da minha mãe, e eles estavam todos lá!!!! rs… O imbativel Bayer de Munich – Com Schumacher no gol – Até o palmeiras da academia com Ademir da Guia e César Maluco, sem contar com a Muralha Leão!!!!! rs…. Meu Deus!!!! Nesses tempos de FIFA Soccer e Winning Eleven!!!! rs….

  36. Paulo Pedrini disse:

    Valeu Flávio !!!
    Jogo de botão é de fato o grande retorno a um tempo que essa molecada de hoje infelizmente nunca vai saber o que é.
    Tive muitos times, mas meus campeonatos brasileiros ficavam em 18.
    São Paulo: São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Portuguesa, Ponte Preta e Guarani.
    Rio: Fluminense, Flamengo, Botafogo, Vasco, América e Bangu.
    Minas: Cruzeiro, Atlético e América.
    R Gde Sul: Inter e Grêmio.
    Lembro-me de grandes escalações, mas aqui vão apenas alguns camisas 10 que passaram pelos meus campos…
    Pelé, Gerson, Pedro Rocha, Ademir da Guia, Rivelino, Dicá…
    Ainda hoje tenho um São Paulo com carinhas da década 60: Roberto Dias, Babá, Paraná…
    Mas infelizmente a maior parte foi-se.
    Muito grato pelas lembranças…
    Grande abraço.
    Paulo Pedrini

  37. Geckodriver disse:

    Não tem nada que lembre mais nossa infância do que Jogar Botão!!! Nossa, esse texto me levou de volta ao passado! Parabéns!

  38. Antonio Carlos Gomes disse:

    FG, os botões e a Lusa também foram as minhas grandes paixões na infância, que por ser passada em uma ladeira na Casa Verde Alta, não tive a oportunidade de jogar o futebol real na rua.
    Quando mudei para o Tremembé, já estava viciado nos botões e havia me apaixonado pelo automobilismo, tanto que hoje, aventuro-me a comentar sobre esse assunto na Equipe Líder, é claro que o mais perto que chego de você é a paixão pela Portuguesa, pelos botões, automobilismo e o sobrenome “Gomes”, espero um dia poder entrevistá-lo na rádio.
    Até…

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