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sexta-feira, 24 de outubro de 2014 - 16:32F-1

ACABOU

SÃO PAULO (e agora?) – Muito provavelmente a Caterham não corre nos EUA e no Brasil. E se não corre essas duas, não há muitos motivos para acreditar que estará em Abu Dhabi para o encerramento do Mundial. O time pediu e obteve uma autorização para faltar aos próximos dois GPs sem retaliações.

Mas não há salvação para a Caterham. Quem comprou diz que o vendedor não lhe passou as ações, e quem vendeu diz que o comprador não pagou. A organização entrou em regime de intervenção externa. O destino é o fim.

A Caterham hoje ocupa as instalações que foram da Arrows e da Super Aguri em Leafield. É uma região bela e bucólica, perto de Oxford e não muito distante de Silverstone. Muitas equipes estão instaladas nas redondezas: a Red Bull em Milton Keynes (antiga sede da Stewart, depois Jaguar), a Mercedes em Brackley (onde ficava a BAR, depois Honda, depois Brawn), a Force India em Silverstone, a Lotus em Enstone, a Williams em Grove, a Marussia em Banbury. É uma espécie de cinturão da F-1 no entorno do autódromo onde a categoria nasceu.

A fábrica de Leafield é arrumadinha e funcional. Estive lá anos atrás, quando Tom Walkinshaw era o dono da Arrows e Pedro Paulo Diniz defendia a equipe. Lembro do Jaguar campeão mundial de Marcas (ou Esporte Protótipos, como queiram) de 1987 pendurado numa parede. Coisa linda. Vai fechar, e o espólio será provavelmente vendido e/ou leiloado.

Não vejo, de verdade, nenhuma possibilidade de sobrevivência para a Caterham, que estreou como Lotus em 2010 e depois mudou de nome porque a antiga Renault também passou a usar a denominação Lotus em 2011 — e por conta disso tivemos um campeonato esquisito com duas Lotus.

Será a segunda nanica das três que estrearam em 2010 a fechar as portas, e muita gente acredita que o fim da Marussia será o mesmo. A F-1 está em crise e precisa reconhecer seu mau momento. Há uma boa chance de o campeonato do ano que vem ter apenas nove times, com 18 carros no grid, o que seria um vexame inimaginável. E ainda tem a Sauber no bico do corvo, o que pode piorar ainda mais as coisas. Já imaginaram um GP com apenas 16 participantes?

Há que se pensar em algo. Três carros por equipe, ou então as grandonas com times B, por mais que isso possa parecer maluquice pelos custos envolvidos. Mas há uma forma de minimizar o problema, se a FOM destinar mais dinheiro às equipes e aceitar uma redução significativa nos seus lucros. Em outras palavras: se Bernie Ecclestone topar ganhar menos.

Ah, mas Bernie nunca faria isso, vocês dirão. Pode ser, generosidade não é a maior característica do chefão. Mas na sua idade, 84 anos na semana que vem, talvez seja o caso de pensar seriamente no futuro do negócio que ele montou. Bernie não dura muito à frente da F-1 — é horrível falar isso, mas é uma realidade que deve ser encarada. Do jeito que as coisas andam, ele pode deixar uma categoria falida como legado. Ou, se resolver ser generoso, talvez consiga salvá-la do fim antes que ele mesmo se retire do comando, algo que mais cedo ou mais tarde vai acontecer.

13 comentários

  1. Alex Santos disse:

    Acho que nem a Sauber se salva, ainda mais pq não fez 1 ponto sequer esse ano.

    Ou as equipes maiores compram essas pequenas para fazer uma equipe B, como é a Toro Rosso. Ou as grande vão colocar 3 carros no grid já no que vem, não tem jeito, arriscar correr com 16 carros iria se um fiasco daqueles. Com 18 a coisa já fica feia.

  2. Francisco Martins disse:

    Sinceramente do jeito que a coisa vai a F-1 caminha para um futuro nada animador e acho que o grande problema dessa categoria é ter de um lado o Bernie Ecclestone com sua ganância exagerada e do outro a FIA que não impõe um regulamento para baixar os custos da categoria que aliás subiram com a introdução desses horríveis motores V6 turbo e toda aquela paranafernália de recuperação de energia, enfim a F-1 perdeu a graça!

  3. Atenágoras Souza Silva disse:

    Flávio, quais são as condições para a FIA assumir a F1 totalmente e tirar a FOM da jogada?

    O WEC é organizado totalmente pela FIA (e pela ACO), também há inovações tecnológicas, uma das categorias protótipo é muito equilibrada (LMP2), e custa beeem menos que a F1. É um sucesso de público e prestígio, também.

    Um grande abraço do fundo do meu coração vermelho de outubro de 1917,
    Atenágoras Souza Silva.

  4. Pedro Araújo disse:

    OK. Eu sou torcedor do kobayashi. Vou em Interlagos esse ano, e um dos motivos é pra ver de novo o japa correr, mesmo sendo no fim do grid. Aí a F1 não vai me entregar o pacote completo pelo qual eu paguei os 600 e tantos reais, que são 22 carros no grid.

    Essa postura da divisão dos recursos e prêmios que enfraquecem as coadjuvantes em prol do lucro do ecestone é suicida.

  5. Rafael Chinini disse:

    84!! precisa de mais dinheiro par que? ele pode morrer em 5min ja pela idade! abre as pernas logo!

  6. Pai Dinah disse:

    Bernie vai morrer e vai levar “o circo” junto no caixão.
    As montadoras que sobrarem vão criar outra coisa que nunca mais vai ter o mesmo apelo…
    Sei não.. comentando sobre o outro post, a Audi (se vier) vai chegar no fim da festa…

  7. José Marinho disse:

    E alugar carro como nos anos 70? É mais loucura?

  8. kiko disse:

    Por que a F-1 não abandona o regulamento de que todos os carros tem que ser “originais” e passa a permitir a venda chassis me deixa confuso…
    Equipes menores não gastariam os tubos desenvolvendo um carro ruim e as grandes ganhariam mais dinheiro…

    • hausensson disse:

      Parece que as grandes tem medo de uma nanica pegar um carro deles e fazê-lo andar mais,

      Só isso explica uma Williams,-que tiraria muita vantagem disso, pois vende chassi nas categorias de base- votar junto com quem é contra.

  9. gustavo maia disse:

    ouvi outro dia que se o grid tiver menos de 20 carros as equipes remanescentes podem inscrever um terceiro bólido.
    Próximo ano será isso ou o Bernie acha uns laranjas para tomar conta das nanicas.

  10. Carlos Pereira disse:

    Creio que ele deixa a categoria falida.
    Já executou corridas em lugares que fizeram pistas do nada e acabaram falidas também.
    Poderiam pensar em fazer, tal para tentar salvar a categoria, como a Imdy, onde a mesma equipe tem carros com patrocinadores diferentes. O Tio Bernie diminuir seus lucros e atrair mais gente aos GP’s com ingressos mais baratos.
    Três carros por equipe, ou até mais que isso, também seria bom. E nada de pilotos pagantes. Só gente com talento.
    Maior interação entre público, pilotos e equipes.

    Talvez algo se salve.

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