MOTORSPORT IS DANGEROUS | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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domingo, 24 de fevereiro de 2013 - 13:25Automobilismo internacional, Futebol

MOTORSPORT IS DANGEROUS

SÃO PAULO (não cola…) – Depois do acidente gravíssimo de ontem em Daytona, no final da prova da Nation, meu e-mail foi invadido por corintianos que não se conformam com minha defesa inconteste da punição ao coletivo, e não apenas ao indivíduo que disparou o sinalizador e assassinou Kevin Espada em Oruru. O argumento, quase sempre confuso, é: “Olha aí, mano, o acidente na corrida matou uma pessoa. Vão fazer o quê agora, mano, proibir todas as corridas ou fazer corridas com portões fechados?”

Até onde eu sei, não morreu ninguém, felizmente. Há feridos, muitos. Foi uma panca e tanto.

E é claro que não recebi nenhum e-mail exatamente assim, é apenas um resuminho do teor da maioria das mensagens. Ninguém desses que me escreveram saberia colocar o circunflexo no lugar certo e alguns escreveram “fechado” com x. Isso não importa, de qualquer maneira. É indigência moral e intelectual comparar as duas coisas. Ninguém foi ao autódromo em Daytona com a intenção de atirar um pneu nos torcedores, ou arremessar um motor pelo alambrado. Ao contrário dos “12 de Oruro” e seus colegas, que como tantos outros lá estavam para fazer esse tipo de cagada deliberadamente.

(A propósito, aqui cabe uma pequena observação que gostaria de deixar um pouco mais em evidência do que apenas registrada na resposta a um comentário no post sobre a tragédia com o menino boliviano. Tenho recebido, e lido e ouvido igualmente, mensagens de gente que diz, resumidamente, o seguinte: “Não se pode punir uma nação de 20 milhões de corintianos por causa de apenas um criminoso”. É o discurso, inclusive, mais usado por jornalistas que querem “ficar bem com a Fiel”. Morrem de medo de irritar a Fiel. A esses, digo o seguinte: a punição, tirar o público dos jogos do Corinthians, quando muito vai afetar os 30 mil que vão ao Pacaembu a cada partida. Os demais 19.970.000 corintianos não serão afetados pela punição, eles assistem aos jogos em casa pela TV, ou escutam pelo rádio, porque ou moram longe, ou não têm dinheiro para o ingresso, ou precisam acordar muito cedo no dia seguinte. Assim, não me venham com esse papo de que estão “punindo uma nação de 20 milhões de loucos”. Estão punindo os caras que vão aos jogos, boa parte desses com claras propensões a fazer o mesmo que fizeram com Kevin, o que reduz ainda mais o número de afetados pela medida. Vamos parar de demagogia.)

Quando se vai a um evento automobilístico, para trabalhar ou assistir, há uma inscrição nos ingressos e nas credenciais que não deixa muitas dúvidas para quem os porta: “Motorsport is dangerous”.

Futebol não é para ser “dangerous”. Se é, que os dirigentes e as autoridades assumam sua incompetência e mandem imprimir nos ingressos: “Cuidado. Futebol é perigoso. Se você for atingido por um morteiro no olho, despencar da arquibancada ou levar uma cacetada de um policial, reclame com o papa. Assim que tivermos um novo”.

100 comentários

  1. França disse:

    Bem Flavio, voltando ao assunto Daytona : eu estava lá exatamente no local atingido e escapei por pouco!
    Tenho nos últimos anos , ido a Daytona acompanhar a Speed Week que abre a temporada da Nascar , que na minha opnião é uma categoria espetacular.
    Na prova da Nationwide no sábado , até poucas voltas antes do final da corrida eu estava posicionado em um local mais alto , em frente à saída do box.
    Daytona quase sempre acaba em “big One” e é normal , as batidas fazem parte do show na Nascar.
    Quando aconteceu a última amarela , eu desci ( como já havia feito em algumas ocasiões) e me posicionei mais ou menos no meio da reta , bem proximo à grade para ver a “panca” de perto ! Muita gente faz o mesmo e repito : as batidas fazem parte do show.
    O Big One começou , mais ou menos em frente a entrada do box e o “bolo” veio se arrastando e crescendo . Houve muita fumaça dos pneus , que dificultou a visão , mas consegui ver um carro ( de Kyle Larson ) decolando bem na minha frente! Neste momento recebemos uma rajada de vento muito forte (que é normal quando o pelotão passa na reta de Daytona ) acompanhada de alguns pequenos detritos. Também neste momento a grade tremeu violentamente e fez um grande barulho ! Até o momento era diversão , com os torcedores “comemorando’ o Big one. Alguns segundo depois , a fumaça se di spersou e pude ver a minha direita a grade rompida e pessoas gritando e sinalizando . Pensei …algo saiu errado!
    Existem muitos seguranças que ficam posicionados junto a grade de Daytona e todos correram imediatamente para o local atingido. Neste momento me afastei para dar espaço e não cheguei a ver os feridos. Imediatamente começou uma grande operação de resgate. Eu saí do autódromo e fiquei acompanhando as notícias pelo radio do carro. Continuo achando Daytona extremamente segura , mas sábado a tarde , o imponderável “esteve presente”

  2. Nelson disse:

    Este país só vai começar a ficar sério quando se aprovarem leis impopulares mas que beneficiem a todos e não a grupelhos estabelecidos no congresso. Cada patotinha aprova uma lei que seja bonitinha para seus eleitores. Menor não pode trabalhar, menor não pode ser condenado. Comecei a trabalhar aos 14 e não tenho nenhum TRAUMAZINHO por causa disso, até pelo contrario. Quem pode votar, quem sabe manejar uma arma tem sim que ser punido e logo.

  3. Everson Moreira disse:

    Punir o Corinthians proibindo sua torcida de ir aos jogos é uma medida que não me parece de grande valia, ela pune o clube e os torcedores, mas o que isso tem a ver com minimizar a dor da família de Kevin? Deveriam punir a torcida proibindo de ir a estádios em competições internacionais por 5 anos e reverter o lucro obtido com as partidas do Corinthians como mandante em indenização para os familiares de Kevin na primeira fase da competição. Aí sim eu poderia acreditar em um pouco de reparação e não apenas punição.

  4. Adriano Silva disse:

    A punição ao Corinthians foi, no mínimo, justa.

  5. Mauricio Alves disse:

    Essa estória de um menor de idade assumir a culpa cheira muito mal, principalmente quando há uma já proscrita “torcida organizada” (= crime organizado) envolvida na bagunça!

    Revoltante foi um dos “manos” presos na Bolívia falar para o repórter, a respeito da polícia do país: “…e eles querem que a gente entregue quem disparou, e isso nós não vamos fazer!!”

    Tenho certeza que esse garoto que se entregou vai peidar feio no primeiro aperto que levar da polícia e vai entregar o verdadeiro assassino!!

    Fiquei mais feliz ainda quando li que a justiça boliviana vai processar os doze como cúmplices de assassinato, pelo simples fato de terem entregue o nome do assassino!!

    Adorei quando o Conmebol determinou que o Corinthians jogue de portas fechadas!!

    Mas eu ia adorar se o time fosse excluído das competições internacionais por 5 ou 10 anos.

  6. Paulo disse:

    O advogado de defesa do rapaz garantiu que ele é culpado e vai provar isso…a cara do Carlos Tramontina quando disse que sim, se tratava do advogado de defesa, valeu por 1.000 palavras.

  7. Jr. disse:

    Sem maiores comentários… Perfeito.

  8. Romulo Louzada disse:

    parabéns Flávio, você é o único em toda essa mídia podre que têm estado com a verdade !! Punição pra esses bandidos, bandidos !!!

  9. Isaac Nemach disse:

    Engraçado que é sempre o menor de idade que é o culpado. Se reduzirem a maioridade penal, vai ter bebê assumindo culpa ….

    E sobre a nascar, categoria que se vale de acidentes e bandeira amarelas forjadas nas últimas voltas para dar emoção e ainda aceita lances desleais como parte da disputa.

  10. Alexandre Reis disse:

    Flávio: parabéns pelo excelente texto, parabéns pelo sensato ponto de vista e por fim parabéns pela sua coragem de publicar isso. Está cada vez mais difícil de encontrar pessoas com coragem para se posicionar contra os grandes e inescrupulosos grupos, sejam esses grupos torcidas de futebol, partidos políticos, emissoras de TV ou instituições religiosas.

  11. Ulisses disse:

    É isso aí Flávio!
    E duvido que vá acontecer alguma punição aos imbecis que mataram o rapaz boliviano.
    O Corinthians é impunível, ainda mais agora nesses tempos de populismo democrático de um bando de cagões!

  12. Fábio Engel disse:

    Flávio, concordo inteiramente com o ponto de vista de que devemos punir a violência de forma ríspida, indiferente ao clube que motivou tal cenário. Tenho a certeza de que quando tivermos punições exemplares aos clubes, estes ficarão “mais espertos” e terão que se comprometer com a atitude de sua torcida, caso contrário o bolso sofrerá sempre.
    Acrescento outros exemplos para imprimir no corpo do ingresso: Pilhas, rádios, sapatos, cadeiras, moedas, copos (nem vou comentar o conteúdo), cusparadas e de vez em quando algo macio tipo almofadas…….

    Abraços.

  13. Medina disse:

    E a rede Goebels já arrumou um jeito de faturar em cima da tragédia, já está transformando o suposto homicida em popstar, e também abraçou a causa de vamos culpar um menor de idade qualquer…

    Bem, se a torcida não puder entrar no estádio, vai assistir pela TV, né? E adivinha só quem vai se dar bem.

  14. Mesmo sendo corinthiano acho que a punição foi leve, até porque não é primeira vez que torcedores aprontam, na final da libertadores mesmo atiraram sinalizadores no campo, teve a confusão no Pacaembu em 2006. Sobre o acidente em Daytona, as imagens deixam claro que passou da hora de buscarem meios mais seguros de proteger os fãs, não só nas pistas da NASCAR, mas em todos os autódromos do mundo.

  15. Rafael disse:

    Perfeito Flávio. Mas o menor que se apresentou é realmente o culpado. Os 12 que estão presos lá na Bolívia não soltaram o rojão. Ainda acho que o Corinthians deve ser punido, mesmo sendo corintiano, mas o responsável pela tragédia não está na Bolívia, está aqui no Brasil. E ele era um menor de idade, não parece ser um bandido, muito menos teve a intenção de matar ninguém. Acho que o senhor deveria se retratar minimamente, pelas acusações que fez por antecipação, o que é perfeitamente desculpável pelo calor da situação.

    • Flavio Gomes disse:

      Está estabelecido o princípio da “presunção de culpa”. Ele é culpado mesmo? Contou pra você? Oh, que bonitinho.

      • Rafael disse:

        Não tenho essa certeza, mas tudo leva a crer que sim, de acordo com as imagens e as características do entrevistado pela rede globo: tom de pele, as orelhas de abano e até o casaco. Torna muito nítido que foi realmente o menor que acertou o rojão.

        Agora, se eu não tenho certeza da culpa do menor, o senhor também não tem certeza da culpa dos 12 que estão em Oruro. O princípio da presunção da inocência vale para eles também, ainda que sejam taxados de marginais, assassinos e criminosos sem provas contundentes.

        Nesse caso é preciso cautela, ninguém tem certeza de nada, inclusive a polícia boliviana, que escolheu doze torcedores aleatoriamente.

      • Flavio Gomes disse:

        Não falei em presunção de inocência. O seu orelhudo aí está sendo apresentado ao mundo sob o princípio da presunção de culpa.

      • Rafael disse:

        Ele apenas fez o que lhe é de direito: assumir a sua responsabilidade sem ter que conviver com o próprio silêncio.

        Não vejo nada de errado nisso. Se a emissora A ou jornal B quer tirar proveito disso, isso não é um problema dele. É problema moral dos meios de imprensa.

        Todos sabemos que quando a imprensa acusa sem provas, o espaço dado para assumir o erro é muito menor do que o espaço dado à denúncia.

      • Flavio Gomes disse:

        Tá bom, meu filho. Fique com seu gaviãozinho orelhudo e encerre o assunto.

  16. Adam disse:

    FG, concordo inteiramente com você.

    Traçando um paralelo com a lei seca, eu não me importo em deixar de beber uma cerveja, por mais que isso não vá afetar minha condução, pois há quem, ao invés de beber uma cerveja, vá beber um copo de cachaça. Então, como o produto do segundo é a morte de terceiros, o rigor deve imperar.

    No caso “dos mano”, se você está lá do lado de alguém que está apontando um “morteiro” na direção da torcida “adversária”, e assiste àquilo compassivamente, É RESPONSÁVEL. E seguindo esta lógica, radical devo admitir, coletivamente todos são responsáveis.

    Na verdade, todos nós somos, pois quem apoia o futebol é o torcedor, qual seja presencial, ou televisivo, mas aí a discussão vai longe, e entra num campo de uma revisão social profunda, talvez utópica…

    Então, devem receber uma punição, e severa, para que da próxima vez que um “mano” insinuar algo parecido, o próprio “mano” do lado faça a reprimenta (ou dê a bofetada).

    Concluindo, a coletividade enquanto torcida, tolera este tipo de comportamento, então ela é responsável. Suspensão à torcida.

    Infelizmente já arrumaram um otário menor de idade (bingo!!!) para assumir a autoria e livrar a barra “dos mano”, mas espero que os gringos não engulam mais esse “jeitinho brasileiro”.

  17. Grisalho disse:

    Eu entendi perfeitamente o texto e, como corinthiano, acho que o clube deveria aceitar a punição. Só que desqualificar alguém (ou tirar um sarrinho, vá lá) que escreveu fechado com “x” e colocar isso no meio de um assunto tão grande e sórdido é absolutamente dispensável e preconceituoso. Meu velho pai escreve errado, muito errado…Minha mãe nem se fala…e embora você possa justificar que meus pais estejam longe do perfil dessas pessoas, eu poderia aqui lembrar de outro cara, que escreve como poucos, mas que um dia escreveu impressão com “ç” (ou algo assim…não lembro bem..) e mandou para seu futuro empregador. Ah, quase me esqueço dos analfabetos funcionais da FAAP, PUC e tantos outros…mas isso é outro assunto. Grande abraço!

  18. João Carrieri disse:

    Aliás, o primeiro que quer “ficar de bem com a Fiel” é esse Antero Grecco, que eu considerava um excelente comentarista, muito inteligente e profundo conhecedor do futebol, mas que, de uns tempos pra cá vem fazendo uma média danada com o Corínthians em seus comentários no “Sportscenter”.
    Gomes, mandou bem mais uma vez, comentário perfeito.

  19. Acarloz disse:

    Também é sempre o “de menor” que atira no vigia do banco . .

  20. Marcelo r. disse:

    Flávio, talvez vc seja o único jornalista que resolveu falar o óbvio, pois os demais estão muito preocupados em fazer demagogia e olhado pro seus próprios interesses. Afinal, se a Conmebol adotasse a regra da UEFA e punisse os clubes brasileiros por 05 anos, já imaginou o número de (pseudos)jornalistas esportivos que iriam pro olho da rua?.

    Sinceramente, não há argumento que convença do contrário. Acho uma extrema incoerência os times de massa (Flamengo, Corinthians,Vasco, São Paulo e outros) usarem a torcida conforme os seus interesses. Todos esses que citei e mais outros, recebem cotas de TV, fecham patrocínios e outras formas de parceria em virtude do tamanho de suas torcidas. Assim, ganham (e muito) dinheiro com o tamanho de suas torcidas. Só que quando essas torcidas promovem atos de vandalismo, cometem assassinatos, aí aparece rapidinho um dirigente afirmando que o clube não pode ser prejudicado por isto. Ou seja, pra se beneficiar pode, mas para responder pelos prejuízos não. Ora, se qualquer clube ganha dinheiro com a sua torcida, nada mais natural que ele também responda pelos prejuízos que ela causa, caso contrário essa balança só tende para um lado. Se ganha mais dinheiro, tem de ter mais responsabilidades. Nessa hora, o tão falado profissionalismo fica de fora. Arrotam que tem gestão disso, daquilo mas não conseguem sequer controlar ou conhecer quem são os chefes dessas quadrilhas, não apenas distribuem os ingressos e a polícia que se vire.

    Dizem os adolescentes que: “… se vc não sabe brincar, então não desce pro play…”. É mais ou menos o que acontece. E ninguém diga que isso não ia acontecer. Em todos os estados presenciamos notícias de confrontos, vandalismo e mortes, sobretudo em rodadas de clássicos. Uma ora, alguma torcida iria fazer isso em terreiro alheio e foi o que aconteceu.

    Sinceramente, não há nenhum inocente nessa história…

  21. Flavio, critico quando acho, mas elogio copiosamente quando vc fala sobre…. automobilismo. E esportes.

    A definiçao dos tais 30 mil que ficam de fora é perfeita. Digo mais: nao sao 30 mil, mas sao em torno de mil pessoas, verdadeiros vagabundos e criminosos, que vivem pela torcida, em nome do amor ao time, mas que mamam nas tetas desses mesmos, em troca de sua “fidelidade”. Queria ver se seriam tao fieis assim se os times parassem de pagar. Mercenarios, vagabundos e criminosos, isso que caras de torcida organizada sao. E nao so do Curintia, mas de todos os outros times!!!

    Sobre Daytona, isso “faz parte”. Ate pq, mesmo no acidente de Carl Edwards em Talladega o carro nao deixou nada no alambrado. Confesso que fiquei abismado com a cena do motor preso no alambrado, coisa que nunca vi acontecer. O mais impressionante foi o piloto do carro 32 saindo como se nada tivesse acontecido.

    Pq, ao inves desses curintia ai ficar xingando, eles nao comemoram a evoluçao de segurança dos carros da NASCAR, os mais seguros do mundo? Logico que nao, nao foi i Curintia que fez né…

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