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terça-feira, 26 de janeiro de 2016 - 19:32#69, Classic Cup

FOI BOM, VOYAGE!


SÃO PAULO (mas vai melhorar) – Sumi no fim de semana. Porque era fim de semana de corrida, de passeio de Vespa, de feriado em São Paulo na segunda. Às vezes a gente precisa esquecer o computador pra viver um pouco a vida de verdade. Façam isso.

Abrimos a temporada paulista de 2016 no sábado. E antes de falar qualquer coisa da corrida, a terceira da vida do Bon Voyage #69, é preciso fazer alguns elogios.

Tudo funcionou perfeitamente na prova, organizada pelo Automóvel Clube da Lapa. Tinha bandeirinha em todos os postos. Tinha carro de resgate em quantidade suficiente. Ninguém ficou horas esperando para ser guinchado de volta aos boxes. Tinha comida e tinha até lojinha. Comprei um macacão novo, que foi do Patrick Dempsey. Coisa fina, um Sparco Superleggera que o cara usou no Tudor IMSA em 2014 e — chorem, meninas — ele tem o meu tamanho.

O Magrão, diretor de prova, fez um briefing claro e bastante completo. As demandas que os pilotos fizeram depois da tragédia da última etapa de 2015 foram atendidas. O valor da inscrição foi reduzido e tivemos treino na sexta e uma sessão extra no sábado. Nada a reclamar da estrutura, exceto do autódromo — a SPTuris, que administra o equipamento, deveria ter vergonha de entregá-lo nesse estado lamentável, sem luz, papel higiênico e água nos banheiros, tudo detonado e aguardando pela próxima reforma.

Correu tudo bem, inclusive no grave acidente do fim da corrida, em que o Chambel foi tocado no S do Senna pelo Carloni e seu Passat capotou. Resgate rápido e eficiente e prova encerrada com safety-car (com luzes no teto, como deve ser) liderando o pelotão nas últimas três voltas. Ah, é ruim acabar com safety-car? É. Mas quando precisa, e foi o caso, nada a reclamar.

Nosso bravo filhote de São Bernardo do Campo começou bem o dia, fazendo 2min12s207 no treino da manhã. Na véspera, o Nenê Finotti, chefe de equipe e piloto espetacular, virou 2min11s777 com ele. Fiquei apenas 0s430 atrás, o que para mim já teria valido o fim de semana. O Nenê é, em geral, de um a três segundos mais rápido que quase todo mundo com o mesmo carro. No teste que fez, detectou algumas deficiências que teremos de corrigir: uma quinta marcha longa demais e o escapamento que deverá ser trocado. Mais para a frente vamos soltar a traseira para o bichinho dar umas escorregadas. Por enquanto, para o piloto não fazer cagada, o mais prudente é deixá-la meio amarrada, mesmo.

O tempo me deu o décimo lugar na geral, resultado com o qual, definitivamente, não estou habituado. Mas, na classificação (vídeo acima), já com muito calor e o carrinho falhando em alta, consegui apenas o 17° tempo, 2min13s857 (mas larguei em 16º por conta de uma punição de um Passat que estava lá na frente). Na Turismo N, minha nova categoria, fiquei em quarto de oito inscritos. José Santiago, o pole da nossa divisão, virou 2min09s405 com um Gol. Tenho muito para remar, ainda.

A corrida aconteceu por volta das 13h, com temperatura ainda mais alta. Essas coisas afetam carburação, ainda mais quando se usa um mini-progressivo esgoelado como pede nosso regulamento. A largada desta vez aconteceu com procedimento adequado do safety-car, semáforo funcionando e nenhum problema. Fiz uma prova bem OK. Logo na largada o Voyage do Dú Lauand, com quem esperava brigar, me passou e abriu meia reta. Nunca consegui chegar. Em compensação, corri o tempo todo com o Gol do Cássio de Almeida embutido, e consegui segurar a onda.

Isso até o acidente do Chambel. Quando passei pelo S do Senna e vi o carro capotado, me deu um gelo e me desconcentrei. O safety-car só seria acionado na volta seguinte, e antes disso escapei miseravelmente no Laranjinha, perdendo uns 15s em relação às minhas voltas anteriores. Claro que fui ultrapassado pelo Cássio. Consegui encostar esperando uma relargada — provavelmente ganharia a posição, pois meu carro era mais rápido –, mas ela acabou não acontecendo.

Houve três desclassificações e fechei a corrida em 11º na geral entre 23 carros que largaram. Na Turismo N, fiquei em quinto. Um pódio era possível, se não fosse o passeio pela grama e se tivesse tido uma atitude um pouco mais agressiva na largada, evitando que o Dú Lauand escapasse como escapou. Minha melhor volta não foi grande coisa, 2min13s712, e terminei em quinto na categoria — troféu ficou para a próxima, portanto.

A corrida foi vencida, na geral, pelo Denísio Casarini com seu Puma espetacular, que virou 1min57s461 no treino da manhã — todo mundo piorou um pouco à tarde. Alguns pilotos merecem aplausos pelo que fizeram no sábado. Sebastião Gulla, que teve seu Puma praticamente destruído no acidente de dezembro, recebeu um carro inteiramente refeito pela nossa equipe, a LF Competições, e terminou em segundo. Meu brother Rogério Tranjan se achou com o Trovão Azul II e foi o quarto colocado, vencendo na divisão TS — virou 2min03s778 na classificação, um temporal que lhe deu o quarto lugar no grid, uma façanha. O mesmo pode-se dizer do Marcelo Caslini, que na etapa anterior se envolveu no acidente com o Gulla, teve a capota de seu Passat arrancada, fez um novo e largou em quinto, mesma posição final. Esses caras tinham tudo para andar mal depois da pancada de dezembro. Mostraram que o acidente não os afetou e tiveram desempenho de gente grande.

No fim das contas, foi um bom fim de semana para o Voyaginho. Temos coisinhas para certar, mas elas virão com o tempo. Fiquei muito satisfeito de fechar uma volta na casa de 2min12s, e minha meta para este ano é entrar nos 2min10s para poder brigar um pouco mais na frente na categoria. Acho que conseguiremos.

Quanto ao resto, espero que o bom exemplo do clube que organizou esta etapa seja seguido pelos demais. Segurança é prioridade sempre, e não faz sentido economizar na estrutura que tem de ser colocada à disposição de todas as categorias. Dia 21 de fevereiro voltamos a Interlagos. Vamos ver como será.

25 comentários

  1. Geraldo Teixeira disse:

    Legal o video Flavio. Os detalhes do carro e do piloto mostrados pelo angula da camera são bem interessantes, porém uma coisa me chamou a atenção no teu santo antonio. Ele não tem o arco principal em uma única peça. Ao que parece, o arco lateral passa pelo principal e termina logo depois, onde está fixada a travesa central. Esse amarramento é resistente? Da tradução que fiz do anexo J, me pareceu que o arco principal tem ser uma única peça – mas posso ter traduzido errado. Não é uma crítica, mas como me preocupo muito com segurança, sempre tive em meus carros essa peça única. Abraço e boa sortecnas provas.

  2. Lauro Kennedy disse:

    Não tem uma posição mais em cima onde colocar a câmera pra a gente ver a pista tb?????? Me sinto como quando era criança andando no fusca do meu pai que só via as nuvens, o céu!!!!!!!! Naquela época não existiam cadeirinhas, leis…
    Eu adorava andar no chiqueirinho!!!!!!

  3. Daniel Massa disse:

    Acho que da próxima vez que você correr em Mogi Guaçu eu vou pessoalmente fotografar o Bon Voyage para fazer ele de papel. Mês que vem tô voltando a morar no estado de São Paulo.

  4. Leonardo disse:

    Flavio:
    Não seria a 4a. longa demais? Na reta o carro demora a encher de 4a. marcha…

    • Flavio Gomes disse:

      Não, a quinta é que tá errada.

      • Marcelo disse:

        Ao ver o vídeo, pensei exatamente a mesma coisa que o Leonardo: escutei um buraco na rotação do motor entre a 3ª e a 4ª, e esta muito próxima da 5ª na subida para a Curva do Café. Dá a impressão que encurtando a 4ª resolveria os dois problemas. Flávio, poderia explicar melhor, para nós (sou leigo, mas tenho ouvido de músico), qual seria a ideia de alterar a 5ª?

  5. Mauro Brisola disse:

    Sempre usei um suporte para a câmera adaptado no meio do tubo diagonal (o que passa atrás do banco).

    A posição fica muito boa porque capta bem a pilotagem e a pista.

    • Robertom disse:

      Também acho, a filmagem em posição central próxima do plano do Santoantonio é a melhor para um carro de turismo, mostrando o trabalho do piloto e uma boa visão da pista.
      Camera lá atrás não proporciona um bom campo visual e tomadas externas não mostram a pilotagem.

  6. Robertom disse:

    Eu estava lá, e não vi sua escapada, pensei que o cara do Gol havia passado em bandeira amarela.
    Flavio , o que aconteceu com os FVee e F1600?

  7. rafael Catelan disse:

    Flavio

    Boa Tarde

    Não sei se chegou até vocês pilotos, mas tivemos mais uma vez um ROUBO dentro do autódromo de Interlagos de equipamentos fotográficos de 3 fotógrafos, Luis Sales, Murilo Garcia e do Sandro Souza tiveram seus equipamentos roubados de dentro do carro que estava no estacionamento.

    Segue a lista dos equipamentos:
    Nikon D3100 – 3560148
    Nikon D5100 – 3589207
    Lente Nikon 55-300mm – 2332607
    Lente Nikon 70-300mm – 3089207
    Canon T5 – 85258029
    Lente Canon EF-S 55-250 IS – 90021110
    Canon 7D Mark ii
    Canon 70-200 2.4
    Canon XTI
    Lente Canon 24-105
    Flash 430
    Notebook Dell Prata

  8. Neto disse:

    Flávio, gosto de automobilismo e acompanho seu blog por que acho seus textos muito bons e temos uma ideologia semelhante, mas em questão técnica sou leigo.
    Ao acompanhar alguns minutos de seu vídeo, ( não vi inteiro pois achei que a posição da câmera não privilegia o expectador e cansa), mas vi algo que é semelhante a um GPS no parabrisa, o que seria aquele equipamento na realidade? E qual finalidade? E o escudo da portuguesa, ajuda?

  9. Anselmo Coyote disse:

    Muito bom.
    Mas o posicionamento baixo da câmera compromete a visão da pista para quem vê o vídeo.
    Abs.

  10. Antonio disse:

    Boa Flávio, valeu o esporro que deu naquele post sobre a prova anterior.
    Tomara que os “outros” clubes organizadores se espelhem nesta prova para que vocês continuem se divertindo.

  11. Gus disse:

    Não entendo nada de pilotagem (apesar de ser osso duríssimo no kart indoor – rsrsrsr), mas gostei da tocada no Voyage: marchas passadas em um átimo – câmbio bom hein? – ´sem muito tremeliques no volante, apontando certinho, levando o bichinho no limite…
    Parabéns e continue se divertido!!

  12. Luc Monteiro disse:

    Achava que esse negócio de prender a traseira do carro pra não fazer besteira era exclusividade minha. É um alento constatar que não estou sozinho nessa.

  13. carlos moura disse:

    obs. se puder convida o amigo @RodrigoMattar71 também pra conversamos e tomarmos uma agua no posto de sinalização

    um abraço
    sireninha

  14. carlos moura disse:

    Bom em primeiro lugar parabéns Flavio.
    Em segundo lugar, fiquei feliz com sua retribuição da visita que fiz ao seu box mas não lhe encontrei, pensei que aquela escapada que deu no s do Senna, na classificação fosse uma retribuição da visita rsrsrsr.
    Gostaria de lembra-lo como disse no post anterior, nós da sinalização/resgate da speed fever sempre fizemos de tudo para que nada de mais grave acontecesse ao competidores, e como estava no local do acidente do seu amigo, lá no posto 2 fiz de tudo que aprendi nestes 32 anos de sinalizador para passar a informação e a situação ao diretor de prova de forma mais tranquila possível, pois e através disso que se toma as decisões na torre de controle.

    Pena que quando estamos trabalhado você, está correndo, pois gostaria muito de lhe convidar para passar um dia comigo no posto de sinalização para ver como e fazer esta parte que junto com o restante lhe dá a segurança necessária para uma boa prova/corrida.
    Obrigado por confiar na nossa equipe, na organização do automóvel clube da lapa, e esperamos poder fazer mais sinalização de suas provas merecedor de sua confiança e de seus amigos.

    Obrigado
    Sireninha
    Sinalização speed fever

  15. celso disse:

    Show, Flavio! Gostei do vídeo, e do punta taco (puntataco)!
    Abs!
    Celso

  16. Frederico Maia disse:

    Que bom que a organização da prova melhorou. Quanto ao macacão eu acho que você vai ter que fazer a barra e a manga pra ficar no seu tamanho

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