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sexta-feira, 28 de julho de 2017 - 8:02Automobilismo internacional

A IMPLOSÃO DO AUTOMOBILISMO

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MOGYORÓD (isso é só o fim) - A Porsche acaba de anunciar que no fim do ano deixa o WEC, depois de apenas quatro temporadas completas em sua volta ao Endurance na categoria LMP1. Foram três vitórias seguidas em Le Mans nesse período, em 2015/16/17, com o modelo 919 Hybrid. O anúncio pegou muita gente de surpresa, porque a marca alemã estava comprometida com o campeonato até o fim de 2018. Ao mesmo tempo, a Casa de Stuttgart informou que vai migrar para a, adivinha, Fórmula E na temporada 2018/2019. Como a Mercedes. Como a Audi, que já está lá. Como a BMW, que entra na próxima.

Com a saída da Porsche, sobra, na LMP1, a Toyota como única equipe de fábrica do WEC. Mas os japoneses condicionavam sua permanência à participação de algum concorrente do mesmo nível. Sem os rivais alemães, é bem provável que no início da semana que vem a empresa também anuncie sua retirada.

O WEC, pois, acabou. Acabou como o conhecemos. As categorias de protótipos morrerão de inanição. A P1 não se sustenta com times independentes. Sem a P1, a P2 não faz muito sentido. A tendência — e isso escrevi aqui alguns meses atrás, acho mesmo que na época da deserção da Audi, ano passado — é que o Mundial de Endurance vire um campeonato de carros GT. Se sobreviver.

A decisão da Porsche veio à tona poucos dias depois de a Mercedes anunciar que vai deixar o DTM no fim do ano que vem, o que vai, igualmente, implodir o campeonato alemão de Turismo. Está todo mundo correndo para a competição dos elétricos de Alejandro Agag. E é pelos belos olhos do espanhol? Pela maravilha que são suas corridas? Pelo sucesso estrondoso do campeonato que neste fim de semana chega ao final de sua terceira temporada, apenas? Pelos lindos troféus em forma de temaki?

Não. Agag não tem olhos belos, nem todas as corridas são uma maravilha, o sucesso ainda não é estrondoso, os troféus são feios. Mas a Fórmula E, goste-se ou não, é o futuro. Melhor: os carros elétricos são o futuro. Melhor ainda: são o presente.

O que determinou essa migração velocíssima e abrupta das quatro gigantes alemãs foi o ritmo acelerado de decisões governamentais anunciadas na Europa sobre o uso de veículos movidos a gasolina, ou diesel. Alemanha, Inglaterra e Noruega são países que já estabeleceram prazos para: 1) encerrar a produção de motores a combustão em seu território; e 2) proibir sua circulação em definitivo. Esses prazos variam, mas, grosso modo, pode-se afirmar, sem medo, que em 2050 não vai ter mais nenhum carro emitindo poluentes no continente. O que Alemanha e Inglaterra decidirem será replicado muito rapidamente em países como Holanda, Bélgica, Suécia, Dinamarca, França, Portugal, Espanha, Finlândia, Islândia, Suíça, Itália, Áustria — até porque muitas dessas nações têm seus mercados automotivos abastecidos basicamente pelos alemães.

2050 está aí. Estamos falando de 33 anos. Mas, antes disso, da troca integral da frota circulante, será preciso que as fábricas se adaptem e acelerem seus projetos de carros elétricos que serão fornecidos para os países vizinhos. Isso implica em mudanças dramáticas de estrutura industrial, procedimentos de produção, construção de máquinas, nascimento de novos fornecedores, extinção de outros, formação de mão de obra, uma verdadeira revolução.

Claro que veículos movidos a derivados de petróleo ainda vão existir por bastante tempo, até porque mercados como o asiático (que inclui Índia e China, por exemplo), o africano e o americano (norte, sul e central) ainda vão demorar um pouco para entrar em definitivo na onda elétrica. Além do mais, caminhões e ônibus continuarão existindo e sua substituição por similares movidos a eletricidade vai levar mais tempo ainda.

Mas é um caminho sem volta. Porque é difícil imaginar um grupo como o Volkswagen, por exemplo, se converter definitivamente em fabricante de veículos elétricos na matriz alemã e seguir produzindo carros a gasolina, álcool e diesel nas suas plantas industriais espalhadas pelo mundo. Por algum tempo essas tecnologias vão conviver, claro, mas gradativamente as atividades das empresas terão de convergir para uma só.

O que estamos assistindo é ao fim de uma era, e ela está acabando muito rapidamente. E arrastando junto o automobilismo de competição da maneira que ele existe hoje. Na mesma semana, notem, “acabaram” o DTM e o WEC. Isso acontece porque as próprias categorias vinham convivendo com uma estabilidade falsa e frágil. Ambas dependiam de apenas três “players” cada — Audi, Porsche e Toyota no WEC, Audi, BMW e Mercedes no DTM. Uma defecção e a implosão seria inevitável. Alguém acredita que a P1 do WEC sobreviverá à saída de Audi e Porsche? E o DTM? Alguém aí acredita que Audi e BMW vão ficar sozinhas?

Enquanto isso, a Fórmula E vai juntando todo mundo, pela simples razão de ser  a única categoria existente de carros elétricos. É um laboratório muito útil — e necessário — para montadoras que têm pouco tempo para desenvolver a tecnologia que muito em breve será aplicada integralmente às suas linhas de produção. Basta olhar para quem já chegou (ou anunciou que chegará), em menos de três anos de vida: Renault, Citroën (DS), Jaguar, Audi, Mahindra, BMW, Mercedes, Porsche e as puramente elétricas e/ou start ups como NextEV, Venturi e Faraday Future.

Essa turma está saindo na frente. A indústria americana ainda não se mexeu (GM, Ford, Fiat/Chrysler), e também estão em silêncio a coreana e a japonesa. Mas é questão de pouco tempo para isso acontecer. Junte-se à perspectiva de um futuro totalmente elétrico a previsão igualmente segura de que em questão de poucas décadas os automóveis serão autônomos e de uso compartilhado, para entender por que o automobilismo, inclusive a Fórmula E, está com os dias contados.

Não estamos falando de ficção científica, e sim de algo que já está em desenvolvimento e em testes sob o comando de corporações gigantescas como Google, Facebook, Airbus, Tesla, Waze, Uber e o escambau de Madureira se fundindo, interagindo, trabalhando de forma conjunta para chegar a um modelo de mobilidade urbana que será totalmente diferente daquilo que conhecemos hoje. Carro não será mais carro, será “plataforma”, “aplicativo”, “ferramenta”, “gadget”.

Para tentar uma comparação: procurem lembrar como uma pessoa de 30 anos olhava para um computador em 1970 e como uma pessoa de 30 anos olhava para um computador em 2000. Em 1970, computador era uma máquina indecifrável que ocupava um andar inteiro de um prédio e precisava de um exército de especialistas para programá-lo, abastecê-lo com dados e deles extrair informações úteis. Ninguém jamais imaginaria ter um troço daqueles em casa.

Três décadas depois, o sujeito entrava no Mappin e saía da loja com um laptop debaixo do braço capaz de realizar zilhões de operações a mais que o monstrengo de 1970. Avancem um pouco a fita e o celular que seu filho usa hoje faz tudo isso e muito mais.

Com automóvel, será igual. Algo que a geração dos meus avós achava inacessível, meus pais já viam como bem de consumo possível. E eu ganhei um. Carro nunca foi, portanto, um bem inacessível para a minha geração. Ou seus pais te davam, ou você conseguia comprar com poucos meses de salário. Hoje, o jovem não enxerga o carro como bem de consumo nem fácil, nem difícil. Apenas o vê como um objeto necessário para ir de um ponto para o outro, e que só tem sua existência “validada” porque pode ser obtido a qualquer hora e em qualquer lugar por um aplicativo de celular. Se algo não pode se materializar através da tela do iPhone, é como se não existisse na vida real das gerações atuais.

Por isso, não há nenhum interesse muito especial por automóveis entre os mais jovens. Eles dão ao carro a mesma importância que atribuem ao Tinder, ao Instagram, ao Spotify. É apenas mais uma coisa que dá para “acessar” ou obter pelo celular — como um namorado, uma foto e uma música. Nesse cenário, achar que as próximas gerações terão algum interesse por corridas entre essas coisas quase inanimadas que conseguem chamar pelo celular é ser um pouco otimista demais com o futuro do automobilismo.

A Fórmula E entrará nesse balaio, mais cedo ou mais tarde. Ela não está atraindo todo mundo, como disse lá em cima, porque é demais, espetacular, sensacional, empolgante, emocionante, inesquecível. Está atraindo todo mundo porque a indústria automobilística vai precisar dela em curto e médio prazo para desenvolver produtos e serviços que, daqui a alguns poucos anos, serão utilizados por gerações de seres humanos muito pouco interessados em saber qual desses produtos corre mais.

Desde que possam arranjar um deles por um aplicativo, realmente tanto faz.

97 comentários

  1. Carlos disse:

    Perdõe-me pelo comentário ácido, mas quando um carro de corrida elétrico completar volta com média de 200 mph ou mais em ovais ou tempos de F-1 em circuitos tradicionais e suas corridas não necessitarem de troca de carro para serem concluídas, acompanharei com interesse.

  2. Fabio disse:

    O Brar Soler, filho do prof. Rigoberto Soler (quem tem um mínimo conhecimento da história do automóvel no Brasil sabe quem é), disse que, quando criança, nos anos 60, perguntou a seu pai se em 40 anos ainda existiriam automóveis. E o prof. Rigoberto lhe respondeu: “Puede ser que si, mas será una imbecilidad!”.
    Vai levar um pouco mais do que os 40 anos previstos naqueles anos 60, mas esse é mesmo o destino fatal dos automóveis e de tudo o que lhes envolve, como conhecemos.

  3. Luiz disse:

    Tem aí uma questão que não vejo ser abordada: a durabilidade das baterias. Quando o carro elétrico se tornar de fato um produto de masa, será que até lá esse problema terá sido resolvido. Lemdra que o ponto fraco do celular continua sendo a durabilidade da bateria, cuja tecnologia é a mesma usada no Tesla que custa bem caro.

  4. Luiz disse:

    Tem aí uma questão que não vejo ser abordada: a durabilidade das daterias. Quando o carro elétrico se tornar de fato um produto de masa, será que até lá esse problema terá sido resolvido. Lemdra que o ponto fraco do celular continua sendo a durabilidade da bateria, cuja tecnologia é a mesma usada no Tesla que custa bem caro.

  5. Augusto Abate disse:

    Flávio parabéns pelo texto, muito bom para refletir, tenho 48 anos e também acho que tudo que conhecemos sobre a uso dos carros, velocidade, esporte automotivo etc… estão em vidente transformação!

  6. Para quem tiver curiosidade de saber onde estamos, esse filme explica o modelo de negócios da Tesla.
    O modelo Tesla contempla até fazer automóveis, mas não se limita a isso. Praticamente joga uma bomba nas empresas distribuidoras de eletricidade.
    O Dr. Porsche fez em 1906 o Loherner Porsche com 4 motores elétricos nas rodas e um motor a combustão girando um gerador carregando as baterias. Apesar de ter batido alguns records usava baterias pesadas, caríssimas e ruins de chumbo ácido. O dia que resolveram com as baterias de lítio atuais e sabe-se lá o que em futuro próximo foi o beijo da morte no motor burro alternativo que usamos e que joga 70% da energia química da gasolina pelo escape e radiador.
    Quem assistir o filme vai perceber que a solução da Tesla e de outras tem muito mais coisas na direção de nosso bem estar. O carro elétrico sequer é menos poluente, as emissões do processo de fabricação das baterias são enormes e a energia elétrica nos USA e Europa vem do carvão. No entanto, ao se ver o modelo se percebe que estamos indo na direção de mais inteligência.
    https://www.youtube.com/watch?v=Kxryv2XrnqM&feature=youtu.be

  7. Fern Kesnault disse:

    Belo texto Flavio, mas vamos aos pontos: 1 – a WEÇ não acaba (apesar de vcs que gostem de f1 adorar isso), ela sobrevive bem com a LPM2 e teremos a introdução da LMP3 que tem tido o interesse de varias equipes em função do seus custos, além dos GTs que sempre tem apoio das fabricantes e tem acrescidos diversos campeonatos ao redor do mundo pelo exemplo da Blancpain Series de Ratel, que tem uma procura grande de ingresso de equipes nessas categorias e um numero muito grande de publico em suas provas, seja na Europa, seja nos EUA (IMSA com duas categorias – weather tech e na continental tires sportscar – e na Pirelli World Challenger), em Japão, na Austrália, e na China, alem de outras a nível nacional; 2 – alem de motores elétricos temos o álcool para comprovar sua eficiência em competições, via IndyCar; 3 – por bastante tempo teremos carros movidos à combustão devido à força das petrolíferas que comandam a politica mundial e irão por um bom tempo; 4- é obvio que as determinações alemãs com relação ao meio-ambiente irão tet seguidores no continente europeu mas eles fazem isso porque não tem o “ouro negro”, e os outros paises o tem nas maos, como os ingleses que já tencionam estender ao maximo esses prazos que estipularam por influencia da Shell e da BP; e ha tantas outras nuances a se destacar que já não consigo estender via celular …..rsrsrs…continuemos a tocar nesse assunto..

  8. Bruno Martins disse:

    Gostei do teu texto Flávio, aliás, o blog anda muito bom nesses últimos dias! Mas pô, meio apocalíptico essa análise eim? Quer dizer, não discordo que a WEC, DTM e afins possam encontrar seu fim em um futuro pouco distante, porém não vejo que junto a elas irá o automobilismo. Vai que se torna uma modalidade olímpica? Daí de quatro em quatro anos assistimos na Globo por streaming.
    Brincadeiras a parte, creio que o automobilismo como conhecemos está sim chegando ao seu fim, mas em algum momento se reinventa, o ser humano tem essas de transformar qualquer coisa em atração. Corridas diferenciadas, focadas em outras tecnologias e anseios, como Roma fazia com suas charretes.

  9. Banana Joe disse:

    Bicho, esse foi o melhor texto que li no seu blog, e também em qualquer lugar, em muitos anos.
    Nós fanáticos por automóveis, com gasolina nas veias, perdemos.
    Somos o passado.
    Não consegui os V8 que tanto desejava, mas vou manter com carinho meus V6 na garagem pra fazer companhia aos meus futuros elétricos e autônomos tal como hoje meus vinis do Sabbath e do Zep acompanham o spotify e o Deezer instalados no smartphone.

  10. Gustavo disse:

    Curti demais a análise. Muito bem conectada com os tempos atuais.

    O legal desses tempos é também a facilidade da comunicação, com cada vez mais nichos de interesse que conseguem se estabelecer. E assim está sendo com o automobilismo. Aquele produto de massa, em que todo mundo conhecia os pilotos e marcas já era.

    Sobre o WEC, será que a Porche e a Toyota disputam pelo menos as 24h de le mans?

  11. Theuer Deon Weirich disse:

    Ótimo texto.
    Sobre a F-e, enquanto não fizerem direito um esquema de trocar o pack de bateria do carro num esquema bacana como a troca de pneus, ela vai continuar parecendo uma brincadeira onde as crianças trocam de carrinho.

  12. Leonardo Bussinger disse:

    Ouso discordar Flávio. Realmente uma grande parte de nós, jovens (tenho 21 anos), não se liga ao carro da mesma maneira que anos atrás. No entanto, carro continua sendo independência. Quantos de nós quer ter seu carro pra poder ele, no comando do mesmo, buscar sua namorada sem depender de Uber ou outro meio de transporte cuja condução é terceirizada?

    E outra, além disso, não é pouco o número de pessoas que continua curtindo a experiência completa de corrida de carros com som de corrida de carros! Eu tenho 21 anos e é impressionante o número de pessoas que estão em grupos que eu também participo que querem por que querem ter seu motor roncando alto, firme, forte e gostoso! Carro elétrico JAMAIS vai poder apresentar essa experiência multisensorial e acredito que seja aí que o automobilismo como o conhecemos menter-se-á vivo.

    Desculpa meu caro, mas acho que você foi negativo demais nessa sua análise e quero realmente te desejar um pouco mais de esperança e inconformismo.

    Esperança pra acreditar que não perderemos essa paixão inata.
    Inconformismo pra não aceitar que um autoritarismo estatal absurdo e ditatorial proíba aqueles que quiserem de construírem seus carros movidos à motores queimadores de combustível fóssil e rodem com eles por onde entenderem.

    Abraço.

    • Gustavo disse:

      Acho que a ideia é que o automobilismo nunca mais será produto de massa, e sim de nicho. E acho que o carro a combustão não será proibido, mas sim se tornar mais caro, com o custo ambiental precificado.

    • Bruno Travassos Marto disse:

      Concordo com o Gustavo. O automobilismo enquanto esporte tende a se tornar algo mais restrito na medida em que a razão de ser da competição tende a mudar. Se em um momento histórico o investimento das montadoras e até dos Estados foi motivado por fatores diferentes, que variaram desde a necessidade de aprimorar seus produtos até o nacionalismo exacerbado do Séc. XX, a situação agora não é diferente. As montadoras investiram no automobilismo como forma de se aprimorarem e se divulgarem, o esporte e o prazer da competição eram, na verdade consequência disso, e não causa. Se hoje as montadoras estão se movendo para a Fórmula E, é pelo mesmo motivo de sempre, e como o autor do texto disse, de fato a relação do homem com o carro muda ao longo dos anos, o que gera essa tendência de retração do automobilismo. Nunca vai acabar. Sempre terá apaixonados. Mas é algo que tende a mudar muito, e isso não é puramente culpa do Estado ou de algum ente maligno, uma vez que, de fato, a dinâmica social está se alterando e por necessidades de matriz energética e ambiental, não podemos continuar contando com motores a combustão como nossa principal forma de nos locomovermos no futuro.

      • Leonardo Bussinger Ferreira disse:

        Mas vejam que o automobilismo sempre foi um esporte de nicho, salvo épocas do século passado. Automobilismo sempre exigiu coragem, espaço e grana pra ser praticado de forma ampla. Assim como ouvir música em Vinil, isso nunca vai deixar de ser feito por que há quem curta a experiência mais pura e sensorial do que algo simples, frio e direto do que clicar e tudo tocar.

        Com o carro não vai ser diferente.

        Penso que, para nós que estamos aqui lendo sobre automobilismo e evidentemente curtimos a coisa, será benéfico se conseguirmos conduzir as coisas de forma que não tenhamos nossa liberdade tolida.

        Acho o vinil quase perfeito pra comparar por que hoje mesmo que ouçamos todas as músicas em formato digital, há bastante gente que quer ter vinil da banda que gosta, quer ter um bom toca-discos pra poder curtir. Gente que, com essas querências, movimenta um mercado que até 15 anos atrás estava morto e quase enterrado.

        Acho, realmente, que com o automobilismo e com os carros que conhecemos hoje o caminho será o mesmo. Se não formos tolidos de forma absurda como Noruega por exemplo quer, voltaremos ao tempo em que motores são construídos em menor escala de produção, que carros serão feitos de forma talvez mais “artesanal” e feitos de quem gosta pra quem gosta.

        Encarecerão, provavelmente. Não dá pra negar isso e isso seja um fator que teremos que lidar, mas acho realmente que teremos sim espaço e possibilidades amplas de curtimos juntos a delícia que é um bom automóvel motivo à um bom motor Ciclo Otto.

  13. Diego Zomer disse:

    Caro Flávio, apenas discordo que sem equipes de fábrica a coisa não vive… ainda mais depois da edição deste ano de Le Mans, com a equipe do Jackie Chan fazendo o que fez. pelo contrário, acho que a coisa pode ficar ainda mais interessante nos protótipos com Dallara, Oreca, Ligier e Cia limitada. Quissá podemos rever uma aura ainda mais saudosista do automobilismo, com as garagistas? Uma coisa é certa: Le Mans (e por consequência o WEC) não morrem. Uma hora ou outra as elétricas vão entrar, ou híbridas, a nitrogênio, o raio que o parta: a categoria se reinventa e segue, isso é fato.

  14. Renato busato disse:

    Belo texto Flavio. E isto mesmo, nunca mais teremos um campeão na fórmula 1.

  15. Ricardo Molina disse:

    Droga Flavio, assim como quando a mãe falava “essa menina não é para você”, eu odeio quando você tem razão… Shit!!!

  16. Eduardo Azeredo disse:

    Existe muita gente que se dedica a estudar os impactos das novas tecnologias e etc nas nossas vidas. E uma das coisas mais fortes entre os futuristas é que não existe um futuro certo para ser previsto, e sim possibilidades a serem exploradas.

    A debandada das montadoras para a Formula-E e os carros autônomos podem realmente acabar com o automobilismo. Essa é uma possibilidade bem óbvia que está estampada aí na nossa frente.

    Mas isso não impede que haja outras possibilidades. Vai que as montadoras não vejam mais sentido no futuro em associarem suas marcas a automobilismo e a coisa volta a ser mais garageira como era até os anos 70? Uma meia dúzia de malucos brincando de andar mais rápido sem se preocupar com retorno em imagem e etc.

    Os carros autônomos podem representar o fim do automobilismo, mas podem representar o renascimento também.

  17. Wanderson Marçal disse:

    Texto muito, muito bom, mas eu seria mais específico: “implosão do automobilismo europeu”. A Europa tem por tradição juntar pesquisa/desenvolvimento com competição, as responsáveis dos primeiros, as montadoras, bancando as que fazem o segundo. E é óbvio que quando esse aporte acabasse, como Max Mosley sempre disse que acabaria, a coisa ficaria preta. DTM e WEC, categorias de nicho, estão fodidas.

    No entanto eu ainda tenho esperanças quanto à F1. A Moto GP tá a fazer sucesso como nunca antes e é cada vez menos uma categoria de desenvolvimento e sim de competição. Você não precisa guiar um carro ou adorar cheiro de gasolina pra gostar de corrida de carro. Se elas forem divertidas, interessantes, por que não? Uma F1 com três montadoras, chassis relativamente padronizados (pra baratear custos e aumentar competição) e voltada para o esporte puro, sem artificialidades, pode render bastante ainda.

  18. Janir disse:

    Pura verdade, daqui a pouco Hanna & Barbera vão acertar com os Jackson. Gostava deste desenho.

  19. moisesimoes disse:

    Flávio Gomes: – 1. ‘ Carro não será mais carro, será “plataforma”, “aplicativo”, “ferramenta”, “gadget”.’

    2. “Se algo não pode se materializar através da tela do iPhone, é como se não existisse na vida real das gerações atuais.”

    Leovegildo Fernandes: “Não é que a garotada não se interessa por automobilismo. É o automobilismo que não se interessa por quem assiste.”

    Alexandre : “E só não percebe a morte do automobilismo quem não quer… infelizmente… Vejam a propagação dos E-Sports com a nova geração.. as coisas não precisam de fato existir… Capaz do pessoal acompanhar as corridas virtuais em jogos daqui a alguns anos.”

    Excelentes percepções. Tecnologia é algo que sempre houve desde a produção e uso do fogo, à invenção da roda. Era a tecnologia a serviço da vida. Mas quando invenções tecnologicas se resumiram em guerras e conquistas mesquinhas, temos a vida a serviço da tecnologia. Aliás a vida, vida “inteligente”, basicamente em sua essência, propósito e sentido, será, ou já é, ou sempre foi em muitos momentos, uma escrava das facilidades tecnológicas e agora, mais do que nunca, dos mundinhos virtuais e das telinhas quadradas.

    A questão novamente é descrever um cenário de cinco-dez anos´ ou mais, medindo o processo acachapante e massacrante da evolução tecnológica dos carros elétricos ao processo de adaptação a essa influência “natural” no mundo dos esportes a motor. Motor concebido e definido como motor e não como unidade de potência! Por isso que ainda dá tempo de ver (e ouvir) a Indy, enquanto não chega um “conectado qualquer” dizendo que não faz sentido gastar borracha, fazer barulho, poluir o ar e andar em círculos.

    Quando eu era criança, costumava brincar de “troca de marcha” com o botões de velocidade do ventilador e do liquidificador. Imaginava o carro- motor de F1. Imaginava o circuito. Minha tia ficava puta: “Desliga essa porra ou vai queimar!”
    Era o meu carro “elétrico”. Era feliz e eu sabia.

  20. luiz henrique disse:

    Mal comparando, os motores a combustão são os cigarros do século 21.

    O bom entendedor entenderá.

  21. Clodoaldolelli disse:

    Foda-se a revolução automobilística a quatro anos comprei meu ônix zerinho e é com ele que vou pra cova esse prazer ninguém me tira esse vai ser só meu

  22. EduardoRS disse:

    Discordo em partes. A invenção do automóvel não matou as competições de hipismo. As armas de fogo não acabaram com as competições de arco e flecha. O automobilismo não vai morrer. O que imagino que haverá é uma segmentação da modalidade em 2 ramos: um que explora sempre o que há de mais novo na tecnologia (que é o que o automobilismo “de ponta” tem feito desde seu surgimento), e se abrirá uma nova ramificação com ênfase puramente esportiva e de entretenimento – vide Nascar e Indy. Acho que a F1, sob essa nova direção, tende a seguir esse caminho, enquanto a F-E será o novo laboratório das grandes montadoras. E a F-E só irá durar até que surjam carros movidos à fissão nuclear ou algo do gênero, quando então os carros elétricos serão chamados de dinossauros. Mas a competição, o esporte, esse não morrerá jamais.

  23. Tenho 39 anos e a nítida sensação de que o mundo, como eu conheci, está acabando. Ou já nem existe mais.

    Nem assustado fico mais, mas confesso que não é animador.

  24. Hayrton Oliveira disse:

    Eu vejo isso simplesmente como o FIM DOS TEMPOS. MUITO TRISTE. RIP automobilismo. Para salvar o mundo estão matando os carros e o automobilismo, como se carros elétricos brotassem, sem necessidade de processos industriais certamente tão poluentes quando as emissões de um motor a combustão. Triste. E já que aqui não é um espaço muito fresco onde não se podem falar palavrões, mando na lata: Fodam-se os carros elétricos e fodam-se os carros autônomos!

  25. Eduardo Bacelar disse:

    Que futuro triste nos aguarda. Espero morrer antes, sinceramente

  26. Henrique Freitas disse:

    Que belo texto Flávio Gomes! Uma reflexão realista e sensata quanto ao presente e futuro do automobilismo. Imaginar que esse futuro nem é tão distante até me deixou triste. Mas a realidade é essa mesmo. Não vejo mais jovens e adolescentes com a paixão por carros que via em gerações passadas. Não os vejo também com a paixão por corridas de automóveis. As gerações seguintes tendem mesmo a ser menos encantadas por motores a combustão, seus ruídos e seus cheiros. Mas que venha o futuro e que nos adequemos ao que ele nos oferecer.

  27. Paulo F. disse:

    This is not Amerika!

    Nos EUA (e na China, próxima maior economia do planeta) vão continuar a usar o motor de combustão interna. Queime ele petróleo , álcool ou óleo de soja (biodiesel) . Por consequência , na Asia, Africa e na América também!
    Como disse Mr. Eclestone, a Europa esta fadada a ser uma “Disneylandia”, um lugar legal para visitar , mas ninguém mora lá.

    Os carros (e principalmente os caminhões) poderão não ter mais motoristas , porém as invenções do Otto & Diesel vão continuar a ser o nº1 & 2 na preferência dos engenheiros automotivos.

    Lembro muito do futuro não realizado que nos era apresentado na década de 1970.
    O automobilismo de competição será cada vez mais estadunidense, mais um espetáculo do que uma competição esportiva!

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