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quinta-feira, 13 de outubro de 2016 - 19:41Autódromos

PRECISAMOS FALAR SOBRE INTERLAGOS

inter40

SÃO PAULO (e logo) – O prefeito eleito de São Paulo, João Doria, escolheu a palavra “privatização” como mote central de sua campanha, baseada na imagem que vendeu de “gestor”, e não de “político”.

Milionário, adorador do deus da iniciativa privada, curiosamente foi mesmo no setor público que Doria alavancou sua carreira, como presidente de dois órgãos governamentais: a Paulistur, na gestão do então prefeito Mário Covas, de 1983 a 1986, e a Embratur, de 1986 a 1988, no governo do presidente José Sarney.

Embora tenha tentado descolar sua imagem da política tradicional, portanto, Doria ocupou cargos públicos quando entrava na casa dos 30 anos. Na Prefeitura de São Paulo, acumulou a presidência da Paulistur com a função de secretário municipal de Turismo. Só depois de passar pelo governo federal é que engatou uma trajetória claramente vinculada ao ofício de lobista profissional — o que não é crime, diga-se. Suas atividades ligadas ao empresariado brasileiro, com a promoção de encontros, congressos e reuniões, não passam disso.

Com o uso do espaço que conseguiu em emissoras de TV para divulgar suas ações e dar espaço a empresários em seu programa de entrevistas, Doria acabou formando uma teia de relações que o colocou numa posição de “muso” da iniciativa privada. Ampliou seus negócios para áreas como marketing, promoção de eventos e publicação de revistas — a mais sensacional de todas, sem dúvida, chama-se “Caviar”, e é descrita como “uma sofisticada revista de LUXO, que trata com alta qualificação do mercado de luxo no Brasil e no mundo”.

Suas revistas são um sucesso, a julgar pela generosidade com que o governo do Estado de São Paulo as agracia com publicidade oficial. De julho de 2014 a abril de 2015, os contribuintes paulistas colaboraram com R$ 1,5 milhão de propaganda estatal nas páginas de sete de suas publicações. “Caviar” recebeu R$ 501,2 mil por anúncios em nove de suas luxuosas páginas — como se vê, quando a iniciativa privada não ajuda, vamos ao demonizado poder público, que ele garante.

Muito bem. Uma das promessas de campanha do prefeito eleito foi a de vender Interlagos. Sim, “vender”, não apenas “privatizar”. Recorro às palavras do próprio em artigo publicado ontem, dia 12, na “Folha de S.Paulo”. Os grifos são meus.

Pretendo, sim, colocar à venda o complexo do Anhembi e o autódromo de Interlagos. A modelagem dessas ações ainda não foi totalmente concluída e dependerá, é claro, de estudos e discussões. Mas tenho a convicção de que a desestatização será aprovada e gerará vantagens imediatas.

A primeira delas será uma economia de R$ 600 milhões em quatro anos. Esse é o valor que a prefeitura gasta ao longo de um mandato para manter, ainda que de forma precária, o estádio, o autódromo, o centro de convenções, o pavilhão de exposições e o sambódromo municipais.

A outra vantagem são os R$ 7 bilhões que deverão ser obtidos com a venda do Anhembi e de Interlagos. Esse valor, centavo por centavo, irá para saúde e educação.

A prefeitura ganha duas vezes. A primeira, ao deixar de gastar com a manutenção dos espaços. A segunda, ao vender suas propriedades.

Anhembi e Interlagos, hoje, são administrados pela SPTuris, uma empresa de capital misto que tem como uma de suas acionistas a Prefeitura de São Paulo. É sucessora da empresa municipal Paulistur, que Doria presidiu nos anos 80.

Alcino Reis Rocha, em entrevista à mesma “Folha” publicada hoje, dia 13, disse que os números de Doria não batem com a realidade. Segundo ele, presidente da SPTuris, “o município não repassa dinheiro para a manutenção do autódromo e do Anhembi”. O autódromo, para ficar no que nos interessa, geraria em quatro anos despesas de R$ 32 milhões. Mas notem: isso não é prejuízo, é custo. A previsão para 2016, é de que Interlagos feche o ano dando lucro de R$ 6 milhões.

É isso que o prefeito quer privatizar? O lucro de Interlagos? Por que cargas d’água o prefeito acredita que esses R$ 6 milhões serão mais belos se usados por algum amigo da iniciativa privada, em vez de ficar nos cofres da cidade?

Doria fala em arrecadar R$ 7 bilhões com a venda do Anhembi e de Interlagos. Não sei direito como chegou a esses valores. Fico me perguntando quem iria dispender tal quantia para comprar equipamentos que, na visão do prefeito, são um ônus para a cidade, um peso morto, uma fonte de prejuízos.

Não são. De acordo com a SPTuris, o Anhembi vai gerar um lucro para a empresa de R$ 18,7 milhões neste ano. No ano passado, o lucro foi de R$ 59,6 milhões. É um bom dinheiro. Considerando que a SPTuris tem capital misto e a Prefeitura é uma de suas acionistas, parte desse lucro ficou para a cidade.

Portanto, o argumento de que Anhembi e Interlagos dão prejuízo para São Paulo é falacioso.

Mas digamos que o prefeito eleito conheça esses números. Ainda assim, pode alegar que uma venda seria positiva para a cidade — afinal, R$ 7 bi poderiam ser usados para outros fins.

OK. Mas voltamos à pergunta inicial: quem pagaria R$ 7 bi por equipamentos que, juntos, dão lucro de R$ 25 milhões por ano? Numa conta besta, considerando os valores estimados pela SPTuris para 2016, quem colocar R$ 7 bi em Interlagos e no Anhembi levará 280 anos para recuperar o dinheiro investido.

Mas Anhembi e Interlagos são muito mal administrados, poderiam gerar muito mais dinheiro se estivessem nas mãos da iniciativa privada, alguém pode argumentar. OK. Digamos, então, que a fabulosa iniciativa privada consiga quintuplicar esses lucros com um estalar de dedos. De R$ 25 milhões por ano, Interlagos + Anhembi passariam a dar um lucro de R$ 125 milhões. Os R$ 7 bi voltariam em… 56 anos.

Candidatos?

Acreditar que tudo em que a iniciativa privada coloca o dedo vira ouro é um equívoco monumental, ainda mais num país como o Brasil. Vou reproduzir, na íntegra, o que escreveu o blogueiro “Cassius Regazzoni” nos comentários de post recente sobre Interlagos. É uma descrição precisa sobre esse embate privado x público no país:

Não sei porque fico espantado com manifestações como essa. Esses novos liberais de fachada parecem não saber nada sobre a história do Brasil. Vêm com um discurso datado, criticando uns que denominam de “socialistas” para encobrir muita ignorância e preconceito.

A verdade é que ignoram que a iniciativa privada no Brasil é uma grande merda.

Ignoram que a maioria dos grandes grupos empresariais brasileiros cresceu e fez fortuna às custas do Estado malvadão que sempre atacaram. Vide empreiteiras, bancos e etc.

Tudo de relevante neste país foi produzido pelo Estado. Petrobras, Vale do Rio Doce, Cia. Siderúrgica Nacional, infraestrutura aeroportuária, hidrelétricas, refinarias.

Aí, depois que está tudo pago e amortizado, vêm os filhos de uma puta falar de privatização, financiada pelo BNDES, para gerar receita para uma parcela de amigos abastados. Os caras acham bom, por exemplo, pagar o pedágio mais caro do mundo apenas para dizer que funciona porque é privado.

O empresariado brasileiro morre de medo de correr riscos e hoje vive de juros, pasmem, pagos pelo Estado brasileiro.

Sem a atuação do Estado na economia, o Brasil não teria sequer energia garantida ou boas universidades. Aliás, sem o Estado malvadão, Interlagos não existiria.

Alguém é capaz de encontrar alguma mentira no que o blogueiro escreveu? Aliás, se puder, “Cassius Regazzoni”, identifique-se. O que você escreveu merece assinatura.

Interlagos é patrimônio público. Foi construído na década de 40 por uma empresa privada, a Companhia Auto Estradas (que também fez o aeroporto de Congonhas), e desapropriada pelo município na década de 50 porque seus proprietários pretendiam transformar a pista num bairro planejado. Àquela altura, o automobilismo já tinha um papel importante na vida da cidade e a Prefeitura pegou o terreno e o autódromo para si, indenizando a família que construiu a pista.

Tudo que foi feito ali nesses anos todos saiu dos cofres de São Paulo. A F-1 chegou aqui em 1972, saiu por alguns anos para correr no Rio e voltou em 1990. De lá para cá, o autódromo passou por reformas e melhorias. A corrida traz divisas para a cidade e é o evento mais importante do calendário municipal em termos de geração de impostos.

Entre as funções de uma prefeitura está a de promover, fomentar e prover atividades esportivas para sua população, sem discriminar quem os pratica. Se é legítima a construção de piscinas, pistas de skate, campos de futebol, parques, quadras de basquete e futsal, é igualmente legítima a propriedade e manutenção de um autódromo. Não fiz nenhum levantamento, mas posso afirmar, pelo que conheço mundo afora, que a imensa maioria dos autódromos no exterior pertence a governos. Quando muito, são geridos por entidades privadas — como em São Paulo.

Tem muita gente que vive de automobilismo em São Paulo e no Brasil. Interlagos tem uma função social. Gera empregos e movimenta e economia. Por que, então, um patrimônio que é da cidade há mais de meio século tem de ser simplesmente vendido? E mais: quem vai comprar? Mais ainda: quem comprar vai fazer o quê com o autódromo? E de onde tiraram essa premissa que qualquer equipamento público tem de dar lucro para quem quer que seja?

Equipamentos públicos dão despesa, porque cabe a uma prefeitura bancar sua existência para que o público dele usufrua. Se as coisas não são como gostaríamos em Interlagos, isso se deve muito menos ao poder público do que a quem comanda o automobilismo em São Paulo e no Brasil. Estou falando de entidades como a FASP e a CBA e dos clubes cartelizados que ganham dinheiro com esse equipamento público. De certa forma, o uso de Interlagos já é privatizado. Ninguém usa aquilo de graça quando se fala de sua atividade principal, o automobilismo. Não é justo que se diga que a população paga para gente rica correr de carro. Ricos ou não, os que correm de carro pagam para usar o autódromo. E não pagam pouco.

Assim, essa história de que Interlagos tem de passar às mãos da infalível iniciativa privada para deixar de dar prejuízo e virar um oásis de qualidade e eficiência é conversa. Primeiro, porque não dá prejuízo. Segundo, porque só não é oásis de nada porque os usuários não cobram de quem deveriam — de novo, federação, confederação e clubes — aquilo que teriam direito de receber.

O problema de Interlagos não é ser de propriedade da cidade, nem o fato de ser administrado por uma empresa que tem participação acionária do poder público. O problema de Interlagos é a estrutura do automobilismo nacional e regional. Essa, sim, é um desastre. E, até onde se sabe, entidades e clubes não são públicos. São privados. Bem privados.

Apontem seus canhões na direção certa. É tudo que posso dizer.

196 comentários

  1. Pedro disse:

    Perfeita análise, Flávio.

  2. Quejo disse:

    O maior problema é as pessoas defenderem as privatizações como se isso fosse garantia de redução de tarifas ou de melhorias de qualidade do serviço. Usam o exemplo da telefonia fixa, pois antes da TELESP ser privatizada as linhas eram caríssimas. As linhas eram caras pois tinham conotação de artigo de luxo, assim como os aparelhos de DVD, que quando foram lançados custavam quase R$ 2.000 e hoje saem por menos de R$ 90.

    O ruim MESMO é achar que, segundo alguns, os impostos vão diminuir só porque o Estado gasta menos privatizando… Faz-me rir!

  3. disse:

    Isso ai FG, e após ameaçarem lotear o autódromo, usando a pista como “ruas”, a Prefeitura pressionada pelos acidentes da Gávea e das provas de rua pelo mundo, desapropriou indenizando a Auto-Estradas S/A com escritura passada em 7 de Fevereiro de 1953. Sem essas de devolução, doação ou não utilização para esportes a motor. Essa papagaiada do Doria custou o * no calendário 2017, e como Bernie de trouxa nada tem, segundo o Lito, Tamas Rohonyi esteve em Brasília de mala e cuia com quanto a F1 fatura para o município. Já possuem as exigências que a MotoGP precisa para a reforma, e onde ela anda, a F1 também…
    O fetiche pelas privatizações do Doria no caso de Interlagos, que fecha seu balanço no positivo deveria ser sim por uma administração técnica por parte da SPTuris, com pessoas envolvidas diretamente ao esporte a motor, entretenimento e sociais para elaboração de um complexo. Hoje com todas reformas, Interlagos não possui áreas exclusivas para alimentação, um ambulatório, um túnel onde carretas e ônibus não passam pela altura e coisitas mais… Um parque para a população, com arrendamento para exploração de restaurante e tal, exemplo parte do estacionamento e a velha pista de cross. Existe espaço suficiente para ser explorado pela iniciativa privada, em concessão.

  4. Rafael disse:

    Sério, vcs acreditam que a palavra “venda” foi escolhida de maneira aleatória ?
    Flávio, as áreas em questão ( Interlagos, Anhembi, Ceasa) há muito são objeto de estudo do mercado imobiliário. O plano diretor da cidade e o zoneamento tratam destas áreas como zonas especiais, com critérios de aproveitamento que podem ser alterados em parecer de comissão municipal. Já tem maluco olhando interlagos com o mesmo olhar das pistas da Coréia e Sochi, ou seja de repente interlagos passa a ser um circuito de rua, cercado de aptos, shoppings, e escritórios. Interlagos tem aprox. 800.000,00 m² com potencial médio de vendas de 1,6 MI de m², ao preço de hj no mercado, criaria uma receita de R$ 8,00 Bi . Se parece insanidade isso, o que esperar de alguém que edita no Brasil uma revista chamada “Caviar”

  5. Jorge Thompson disse:

    Todo esquerdista adora ver o Estado inchado.
    FG, função do estado se resume em 3 pilares, na ordem: Saúde, Educação e Segurança, Mais que isso é desculpa pra colocar apadrinhado, desviar dinheiro público e inchar a máquina estatal.
    Deixe a iniciativa privada cuidar de Interlagos, Anhembi e tudo que não se refere aos 3 pilares acima.

    • Flavio Gomes disse:

      Cara, se você quer privatizar seu rabo, problema seu. Na minha visão, função do Estado, ainda mais num país desigual como o Brasil, vai muito, mas muito além disso.

    • Ricardo disse:

      Quando o prejuízo de grande iniciativa privada brasileira deixar de ser estatizado, como sempre é, talvez isso que você fala pode fazer algum sentido. Mas do jeito que é hoje, lucro privatizado e prejuízo estatizado (vide grandes setores como o sucroalcooleiro e automotivo, sempre socorridos, mesmo que mantenham seus lucros exorbitantes), essa ideia é ridícula.
      Só pra te avisar, o 1º mundo é o 1º mundo porque não pensa como você.

      • Fernando disse:

        Então, como já disse, esse é o problema. Isso tudo acontece mesmo, mas eu nunca vi empresários com maçaricos arrombando os cofres do BNDES.

        A “estatização” do prejuízo sempre acontece com a cumplicidade do setor público – como estamos vendo atualmente com muita tristeza -, porque a iniciativa privada simplesmente não é capaz de fazer isso sozinha.

        Agentes do estado, funcionários públicos, de vários níveis atuam para que essa mamata se eternize. Porque a culpa é sempre e somente da iniciativa privada? E seus cúmplices? Os políticos? Os funcionários públicos? Os que tem a chave do cofre – agora vazio – são santinhos? Porque ninguém fala disso?

        Tem muito mais coisa a ser levada em consideração além dessa “dicotomia” ideológica capenga. O que o Rafael escreveu lá em cima: “…O plano diretor da cidade e o zoneamento tratam destas áreas como zonas especiais, com critérios de aproveitamento que podem ser alterados em parecer de comissão municipal…”, e por acaso isso começou agora com o coxinha? Me poupem… Sempre foi assim.

        Eu acho que o primeiro mundo é o que é porque se desenvolveu antes, experimentou no século retrasado o que estamos experimentando agora, e aprendeu quando as coisas deram errado, ao contrário daqui onde se repetem os mesmos erros durante séculos e nada muda.

        Mas também existem muitos países liberais, com praticamente a idade do nosso, com Estado enxuto e forte, com níveis de desenvolvimento muito melhores do que o nosso, estão no primeiro mundo também, graças à iniciativa privada, à capacitação, educação, cultura, enfim, produtividade. O contrário é que é difícil encontrar, não me perguntem porque.

      • Giancarlo disse:

        Parabéns Fernando. Lúcido como tem que ser!

    • Paulo Leite disse:

      Jorge, voce nao entendeu patavinas do texto primoroso de FG nem dos argumentos de Cassius. Pára de falar merda de pilares em governo do PSDB, isso nunca existiu, seu cabeca oca.

  6. Osvaldo Junior disse:

    Flavio, leio seu blog diariamente pois sou fã de automobilismo e o admiro como defensor e amante do mesmo automobilismo, além de artigos muito interessantes, mesmo discordando muito com seu posicionamento político o qual sempre ignoro e não leio para não estragar o que seu blog tem de melhor, automobilismo.
    Mas nesse artigo não pude deixar de ficar muito contrariado e espantado.

    Você ano passado desceu o cacete na SPTuris por demitir o Chico Rosa, e sempre faz duras criticas, as quais compactuo. Agora só porque alguém do partido de oposição ao seu quer fazer algo realmente produtivo, a SPTuris passou a ser lucrativa e boa? Poxa, você é um cara admirado e esse seu amor ao PT arranha e muito a admiração. Você deve estar lendo (se é que esta) e pensando… “foda-se, se não gosta não leia…. ou leia outra coisa, coxinha…” mas se realmente pensa isso me sentirei traído de acompanhar um excelente blog que luta e valoriza o verdadeiro amor ao automobilismo….

    abraços…..

  7. Diogo disse:

    NEM 8 NEM 80, Flávio.

    Dizer que a privatização é insensata, com argumentos insensatos, ajuda pouco.
    Veja que você mesmo lembra que Interlagos e Congonhas foi feito por particulares e cita na defesa da sua tese um artigo que tenta enaltecer o estado como o grande benfeitor. Aceitar que a Prefeitura não repassa dinheiro ao autódromo, é no mínimo ingenuidade. Em 2016 está entregando R$321 milhões dos cofres à SPTuris, que por sinal, é a primeira vez que vejo alguém acreditar que está não seja uma estatal (só é registrada como “mista” para viver sob leis mais brandas). Ainda, o balanço que a SPTuris apresenta para Interlagos, é semelhante a um rascunho. Não dá para confiar.

    O ponto onde concordo é que não se pode falar em privatizar Interlagos, que equivale a um parque público. Mas, sim, estudar conceder sua exploração a profissionais capazes, que entendam o automobilismo e demais usos cabíveis alí,

  8. mario aquino disse:

    Conheci este João Doria em 1994, dando golpe em sua sócia na produtora, Recebia carros em permuta pela Veiculação de propaganda da GM e escondia da sua sócia, até que esta o massacrou na justiça, tendo o mesmo que abaixar as calças, tutto buona genti.
    Vai esperar o que de um sujeito destes que depois se traveste de bom sujeito, de bom moço e de empresário bem sucedido.

  9. juli boschetti NP disse:

    povo burro vota em Doria e PSDB!! pros ricos será uma maravilha!! vão continuar lucrando com o dinheiro público e comendo caviar!! pros debioloides que são pobres e votam na direita, dizer o que?? chupa!!
    P.S. Quando digo pobre digo aquela classe média estúpida que chupa as bolas do patrão rico, este de verdade.

  10. Everton Pope Nazario disse:

    Conforme consta em seu post, em dois momentos distintos:

    Alcino Reis Rocha, em entrevista à mesma “Folha” publicada hoje, dia 13, disse que os números de Doria não batem com a realidade. Segundo ele, presidente da SPTuris, “o município não repassa dinheiro para a manutenção do autódromo e do Anhembi”. O autódromo, para ficar no que nos interessa, geraria em quatro anos despesas de R$ 32 milhões. Mas notem: isso não é prejuízo, é custo. A previsão para 2016, é de que Interlagos feche o ano dando lucro de R$ 6 milhões.

    Tudo que foi feito ali nesses anos todos saiu dos cofres de São Paulo. A F-1 chegou aqui em 1972, saiu por alguns anos para correr no Rio e voltou em 1990. De lá para cá, o autódromo passou por reformas e melhorias. A corrida traz divisas para a cidade e é o evento mais importante do calendário municipal em termos de geração de impostos.

    O que sai e o que não sai dos cofres da Prefeitura? Pois quando eu leio “Tudo que foi feito ali”, eu penso que também se inclui a manutenção ao autódromo.

  11. Saima disse:

    Pergunte a qualquer profissional se ele prefere, nas mesmas condições salariais, trabalhar na iniciativa privada ou no serviço público. O mesmo para qualquer estudante de 18 anos, se ele prefere USP, Unicamp ou federais ou uma faculdade particular.

  12. Oliveira disse:

    Excelente texto Flávio! Na minha modesta opinião “privatizar” Interlagos e o Anhembi não está relacionado com a função que exercem: os afortunados “gestores” os exergam como excelentes investimentos imobiliários, por este motivo a conta não fecha. Ambos contam com excelente localização, próximo à vias de grande circulação, etc. Por um tempo mantêm funcionamento, mas vão aos poucos sucateando até “a conta não fechar” e aí fica por conta do mercado. Mas isso é minha modesta opinião…

  13. Gabriel Olveira disse:

    Acho que a situação é complicada, opino como cidadão, não como amante do automobilismo. Infelizmente as leis brasileiras “elegem” clubes que lembrem devem ser sem fins lucrativos e Federações detentores do esporte, somente com sua anuência alguém pode praticar o automobilismo. E é caríssimo. Pessoas que apenas visam o lucro, não fomentam o automobilismo. E realmente não fiscalizam. Vai ver quanto custa “homologar” uma categoria. Por que não uma empresa não pode criar e gerir uma categoria?

    Quanto ao autódromo creio que se for uma bem público como uma praça sem a finalidade de gerar lucro, ok, então libera-se para o uso dos cidadãos, como parque como pista. Lembro-me que no governo da Luiza Erundina, só não acabaram com o autódromo, pois quem dependia do automobilismo se uniu em abaixo assinado e mostrou quantas famílias dependiam do autódromo. Tenho certeza que desde aquela época até hoje o automobilismo encolheu e muito. Creio que quem deve gerir empresas, é o privado, não e papel do dos governos gerirem empresas. Interlagos ou é praça pública ou dá lucro se for para perder dinheiro que seja vendido. Com dor no coração.

  14. Fred Flintstone disse:

    Bom, uma vez que o autódromo/terreno pertence ao Município, e Interlagos integra o patrimônio histórico e cultural respectivo (além de dar lucro, trazer benefícios aos setores de turismo – que se reverte à população, de projetar o nome da cidade – inclusive internacionalmente), logo, a conclusão clara é a de que é caso de Ação Popular (com pedido para garantir que o patrimônio continue vinculado ao Município, e, em qualquer hipótese, reservado exclusivamente ao fim da prática de automobilismo. https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%A3o_popular

  15. Fernando disse:

    Bem, temos aqui mais de 160 postagens, e uma enorme coleção de bobagens (eu andei escrevendo as minhas também em outros posts). Tanto o Estado como a iniciativa privada são capazes de administrar qualquer coisa, de forma desastrosa ou eficiente, o que significa que esta é a discussão mais estúpida possível. A questão não deveria ser colocada ideologicamente, politicamente, porque é técnica.

    As duas “partes”, Estado e iniciativa privada são complementares, não antagônicas, e o percentual de atuação de cada uma na sociedade não é fórmula que exista, não é ciência exata. As informações que o Flavio postou esclarecem muitos aspectos do fato, mas ainda não permitem que se tome alguma posição com segurança, posição de boa fé, não politicamente tendenciosa e/ou preconceituosa. Aconteça o que acontecer com Interlagos só saberemos se foi bom no futuro.

    E o que é isso??? “…a iniciativa privada no Brasil é uma grande merda…”!!!! Algo do que o blogueiro escreveu procede, mas é quando os empresários estão “associados” com agentes públicos… faltou esclarecer isso… e aí é caso de polícia não de política… O Grande Prêmio é “iniciativa privada”, sim, estamos aqui contribuindo para o sucesso de um negócio, negócio capitalista, privado, e muito bom! Não dói!

    E já que politizaram a coisa toda também vou escrever minhas bobagens. Eleição é boa quando a gente ganha e quando perde, como agora, o povo sabe votar quando a gente ganha “bonito” e quando a gente perde “feio”, de lavada, como agora, mas eleição não é tudo, é apenas uma parte do longo processo de aprender a democracia, a pluralidade, precisamos aprender isso, matar e enterrar o sectarismo que tomou conta de nós ultimamente. E torcer para Interlagos, para um Interlagos melhor, para todos, não importa de quem será ou quem vai administrar, desde que funcione.

    E tem mais, já passou pela cabeça de alguém que tudo isso pode não passar de papo furado do coxinha?

  16. Bruno Laporta disse:

    Sinceramente não sei o que será de Interlagos, mas não será privatizado, duvido muito. Nenhuma empresa por mais megalomaníacos e assombrosamente geniais sejam os planos para o autódromo chegaria a fazer um investimento deste. As ideias ficariam nos travesseiros dos executivos e lá somente. Também precisaria de uma revolução no automobilismo para que tivéssemos um final feliz garantido, até porque a população como o Flávio já elucidou muito aqui no blog já não se interessa pelo assunto como antes. O que eu acho mesmo é que alguma empresa deveria bancar um piloto brasileiro na F1, nem que seja fazendo um concurso ou “reality” para promover o sujeito. Por que não a Globo, já que vende a F1 como um produto seu? Qualquer esporte precisa de material humano para fazer sucesso!! Foi assim com a F1, o tênis, o MMA nos últimos anos no Brasil. Precisamos produzir pilotos, rápido! Só não sei como! No fundo, ninguém vai querer vender ou destruir o “S do Senna”, que ficou maior que Interlagos, só precisamos de um Brasileiro para segurar a bandeira por lá vez ou outra. Se fosse na Itália, bastaria uma Ferrari, aqui precisamos de uma pessoa! Digo mais, os carros precisam voltar a ficar barulhentos e alimentarem a atmosfera de espetáculo para a ocasião, já estão pensando nisso. Mais ainda, é uma questão de tempo para os politicamente / ecologicamente / modernamente corretos perceberem que carros autônomos, por exemplo, são uma grande furada já que “lí uma matéria com um executivo da Mercedes” os carros autônomos quando estiverem em uma estrada e tiverem que escolher em atropelar criancinhas atravessando a pista, bater de frente com um caminhão que vem na mão oposta e jogar o carro do penhasco ao desviar para direita, vão para cima das crianças para protegerem o passageiro do veiculo. Não há advogado no mundo que não vá ter como objetivo de vida fechar uma multinacional com um dilema desses. E carros, assim, sempre serão carros. E continuaremos guiando enquanto pudermos. Só falta um piloto para o Brasil na categoria máxima, numa boa equipe, para correr em Interlagos. Se o mesmo fosse realizado a tempo no Rio, Jacarepaguá estaria aqui ainda para contar suas histórias…

  17. Romero disse:

    Flávio, faltou citar na matéria que o atual prefeito tentou vender a anhembi, mas não houve comprador interessado em dar o lance inicial de 1 bilhão de reais. Ou seja, apesar de ser uma das bandeiras principais da campanha de Dória, a privatização de equipamentos públicos não é assunto novo por aqui.
    Concordo que, se não está dando prejuízo aos cofres públicos, não precisa necessariamente ser vendido; mas não dá pra demonizar a prática em si. Temos diversos exemplos de empresas (inclusive as citadas na matéria como Petrobrás e Vale do Rio Doce, além da Embraer, apenas para citar as mais conhecidas) que cresceram exponencialmente após se tornarem parcialmente privadas.

  18. Guilherme disse:

    Texto espetacular Flavio Gomes!
    Parabéns pelas colocações e pela citação.
    Um abraço!

  19. Tiago disse:

    Flávio lega seu ponto de vista, eu gostaria de expor o meu apenas dessa forma, como mais um ponto de vista, mas considero válida a ideia de vender Interlagos, Anhembi também, acho que enquanto houver questões como educação e saúde na precariedade que temos hoje, não faz sentido cuidar disso, até porque no geral o automobilismo é formado por um público de bom poder aquisitivo é que poderiam se organizar, é isso. Abraço

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