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segunda-feira, 29 de março de 2010 - 21:18Imprensa

ELE GOSTAVA DE VOAR

SÃO PAULO – Se Pelé não tivesse nascido gente, teria nascido bola. Foi apenas uma das frases que Armando Nogueira perpetuou por sua genial simplicidade. Foi o melhor dos cronistas esportivos do Brasil. Forma ao lado de Nelson Rodrigues uma dupla de textos impecáveis. Era um poeta na prosa. Dava ao esporte relevância e beleza. Tratava o jogo de um jeito lúdico, mas não piegas.

Os mais novos talvez se lembrem dele apenas como cronista esportivo. Porque nas suas duas últimas décadas de vida ele voltou ao esporte, que amava e de onde veio, lá dos anos 50 e 60.

Só que seu auge como jornalista foi num cargo espinhoso, como diretor de jornalismo da TV Globo de 1974 a 1990, em parte dos anos de chumbo, depois na retomada da democracia. E passou pelo cargo sem deixar inimigos na esquerda, uma façanha para quem comandava a principal emissora do país.

Quando retomou o cronismo esportivo, o fez com o brilho e a leveza de sempre. Um texto luminoso e delicado.

Mal o conheci, talvez tenhamos nos encontrado duas ou três vezes. Mas fomos colegas de páginas no “Lance!”, o que para mim é uma honra. Sempre o admirei a distância, à prudente distância que se devota aos mestres.

E sempre me encantei com um outro lado desse moço, a paixão pela aviação, o amor pelo voar.

Armando Nogueira, dono de uma pena angelical, gostava de voar.

75 comentários

  1. JULIO DIAZ disse:

    Poucos comentários para saudar o Mestre, infelizmente o Brasil realmente não aprecia seus ícones, porem agora Armando Nogueira está definitivamente num lugar melhor, já estou com saudades de Ti Mestre.

  2. helio disse:

    Flávio , Boa Noite !!
    ´Sòmente uma palavra :
    PARABÉNS !!
    Grande Abraço seu sempre leitor ,

    Hélio
    P.S. > Não sei se você vaigostar mas…. > Que falta você faz na “Hora da Verdade ”
    Virei ouvinte do Nonato na CBN !!

  3. Fefo disse:

    FG,
    na minha opinião você também tem esta veia esportivo-poética-saudosista, então de vez em quando você escreve textos sensacionais, com umas analogias, umas viagens, coisas que eu penso mas não conseguiria escrever. Quando você ficar mais velho, talvez fique que nem o Armando Nogueira, e aí a torcida da Portuguesa vai ficar luto por sua causa (assim como a do Botafogo ficou por causa dele). E para deixar claro, mesmo assim eu te acho um puta mala.

  4. luciano coelho disse:

    Legal o email do Alcir Desasso sobre o Eliakim e o Armando. Perfeito. Mas, sem querer defender a Globo, e o JN, vale lembrar que Roberto Marinho acolhia várias comunas nas redações da Globo, durante o regime militar. E já, a FSP, paladina das Diretas Já, fazia o inverso!
    Bem, mas lembro-me pouco da falcatrua no debate Lula x Collor de 89. Nem pensava em cursar Jornalismo. Mas, em 94, quando Dener faleceu, a coluna Na Grande Área, assinada pelo Armando, me emocionou. Tinha passagens como: se tivesse acordado, Dener driblaria a morte; que ele (Armando) não havia visto ninguém driblar com tanta alegria desde Garrincha; e terminava liricamente – “um dia, anjo Dener, você há de voltar ao campo dos sonhos, assim como a lua que volta ao pátio dos poetas”. A coluna teve como título, Uma alegria que se vai. Dener estava no Vasco, que se sagraria tri-carioca, naquele ano.
    Se vivo ficasse, gostaria de saber se haveria ousadia suficiente na dupla Parreira e Zagalo, para levar Dener à Copa. Se eles fizessem isso, talvez Romário tivesse feito muito mais do que os 5 gols que fez, jogando numa seleção com três volantes – Dunga, Mauro Silva e Mazinho, que substituiu o apagado Raí. Quem dera Dener lá.

  5. Rodrigo disse:

    O Hélio Fernandes não ia muito com a cara dele, não.
    ———
    Helio Fernandes
    Tribuna da Imprensa
    Rio de Janeiro, segunda-feira, 04 de outubro de 2004

    Em 2 livros, Alberico Souza Cruz e Paulo Henrique Amorim

    Irão desmascarar a TV-Globo, na ditadura, em 1968, 1982, e 1989

    Neste dia seguinte da mais importante eleição municipal já realizada, com 120 milhões de cidadãos em condições de votar, nada melhor do que examinar fraudes praticadas pela TV-Globo em apurações e a sua subserviência durante a ditadura. Por coincidência, (ou “coincidência?”) os personagens contaminados são os mesmos, a falta de credibilidade, ampla, geral e irrestrita.

    Enquanto esperamos os resultados que surgirão em parte amanhã ou depois, e o resto de dependerá do 2º turno, lembremos 3 fases da TV-Globo, todas indefensáveis. E que foram acirradas por causa da idéia infeliz da Organização de “contar em livro a história dos 35 anos da TV-Globo”. Falso, medíocre, mentiroso, o livro foi um fracasso de crítica e de bilheteria, mas deixou expostos alguns personagens.

    Esse “livro” teria que ter uma dose muito grande de sinceridade, de verdade, de autocrítica indispensável. Só poderia ter sido realizado por pesquisadores isentos, responsáveis e respeitáveis, e não pela própria Organização altamente comprometida. E o autor que comandou tudo, (desde o escândalo da fundação) Roberto Marinho, está morto. Se vivo estivesse deturparia ainda mais os fatos.

    Por causa da mentiralhada do “documentário” sobre os 35 anos da TV-Globo, serão publicados 2 livros, de dentro da própria TV-Globo. O primeiro, do jornalista Alberico Souza Cruz, acusadíssimo, injustissadíssimo, caluniadíssimo. Seu acusador foi precisamente o mais conivente, subserviente e inconseqüente em tudo, se chama Armando Nogueira.

    Revoltado com a atuação do então amigo, companheiro e colega de redação, Alberico ficou indignado com o depoimento falso (sempre é) de Armando Nogueira. Alberico Souza Cruz, usa como tema central da sua narrativa, a edição do debate entre Collor e Lula, na eleição presidencial de 1989.

    O próprio Alberico, em carta à revista Veja, diz textualmente que Armando Nogueira “é covarde e mentiroso”. Como isso é a expressão da vida profissional de Armando Nogueira, ele não pôde responder e não respondeu mesmo. Esse é um dos depoimentos que por motivos óbvios não quiseram que constasse do livro autobajulatório sobre os 35 anos de existência e os seus telespectadores, que a própria TV-Globo diz “que são 31 milhões diários”. Ha! Ha! Ha!

    Se tivesse tido a coragem de contar a história verdadeira, o livro ganharia em importância, credibilidade e responsabilidade, mas Roberto Marinho, já insuspeita e fisicamente morto, apareceria durante a própria vida, jornalística e indissoluvelmente morto.

    (Quem melhor retratou Roberto Marinho, foi Paulo Francis, num artigo memorável, escrito no Pasquim popularíssimo da época. Nem precisa ler o artigo de Paulo Francis, basta o título: “ROBERTO MARINHO, UM HOMEM CHAMADO PORCARIA”. Eu que combati os “métodos” de Roberto Marinho durante toda a sua vida, de frente e sem esconder nada, fiquei com esse artigo debaixo do vidro da minha mesa na Tribuna, nunca tive coragem de republicá-lo, envergonhado e constrangido.)

    O próprio Paulo Francis, lançado por mim na Revista Semana em 1957, e depois como colunista-correspondente dos EUA, já na Tribuna, foi brilhantíssimo. O primeiro jornalista a fazer coluna diária de um país para outro, numa época em que não existia nada do aparato da tecnologia de hoje. Não havia telex, fax, teletipo, celular, internet. Escrevia, ia entregar num balcão da Varig no aeroporto, não falhava um dia sequer.

    Não resistiu às lanteloulas e paetês do Globo e da TV-Globo, começou a defender precisamente as coisas que combatia anteriormente ou vice-versa. Passou a íntimo de Roberto Marinho e de seus áulicos, queria continuar escrevendo aqui na Tribuna, recusei e me afastei completamente. Éramos intimíssimos, nunca mais quis vê-lo ou falar com ele.

    Armando Nogueira, o esbirro da ditadura dentro da TV-Globo, verá tudo isso contado por Alberico Souza Cruz. Mas pior ainda para Armando Nogueira e a Organização Globo, será o segundo livro (segundo porque sairá depois) de Paulo Henrique Amorim. Tendo vivido uma parte grande dentro da própria TV-Globo, (aqui e nos Estados Unidos, nos Estados Unidos e depois aqui) Paulo Henrique DESMONTA a verdade da TV-Globo, e EXPÕE a subserviência de Armando Nogueira durante a Ditadura.

    PS – Era muita coisa, continua e termina amanhã, quando a apuração estará terminando no 1º turno. E Paulo Henrique E-S-M-I-U-Ç-A o mais vergonhoso episódio da TV-Globo (mais um), o da Proconsult de 1982, apuração da primeira eleição para governador depois da ditadura.

    PS 2 – E novamente como porta-bandeira da subserviência, da conivência e da incompetência, Armando Nogueira. Paulo Henrique Amorim mostra tudo, sem qualquer maquiagem.

    • Mário Mesquita disse:

      O seu Alberico, como se sabe bem, ajudou naquela edição do debate entre Lula e Collor e fcou com o cargo do Nogueira, após a posse do “presidente mauricinho”. PHA, embora tenha aparente estatura moral para tanto, bate e bate forte no que ele chama de PIG. Quero ver quando ele deixar a Record se vai contar sobre os intestinos da emissora do bispo…

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