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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 - 20:09F-1

ELO PERDIDO

button2000SÃO PAULO (preguiçosos) – Alguém já se deu conta de que dos 22 pilotos que abrem a temporada da F-1 no dia 16 de março apenas um, Jenson Button, já estava na categoria no século passado? E que nenhum, nenhunzinho, nem Button, corria nos anos 1900?

Pois é. É uma espécie de elo perdido, o inglês.

Button é hoje o segundo piloto mais velho da F-1 (mas o mais experiente em números de GPs disputados), tendo feito sua estreia pela Williams na temporada de 2000, o último ano do século XX. Todos os demais ingressaram no Mundial no século XXI, sendo Alonso e Raikkonen os que vieram logo depois do inglês, em 2001 — pela Minardi e Sauber, respectivamente.

É uma F-1 bem jovem, esta de 2014. A média de idade dos 22 pilotos é de 26,3 anos. Se sacarmos da lista os cinco trintões escalados como titulares, essa média cai para 24,5. Os cinco veteranos são Alonso (32), Raikkonen (34, mas três meses mais velho que Button), Button (34), Sutil (31) e Massa (32). O único nascido antes dos anos 80 é Kimi, de outubro de 1979.

A equipe de média mais alta é a Ferrari, 33 anos. A mais baixa é a Toro Rosso, com 21 (Vergne tem 23 anos e Kvyat, 19).

Quando Button estreou, no distante século XX, os motores eram V10 de 3 litros e os pneus tinham ranhuras. A Ferrari estava havia 21 anos sem conquistar um título. Eram 11 as equipes, como hoje, mas nada menos do que sete delas já não existem mais: Jordan, Jaguar, Benetton, Prost, Arrows, Minardi e BAR. Sobreviveram McLaren, Sauber, Ferrari e Williams.

Curioso que a maioria dos times extintos, de certa forma, vive sob outros nomes. A Jordan é a Force India (antes foi Midland, MF1 e Spyker); a Jaguar virou Red Bull; a Benetton transformou-se na que é hoje a Lotus, depois de ter sido adquirida pela Renault e vendida pelos franceses aos Geniis; a Prost sumiu; a Arrows também, mas suas instalações em Leafield atualmente são ocupadas pela Caterham; a Minardi foi comprada pela Red Bull e rebatizada como Toro Rosso; e a BAR passou pelas mãos da Honda e de Ross Brawn até ser encampada pela Mercedes.

Entre os pilotos daquela temporada de 2000, os destaques eram Schumacher na Ferrari e Hakkinen na McLaren. O Brasil tinha quatro na labuta: Barrichello (Ferrari), Burti (Jaguar), Diniz (Sauber) e Zonta (BAR). Daquela turma, além de Button, apenas De la Rosa e Gené ainda têm algum vínculo empregatício na F-1 como pilotos, já que aparecem como “test-drivers” da Ferrari em seu site oficial. Mas não testam nada e raramente têm a chance de sentar num carro do time. Quando muito, trabalham em simuladores.

É a roda da história, que gira sem parar.

36 comentários

  1. Elton disse:

    Flávio,
    É provável que essa redução da idade dos pilotos repouse nas necessidades físico/técnicas atuais. Quando se compara os bólidos de hoje com os de duas décadas atrás fica evidente que se precisa de um condutor com mais reflexos e menos recursos técnicos acumulados com a experiência.
    Hoje o que se quer são pilotos capazes de reagir rápido, suportar os cada vez mais devastadores esforços em curvas e frenagens e facilmente adaptáveis a dispositivos eletrônicos. Aqui convém ressaltar que o divisor entre os “perfis” de pilotos tem muito a ver com a escalada eletrônica, o que não agradou muito o pessoal da velha guarda (lembra do Mansell dizendo que até um chimpanzé poderia pilotar um F-1 atual?).
    Contudo, muito mais do que isso, o que me causa espécie é a limitação nos biotipos dos pilotos. Hoje, para ter futuro na categoria, tem que ser leve (se não o motor não empurra) e baixinho (para não comprometer a aerodinâmica dos carros). Isso por conta de uma máquina, que pode ser conformada para dar maior amplitude às características físicas dos pilotos.
    Fico imaginando quantos talentos não puderam se exibir na F-1, pois contavam com mais de 1,80 ou 1,85 m ou pesavam mais que 75 kg. Aliás, mesmo os pilotos mais baixos têm que se manter magérrimos para obter ganho competitivo (que raio de esporte é este?).
    Para mim, as regras deviam comportar um cockpit que aceitasse bem um ser humano entre 1,60 e 1,90 m (pelo menos). E o peso a ser conduzido no assento do piloto seria de 90 kg. Para os pilotos mais leves colocar-se-iam lastros para complementar.
    Esse complemento já é feito até em corridas de cavalos, onde obrigatoriamente os jóqueis são pequenos, porque não se tem como alterar o porte dos animais, mas na F-1…
    Acho que valeria um post para discussão, não?
    Um abraço.

  2. Clayton disse:

    Belíssimas informações, refrescam a mente, eu nem lembrava mais dessas coisas todas….kkkkk.

  3. Felipe Andrade disse:

    Na verdade, a Ferrari faturou o título de construtores da temporada de 1999, então eles não estavam tão na seca assim.

  4. gera disse:

    Button, uma Lendia Viva….

  5. Ricardo Sarmento disse:

    Me lembro de algumas coisa dessa temporada, tinha só 9 anos, mas já acompanhava a F1 havia pelo menos uns 2 anos.

    Torci muito pelo Schummy, que teve uma sequencia de 4 ou 5 corridas de resultados ruins, mas reagiu no final e levou o título.

    Do carro da Minardi, que era o que mais me chamava a atenção, ainda mais com o Mazzacane no cockpit. Tinha aquela pintura “cor de marca texto” com o patrocínio da Telefônica.

    Do desenho mais “quadrado” dos carros naquela época, em comparação com os de 2002, 2003 em diante.

    Até da Williams do Button, que estreava o patrocínio da Compaq, e apenas neste ano tinha a pintura preta e branca.

    Enfim, como o tempo passa e muda as coisas. Mas é muito bom ver o Button no grid, representando a F1 daquela época, e quem sabe, levando mais um título (??)

  6. Paulo Pinto disse:

    Enquanto Alonso tira leite de pedra, Button está espremendo a teta até o limite.

  7. Carlos Pressinatte disse:

    2000 foi a primeira temporada completa que acompanhei!

  8. Alex disse:

    Button, o veterano…parece que foi ontem que ele era praticamente um adolescente estreando, a tal da “button-mania” de que tanto o narrador global falava.

  9. Antonio disse:

    Flavio, outro dia eu li o Felipe Massa explicando sobre as novas regras, não sei se é verdade ou não, pois não li mais sobre este assunto.

    É verdade que o piloto só poderá usar um ajuste de câmbio para toda a temporada?

    Parece que algumas configurações do carro não poderão ser alteradas, o cara correrá com a mesma relação de marchas em Monaco e Spa, é fato isso?

    abs

  10. fernando zimmermann disse:

    pensava esses dia sera que existem pessoas vivas nascidas nos anos de 1800…..devem ser muito poucas…..logo não haverá mais

    • fernando zimmermann disse:

      No mundo, existem apenas cinco pessoas que viveram em três séculos diferentes. Três são dos Estados Unidos, um é do Japão, e uma vive na Itália.
      Segundo o io9.com, são estas as pessoas nascidas nos anos de 1800 que ainda estão vivas:
      Japão: Misao Okawa, nascida em 5 de março de 1898; idade: 115 anos
      Estados Unidos: Jeralean Talley, nascida em 23 de maio de 1899; idade: 114 anos
      Estados Unidos: Susannah Mushatt Jones, nascida em 6 de julho de 1899; idade: 114 anos
      Estados Unidos: Bernice Madigan, nascida em 24 de julho de 1899; idade: 114 anos
      Itália: Emma Morana-Martinuzzi, nascida em 29 de novembro de 1899; idade: 113 anos

  11. Winston disse:

    Tem coisas que não deviam mudar, essa Williams com BMW da foto era muito show, a BMW devia ter ficado na F1 só para manter essa pintura, essas asas dianteiras gigantes são horrorosas. ESSES BICOS, PELO AMOR DE DEUS, DEVIÃO SER ENFIADOS NO DE QUEM OS INVENTOU. Esses carros desse ano estão piores do que a Ferrari de LOGO de 2012.

  12. Renato disse:

    Flavio, normal isso né? Afinal são 14 longínquos anos que nos separam do século passado. São poucos os bons pilotos que passam de 10 anos labutando na F1, e qualquer temporada passada que se tome como base a partir da qual se retroceda 14 anos, veremos que são raros representantes com esse tempo pregresso.

  13. Kilson Mdson disse:

    È por essas e outras que acredito no Bi, do Button.

  14. Cristiano disse:

    Pergunta de um ignorante (no caso eu mesmo ). Algumas equipes não tem outro nome, além do nome do patrocinador que assume como nome de equipe ? Por exemplo a Renault não era Spirit ?

  15. Eduardo Schmidt disse:

    Tristes recordações né Gomes? Tenho a impressão que antigamente os pilotos ficavam por mais tempo na categoria, lembro de nomes que pra mim são os lendários (Mansell, Prost, Patrese, Berger, Irvine, Nanini, Alboreto, Coulthard, Hakkinen, Alesi, Panis)…acho que desses não sei se lembro dos nomes por conta da infância…enfim, tenho essa impressão que eles correram por mais tempo, mas talvez seja só impressão mesmo!!! Tô ficando velho (32)..rsrrss

  16. Paulo Torres disse:

    A BAR que depois foi Honda, Brawn e hoje é Mercedes já havia sido a simpática Tyrrell, certo?

  17. Giovanni disse:

    Acompanhei demais essa temporada, que foi uma das mais esperadas pelo Brasil. A audiência cresceu muito pela expectativa sobre o Barrichello estrear na Ferrari e rivalizar com o Schumacher.

    O regulamento permitia desenvolvimento motores e testes, só que esses pneus… o maior erro de regulamento da história da F1. Apesar de haver muitas disputas, a média de ultrapassagem por corrida era menor que a média de gols por partida em muito campeonato de futebol por aí. Me lembro como o Schumacher sumia na frente do Barrichello, quando o Barrichello ficava encaixotado atrás de um Frentzen, Trulli, Ralf, Villeneuve da vida.

    Essa Williams era muito bonita, foi o primeiro ano com a pintura que lembrava a Brabham. E o Reginaldo Leme não cansava de se enganar chamando-a de Brabham!

    Além da pintura, dá pra perceber como o design mais liso, mais limpo do carro, fazia dele muito mais bonito do que os de hoje em dia. E até as pinturas dos carros. Já eram pinturas modernas, mas sem muita frescura e efeito.

  18. Carlos Amaral disse:

    Não tinha mesmo me dado conta. Pensava que nunca iria chamar o Button de veterano. Vivi para presenciar isso!

  19. Jaime Boueri disse:

    Ótimo texto! Saudades dos anos 2000… E Button, será que fica para 2015?

  20. Marcos Alvarenga disse:

    Interessante notar que a Stewart, que estreou com Barrichello, é ancestral da Red Bull.

  21. Marcelo disse:

    Outros tempos, em 2002 Pizzonia foi piloto de testes da Williams:

    “Eu testei mais ou menos 16.000 Km durante o ano e, embora não tenha tido nenhuma experiência em corridas, aprendi a pilotar um F-1 corretamente e tudo sobre eletrônica e como testar. Pode parecer estranho, mas você tem de saber passar as informações que a equipe esta procurando e não fica apenas dando volta após volta sem pensar em nada. É incrível o que aprendi: fiz simulações de classificação e de corrida, mapeamento e testes de motores…tudo o que você possa imaginar eu fiz na Williams”

    Pra quem mete o pau em Vettel por liderar RBR, bom lembrar, Webber praticamente fritou Pizzonia na Jaguar(2003), e também Williams em 2005.

    Dezembro de 2004

    Webber critica duramente Pizzonia, e Heidfeld é mais rápido
    http://esportes.terra.com.br/automobilismo/formula12004/interna/0,,OI432784-EI4733,00-Webber+critica+Pizzonia+e+Heidfeld+e+mais+rapido.html

    Da pra entender porque Grosjean começou mal, pegou uma época onde piloto de testes praticamente só vestia o macacão. Se Magnussen e Kvyat corresponder de forma positiva, realmente são fora de série, mas pra isso acontecer, o carro tem que se pelo menos, decente…

  22. Celio Ferreira disse:

    Tudo na vida se renova , a F1 deste ano bôa parte são de pilotos novos, e carros totalmente
    novos, será bem interessante acompanhar, Kevin apertar o velho Jenson.

  23. José Morelli disse:

    De La Rosa e Gené tem carteira assinada na F1? Será? Quanto ganham pra ficar testando em simulador? Deprimente ein, pra ficar jogando Simulador? Eu jogaria em casa….pelo menos aqui tem como jogar de vários Mods e não só da F1.

    Eu acho que De La Rosa é um piloto que poderia pensar em correr de protótipos, nos EUA talvez. Marc Gené também, tem muita coisa legal pra se fazer quando não se tem chance na F1. Vários pilotos parecem que não observam isso, só focam na F1 que é uma categoria que a título de emprego é extremamente instável. O Razia ficou desesperado com F1 quando viu que as portas se fecharam….o cara precisa entender que ser estável na F1 hoje é uma missão bastante difícil, poucos ilustres tem a conjuntura a favor e as doses extras de sorte.

    Querendo ou não, a F1 ainda é uma categoria para pagantes, seja do próprio bolso ou com combustível financeiro de alguma parceria empresarial….encarar a F1 como emprego é uma roubada. Rola muito dinheiro, mas a oscilação é brutal. Do ponto de vista econômico, a F1 é a personificação última do Neoliberalismo “com energético”, onde o dinheiro rola desenfreado e desgovernado. Em uma ano uma equipe pode estar vencendo tudo, faturando milhões, de repente no ano seguinte a conjuntura muda, a equipe perde competitividade, patrocinadores caem fora e a equipe pode se ver em ruínas num curto espaço de tempo…..ser estável num esporte assim é complicado, mais complicado que a indústria do futebol talvez.

  24. Yuri Nehy disse:

    Burti na Jaguar? Isso não foi em 2001? Em 2000, os pilotos da Jaguar eram Irvine e Herbert.

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