TE AMO ESPANHOLA (3) | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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domingo, 13 de maio de 2018 - 13:25F-1

TE AMO ESPANHOLA (3)

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RIO (não veio) – Bom, não se pode querer tudo, certo? O campeonato estava bom, as corridas interessantes, cheias de imprevistos, algumas surpresas, mas Barcelona saiu do padrão. Do padrão desta temporada, que fique bem claro. Porque o padrão dos GPs na Catalunha tem sido este que vimos hoje, mesmo: corridas chatas.

Lewis Hamilton, desta vez, encaixou todas as peças nos lugares certos e não teve adversários. Passeou pela pista espanhola para chegar à segunda vitória no ano e 64ª na carreira. Largou na pole, fez a primeira curva na frente, parou apenas uma vez nos boxes — trocou os pneus macios pelos médios na volta 26 — recebeu a bandeirada 20s na frente de seu companheiro de equipe, fazendo a primeira dobradinha do ano para a Mercedes.

Foi fácil demais. E foi tedioso demais. O GP da Espanha, a rigor, teve um único momento de emoção que quase termina numa carnificina. Logo na primeira volta, Grojã perdeu a traseira do carro numa curva, rodou, tentou voltar à pista dando “zerinho”, mas cometeu uma das maiores atrocidades vistas nos últimos anos, porque tudo isso aconteceu à frente de uma dúzia de carros e no meio do traçado de todo mundo.

Por muita sorte, só dois foram acertados pelo francês da Haas, e as batidas não foram das mais violentas. Gasly e Hülkenberg foram as vítimas. Não saiu nada até agora, hora em que escrevo, mas acredito que o rapaz será severamente advertido pela FIA. O que fez foi quase uma tentativa de assassinato. As imagens foram arrepiantes. E a foto abaixo mostra bem o tamanho da vergonha do moço antes de voltar para os boxes. Mesmo de capacete dá para notar a cara de bunda. Gosto de Grosjean, é bom piloto. Mas o que está fazendo de merda neste ano não está no gibi.

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O acidente forçou a entrada do safety-car da primeira à sexta volta, e quando ele saiu, as posições da primeira volta foram mantidas — com Vettel, que passara Bottas na largada, em segundo. Quase todos largaram de pneus macios — Alonso usou supermacios, foi bem doido — e, por isso, a estratégia padrão de uma parada era visível para quase todo mundo. Menos para a Ferrari. Vettel trocou cedo, na volta 18, e calçou os compostos médios. Bottas tentou dar o bote e parou na 20ª, mas voltou atrás do alemão de novo. Nada acontecia de emocionante. Na volta 25, Raikkonen abandonou com um raro problema mecânico. Na 26ª, Hamilton fez seu pit stop, colocou médios também, e ficou claro que seria sua única visita aos boxes.

Quem demorou mais para trocar pneus foram os pilotos da Red Bull. Ricciardo veio na 34 e Verstappinho, na 35. Quem trocou muito cedo, caso de Vettel, teria de parar outra vez. Bottas, que antecipou seu pit stop para tentar ganhar a posição do alemão, nem precisaria se esforçar tanto. Sebastian aproveitou um safety-car virtual para sua segunda troca e, depois da corrida, garantiu que um pit stop único nunca foi uma opção para a Ferrari, que sofreu com os pneus — algo até surpreendente, porque quem vinha apanhando neste ano era a Mercedes.

Vettel voltou à pista em quarto, razoavelmente perto de Verstappen. Mas, mesmo com pneus novos, não conseguiu se aproximar. Max ainda fez uma barbeiragem infantil ao tocar a traseira de Stroll e quebrar uma ponta da asa dianteira, mas o desempenho de seu carro não mudou nada. E assim, com uma ou outra disputa nos pelotões intermediários, a prova se arrastou até o fim com Hamilton, Bottas, Verstappen, Vettel, Ricciardo, Magnussen, Sainz Jr., Alonso, Pérez e Leclerc (ele de novo!) na zona de pontos.

Lewis ampliou sua vantagem na classificação sobre Vettel, 95 x 78. Foi uma vitória incontestável, na primeira corrida do ano disputada, digamos, em condições normais de temperatura e pressão, sem grandes incidentes ou episódios inesperados. E é isso que deixou todo mundo meio preocupado. Para ganhar da Mercedes, parece que é preciso acontecer algo anormal, como aconteceu em algumas das primeiras provas da temporada. E nem sempre o destino é tão generoso.

94 comentários

  1. CRSJ disse:

    O circuito de Barcelona é travado e em condições normais traz pouca emoção mesmo, mas o Hamilton agradece por ter vencido de forma absoluta pela primeira vez no ano. Vendo a Ferrari nessas últimas três corridas parece que ela trabalha pra perder o campeonato mais uma vez. Grosjean está zicado e o Verstappen soube chegar na frente do Vettel com a asa dianteira quebrada conseguindo um terceiro, pontos pra ele dessa vez.

  2. Francisco disse:

    Flavio, desconfio que Barcelona saiu e se manterá no padrão dobradinha Mercedes-Lewis-Bottas-20s-para os adversários- até o final do ano. O resultado da corrida foi determinado bem antes dela começar. Vejamos:

    1 – Asfalto novo, mais aderente e menos abrasivo. Com temperaturas semelhantes aos testes (tempo mais frio), a Mercedes cansou de dar longas seqüências com pneus médios e fazendo flat as curvas 3 e 9. Tiveram problemas de desgaste extremo com pneus mais moles, basta ver as fotos da pré-temporada e o comportamento anormal (ou diva) do carro nas 4 etapas anteriores.

    2 – A Pirelli fez a estréia (com acento mesmo) dos compostos já com uma mudança estrutural na Espanha, atendendo a um pedido da Mercedes antes mesmo do início do campeonato. As queixas da equipe sobre os compostos mais macios vieram a público em abril, embora pilotos de outras equipes relataram não ter qualquer tipo de problema com eles.

    3 – Como se dá normalmente a mudança na estrutura dos compostos? Simples. A menos que seja feita de um ano para o outro, a mudança exige a aprovação de 7 times. No entanto, caso a fornecedora ou a FIA julguem existir um problema estrutural que ponha em risco a vida dos pilotos, podem fazer. É a mesma coisa de 2013, quando após uma mudança na tal estrutura, a Red Bull emendou uma sequência de 9 vitórias com o Vettel.

    4 – Repare que os supermacios não fizeram (e não farão) tanta diferença daqui em diante. Daí, quem passou a pré-temporada inteira quase que nos médios e agora já não sofre mais com desgaste em seus pneus? Enterraram um campeonato que tinha tudo pra ser um dos mais acirrados.

    5 – Por fim, a Mercedes é a Ferrari dos anos 2000. Só falta mudar o nome de FIA pra MIA e aquele trocadilho infame se mostrará válido.

    Um abraço!

  3. gledson disse:

    em monaco a mercedes deve ficar atras das ferraris a red bull costuma andar bem nessa pista

  4. gilberto disse:

    Não vi , comentários sobre a mudança ( repentina ) de trajetória do Magnussem, será que assisti outra corrida???????

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