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terça-feira, 7 de maio de 2013 - 16:35Automobilismo brasileiro

A PRIMEIRA

SÃO PAULO (alguma esperança) – Matheus Jacques tem 15 anos e corre na minha equipe. A gente não tem muito contato. Nenhum, na verdade. A LF hoje tem muito carro na Classic Cup, na Clássicos de Competição, no Marcas e na Fórmula Vee. Por isso, nosso box em fim de semana de corrida é uma Torre de Babel danada, gente para todos os lados, mecânicos, pilotos, parentes, amigos, alguns fãs (sim, temos), tudo funcionando sob a batuta do Nenê Finotti que, sabe-se lá como, encontra tempo para todos e mantém a serenidade o tempo inteiro. Sábado, notei a presença do Matheus quando estava no nosso reservado trocando de roupa, ou fazendo alguma coisa no computador. Novinho, magrinho, olhar meio tenso. Seno muito sincero, eu nem sabia que ele ia correr. Acho que trocamos um “oi”, nada mais.

Todo mundo aqui sabe que tenho sérias restrições à precocidade dos praticantes de esportes motorizados, pelo simples fato de que acho, na maioria das vezes, perigoso um garoto mal saído das fraldas sentar num carro ou numa moto de corrida. Mas o Matheus, pelo pouco que dele sei, tem uma trajetória no kart e optou pela F-Vee para dar continuidade à carreira. Não tem 8 ou 9 anos, como alguns que começam, por exemplo, no motociclismo. E os carrinhos da Vee não são exatamente bólidos que passam dos 200 km/h. Dentro do possível, são seguros e a chance de uma merda federal é infinitamente inferior à que oferece um potentíssimo F-3, por exemplo. São rápidos, mas controláveis. Já dei umas voltas com um desses e não tem muito segredo.

Sendo assim, não vejo grande mal num menino como o Matheus correr nessa categoria, especialmente porque já tem uma experiência razoável, treina, se prepara e tudo mais.

Bem, o garoto ganhou sua primeira corrida sábado e escreveu um lindo texto em seu blog, que pode ser lido aqui. Fiquei feliz de ver a paixão que ele tem pelo automobilismo. Algo que é cada vez mais raro na molecada. E, claro, fiquei contente pela LF, uma equipe onde a gente se sente verdadeiramente bem, à vontade, sem nenhum traço de desentendimento, vaidade, essas bobagens que muitas vezes contaminam ambientes esportivos.

Do blog do Mestre Joca emprestei a foto abaixo. O relato da corrida é dele. Parabéns ao Matheus. A experiência dele, de ganhar uma corrida, eu nunca tive — no kart, sim, mas em provas com amigos jornalistas, nada muito espetacular. Creio que nunca terei nas nossas corridas de verdade, o que também não tem muita importância.

Mas depois de ler esse texto, de um adolescente de 15 anos, vejam só, acho que posso imaginar como é.

matheusjacques

40 comentários

  1. Fabrizio Petecof disse:

    Flavio, parabéns pelo espaço dado ao garoto, certamente vale muito pra ele.

    Do pouco que já assisti, acho q 2010 e 2011, sempre se mostrou muito talentoso no kart, andou muito bem, ganhando corridas, etc, e é um garoto muito simpático e educado, inclusive seu pai.

    Boa Sorte a ele no automobilismo.

  2. Igor Freire disse:

    Incrível, legal demais! O moleque escreve MUITO bem!

  3. disse:

    Então, o moleque sai do kart e na ótima relação custo-benefício, aprende a fazer setup, coloca a mão na graxa, anda e ganha em Interlagos.
    A FVee é sim uma ótima categoria escola para a molecada aprender as reações de um monoposto, ver na prática uma telemetria básica, descobrir o vácuo que é brutal na categoria, achar sem riscos seu limite, conviver com a essência do automobilismo.
    Aprende sentindo o cheiro de combustível e pneu, o que a maioria pensa saber atrás de um volante de game.
    Quando partir para uma F3, vai “achar fácil”, pois “sofreu” na Vee.
    E o principal, aprende a conviver com Pilotos, Mecânicos, participando da muvuca toda, sem se trancar numa salinha depois de um treino se achando o novo Vettel.

  4. Gus disse:

    Pilota e – principalmente – escreve melhor que muito adulto!

    Parabéns a ele!

  5. Thiago Azevedo disse:

    Que legal! O quebra do carro titular deu ainda mais valor à conquista. Parabéns!

    Já perguntaram acima, mas perguntarei novamente. O Ricardo Rosset é o mesmo que foi vice campeão na F3000?

  6. Thomas Bromberg disse:

    Caro FG, também acompanhei a vitória do Matheus no sábado, e vejo que ali temos um diamante que vem sendo lapidado. É uma pena que o automobilismo está tão abandonado pelo público ultimamente. Talvez justamente pela falta de talentos como o Matheus. O Brasil, sintoma disto, e de outras coisas também, conseguiu colocar somente 1 no grid da Fórmula 1, enquanto que temos 5 ou 6 alemães, talentosos ou não… Mas eles chegaram lá, levados por patrocinadores, que poderíamos ter aqui também, se o nosso esporte fosse mais divulgado. Ouvi de uma pessoa do meio, que o automobilismo brasileiro é o único circo onde os “palhaços” pagam para atuar… E é verdade, se pensar que no sábado, daquela infinidade de carros ali presentes, pouquíssimos eram bancados por outros que não os próprios bolsos… Daí a levar um talento para carreira internacional, é complicado. Você colocou aqui outro dia, sobre o Farfus, que abriu um novo mercado, que não o da F1, e é verdade, existem outras categorias, mas se não forem divulgadas aqui, como vc faz, como o mestre Joca faz, o publico não ficaria nem sabendo. Ainda bem que algumas coisas ainda passam na Bandsports, por exemplo… Ah, com relação a ser fã, sou fã do meianov, e sempre que posso, observo suas brigas com ele no S do Senna… Um abraço!

  7. Jose Brabham disse:

    Belo texto!

  8. Ito Tamashita disse:

    O menino tem 15 anos, está encarando a formula vee, uma categoria criada com a intenção de ser um hobbie acessível, como se fosse uma categoria de base-escola.. já vi material de assessoria de imprensa desse menino e ele realmente divulga como se estivesse numa F-Renault da vida.. Daí o pai começa a pagar assessor pra o moleque correr numa categoria hobbie, depois começa a xiar pra liberarem preparação de motores, compra 3 carros, 4 motores e o que acontece? a categoria inflaciona, fica infestada de crianças coxinhas do kart que os pais não pensam duas vezes em pagar por peças e equipamentos inflacionados, pensando que seus filhos serão novos Sennas e logo mais a F-Vee, assim como aconteceu com a antiga F200, ficará cara e praticável apenas para meia dúzia.. Gomes, desculpe, mas você reclama de taxa da CBA, kart caro e decadência sem volta do nosso automobilismo, mas rasga seda para tipos que contribuem com isso.. coxinhas de kart, filho do galvão e etc.

  9. Helio Roberto disse:

    o rosset é o ex-f1? se sim, que legal o moleque poder dizer que ganhou de um piloto de f1 hein…

    outra coisa interessante é que pela foto do blog do joca o carro dele tinha roda de ferro enquanto os outros dois de liga leve.

    • Joaquim disse:

      Hélio, as rodas de ferro são em função do uso dos freios traseiros a tambor. O Fvee usa freio a disco nas quatro, daí as rodas de liga por causa da furação (4×100). Mas há quem prefira os freios a tambor na traseira e isso só é possível com as rodas de ferro, furação 4×130. Em termos de peso absoluto, não afeta em nada o desempenho total do carro.

  10. Ialdo Belo disse:

    Eu apostei no Matheus Jacques porque queria ter um piloto, de preferência iniciante, relatando suas experiências, mas ainda tive duas agradáveis surpresas: o texto dele é cativante e ele também é um vencedor nas pistas!
    Valeu, Flávio Gomes pelo apoio ao Matheus e seja benvindo para visitar nosso portal http://www.formulai.com.br
    Abraços,
    Ialdo Belo

  11. Rama disse:

    Que texto lindo do moleque. E lindo também ver como ele escreve.

  12. egberto disse:

    Parabens ao Guri com seu belo texto. Fiquei feliz mesmo em saber que a Formula V ainda sobrevive. Boas provas assisti em Tarumã, mas isso já faz bastante tempo. abs FG

  13. Bob Alex disse:

    Que texto! Parabéns Matheus, senti toda a emoção que transmitiu! E parabéns ao seu pai também!

  14. Luis disse:

    Ótimo texto, grande maturidade pra um garoto de 15 anos.

    Muito sucesso, saúde, sorte e sabedoria pra ele.

  15. Lincon Sousa disse:

    Putz, muito bacana mesmo…

    Flávio, com td isso que vc disse, pq a F-Vee não é utilizada como degrau para uma possível carreira no automobilismo? Me parece uma categoria muito bacana…

    Abs,

  16. Decio Jacques disse:

    Flavio Gomes obrigado pelos elogios ao meu filho, principalmente vindo de você muito nos honra. Abração e até dia 25 em Interlagos.

  17. Luc Monteiro disse:

    Atesto a comoção que o relato do Matheus causa. Agora… Aquecer pneu radial na volta de apresentação?

  18. Cristiano disse:

    Analisando apenas a escrita, posso dizer que o menino escreve muito bem para a idade dele, está de parabéns!

  19. Tiago disse:

    Que show! Emocionante mesmo…
    Imagino o quão emocionante deve ser vencer uma corrida “de verdade”, eu já venci várias, de kart amador hahaha, organizo um campeonato aqui na minha cidade, o campeonato é relativamente grande, distribuiu cerca de R$ 2000,00 em prêmios na última edição e o vencedor é premiado também com o troféu Destaque Esportivo, na categoria kart amador, num evento do Conselho Regional de Educação Física do PR. É muito emocionante, mas amador. Deve ser legal mesmo vencer uma corrida dessas, “o que também não tem muita importância.”

    • Joaquim disse:

      Vitória é vitória, em qualquer condição, categoria ou pista. Mas vencer em Interlagos, circuito da F-Um, é especial.Tenho testemunhado a emoção sem igual daqueles que vencem ali a primeira vez. E, um curiosidade: de todas as categorias Formula Vee que Icorrem mundo afora – Irlanda, Inglaterra, Africa do Sul, Australia, EUA, etc – a única a correr num circuito FIA somos nós…

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