DEU RICARDINHO | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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domingo, 15 de dezembro de 2013 - 22:39Stock Car

DEU RICARDINHO

211586_371519_dub_8428GUARUJÁ (e foi demais) – Lá nos anos 90, qualquer moleque que ganhasse uma ou duas corridas em qualquer torneio de kart era chamado de “novo Senna” pelos jornais, quando as assessorias de imprensa, que já existiam, eram eficientes. Foram tempos de pais sonhadores, que se deleitavam “naquelas manhãs de domingo” e gastavam os tubos com os filhos para ver se um dia estariam, eles, arrancando lágrimas do povo nas manhãs de domingo.

Bem, não muitos chegaram lá para derreter os corações verde-amarelos nas manhãs de domingo, e como se sabe nenhum deles virou algo que sequer se aproxime de ser um “novo Senna”.

Mas em 1993, fui ver de perto um desses, e é possível que tenha embarcado na onda. Não achei no acervo do jornal o que escrevi, mas lembro, sim, de ter usado “novo Senna” em algum momento, mesmo que fosse na linha “quem sabe”.

Mas não me arrependo de ter levantado a bola daquele garoto de 14 anos que empilhava taças e títulos no kart. Ricardo Maurício não se transformou num novo Senna, mas virou um dos maiores pilotos brasileiros dos últimos 20 anos. Hoje, conquistou o bi na Estoque. Já tinha sido campeão em 2008. Poucas semanas atrás, tornou-se também bicampeão brasileiro de Marcas.

O título veio numa corrida sensacional, em Interlagos. Pena que com menos gente nas arquibancadas do que o thriller merecia — ainda assim, um bom público, próximo da realidade do automobilismo brasileiro de hoje, que não arrasta multidões a lugar algum, esqueçam. Na ponta, uma disputa de pilotos de excelente nível, como Zonta, Camilo, Cacá e Ricardinho — assim tratado aqui, no diminutivo, muito menos por alguma intimidade com o próprio do que por seu tamanho de gnomo, como este que vos escreve, gnomo ainda menor.

Não errei com Ricardo Maurício, enfim. Ele deixou o kart, onde o conheci depois de ver algumas corridas realmente boas, para ganhar o Brasileiro de F-Ford em 1995 e seguir o caminho natural daqueles tempos, a Europa. Lá, foi o primeiro brasileiro, salvo engano, adotado pela Red Bull, a caminho da e na F-3000. Pena para ele que a Red Bull ainda engatinhava no mundo do automobilismo. Se ele tivesse tido essa chance uns cinco ou seis anos depois, quem sabe o que o futuro lhe reservaria.

Depois de esmurrar ponta de faca por um tempão na Europa, o que custou inclusive a saúde financeira de sua família, que nunca foi mlionária, longe disso, Ricardinho ainda deu um último suspiro nos monopostos ganhando um título espanhol de F-3, em 2003. Então, voltou. Com 25 anos, foi tentar ganhar a vida na Stock.

E ganha até hoje, como se sabe, assim como em outras categorias. É um piloto refinadíssimo, de inteligência rara e mais rara ainda capacidade de ler uma corrida, interpretá-la, usar os parcos recursos que os carros estoqueanos oferecem e deles tirar o máximo de rendimento e durabilidade.

Foi assim que, hoje, ganhou o bi em Interlagos, na prova (e no milhão) ganha por Zonta. Foi um final emocionante porque até o último instante Thiago teve a chance de ser campeão, se Cacá conseguisse passar Maurício na busca pelo segundo lugar, o que acabou não conseguindo, e não foi por falta de esforço.

Uma grande decisão, em resumo. Ricardo fechou a temporada três míseros pontos à frente de Thiago Camilo, outro que lutou bravamente até o fim e acabou traído pelo câmbio que travou em quinta, um pecado. Ganhou apenas uma corrida no ano, mas construiu seu campeonato, como de hábito, na regularidade, chegando ao pódio com frequência e pontuando sempre. A Stock fecha o ano em curva de crescimento, com novidades prometidas para 2014 e deixando uma boa impressão no que diz respeito àquilo que acontece na pista. Tem um monte de defeitos, mas depois de uma prova como a de hoje, seria injusto ficar falando deles.

Hoje vimos uma corrida entre grandes corredores. No fundo, é tudo que a gente quer.

35 comentários

  1. eduardo disse:

    Lembro do Ricardinho dando uma entrevista falando seus planos de chegar a F1 em tantos anos,ele tinha 16 ou 17 anos e achei muinta pretenção mas o que ele fez na F Ford com uma equipe mais pobre que seus adiversarios mostrava ja naquela epoca que ele é um piloto diferenciado

  2. eduardo disse:

    A muito
    tempo não assistia uma corrida de stock,carros ruim de pilotar,regras estranhas e punições estupidas alem da globo empurar a corrida para as onze da manhã me afastou da categoria apesar do nivel dos pilotos,o que eu vi em interlagos foi carros bem melhores que permitem ver a mão de obra dos pilotos e que não soltam pedaços a qualquer toque e uma corrida com excelente nivel tecnico e muitas emoções no final,só assisti a corrida para torcer pelo Ricardinho e contra o Caca

  3. Valente disse:

    Flavio, o Ricardinho é tudo isso que você disse e ainda mais um pouco. Nos tempos de Europa a família dava o suporte financeiro mas depois disso ele voltou ao Brasil com a carreira interrompida, as finanças bem espremidas; ou seja, tudo parecia estar chegando ao fim.
    Em nenhum momento ele se abalou ou se deprimiu. Voltou ao Brasil e começou a se mexer, e foi trabalhar para uma revista especializada em automobilismo, fazendo os testes com os carros.
    Aos poucos foi se recolocando, se posicionando e daí conquistando aos poucos seu espaço no automobilismo brasileiro.
    O resto da estória todos nós sabemos, e o mais bacana é que ele continua o mesmo de sempre: atencioso, simpático e sobretudo humilde.
    Qualquer um dos quatro que disputavam o título o faziam por merecer, e também fiquei triste pelo T Camilo, pois é um cara centrado e batalhador. Que venha 2014 e a nova temporada.

  4. eduardo urashima disse:

    Sobre o público pequeno, na qual se diz que o automobilismo não mais arrasta multidões, é bom lembrar que na prova da F-Truck em interlagos, as arquibancadas estavam quase lotadas, e o publico ficou perto de 60 mil pessoas (eu inclusive). A F-Truck leva multidões sem estar na RGT, mas diferente do restante do automobilismo brasileiro, a categoria dos caminhões busca estar sempre em contato com as pessoas, seja caminhoneiro ou não, algo que nos anos 70 e 80 era comum. Hoje a Estoque e as outras categorias (se existirem) fogem do publico, não se importam conosco, se importam apenas com a TV, é por isso que não há mais multidões pra esporte a motor.

  5. Alessandro Foureaux disse:

    Flávio, o autodromo de Curitiba estava lotado ontem no último dia do Festival Brasileiro de Arrancada. A arrancada ainda lota autódromos no país, embora saiba que você não gosta da categoria, isso não muda a realidade. A outra categoria que lota autódromos é a Fórmula Truck.

  6. Celio Ferreira disse:

    COMO DIRIA FANGIO ” BELA CARRERA” Parabéns Ricardo vc foi cerebral —Campeão

  7. Eduardo Schmidt disse:

    É FG, o Ricardinho Maurício desde que iniciou na categoria provou ser um pilotasso, tomara que mais títulos ainda venham, ele merece, mostrou uma cerebralidade impressionante, e também uma arrojo elevadíssimo para conter os esforços do Cacá Bueno e para ultrapassar o próprio Thiago Camilo!!!

  8. Alfredo Junior disse:

    Apesar de ser criticada pelo fato de ter carros quase iguais e serem bolhas, é atualmente a categoria que mais empolga no Brasil. Com respeito aos torcedores, dos 25,00 cobrados o ano passado, do qual não tinham mais ingressos para a corrida do milhão, foi cobrado 45,00 , o que espanta um pouco o público, que sempre foi ótimo para a Stock, como eu que acabei vendo de casa e escutando o barulho vindo do autódromo. Gosto do Ricardo Maurício mas estava mesmo era torcendo pro Tiago, um excelente piloto e uma grande pessoa.

    • allan disse:

      Discordo. Veja a Formula Truck. Sim, é automobilismo, e inclusive de fato é a ÚNICA de marcas por estas bandas. Tem todos os elementos que nos dá uma saudade danada daquela F1 pré-eletrônica-restrições-absurdas: equipes diferentes vencendo, gente largando na ponta numa etapa e no fundo do pelotão em outra, pilotos que não são triatletas (tá lá o Pedro Muffato, com seus trocentos anos!), brigas dentro e fora das pistas – mas que são esquecidas depois, motores, freios e câmbio que quebram… Só os pneus não fazem grande diferença! Nem o combustível… Os nomes (quando se tem em mente que o primeiro é pré-nome) também são fortes, como o já citado, Piquet, Giaffone, e pilotos com muita história como Djalma Fogaça, Alex Caffi, misturados a caminhoneiros de verdade… Pena as poucas etapas.

  9. allan disse:

    Grandes nomes da corrida – e sempre é bom quando há mais de um: Zonta, R. Maurício, T. Camillo, C. Bueno e R. Barrichello. Aliás, por culpa do povão, que não sabe o que é bom (só “bão”), a Rede Bobo passou 1/5 do tempo mostrando a reação de parentes, quando havia inúmeras ultrapassagens na pista. Rubens largou mal ou algo parecido, e na 2ª volta aparecia em 24º ou 25º lugar, imediatamente a frente do B. Senna, e terminou a prova em 8º! Não tivemos muitos acidentes ou mesmo punições para justificar sair da zona morta e alcançar o to-10… Sem dúvida, sua melhor corrida na Stock.

  10. Samuel Pavan disse:

    Lembro de uma matéria na Globo, tratando-o como “novo Senna”. Mas acho que foi ainda antes de 1993. Eu era molequinho na época, e pensava que o Ricardo seria um grande campeão da F-1.

    Enfim, certamente um grande cara, competentíssimo, que não teve a dose de sorte de alguns que, com muito menos talento, acabam fazendo pelo menos uma temporada na F-1. Espero que ele não lamente nada disso, e que seja feliz com o que está conquistando hoje em dia.

    E outra coisa me chama a atenção nele: tem uma lealdade na pista que poucos grandes campeões demonstram. Sabe competir duramente, sem resvalar na desonestidade.

    Parabéns, Ricardo!!

  11. Evandro Schueda disse:

    Excelente final, esta sim carregada de disputas e em aberto até a última volta….pena não temos tido TODAS as provas para assistir ao vivo, quem sabe isso faria nosso automobilismo subir de audiência….

  12. Julio Cesar Ruthes disse:

    Flávio, na minha opinião foi uma das mais belas corridas dos últimos tempos na Stock, tanto pelo aspecto de emoção, sobretudo nas voltas finais, como também pela qualidade dos pilotos que estavam na briga. Ver um pódio com Zonta, R.Maurício e Cacá Bueno, não é para qualquer categoria. O título ficou em boas mãos, com ficaria também com o Thiago Camilo, um cara que construiu a carreira dele só na Stock, diferente dos principais concorrentes. Se a Stock souber valorizar os bons pilotos que estão na categoria, realmente terá um bom futuro nos próximos anos. Na essência do automobilismo, acho esse o melhor marketing.

  13. Alberto disse:

    Flávio,
    puta texto bem feito!!!! Parabéns!

  14. Silvio disse:

    Infelizmente falta público hoje e faltou anos atrás no automobilismo no Brasil. Nunca houve público e sou prova viva disso.
    Automobilismo é um esporte de elite, e se você pegar todos os pilotos – digo, TODOS – são de classe média alta. Sempre o papai bancando, senão não senta em um carro.

    • Toni Casagrande disse:

      Desde sempre automobilismo é caro e para poucos. Talvez seja o caso de você propor “Bolsa Corrida de Automóvel” para o Gov. Federal.

    • Giovanni disse:

      Classe média alta? O que seria a classe alta, então? Nesse caso, só o Bill Gates e o Carlos Slim…
      Pra ter ideia, vamos ver o caso do Zonta, vencedor da última corrida… A família do Zonta é proprietária da rede de supermercados Condor, de Curitiba. Essa rede deve ter uns 30 supermercados, com um faturamento anual de mais de R$ 2 BILHÕES. Vou repetir, pra não pensarem que eu digitei errado: R$ 2 BILHÕES. O Zonta ganhou R$ 1 milhão na corrida. Ele tá lá porque gosta e pode correr, com equipe própria e tudo mais, e é um baita piloto e parece ser uma grande pessoa tb.

  15. Marcelo disse:

    Caro Flavio, achei bacana também a seriedade dos pilotos envolvidos. No fim da corrida, temi que alguém rodasse ou parasse de propósito, fato que poderia alterar o resultado do campeonato. Por exemplo, se o Cacá não cruzasse a linha de chegada na frente do Camilo. Mas, realmente, a corrida foi bem prazerosa de assistir.

  16. Robson disse:

    Foi em Interlagos e foi emocionante… A disputa no final foi espetacular…

  17. Marcos Segantini disse:

    Apesar de estar torcendo para o RM achei que a ultrapassagem sobre o TC havia sido na base do “push to pass” (um toquinho na traseira suficiente para o adversários perder um pouco o traçado…). E que o Thiago iria reclamar muito por perder o campeonato em uma ultrapassagem irregular. Mas eu estava errado. Na transmissão nem apareceu imagem externa da ultrapassagem.

    Esta corrida lembrou os bons tempos da Stock Car. Me refiro ao começo desta fase bolha quando havia disputa intensa e muita troca de posição.

  18. Glaucio disse:

    Linda corrida, e merecidíssima homenagem (palavras) ao Ricardo Maurício, grande do automobilismo! Lembro que ganhava muito no kart, e seria um belo nome à F1.
    Uma pena o Thiago Camilo, merece ser campeão, muito esforçado, rápido e carismático.
    Espero que a Stock siga em evolução, apesar de tudo, merecemos uma categoria top no cenário nacional.

  19. Fabio Zolli disse:

    Corridaça!!! Grandes pilotos, excelente pista… Interlagos é foda… que autódromo no mundo tem tantos pontos de ultrapassagem??? Imaginem na pista antiga.

  20. Apache disse:

    Meu Deus.. será que errei o blog?

  21. Rodrigo Moraes disse:

    Na boa, a gente zoa a estoque pra caramba por causa de ser corrida de 40 minutos, de largar quando a TV manda, por ser um monte de carro igual com carcaça diferente, por ser usada como lavagem de dinheiro… Mas tem uma porrada de piloto bom lá. A pressão que o Ricardinho aguentou do Cacá na última volta foi monstro. E o Cacá forçou como um lorde, porta com porta, nada que tirasse o Ricardinho da pista. Foi show! Se derem tempo ao tempo, essa molecada vai virar os Ingo, Paulão de outros tempos…

  22. Parece que o Fluminense entrou com um recurso para dar o título pro Cacá Bueno…

  23. Matteoni disse:

    O Thiago Camilo perdeu o título na desnecessária disputa de posição com o Ricardo Maurício, quando saiu da pista e de uma vez só caiu de 2º para 5º. Fácil falar agora, e de fora, eu sei. Mas o Ricardo em 2º e ele em 3º, Camilo levava.

    E o problema mecânico do carro dele foi muito estranho. Ele estava lutando pela 1ª posição quando anunciou que algo estava errado no carro. Aí perdeu rendimento e ficou mais para perder o 2º lugar pro Khodair. Aí como num passe de mágica se recuperou e chegou a ultrapassar o Zonta assumindo a liderança. Nesse momento o Ricardo era 4º lugar. Incrível a reviravolta que aconteceu.

    Aliás, uma observação: como o Zonta chegou a liderança depois do pitstop? Que mágica foi essa?

    Por fim, muito ruim a transmissão da Globo. Passavam mais tempo mostrando a família do Camilo sofrendo e chorando volta a volta do que a corrida. E a ultrapassagem que definiu o campeonato foi mostrada com a câmera no carro do Ricardo, ao invés de uma câmera aberta. Quando cortaram o Camilo já estava fora da pista. Se fosse na F1 o Ricardo teria sido punido, pasmem.

    E quase deu Cacá que ainda tentou induzir o Ricardo ao erro no final.

  24. tevez disse:

    O Camilo fez uma corridassa….Se o cambio dele não fosse pro espaço era barba cabelo e bigode do Tinhosso…Ahi aos que andam falando que ele desobedeceu as ordens e por isso perdeu tem um video onde claramente o cambio para de funcionar corretamente no TWT dele…Parabens ao Ricardinho

  25. Luciano disse:

    O Ricardo Maurício fez uma boa corrida, mas, o Tiago Camilo errou muitoquando usou os Dois Push to pass. antes da disputa com o Ricardo. Gosto da Stock acho que esta amodurecendo. Parabéns Ricardo Maurício.

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