A TAL PRIMEIRA VOLTA | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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quarta-feira, 11 de abril de 2018 - 11:54F-1

A TAL PRIMEIRA VOLTA

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RIO (nem parece) – Busquei no acervo da “Folha”, onde trabalhava na época, o que escrevi sobre o GP da Europa de 1993. Queria ver se tive a noção, no dia, de como aquela primeira volta de Senna em Donington ganharia uma dimensão histórica, como ganhou.

Bom, sabe como é a tal da lei de Murphy, né? Justo a edição de 12 de abril de 1993 está incompleta. Todos os cadernos, exceto o de Esporte, foram escaneados. Paciência.

Apenas na chamadinha da Primeira Página, assinada — o que era raro naqueles tempos, mas o jornal fazia isso quando o repórter estava fora do país, era sinal de prestígio –, há uma menção às ultrapassagens que Ayrton fez, sobre Wendlinger, Hill e Prost. E, no extrato daquilo que foi publicado no caderno esportivo, o redator da chamada incluiu a opinião deste que vos bloga hoje, 25 anos depois: “(…) Senna mostrou que é o melhor piloto do mundo em pista molhada (…) e provou que Prost é um zero à esquerda sob chuva”.

Eu era cheio de dar opiniões em textos noticiosos — um erro conceitual, ainda mais para os padrões exigidos pela “Folha” nos anos 90, durante a implantação de seu rigorosíssimo “Manual de Redação” –, mas por alguma razão, no meu caso, toleravam. Respeitavam meu estilo, não me enchiam o saco, e eu achava ótimo.

Quanto às opiniões, não estava errado. Senna era mesmo o melhor na chuva, e Prost vivia fazendo cagadas no molhado. Aliás, poucas semanas antes o francês fora vítima da água em Interlagos, jogando no lixo seu favoritismo à vitória. O brasileiro aproveitou as presepadas de Alain nas duas oportunidades e, depois de ganhar em São Paulo e Donington sob condições parecidas, era legítimo considerá-lo o melhor naquele quesito ditado pelos índices pluviométricos locais.

Mas não lembro, sinceramente, se nos textos que escrevi para o jornal naquele dia exaltei demais a tal da primeira volta, porque a corrida foi doida demais para que me detivesse apenas nela. Para se ter uma ideia, Prost fez sete pit stops. Senna, cinco — na verdade, trocou de pneus quatro vezes, e na quinta passagem nem parou, registrando inclusive a melhor volta da corrida nessa hora, porque a entrada de box encurtava o circuito e não havia limite de velocidade no pitlane.

E ainda teve Barrichello, que chegou a andar em segundo e fez uma primeira volta tão fabulosa quanto a de Ayrton. O drama de seu abandono no fim talvez tenha me parecido, na ocasião, tão relevante quanto as ultrapassagens de Senna no início. A Jordan parou sem gasolina a poucas voltas do final. Como os carros tinham controle de tração, o equipamento, no piso molhado, foi mais acionado do que o normal e esgotou o tanque de seu carro. Erro de cálculo que o time não assumiu, colocando a culpa numa bomba de combustível defeituosa. Cascateiros.

O fato é que o tempo vai passando e a gente acaba reduzindo tudo que viu e viveu a uma seleção de melhores momentos, como se tivéssemos de compactar nossos arquivos para salvar apenas fotos e vídeos mais bonitinhos, jogando fora o que não interessa. O cérebro humano, nisso, é engenhoso. Por isso, com a fragmentação da memória, o que ficou foi a tal da primeira volta. E ela foi se tornando cada vez melhor e mais épica com o passar dos anos.

Talvez, no entanto, essa percepção não tenha sido imediata. Na semana seguinte, por exemplo, nem falei dela na minha coluna “Warm Up”, que era publicada aos sábados no jornal. O tema principal foi Piquet, que depois do acidente de 1992 voltava a Indianápolis para desafiar o oval. O texto está aqui. Menção a Senna, só na última das quatro notinhas: “Ayrton vive sua melhor fase. Um piloto como ele no auge é assustador”, escrevi.

De novo, não estava errado. Foi, para muita gente, a melhor temporada de sua carreira em termos de pilotagem. Com uma McLaren meio manca de motor, venceu cinco corridas em cima de um carro quase imbatível — a Williams da suspensão ativa, de Prost e da Renault. Elogios a Ayrton eram tão fartos e frequentes, que não se fazia necessária mais uma coluna laudatória uma semana depois da prova.

E o que me lembro daquele fim de semana, exatamente?

Bom, do frio e da chuva, por óbvio. Do museu de Donington, espetacular. Da sala de imprensa meio improvisada, tinha de sair e descer uma escada metálica muito escorregadia cada vez que queria mijar, e eu sempre achava que iria levar um tombo — aí sim épico — naquela merda. Da dificuldade em obter informações sobre as dores de Rubinho, que ficou todo travado depois de uma prova desgastante para um moleque de 20 anos. E, se não me equivoco, de Senna atribuindo a vitória a Deus, na única vez em que me irritei com suas tendências místicas melosas e exageradas e lhe disse que aquele negócio de atribuir tudo a Deus já estava ficando um saco, e que na verdade ele tinha guiado muito bem, e que se pudesse, por favor, que falasse disso, que era o que me interessava.

Mas para ele, foi Deus mesmo. Talvez eu tenha registrado a responsabilidade divina pelo resultado nas matérias que escrevi, mas precisaria procurar nos meus arquivos (se o jornal não tem essas páginas escaneadas, eu tenho tudo guardadinho), e eles estão em São Paulo.

Se lembrar, quando for para lá de novo procuro.

51 comentários

  1. Bola da Vez disse:

    O pessoal fala tanto dessa primeira volta como ela fosse a melhor de todas. Não vejo nada demais! Ele deu foi sorte!

  2. CRSJ disse:

    Rubinho Barrichello fez uma bela largada, mas o Show foi de Senna: primeiro que todo mundo viu ele passando todo mundo na primeira volta e segundo que Senna venceu. A atuação do Rubinho teria mais valor se ele chegasse terceiro na frente do Prost, só que o seu abandono a seis voltas do fim fez ele ficar meio ofuscado e esquecido. Vinte e Cinco anos depois sorte ter o YouTube pra matar a desse tempo que nunca mais volta. No caso do Piquet ele foi corajoso em voltar nas 500 Milhas de Indianápolis um ano depois do acidente, realmente muitos não teriam essa coragem dele.

  3. ms disse:

    a superioridade do senna em pista molhada sobre os outros pilotos era um assombro….

  4. Antonio disse:

    Uma das melhores corridas que assisti..
    Não só pela primeira volta.
    A superioridade dele foi absoluta e ainda tivemos uma corridaça do Barrichelo como pano de fundo.
    Saudades desse tempo.

  5. Joao disse:

    Hahaha duvidoooo que falou desse jeito!! hahaha trucoooo

  6. Elmo disse:

    “E, se não me equivoco, de Senna atribuindo a vitória a Deus, na única vez em que me irritei com suas tendências místicas melosas e exageradas e lhe disse que aquele negócio de atribuir tudo a Deus já estava ficando um saco, e que na verdade ele tinha guiado muito bem, e que se pudesse, por favor, que falasse disso, que era o que me interessava.”

    Sinto inveja de alguém que tenha tido a oportunidade de dar esse toque ao Senna. Eram umas declarações muito melosas e piegas, mesmo.

  7. John Player disse:

    Senna estava certo.
    Ele era um piloto comum. Quem fazia os milagres era Deus.
    Se não fosse Deus o carregando (afinal eram amigos íntimos segundo Senna), pilotando seus carros, o brasileiro seria um piloto para andar do meio do grid pra trás. Até um dia sumir na irrelevância.
    Ah se não fosse o todo-poderoso!
    Bons mesmo foram os campeões que venciam com os próprios braços, pernas, inteligência, coragem e talento.

  8. Robson Leandro da Silva disse:

    Acho que nesse caso já na própria corrida essa volta já foi exaltada. A Globo na época inclusive reprisou-a durante o pódium e o Galvão ficou exaltando como sempre. E desde então a imprensa do mundo todo volta a esse tema de tempos em tempos. Inclusive a própria F1. Uns dois anos atrás o Peter Windsor entrevistou o Jayme Brito falando sobre a volta para o canal da F1 no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=3GOEorrE4mY

    Embora eu concorde com o que você disse sobre a influência que a passagem do tempo tem sobre determinados acontecimentos, acredito que nesse caso já desde o primeiro momento se definiu como histórica aquela primeira volta bem como a performance dele durante a prova toda.

  9. Andre CL disse:

    Belo texto! Foi uma corrida impressionante! Sou daqueles que concorda que essa foi a melhor temporada de Ayrton.
    Gosto quando você descreve os detalhes de quando você fazia cobertura in loco das corridas. Acho bacana… imagino o quanto deve ser diferente dos dias atuais….

  10. Rodrigo Moraes disse:

    Eu sempre relativizo esse ano de 93 do Senna porque estava óbvio a ele e a todos que ele não teria chances no campeonato, devido à falta de potência (mas o carro era bom). Então, ele podia arriscar nas corridas, pois não tinha nada a perder.

  11. Rodrigo disse:

    A memória trai. A primeira volta causou mais êxtase que impacto enquanto assistindo ao GP mas, ao contrário do que o Youtube faz supor, ninguém ficou as restantes 75 voltas travado na primeira – esse clima de “oh, o nosso saudoso herói de todas as manhãs” veio depois. Houve sim um deleite ao longo da corrida exatamente pelos motivos que o Flávio colocou, mas, pelos meses seguintes, até o fim daquele ano pelo menos, a sensação era de “é o que dá pra fazer”, já que a hegemonia havia se esvaído e a vitória era uma ilha num mar de Williams.

    Apesar de já ser considerada uma grande façanha de Senna já naquele ano, Donington 93 começaria a ter o status que tem hoje cerca de um ano depois.

    Pelo menos é assim que eu me lembro.

  12. moisesimoes disse:

    - Senna poderia atribuir o seu dom e habilidades a uma Entidade Divina que é capaz de conceder vida, cérebro, saúde e a oportunidade de fazer o que gosta entre outras coisas. Não vejo problemas nisso, muito menos em demonstrar, mesmo que não seja a intenção, alguma humildade, inferioridade ou agradecimento. O jargão, na boca dos pecadores e descrentes, é sim irritante e em vão. Melhor seria não mencionar nada. Aos irônicos, restam agradecer a vitória ao Goku, Thor, Atena, a si mesmo, ou seja lá a quem a pessoa dar créditos. Ou a ninguém.

    Mas é isso. Questionar falas e fatos pode ser interessante por que nos faz redigir leituras. À melhor volta, por exemplo, é mais equilibrado mencionar Barrichelo quando feita uma releitura daquela corrida na Inglaterra. Mas, assim como é fácil laurear e relembrar feitos e audácias de tricampeões como Senna e Piquet, é fácil também pensar que sair de 12º para 4º com uma Jordan-Hart numa primeira volta, não significa nada para um piloto “mediano” que “nunca ganhou nada e foi escudeiro do Shumacher”. Ou dizer teorias vazias como, a Williams não tinha o melhor carro. Repensar, reler, quando há espaço, é necessário.
    Já dizia o poeta e compositor: … “são as pequenas coisas que valem mais…”.

  13. Thiago Azevedo disse:

    Pior são os caras que fazem cagada e jogam a culpa no diabo…

  14. Tião disse:

    Flávio, na chuva quem você acha melhor: Senna, Schumacher, Vettel, Hamilton ou Verstappen? Abraço

  15. Vinicius disse:

    Por mais que atribuísse seu desempenho naquele dia a Deus, parecia que Senna estava encapetado. Fez o diabo na pista. Foi uma das maiores performances de um piloto que vi na vida.

    Mas, para além da performance de Senna, aquela foi uma corridaça, talvez uma das mais movimentadas da história. Alguns fatos que ocorreram naquele dia, além dos já relatados pelo Flavio no post:

    1. Senna largou em 4º lugar, tendo feito um tempo 1s619 acima da pole position de Alain Prost no treino de classificação – o que ilustra bem a distância de equipamento que havia entre a McLaren e a Williams.

    2. Sem contar com um motor tão potente quanto o dos rivais e com os sistemas de largada e controle de tração mais avançados da época, debaixo de uma chuva torrencial, Senna teve uma largada ruim e perdeu a 4ª posição para a Sauber de Karl Wendlinger. Antes da primeira curva, contudo, já tinha ultrapassado a Benetton de Schumacher e era o 3º colocado.

    3. Na quarta curva da primeira volta, Senna já havia superado Damon Hill e era o 2º colocado. Um pouco mais atrás no comboio, na mesma curva, Wendlinger e Andretti se enroscaram e abandonaram a prova.

    4. Na penúltima curva da primeira volta, Senna passou Prost e assumiu a liderança da prova.

    5. Se a primeira volta de Senna foi espetacular, a de Barrichello foi mais impressionante ainda: saiu de 12º para 4º com sua Jordan-Hart.

    6. A chuva foi e voltou várias vezes, o que provocou a quantidade absurda de pit stops que os pilotos fizeram. Senna, no entanto, graças à sua habilidade em pista molhada, conseguiu se manter na pista com pneus slicks por mais tempo que os demais competidores.

    7. Para piorar ainda mais sua situação, em uma de suas SETE paradas no box, Prost deixou o carro morrer e perdeu uma volta em relação ao brasileiro.

    8. Apenas Senna e Prost lideraram a corrida. Senna ficou 72 das 76 voltas à frente.

    9. Apenas 10 dos 26 pilotos que alinharam no grid sobreviveram à corrida.

    10. O único piloto a chegar na mesma volta que Senna foi Hill, o 2º colocado, com 1min23s199 de diferença para o brasileiro.

    11. Com a vitória, Senna assumiu a liderança do campeonato mundial de pilotos daquele ano e a sustentou até o GP do Canadá, 4 etapas depois.

    12. A Fórmula 1 nunca mais correu em Donington.

  16. Wet-and-Dry disse:

    Quem é o melhor na chuva, também é o melhor no seco.

  17. Filipe disse:

    A primeira volta foi formidável, sem dúvida, mas tudo o que o Ayrton fez naquela corrida foi incrível. Como o Flávio, lembrou, ele fez duas paradas a menos que o Prost e tinha momentos na corrida em que ele (Senna) virava tempos mais rápidos por volta com pneus de seco do que Prost com pneu de chuva (enquanto chovia). Fora que ele chegou a botar uma volta em todo mundo, sendo depois ultrapassado apenas pelo 2] colocado (Hill, se não me engano). A corrida toda pode ser encontrada no YouTube, recomendo a quem nunca viu, fazê-lo. Ayrton era um dos maiores, e dá saudade dele.

  18. Alberto disse:

    Senna sendo Senna! Até hoje não vi um piloto tão arrojado no molhado para se comparar a ele. Todos os Domingos levantávamos mais cedo com a certeza de um espetáculo. Se chovesse então…

  19. Eduardo_SC disse:

    Foi um ano e tanto. Altos e baixos, acabando o ano com a contratação pela Williams e com as vitórias de Suzuka e Adelaide.

  20. Marcos Oliveira disse:

    Eu lembro. Tinha 19 anos, e estava no sofá assistindo a corrida.

    E foi FODA sim. Claro que a empolgação do Sr. Galvão Bueno enaltecia a porra toda, mas, assim como quando o Massa tava na última volta em Interlagos, com título na mão, eu pulei do sofá e fiquei assistindo em pé; cheguei a gritar ” – Mãe, vem ver isso !!!”, porque ela gostava de assistir a largada.

    As únicas outras exibições de pilotagem acima da média como aquela, das quais me lembro, foi em Interlagos no ano seguinte, ao vivo, no sábado, depois do aguaceiro que matou o treino e ele e mais alguns saíram pra testar carro no molhado. Pra ele, parecia que tava seco, e foi aí que me dei conta de verdade da superioridade que ele tinha em pista molhada.

    A outra, foi Schumi na corrida de 1a despedida da carreira, de Ferrari, em Interlagos. Por mais “pacheco” que fosse, tirei o chapéu pro cara. Foi alucinante…

  21. murilo medeiros disse:

    Essa foi a primeira temporada de F1 que acompanhei, aos 8 anos de idade, talvez por isso considere o design dois carros dessa época (90 a 94) – de longe – o mais bonito. As cores das equipes esse ano formava um colorido espetacular…os mecânicos só vestiam camisetas e bermudas (o uso do macacão só veio em 94 com a volta do abastecimento), presença de circuitos clássicos como Adelaide, Kyalami e Estoril…. tenho tudo isso na memória.

    Minha família costumava ir ao clube nos domingos, e invariavelmente eu assistia as corridas no salão de festas bebendo refrigerante. Do GP da Europa guardo na memória o icônico troféu que o Senna ganhou… um Sonic! por conta do patrocínio da SEGA detentora do jogo que marcou a infância de muitos aqui.

    Ah! e claro, o Sonic estampou o carro da Williams em algumas corridas, simplesmente fantástico ver aquilo aos 8 anos de idade.

  22. Marcel disse:

    Depois de voltar a viver no Brasil após 4 anos de França a irritação com o Deus dos brasileiros e a sua permanente ação de abrir semáforos, encontrar vagas de garagem, objetos perdidos e proporcionar gols e defesas fabulosas de goleiros vem sendo bastante frequente e intensa. Quase tanto quanto a que eu tenho relativa à polarização política.

  23. Cláudio F1 disse:

    Observando a foto que ilustra o post, percebo como os carros eram bonitos no início dos anos 90 quando já tinha uma aerodinâmica mais desenvolvida mas ainda preservavam o estilo tradicional anterior bico de tubarão, possuindo um visual limpo, sem trocentas aletas penduricalhos que gradualmente foram tomando conta da F1.

    PS: O troféu do Sonic que o Senna recebeu nessa corrida também foi charme à parte, alguns amigos meus quando viram uma foto do pódio pensaram até que tinha sido montagem.

  24. Eduardo Britto disse:

    Faz 25 anos! Eu tava lá, grudadinho na TV, me extasiando com aquela volta maravilhosa. Ele venceu com uma vantagem gigantesca do 2º colocado, não foi?

  25. Takashi Kawazoe disse:

    Deus está vendo. Ironia é um pecado capital para o Todo Poderoso. Ele e Senna vão te amaldiçoar divinamente lá de cima. kkk

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