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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 - 17:21Arquitetura & urbanismo

O DESCASO

SÃO PAULO (nada salva) – Já disse aqui, várias vezes, que sou um arquiteto frustrado. E fico agoniado a cada notícia sobre o descaso com algumas obras de enorme importância para o Brasil, especialmente as modernistas. Como a casa do artista Flávio de Carvalho, em Valinhos, interior de SP.

A família não quer saber de salvar o patrimônio. Carvalho era um completo maluco em todas as artes, na maioria das vezes incompreendido. O artigo de Willian Vieira, da “CartaCapital”, mostra como está a residência hoje.

Foto Isadora Pamplona

13 comentários

  1. Zé Zanine disse:

    FG publiquei sobre a Fazenda Capuava no meu Facebook no ínicio do ano, sempre gostei dos projetos e das instalações de Flávio de Carvalho. Na faculdade era sempre tema de nossa turma.
    https://www.facebook.com/media/set/?set=a.368569113156080.93628.100000089832307&type=3
    se tiver tempo dê uma olhada
    abço

  2. Ele fez da doidera um meio de vida, mas não era doido não, sabia muito bem o que estava fazendo e se divertia chocando a Paulicéia. Na minha opinião continuou antropofágico até o final, os outros de 22 acabaram mudando. Ele gostava de chocar, suas entrevistas na TV eram antológicas, mas depois de um tempo nenhum entrevistador tinha coragem de entrevistá-lo por medo ou porque a direção da TV recebia um monte de reclamações, era hilário, um cara cultíssimo falando barbaridades verdadeiras em horário nobre. Ele faria o Jo Soares de gato e sapato e na época era ao vivo. O único que fazia um bom par com ele era o médico Silveira Sampaio que abandonou a medicina pela Televisão, o Jo Soares foi assistente do Silveira Sampaio e tenta imitar o estilo descolado, mas o Silveira Sampaio era como o Flavio, finíssimo, mas quando tinha que ser cafageste era cafageste ao extremo, mas o fazia com elegância de se admirar, falavam barbaridades com tanta finesse que o pessoal percebia só depois de um tempo. Chuva de reclamações depois, era tudo ao vivo.
    Um dia desfilou no Viaduto do Chá vestido de saia de romano e uma blusa daquele tecido furado, as mangas eram cortadas para ventilar e nos pés sandálias. Ele defendia o uso da roupa para o calor de São Paulo, na época os homens usavam terno e chapéu mesmo no verão, foi acompanhado por uma multidão nessa marcha, deve ter fotos na internet, saiu em tudo quanto é revista da época. Foi uma das chamadas “experiências sociais” dele, a mais famosa é a de andar no sentido contrário de uma procissão com um chapéu enterrado na cabeça, teve que ser salvo pela “puliça”, na epoca os guardas civis de farda azul, em todos os cinemas tinha um guarda civil com farda de gala e espada.
    Pelo que parecia, o Flavio tinha grana e não precisava trabalhar para viver, mas fez muitas obras em São Paulo que ninguém sequer desconfia. Todas as casas do lado esquerdo de quem sobe da Al. Ministro Rocha Azevedo entre Oscar Freira e Lorena são obras do Flavio, a mesma coisa todas as da Al Lorena entre Ministro Rocha Azevedo e Rua Padre João Manoel. Todas foram descaracterizadas e hoje funcionam lojas e butiques, algumas foram derrubadas para prédios. Uma pena, eram casas vamos dizer “populares” da época, mas tinham tudo bem projetado e feito, o Flavio não era só arquiteto e artista, era engenheiro civil, sabia muita matemática, geometria, cálculo, em suma, as chamadas “exatas” que muitos artistas não sabem ou não gostam.
    Não sei da realidade da família, se tem grana ou não, se tem vergonha ou mesmo se ele fazia orgias ou não nessa casa, tudo indica que sim, mas eu não teria vergonha e nem apagaria a memória de um antepassado que estava à frente do seu tempo e que ajudou a quebrar um monte de tabus da nossa “crasse merdia”. Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro foi um grande Paulista.

  3. Guzz disse:

    Moro no interior, antes paulista, hoje paranaense e sinto a falta da arquitetuta dos anos 50/60/70, onde os detalhes eram muito valorizados.
    Hoje por uma questão de custos, as construções são “simples”, o que faz mais importante ainda a manutenção das obras antigas e elaboradas.

  4. Reynaldo disse:

    A condephat de merda serve pra que ?

  5. Dennis disse:

    O Reinaldo Azevedo é um idiota que gosta da polêmica fácil. No entanto, não é porque o cara fez tudo que fez que não pode ser criticado. Vários arquitetos importantes já criticaram a arquitetura de Niemeyer por não levar muito em conta aspectos de funcionalidade e, do mesmo modo, posições pessoais em defesa de regimes ditatoriais não são lá um grande exemplo.

  6. Alexandre - BH disse:

    “Pois a questão não é financeira. A família dizia que tinha vergonha das experiências dele, das orgias feitas na casa. A verdade é que eles querem apagar a memória do Flávio”, disse Márcio Farci, secretário de Cultura de Valinhos.

    Fica a pergunta: O que vale mais? A vergonha da família ou o poder de intervenção do Estado na propriedade privada?

  7. Mauricio Beniacar disse:

    Falando sobre arquitetura, foi-se o velho que projetava pensando nas meninas que via da janela do escritório…

    “O que me atrai é a curva
    livre e sensual. A curva
    que no encontro sinuoso
    dos nossos rios, nas nuvens
    do céu, no corpo da mulher
    preferida. De curva é feito
    todo o universo. O universo
    curvo de Einstein.”

  8. ALEX disse:

    Ola Flavio, qdo conheci seu blog fui grosseiro em um comentário um tempo atrás, mas hoje vejo q não conhecia seu “estilão” de escrever.. sei q é insignificante no contexto geral mas peço desculpas, esse post me motivou a isso, pois sou arquiteto e gosto do modo q vc se refere a arquitetura aqui.. e claro, depois de me acostumar..rsss com os assuntos dessa cachaça q é o automobilismo, abcs sinceros de mais um seguidor deste espaço

  9. Carlos Cwb disse:

    É que o IPHAN está com medo que a construção fique conhecida como “A casa do Carvalho”…

  10. Jean Tosetto disse:

    A Arquitetura Moderna paulista está completando 90 anos em estado de abandono geral pois, depois da década de 1980, os arquitetos deixaram de buscar a essência de sua época nos projetos para mergulharem no pós-modernismo, que parece um lamaçal sem saída.

    A própria sede do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil – em São Paulo, não está muito melhor do que a casa modernista de Valinhos. Reputo esse prédio como um dos mais charmosos e bonitos da capital, mas dá pena de ver ele praticamente abandonado, e curiosamente também tombado pelo Condephaat.

    Quando resolvi fazer o lançamento do livro sobre o MP Lafer na livraria que ocupa o pavimento térreo do IAB, ouvi algumas reclamações sobre a região (que é central, mas decadente), a dificuldade de chegar e estacionar carros. Ficou a impressão que o paulistano não gosta da própria cidade, pois passar a tarde num Shopping é negar a cidade, e negar seu centro é uma falta de urbanidade.

    Felizmente o evento foi um sucesso e a sua proposta foi bem recebida. A gente não precisa jogar uma camada de tinta para revitalizar uma casa ou um centro urbano. Revitalizar é dotar de vida novamente, então ocupar os espaços com gente é mais importante do que simplesmente reformá-los.

    Não vejo solução para a a casa de Flávio de Carvalho. Tombar um imóvel no Brasil é o mesmo que assinar a sua condenação. Tudo fica moroso demais quando precisa passar pelo crivo de um instituição burocrática e incapaz de analisar tudo, como infelizmente é o Condephaat. Particularmente sou contra a preservação a todo custo. Um edifício não pode ser congelado, mas ter sua utilidade adaptada para cada época.

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