O RUMO DE BRUNO | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013 - 18:42Automobilismo internacional

O RUMO DE BRUNO

ASÃO PAULO (fez muito bem) – Bruno Senna está fora da Fórmula 1. A notícia foi oficializada agora há pouco pela assessoria do piloto, que confirmou que ele vai disputar o Mundial de Endurance da FIA, o WEC, pela equipe oficial da Aston Martin (na foto acima, o carro do time, com a pintura Gulf histórica e inigualável).

Sem querer bater bumbo, porque não somos disso, mas é importante lembrar que nosso colunista Américo Teixeira Jr. cravou em 17 de dezembro que o brasileiro estava fora dos planos da Force India. E no dia em que a Caterham fechou com Giedo van der Garde, Américo afirmou com todas as letras que suas chances de ficar na F-1 haviam se esgotado.

Nunca acho que o jornalista é mais importante que a notícia, mas faço essas observações por uma razão simples. Não, não é para dizer que nós somos os fodões do bairro Peixoto, que o Grande Prêmio é o melhor site do mundo e que o Américo tem arrebentado com informações exclusivas há muito tempo. Isso tudo é verdade, somos os fodões do bairro Peixoto e de outros bairros, temos o melhor site do mundo e o Américo é um tipo raríssimo de jornalista — conhece o assunto que cobre, é bem informado e tem fontes confiáveis, que eu nem seu quais são; mas confio no colunista, e isso basta para que banquemos as notícias que ele tem para dar.

O motivo, porém, é outro. Quando noticiamos que um piloto brasileiro tem poucas chances aqui, nenhuma ali, está quase fora, pode ser substituído etc e tal, parte do público que nos segue sai atirando impropérios em nossa direção, que podem ser resumidos numa frase-padrão (editada, sem os xingamentos): “Vocês não apoiam os pilotos brasileiros e torcem contra! Vocês não são patriotas!”.

No fundo, é verdade. Não apoiamos os brasileiros, nem os tailandeses, nem os vietnamitas. E se alguém ainda é tonto o bastante para misturar patriotismo com esporte e informação esportiva, que vá se tratar. Nós simplesmente não torcemos para ninguém e temos obrigações com uma única figura estelar e soberana: aquele que nos lê, ou ouve, ou assiste na TV. Ponto final. Quando quero me comportar como torcedor, vou para a arquibancada ver a Portuguesa. Há quem diga que devemos apoiar, ajudar, bajular, elogiar pilotos brasileiros porque dependemos deles, sem brasileiros vencendo o interesse pela F-1 se esvai, perdemos público e vamos à falência.

Pode ser que para alguns jornalistas e para algumas mídias funcione assim. Aqui, não. Primeiro, porque temos alguns princípios pétreos, e o maior deles é: aquilo que sabemos, publicamos. Depois, acredito sinceramente que o público que se pauta pelo ufanismo e que se guia pelos arroubos nacionalistas que contaminam a imprensa esportiva não nos interessa. Dispenso. Porque acredito, também sinceramente, que existe um público mais crítico, sensato, que gosta de ser informado, não enganado. E que gosta de automobilismo de verdade, sejam os protagonistas brasileiros ou incas venusianos.

Isso posto, falemos de Bruno.

Seus quase três anos de F-1 foram pontuados por algumas boas atuações, muitas discretas e outras ruins. Há várias atenuantes, como o fato de ter começado tarde, ter tido de pular algumas etapas por conta da idade, ter estreado por uma equipe muito ruim, não ter feito a temporada toda em 2011 e ter tido alguns treinos a menos no ano passado. Foi um piloto comum carregando um sobrenome incomum.

A guinada na carreira é positiva para ele. Na F-1, ficaria se arrastando atrás enquanto houvesse patrocinadores dispostos a investir em algo que, no fim das contas, não passava disso: um sobrenome muito caro aos brasileiros e ao automobilismo. Mas, na F-1, a percepção de que só estava lá porque é sobrinho de quem é seria permanente.

No WEC, Bruno terá a chance de ser piloto de corridas de verdade, numa equipe de ponta de uma marca que neste ano completa 100 anos de existência. O campeonato é muito legal, as provas de longa duração são espetaculares e ele vai correr em Le Mans, o que por si só vale uma vida — Bruno já esteve lá uma vez, mas num esquema bem menos ambicioso.

Há casos de outros pilotos brasileiros que desencanaram da F-1 quando viram que algo não iria se encaixar, e partiram para uma carreira mais sólida em outras categorias. Os casos mais recentes são os de Augusto Farfus (desistiu de monopostos há anos e hoje está no DTM pela BMW), João Paulo de Oliveira (sucesso absoluto no Japão), Nelsinho Piquet (fazendo a América na Nascar) e Lucas di Grassi (contratado pela Audi para o mesmo WEC). Existe vida, claro, fora da F-1. E ela pode ser muito divertida e prazerosa.

Senninha anda com o carro da Aston Martin nos dias 17 e 18 em Portimão e participa das 12 Horas de Sebring (que não fazem parte do WEC) em 16 de março. O Mundial começa em 14 de abril com as 6 Horas de Silverstone.

Fez muito bem o primeiro-sobrinho em tomar essa decisão. Talvez a F-1 não seja o lugar para ele. Mas as pistas, certamente, são. Que acelere muito, se divirta e seja feliz.

106 comentários

  1. Kurgan disse:

    Assunto encerrado, parabéns ao Américo. Apenas uma ressalva: da mesma maneira que enche o saco aturar as “viúvas”, é uma osta aguentar essa galera que só gosta de ofender chamando esse ou aquele piloto de fracassado, lento ou o que seja. Se fazem melhor, sentem no carro e ganhem do Vettel… falar é fácil.
    Em tempo: tá na hora da TV dar mais importância a outras categorias. Realmente aqui no Brasil parece que só existe F1 (pelo menos na TV aberta).

  2. Mauricio Gonçalves Maciel disse:

    ” E se alguém ainda é tonto o bastante para misturar patriotismo com esporte e informação esportiva, que vá se tratar.” Umas das melhores frases escritas que eu já li. Eu não suporto a ideia de falar que o homem ou a mulher que participa de algum esporte, que ele é patriota por participar de um torneio.

  3. João Carrieri disse:

    “Não apoiamos os brasileiros, nem os tailandeses, nem os vietnamitas. E se alguém ainda é tonto o bastante para misturar patriotismo com esporte e informação esportiva, que vá se tratar”.

    Obs.: ou então vá assistir a SPORTV ou Rede Globo.

    Quanto a ida do Bruno Senna para a Aston Martin, é muito legal. A corrida no ano passado já foi muito boa, um atrativo a mais para esse ano.

  4. EduardoRS disse:

    O Gavião Bueno nesse momento deve estar vociferando: “Malditos jornalistas! Por que não mandaram vibrações positivas para o Bruno? Vejam o que fizeram! O universo conspirou contra ele por culpa de vocês!”

    Parabéns pela postura do GP. É uma pena que a isenção e o verdadeiro jornalismo sejam tão difíceis de achar no Brasil hoje em dia.

    Sobre o Bruno, ele é um bom piloto, considerando seu início tardio. Mas pra andar na F1 sem pagar, ser só bom não basta. E na real, aposto que para os pilotos é bem mais divertido andar de GT, turismo, rali… a F1 deve ser um saco, com todos aqueles compromissos com patrocinadores, e aquela montoeira de botões pra apertar no volante. Se ele conseguir fazer uma carreira no WEC, aposto que estará feliz da vida.

  5. Billy disse:

    Só lembro do Galvão em Abu Dhabi, depois que o grandepremio cravou a a saída de Bruno da Williams: “Na internet, escreve-se o que se quer.” Como se na internet não existisse jornalismo sério.

    O mesmo Galvão que banca de pés juntos que Schumacher procurou a Ferrari depois de ser dispensado da Mercedes. Isso sim não vi em lugar nenhum e nunca ninguém envolvido (Ferrari e Schumacher) sequer tocou no assunto.

    No mais, boa sorte ao Bruno. Fórmula-1 é para poucos, mas há um monte de categorias legais por aí.

    • Mariana disse:

      “O mesmo Galvão que banca de pés juntos que Schumacher procurou a Ferrari depois de ser dispensado da Mercedes. Isso sim não vi em lugar nenhum”

      Taí uma grande verdade! Todo o final de temporada depois do anúncio de (re)aposentadoria do Schumacher ficou o Galvão ensandecido nas transmissões garantindo que o Schumacher implorou emprego “na Ferrari e até na Sauber e ninguém quis”! Como diria aquele colega dele, loucura loucura loucura ¬¬

  6. Carlos Henrique Castilho disse:

    Grande Flávio,

    Que o site continue assim, sendo realista, transparente, honesto, verdadeiro e imparcial, tendo o real valor para quem realmente busca informação sobre Formula 1 e automobilismo e não o “pachequismo” de outras mídias.

  7. Carlos Amaral disse:

    Beleza. Sem mais a dizer. Vc já disse tudo. Perfeito. Há vida feliz fora da F-1, e que o Bruno seja feliz. De verdade. E que a categoria passe em algum canal, mesmo q seja pago.

  8. Acarloz disse:

    Bom pro moleque, afinal a F1 atual tá meio distante do meu conceito de “corrida de verdade”. muito pasteurizada…

  9. Mauro Batera disse:

    Barrichello também deveria seguir o mesmo caminho.

  10. Alexandre Reis disse:

    Eu acho que está tudo certo. O único problema é que nós realmente somos escravos da F1. Acreditamos que por ser a categoria mais cara do mundo, ela também é a melhor. Não escondo de ninguém que apesar de não concordar com algumas coisas, no geral gosto da F1 atual, mas precisamos abrir nossos olhos para outras categorias. É claro que a TV brasileira bem que podia dar uma forcinha maior nisso também, né?

  11. Olavo Pinto disse:

    Que pena saiu o Senna!! Cara que me parecia legal !!! Torcia pelo sucesso dele!!! Assim como pro Button, Massa, Raikkonen, Koba e outros que me parecem legais. Os brazuca nos da vontade de ver os caboclos prosperando, são conterrâneo são exemplo pra gente fazer sucesso também. A formula um ficou mais chata sem ele e sem o carisma do nome!! Era legal ver o hill filho, o villeneuve filho o piquet filho, o cristian filho sobrinho e o Bruno. Esses nomes ficam sempre bem na fita. A formula 1 sempre teve cheia de ratos, mas só hoje as pessoas estão cansando da formula 1. Me engana que eu gosto mas me faz feliz!!!! Senão eu zarpo!!! ziriguidum saionará!!! Começou a temporada!!! Button bi mundial!!! Ueba!!

  12. Eduardo disse:

    Na boa , o americo eh um puta jornalista. E vcs sao uns putas de uns desinformados.

  13. Francis Ulfeldt disse:

    Parabéns aos dois.
    Ao Bruno pela decisão acertada de caçar seu rumo em outra categoria – e que categoria, hein!
    E para o Sr., Seu FG pelas belas palavras proferidas.
    Resumiu tudo como é e sem perder a linha.
    Acompanho-o sempre pois escreves o quero ler: a verdade e somente ela.

    Abraços,
    Francis.

  14. É melhor ele ir buscar um caminho satisfatório fora da F1 do que ficar pilotando carroças na F1 sem conseguir chegar a lugar nenhum.

  15. Renato Ariano disse:

    Belo texto ! Estamos no caminho certo pulverizando bons pilotos brasileiros em diversas categorias Nelsinho e Fitineto na nascar , Bruno e Lucas no endurance j Paulo na nipon e japachamps e afins !

    • João Pedro Corrêa disse:

      O neto do fittipaldi vai para os fórmulas a pedido do avô. vamo ver como vai ser. eu acho que ele tem tudo pra seguir uma carreira boa no automobilismo, independentemente do tipo de carro e da categoria.

  16. Ron disse:

    Concordo com tudo.
    Se há aqueles que descarregam umas impropriedades pelos comentários expostos aqui sobre notícias que podem ocorrer mais adiante, há (ou deveria haver) também uma crítica aos que anunciam o contrário. Isso é até uma boa coisa no fim das contas: se notícias contrárias são “postas na mesa”, então é uma excelente oportunidade para que aprendamos a avaliar melhor as informações que chegam a nós.
    Foi uma boa escolha do Bruno Senna. Melhor pilotar um carro bom em outra categoria do que ficar tentando guiar uma carroça ou algo que tenta ser um carro da F1. Sorte para ele lá no WEC, que consiga ter bons resultados por lá assim como o Nelsinho nos EUA.
    PS. Com essa estória de “vai, não vai” a respeito do Razia, é bem capaz de todo o peso da cobertura oficial nesse ano cair nos ombros de uma pessoa só. Adivinha quem? Na verdade, acho que até já começou.

  17. Rodolfo Leyton disse:

    Alguém, por favor, poderia responder se no WEC, em que as 4 classes (LMP1, LMP2, GTE-Pro [essa, a do Bruno Senna] e GTE-Am) correm juntas ao mesmo tempo, é possível um carro da LMP2, GTE-Pro ou Am pode vencer a corrida no geral ou, no geral a vitória sempre vai ser de um carro da LMP1?

  18. Rodolfo Leyton disse:

    Com a confirmação de Bruno Senna fora da F1, Luiz Razia não confirmado de fato e Felipe Massa com 2014 incerto, uma temporada de F1 sem um piloto brasileiro não está tão distante.

  19. Antonio disse:

    Boa notícia !
    Correr de Aston Martin na WEC é uma opção excelente para a carreira do Bruno !
    As portas continuam abertas na F1. E as novas possibilidades no endurance só tem a enriquecer a sua história. Quanto a Force India, parece que estão negociando com a Ferrari motores e ajuda para confirmarem o Jules Bianchi.

  20. Jair Yoshimura disse:

    salve Flavio, o povo brasileiro em geral, quando se trata da arte de torcer por alguma coisa, acho que não tem similar em lugar nenhum, seja no futebol, na f1, o povo não move um mouse ou uma pagina de alguma literatura especializado no assunto para se informar minimamente do assunto ou do jogador ou do piloto para formar a sua opinião, no futebol ja cheguei a escutar a seguinte… final do campeonato o time se esforçando o jogador estrelinha na primeira provocação do adversario desse o braço… expilsão o time fica prejudicado, ai vem torcedor me dizer que o jogador foi provocado, que homem tem que revidar e tal, o sujeito não pensa que aquele jogador e(n sei cade o acento nesse teclado) um funcionario, que o time e uma empresa, o cara ta em campo trabalhando, igual eu, igual a milhões, com os pilotos e mesma coisa, vejamos o caso do F. Massa, o povo desce a lenha, mas eles não percebem que o que ocorre com massa e a mesma coisa que acontecia com o A. Senna, antes que voçe descubra meu endereço e mande uma equipe do maniconio mais proximo me busca, eu explico, Senna e Berger por exemplo, Berger era um otimo piloto, um piloto normal, quando estava em um bom dia andava no mesmo segundo do chefe (Rubens se referia assim a Airton) mas a situação normal era Berger e qualquer outro companheiro tomar pau de Senna, nem por isso o povo Austriaco (Berger e Austriaco ou Belga, bem o Flavio sabera) manifestação contra Senna, contra o Ron (Denis e claro) falando que a Maclaren tinha dado a Senna Fusion ecobuster e para o Berguer um Corcel, ou que Berguer não sabia piloto e era uma vergonha para seu pais, pois com Massa acontece isso, quando esta naqueles dias anda ate perto de Alonso, nem por isso Felipe e um mau piloto, nem a ferrari da um Bravo para Fernando e um 147 para o brasileiro, a realidade e que Alonso e melhor so isso, o que não e nenhum demerito para o filho do Titonio, mas o torcedor tupiniquim não acha que o cara ser o 6 ou 7 melhor do mundo naquilo que ele escolheu para fazer na vida seja uma coisa para encher de orgulho o pai, o tio, o amigo de infancia, a cidade, o pais desse sujeito, mas eu acho que o mundo ainda não ta perdido, pois meu filho de dois anos, acha que sou o melhor piloto do kart do mundo, melhor ainda que o Ben 10… Jair..

  21. Robson Leandro da Silva disse:

    “Foi um piloto comum carregando um sobrenome incomum.” Sem mais.

  22. Fernando Cruz disse:

    Nao esquecer que sem a crise financeira tinha resultados para entrar na F1 em 2009 por merito, sem ter de pagar. Seria agora um piloto muito mais desenvolvido, provavelmente com vitorias logo na epoca de estreia, com a Honda ou a Brawn. Foi a partir dessa altura que as equipas passaram a exigir muito dinheiro aos novos talentos e ele nem em 2010 tinha o suficiente para uma equipa media. Foi isso que o afastou definitivamente do caminho do sucesso na F1. Agora ha muitos pilotos de talento e com bons apoios
    financeiros que ficam de fora (da F1), portanto nao ha aqui nenhum demerito para o Bruno, sobretudo dadas as circunstancias da sua carreira. E melhor assim, pelos vistos na Force India ja estaria descartado (ao contrario do que pensavamos) e no DTM tambem estava a ficar dificil, com as restriçoes aos treinos que entram em vigor este ano e levam as equipas a preferir quem ja tem experiencia na categoria.

    • Fabiano Lacerda disse:

      Sim, e eu sou o papai noel correndo de Ferrari.

      • Jura? Oi papai noel! Boa sorte na Ferrari esse ano!

        (O Comentario do Fernando foi altamente pertinente)

      • Fernando Cruz disse:

        Qual foi a parte que nao entendeu? Se o Bruno em 2010 tivesse dinheiro para uma equipa media nao teria acabado numa HRT. Seria interessante perceber porque e que na altura nao houve dinheiro suficiente para ganhar uma vaga decente na F1. Pilotos como Damon Hill fizeram bem menos do que Bruno nas categorias de acesso e tiveram oportunidades muito melhores na categoria maxima. Em 2009 a saida da Honda prejudicou muito mas em 2010 ainda iria muito a tempo se na altura tivesse os apoios financeiros que acabou por conseguir demasiado tarde, pois e praticamente impossivel ter-se sucesso na F1 quando a primeira temporada normal acontece apenas 4 anos depois da ultima epoca na GP2!

      • Fabiano Lacerda disse:

        Só não consegui vislumbrar o Bruno vencendo corridas e disputando com a elite. Ele é um bom piloto, mas está ali no miolo dos medianos. ( medianos em relação ao grid da F1, só pra deixar bem claro )

        Ele com toda a certeza não é digno das humilhações virtuais que sofre, mas tambem nunca foi essa coca cola toda. Seus resultados na F1 parecem dignos do potencial dele.

      • Fernando Cruz disse:

        O Damon Hill era tao mediano como ele (fez ate menos nas categorias de acesso) e entrando com o melhor carro ganhou corridas na F1. Foi ate Campeao, ao fim de quatro anos com o melhor carro e um estreante como colega. Claro que os tempos agora sao outros mas em 2009 o Brawn foi mesmo o carro a bater.

        Nao podemos tambem esquecer a historia. O Ayrton estava a preparar o Bruno para uma carreira ao mais alto nivel quando se deu o acidente em Imola. Antes desse acidente o Bruno ja tinha batido o tio e o recorde da pista de Tatui, ao ponto de o Ayrton proferir aquela celebre frase “voces acham que eu sou bom, entao esperem pelo meu sobrinho”. Nunca saberemos ate que ponto o Ayrton tinha razao mas uma coisa e certa, teria inteligencia suficiente para perceber que 10 anos sem competir, sem fazer carreira nos karts, faria toda a diferença. Isso e
        ficar ainda mais 3 anos sem uma epoca normal, devido aos efeitos da crise financeira. Eu recordo que o Ayrton dizia que para um piloto ter sucesso na F1 nao pode dar passos em falso e o Bruno deu muitos passos em falso por motivos que fugiram ao seu controlo. Portanto esteve muito longe de atingir o seu verdadeiro potencial.

      • Mariana disse:

        A grande questão que o colega Fabiano Lacerda está esquecendo e a qual se referia no início da conversa o Fernando Cruz é que o Bruno Senna estava praticamente acertado com a Honda que virou Brawn e ganhou o título de 2009. É insano pensar que o Bruno (aliás, qualquer um) não teria ganhado corridas com aquele carro!

        Agora, também não sei se isso seria tão garantia de que a história seria diferente. Está aí (ops, estava) o Kovalainen, que passou pela McLaren, ganhou corrida e ficou a pé rapidinho do mesmo jeito.

  23. Fabiano Lacerda disse:

    Só queria saber por onde andam os “entendidos” do blog, com seus raciocínios “lógicos” cravando a ida do Bruno pra Force India?

    Só rindo desses pachecos..rs

  24. Mariana disse:

    Uma coisa é certa sobre o Bruno Senna na F1: o grande “pecado” dele é a comparação inevitável com o tio. Vc pode até tentar não fazer essa comparação, pode até realmente não fazer-fazer, mas ela estará em algum lugar do subconsciente. Se é fato que vários pilotos passaram por esse processo de desencanar da F1 recentemente, nenhum deixará no público mais geral a impressão de “fracasso” do Bruno Senna. PQ? Porque todo mundo espera mais de um Senna simplesmente por ser um Senna.
    Como o Ralf Schumacher, que fez sólida carreira na F1, com vários pódios e um bom número de vitórias (só não fez mais por conta da aposta errada na Toyota, e está aí a aposta errada do mais velho na Mercedes pra mostrar que isso acontece até nas melhores famílias – arrisco dizer que daqui a pouco estará aí o Hamilton também rs), mas é pouco reconhecido porque a comparação inevitável é com o irmão mais velho de 91 vitórias e 7 títulos, coisa que ninguém na História da F1 nem chegou perto (ninguém, e não o Ralf especificamente)
    Bruno Senna, igualmente, não fez feio na F1. Teve boas atuações e muitos “poréns” para alegar a seu favor sobre os desempenhos “mais ou menos”. Mas deixará a impressão de que foi um completo desastre porque “puxa vida, mas vai sair sem ganhar nem um título?”.

    • Rodolfo Leyton disse:

      Muito bem pontuado, Mariana. Sua opinião tem muito sentido, especialmente no 1º parágrafo por conta dessa impressão de “fracasso” que ficará marcado Bruno Senna.

      • MSS disse:

        Não se preocupe Rodolfo …
        Bastará o Bruno ir bem em uma ou duas provas na WEC para todo mundo esquecer o tal ‘fracasso’ e começar a elogiar, vibrar, jurar que é amigo desde a infância… Já vimos isso antes … Com ele em alguns momentos, com o Nelsinho, com o Rubinho…

      • Mariana disse:

        Nananina! Esse “todo mundo” inclui somente as pouquíssimas pessoas que realmente gostam e acompanham automobilismo como um todo – mesmo entre os já poucos que gostam de alguma coisa do gênero, a maioria não sai do universo de F1, Indy, MotoGP e Stock.

        Daqui a uma ou duas provas do WEC, a maior parte da população já terá esquecido que Bruno Senna existe. Quando lembrar será na base do “E aquele sobrinho do Senna, heim? Que fiasco”. Ao contrário de um di Grassi, que também sumiu da vista da maioria das pessoas mas é lembrado na base do “Que pena aquele rapaz não ter dado certo na F1, né, tudo porque não tinha o dinheiro que precisa ter por lá”.

    • André Almeida disse:

      Concordo em parte. Fracasso pode ser tomado, se comparar com o tio.

      Mas aí cara, qualquer outro piloto que não tenha pelo menos chegado perto poderia ser chamado de fracassado.

      O problema foi o sobrenome esportivo que ele escolheu.

      Escolheu? Sim, por que ele carrega o sobrenome “Lalli”, que poderia ter dado muito certo.

      Resolveu escolher:

      1. O sobrenome SENNA – que por si só carrega um peso enorme relacionado à poles, vitórias em carros não tão vencedores e uma rede de TV que domina até hoje as mentes da maioria do povão alienado.
      2. O capacete verde-amarelo-azul – que na cabeça de quem assistiu, e de quem narrou as corridas (não apenas no Brasil, mas no mundo) lembrava demais o Ayrton Senna.

      Se o Bruno tivesse escolhido desde o princípio aquele capacete do final de 2012, somado ao sobrenome Lalli, com certeza teria tido menor peso ao entrar na F1.

      O que nos leva a outra dúvida: caso Bruno Senna tivesse usado o nome “Bruno Lalli” teria sequer chegado à GP2?

      Isto por que os patrocinadores, na sua grande maioria, o apoiaram pelo sobrenome “Senna”, e pela possibilidade de sucesso que a sua performance traria para a marca que o patrocinasse.

      Então, realmente, foi uma faca de dois gumes para ele, que começou bem tarde no automobilismo, por razões conhecidas.

      Penso que – até por este último motivo – o Bruno Senna deve estar bastante satisfeito com a sua carreira.

      Digo isto por que ele, num curto espaço de tempo, andou na elite do automobilismo, não fez nenhuma cagada digna de vergonha, mas também não fez feio.

      Conseguiu sua regularidade, seu profissionalismo como piloto e, ao invés de ser um administrador, que era a sua graduação quando fazia faculdade em SP, irá trabalhar com automobilismo, que é algo simplesmente fantástico.

      Só isso pode ser chamado de sucesso profissional. Não apenas quando você ganha corridas, mas também quando tem uma sequência na carreira fazendo o que ama.

      Parabéns pra ele.

      • Mariana disse:

        Concordo em parte rs. Concordo que o Bruno e quem conhece melhor automobilismo sabe que ele não é nenhum fracasso. Quero dizer que o público em geral, o povo que conversa no balcão da padaria e tals, vai lembrar dele com essa amargura. Agora, se o bordão vai ser “manchou o nome Senna”, não acredito que teria ajudado muito ter usado outro sobrenome não: todo mundo ia saber que ele era sobrinho do Ayrton porque a mídia faria festinha igualmente. Aí, além de ser criticado agora pela saída prematura da F1, também teria sido criticado no início pelo que iriam considerar covardia (novamente: provavelmente não o pessoal que acompanha mais a história, mas com certeza o pessoal que só comenta por alto no dia a dia)

  25. FG, concordo ipsis litteris contigo e vou mais além. Finalmente os pilotos brasileiros começam a dar a devida importância a outros campeonatos. O problema nosso é que o ‘torcedor’ de automobilismo foi ‘colonizado’ a acompanhar Fórmula 1 desde a infância e achar que a categoria citada é o máximo do máximo. Nada menos exato. Agora, quero ver só o Galvão, que tanto enchia a bola do Bruno na F-1, que tanto desmereceu a história do Bottas na Williams, falar de WEC. Ou será que só prestam pra ele e pra Globo os campeonatos em que o filho dele ou os queridinhos dele correm?

    • Nelson disse:

      Rodrigo:vamos esquecer o GALVÃO.Só espero que ele pare com a tv e vá fazer vinho.Quem sabe se ele na MIOLO não consegue achar um pouco de MIOLO?Ou quem sabe não escorrega e cai dentro de um tonel e vira o MIOLO sem MIOLO ENVELHECIDO?

  26. Cayo Alves disse:

    Parabéns Flavio, texto excelente !! E boa sorte ao BS, torço para que consiga tanto sucesso quanto o Nelsinho Piquet conseguiu em outra categoria, depende apenas que ele entenda que Sobrenome de campeão não é certeza de sucesso, assim como o Nelsinho fez.

  27. Mario disse:

    Flavio, tudo certo?
    Desculpa usar este espaço pra isso, mas não conheço outro lugar e nem alguém que possa me ajudar nisso. Vou morar na Alemanha para meu doutorado. Esse ano quero ver a corrida em Nurburgring e também em Spa, já que provavelmente passarei uns 6 meses em Colonia e os 2 autódromos são pertinhos. Vi que em Spa existe uma arquibancada chamada bronze que é a mais barata – vai do fim da Eau Rouge até o fim da reta quase. Sabe se este é um lugar bom? Tem alguma dica para ver Gp’s na Europa. Um abraço, obrigado!

  28. Lucas Carioli disse:

    “…Porque acredito, também sinceramente, que existe um público mais crítico, sensato, que gosta de ser informado, não enganado.”

    Acredite, existe.

  29. JackSpeed disse:

    é isso e muito mais, atenção pachecos, viúvas e afins…vão todos tomar onde o sol não bate, pronto, falei!

  30. Geraldo disse:

    Seria mais interessante ele participar do DTM, pois há maior visibilidade, uma maior estrutura, pilotos mais “famosos”, ele andaria pela Mercedes, que tem motor na F1 (vide Paul Di Resta) . O WEC é legal, mas assistir uma corrida de longa duração é cansativo (assistir as 6hs de SP foi dosse para leão, vi apenas algumas partes das 24hs de Daytona). Além do que no WEC ela vai correr na categoria GTE, que não é a mais famosa (LMP1) e nem a Aston Martin é tão vencedora, ficou em segundo lugar em 2012, com duas vitórias, sendo que a Ferrari (Fisichella) foi campeã com 5 vitórias. http://www.fiawec.com/courses/classification.html

  31. Amaral disse:

    O Américo pode ter acertado isso há tempos… Mas ontem mesmo foi publicado nesse blog q havia “um leilão claro aberto, com dois pilotos fazendo lances altos — Sutil e Senna”.
    http://flaviogomes.warmup.com.br/2013/02/toro-rosso-str8/
    Falta de confiança no que havia cravado o colunista? Ou simplesmente o q foi cravado estava esquecido, até ser confirmado?

  32. Fernando Strongren disse:

    O Bruno Senna acertou em sair da F1, mas quem errou foi o fotógrafo dessa foto que deformou a cabeça do Senna-Sobrinho…

  33. claudio ribeiro disse:

    Pois é seu Gomes, falaste a verdade. A grande mídia tem amestrado legiões de enganados em economia,política, relações exteriores, arte, entretenimento e nos esportes, ora pois, apenas para “comprarem suas teses” bairristas, preconceituosas e conservadoras, política e economicamente. E também nos esportes, ora pá!
    Excelente, sou leitor fiel e prefiro mil vezes a verdade dos fatos, do que o pavão enfeitado que vendem por aí…

  34. Gustavo disse:

    Cara, de um estudante de sociologia que, lendo seus textos – também aqueles sobre a ex-grande mídia – tem aprendido muito sobre o que é o jornalismo: obrigado!

  35. Marcão disse:

    WEC é o mote!!! Vcs vão ver…
    Que lembra de tempos idos sabe que a WEC (com outro nome) fazia frente com a F-1. e outras categorias… Aliás as fabricas preferiam o endurance….Já temos um no Audi e agora um no Aston Martim.
    Tá ficando bom….
    Afinal se não fosse o Emmo. Nada disso tava aqui hj, acho eu…

  36. cezar.futebol@ig.com.br disse:

    agora só falta a TV transmitir as corridas!

  37. Amigo Flávio, muitíssimo obrigado pelas palavras tão gentis. Abração!

  38. Paulo Pinto disse:

    Mais uma vítima do capital (insuficiente).

  39. Eliezer disse:

    Gosto e acompanho a WEC. Fui as 6 horas de São Paulo e foi extremamente divertido.

    Acho a ida dele pro WEC é positiva, tanto pra ele como pro WEC como catergoria no Brasil. O nome dele carrega peso, e volta e meia a “mídia ufanista” vai dar notas sobre ele nesse campeonato e quem sabe ajuda a despertar a curiosidade de alguns.

    Quem não foi ano passado, que vá esse ano. É uma boa experiência e os carros são lindos.

  40. Renato disse:

    Tomou a decisão certa. E tomara, tenhamos um Senna no campeonato Mundial de Endurance, tão importante para esta quanto foi o tio para a F1. Seu caminho pode estar aí e não nos monopostos. Que seja feliz lá!

  41. Celso disse:

    Muito bom o texto e suas explicações. Tamu junto.

  42. Ming, O Impiedoso disse:

    Prezado Flávio, parabéns pelo texto e pelo site. Informação pura e simples, sem manipulação e pachequismo é tudo que queremos e você faz isso muito bem. Quanto aos acéfalos, o patriotismo é só mais uma faceta do complexo de vira-lata que assola estas bandas. Que vão assistir a seleção brasileira de futebol e não automobilismo! Porque quem gosta de automobilismo assiste e gosta de ver até um inca venusiano pilotando bem.

  43. Clóvis Colletto disse:

    Que análise DO CARALHO!!!

    Não consegui achar palavras melhores, para o teu texto e para uma exposição tão clara e assertiva. Compartilho do teu ponto de vista em “gênero, número e grau”.

    Não deu certo e pronto, partiu pra outra, aparentemente, sem drama. E, sendo sensato e um mero mortal, quem não gostaria de ter a oportunidade de guiar 3 temporadas de F-1 e partir pro WEC, pilotando um Aston Martin??? Eu certamente seria muito feliz!!!

  44. Farad disse:

    Belo texto, concordo com tudo. Que o Bruno seja feliz e faça bonito em outras categorias, não o conheço, mas parece um cara de personalidade.

  45. Luiz Guimarães disse:

    Parabéns pela clareza do texto e pelos princípios que regem sua atuação no jornalismo.

  46. Allez Alonso! disse:

    Não creio que o Bottas vá fazer melhor que o Bruno, mas o importante é fazer o que gosta, se não tem tu vai tu mesmo, no caso, vai wec mesmo!!

  47. aldo gomes disse:

    O mundo dá muitas voltas, pode ser até que volte para a F1. Quem sabe?

  48. Quem sabe, aos poucos, o público comece a conhecer novas categorias, novos campeonatos… quem sabe.

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