SORRY FOR RUBENS | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012 - 14:09F-1

SORRY FOR RUBENS

SÃO PAULO (fecha uma, abrem outras) – Não tenho certeza se foi lá mesmo, mas acho que foi. Na Alemanha, em Hockenheim, já no final de julho. Ou talvez na Hungria, algumas semanas depois. Mas isso não é relevante. Falo de 1996. Numa dessas corridas, Eddie Jordan deu um solene pontapé na bunda de Barrichello, que pela primeira vez admitiu que poderia correr na Indy. Porque ninguém aparentava estar lá muito interessado nele — a salvação viria de Jackie Stewart, que estava montando sua equipe e não se arrependeu nem um pouco de contratar o brasileiro.

Eu sei que estourou a notícia de que ele não ficaria, porque Eddie precisava de grana e viu cifrões em Ralf Schumacher (e Fisichella), e já andava emburrado com Barrichello por várias razões. Aí um jornalista conhecido, suíço, chegou para mim com cara de enterro e disse: “I’m sorry for Rubens”.

Eu estava cagando for Rubens e perguntei a ele por que aquele drama todo, mas naquela época parece que todo mundo na F-1 morria de dó de nós, brasileiros, por conta do que havia acontecido com Senna, e tal. Nunca entendi direito tamanha compaixão. Claro que Imola foi uma merda federal, deixou todo mundo chateado, mas vamos devagar com o andor. Ninguém precisava ficar com pena de mim só porque eu tinha nascido no mesmo país que Ayrton. Que bobagem é essa?, segui. Se você está sorry for Rubens, vai lá e diz isso pra ele, e não pra mim.

O jornalista suíço, Luc, grande figura, sacou, finalmente, que essa mistureba de patriotismo barato com esporte não fazia muito sentido, ao menos nunca fez para mim. “Alguém já disse que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas: quem não tem princípios morais costuma se enrolar em uma bandeira, e os bastardos sempre se reportam à pureza da sua raça. A identidade nacional é o último recurso dos deserdados.” Citação de um livro do Umberto Eco, não fui eu que escrevi isso. Mas concordo. E, também, não se trata, aqui, de discutir patriotismo. Foi só um pequeno “causo” para poder falar um pouco sobre a aposentadoria iminente de Barrichello a partir da oficialização, hoje, da contratação de Bruno Senna pela Williams.

Restou uma vaga na HRT que, creio, não deve interessar muito a Rubens. E assim, creio, encerra-se sem muita pompa ou circunstância a longa carreira de trezentos-e-cacetada GPs que teve lá alguns bons momentos, outros nem tanto, e sobre esses altos e baixos já escrevi bastante no passado e não estou a fim de repetir tudo. Aliás, na maioria das vezes, como neste texto aqui de 2009, defendi o rapaz da insana carga que sempre carregou por conta da imagem que a TV Globo fez questão de construir para ele — e ele, diga-se, incorporou alegremente, sem perceber que era dar um tiro no pé.

Rubens tuitou que estava fora da Williams pouco antes do anúncio oficial da equipe. E disse que seu futuro está aberto. Claro que o futuro está aberto. Sempre está. Ninguém sabe o que vai acontecer no próximo minuto. A questão é saber o que fazer com o futuro. É com isso que Barrichello tem de se preocupar agora. E, sinceramente, ninguém precisa ficar sorry for Rubens. O cara é jovem, tem grana, saúde, família, casa, comida e roupa lavada. Ninguém fica a vida toda correndo de F-1. E se a paixão pela velocidade é tamanha, está cheio de coisa legal para fazer ainda em carros de corrida pelo mundo afora.

Quanto ao Bruno, que tenha sorte e seja feliz. Vai ter uma temporada inteira numa equipe razoável, que já foi grande e hoje é nanica, mas tem nome e tradição. O time vai para o Mundial com dois pilotos pagantes (alguém aqui, agora, vai demonizar a grana do Eike Batista que permitiu a Senna-sobrinho virar titular?), motor Renault, sem Patrick Head, em meio a uma reestruturação, que busca reeditar um passado que já está bem distante. E vamos em frente.

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Detalhezinho, para concluir. Vi agora há pouco na Sportv matéria em Grove com Bruno e tal. A Globo, pois, sabia pelo menos desde ontem (para dar tempo de deslocar repórter e cinegrafista) que o contrato estava assinado. Mas sonegou a informação de seu público. Não que vá mudar o preço do dólar. O mundo não ia parar ontem se a Globo desse a informação (como o Grande Prêmio deu) de que o primeiro-sobrinho tinha assinado. Mas é uma boa mostra de como as coisas funcionam. Camaradagem para garantir exclusividade. Mesmo que o preço seja não informar quando se tem a informação. O jornalismo acabou.

258 comentários

  1. Careca disse:

    A carreira, e a honra, do Rubens terminaram na Aústria em 2002 – há muito tempo…

    Só quem tem sangue de barata para esquecer da vergonha que passamos naquele dia – aquilo sim, foi uma tremenda falta de respeito com a torcida e com o esporte.

    Mais ridículo ainda foi a entrevista dele na SportTV depois, dizendo que nao tinha como perguntar para o pai, ou para a esposa, o que fazer e decidir depois de receber a ordem da Ferrari.
    - Atitude patética, carreira igual.

  2. MAL-HUMORADO disse:

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    Com a saída do Barrichello, vou agora encher o saco da próxima vítima:
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    Muita gente usa o exemplo da “molada” na cabeça do Felipe Massa, que diga-se de passagem, é uma baita muleta para justificar cagadas, já que o Piquet bateu na Tamborello e ainda assim ganhou o Tricampeonato.
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    Em 2008 ele rodou sozinho, com as proprias mãos, na Australia, na Malasia, em Silverstone, só para citar algumas. Não fazia nada na Sauber, e quando pegou um carro potente, não conseguia parar reto.
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    Ele não perdeu na ultima curva da ultima volta, perdeu durante todo um campeonato.
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    Abre haspas: “Compare o leite de pedra que o Alonso tirou do monoposto da “Strebaria de Maranello” este ano.” Fecha haspas.
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    Não é a mesma época que a do Schumy, quando passeava nas pistas igual a uma modelo na passarela, com o companheiro de equipe também sempre subindo ao pódium.
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    Pô, Massa, nem pódium???
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    Abre haspas : “Prá mim essa história de mola na cabeça é balela, pois em Ímola-94 a Jordan dio Barrichello decolou na variante baixa e uns italianos toupeiras desviraram o carro sem dó, dando um baita tranco na cabeça do Rubinho. Foi pro Hospital, quebrou o dente e enfaixou o braço.” Fecha haspas.
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    E duvido que alguém vá defender a falta de velocidade do Barrichello depois daquele episódio, já que a velocidade dele sempre foi constante nesses 19 anos. Rápido? Devagar? Não sei. Nunca sentei em um F-1 para saber como é domá-lo.

  3. Fernando Duque disse:

    I’ M SORRY for brasileiros e brasileiras que ganham um, dois ou três SALÁRIOS MÍNIMOS por mês e dão nó em pingo d’água pra sobreviver !!! Esse Barrichello está milionário, não tem mais onde guardar tanto dinheiro, seus tataranetos estão com a vida garantida ! Então, não venha encher o saco !!! Se é por falta de adeus, TCHAUZINHO Rubens Barrrichelo !!! Seja feliz com os milhões de dólares que vc ganhou fazendo o papel de PALHAÇO na Ferrari !!! Escudeirozinho do Schumacher !!! Bôbo da Corte !!! Vc agora é passado, cara !!!

  4. evandro disse:

    Ate a chance de se despedir da F1 condignidade o RB perdeu.

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