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sexta-feira, 22 de junho de 2018 - 15:09F-1

ALLONS ENFANTS (1)

fra181

MOSCOU (muita coisa) – Pista estreante é sempre legal pela novidade, e é assim que Paul Ricard deve ser encarada neste fim de semana. A última corrida lá foi em 1990, e dos 20 pilotos que largam domingo para o GP da França, dez sequer tinham nascido quando o circuito foi usado pela última vez na F-1 — não precisam pesquisar: Vandoorne, Verstappen, Magnussen, Ericsson, Leclerc, Gasly, Ocon, Stroll, Sirotkin e Sainz Jr. são os bebês da lista.

O traçado também é diferente de 28 anos atrás. Sendo assim, pode-se dizer que tudo é novo em Le Castellet para a turma que abriu hoje os treinos que marcaram a volta do país à categoria depois de dez anos. Como a França pôde ficar tanto tempo longe?

Ainda bem que voltou. Além da história que carrega nas pistas, a França é hoje o país que tem o maior contingente de pilotos no grid: Ocon, Gasly e Grosjean. Forçando a barra, a gente poderia incuir Leclerc nessa turma, já que Mônaco é cercado de França por todos os lados, lá se fala francês e se come croissant de manhã. Isso para não falar da Renault, com sua equipe própria e seus motores em outras duas grandes, a McLaren e a Red Bull.

Por mais Franças e menos Abu Dhabis, resumindo.

O primeiro dia de atividades em Paul Ricard, hoje, mostrou, resumidamente, uma Mercedes forte, uma Red Bull razoável e uma Ferrari mal. Hamilton ficou em primeiro nas duas sessões, e o melhor tempo da sexta-feira foi o do primeiro treino, 1min32s231, contra 1min32s539 de tarde. Fez muito calor no sul do país e as temperatura na sessão verspertina esbarraram nos 30°C, o que explicaria o fato de alguns pilotos não terem melhorado seus tempos em relação ao que haviam conseguido algumas horas antes.

O bom desempenho da Mercedes pode ser atribuído à atualização dos motores alemães, que deveria ter sido aplicada no Canadá, mas acabou sendo adiada em um GP. A diferença de Lewis para Ricciardo, segundo colocado, foi de 0s704. É coisa. A Ferrari ficou com quarto e quinto tempos, e só não foi pior porque Bottas mal treinou, com um vazamento de água em seu motor.

Os prateados precisam reagir rapidamente à perda da liderança do campeonato após Montreal. Terão três corridas em pistas rápidas para isso, em três finais de semana seguidos. Pode ser uma arrancada que desarme a Ferrari, equipe que se mantem na frente meio aos trancos e barrancos e graças ao talento de Vettel.

Os dias na França têm sido de alguma agitação no mercado de pilotos por conta de uma oferta que teria sido feita a Ricciardo pela McLaren, aproveitando o momento de incerteza da Red Bull, assinada com a Honda pelos próximos dois anos. O australiano disse que decidirá seu futuro em julho. Conhece a casa, sabe do que os rubro-taurinos são capazes, mas é claro que fica com a pulga atrás da orelha por conta da chegada dos japoneses. A Ferrari, que também estaria interessada nele, parece ter desistido por conta de suas pretensões salariais. Já considera promover Leclerc para o lugar de Raikkonen, que não deve ficar mais uma temporada no time.

Nem Alonso tem seu futuro garantido, ele que se considera uma espécie de revolucionário das pistas depois de optar pela busca quase obsessiva pela Tríplice Coroa. O espanhol ganhou as 24 Horas de Le Mans domingo e, agora, só faltam as 500 Milhas de Indianápolis para igualar Graham Hill. Ele não esconde certa decepção com os resultados discretos da McLaren até aqui, mesmo depois da troca dos motorres Honda pelos Renault. O flerte da equipe com Ricciardo seguramente tem relação íntima com as dúvidas que Alonso alimenta sobre sua continuidade na F-1. A McLaren tenta convencê-lo a ficar. Mas, na dúvida, quer se garantir com algum piloto de ponta para os próximos anos.

O público que foi ao autódromo reclamou do trânsito intenso e dos engarrafamentos a caminho do circuito. Não sei como é hoje, mas quando estive lá há quase 30 anos, a estradinha de pista única era, realmente, de enlouquecer monge. Amanhã sai o grid em Paul Ricard, e os resultados de hoje apontam para um favoritismo claro da Mercedes. Acho que Lewis não deixa escapar essa pole, não.

10 comentários

  1. Paulo F. disse:

    Quero a “velha” reta de volta. Tira aquela chicane medonha!

  2. Paulo Pinto disse:

    Alonso, diante da superioridade de Hamilton, Vettel e Cia., sabe que não tem chances nem de pódio (a não ser em uma corrida aloucada). Acredito que o espanhol irá migrar para a Indy ano que vem, onde poderá se sobressair desde que pegue um bom carro, indo em busca da tão sonhada Tríplice Coroa ( já que a Alonsomania foi enterrada por Vettel).

  3. Fern Kesnault disse:

    Continua a mesma “estradinha”…

  4. Fabio disse:

    “Enlouquecer monge” ehehheheheeheh

  5. Plinio disse:

    Vendo as imensas e coloridas áreas de escape da pista francesa, me veio à mente como escapadas de pista punem pouco os pilotos hoje em dia. Claro que não é exclusidade de Paul Ricard e, particularmente, sou a favor de que se busquem as melhores estratégias de segurança. Mas, que é meio chato, é. Na terra ou na grama o piloto pensa cinquenta vezes antes de colocar uma roda de um carro de fórmula pra uma ultrapassagem ou uma volta mais rápida. O risco é imenso.

  6. Antonio Carlos Mello Cesar disse:

    Certas corridas estão cercadas de tanta tradição, que jamais deveriam sair do calendário, o primeiro Grande Premio de automobilismo, foi disputado na França em 1906. Entre os pilotos que participaram, um deles tinha o sobrenome Peugeot.
    Alem de tudo, os franceses sediam, talvez, a mais famosa prova do mundo:
    Le Mans. Onde pela primeira vez um carro atingiu 320 km por hora, Ford GT40, no longínquo ano de 1967.

  7. Eder disse:

    Foi nessa estradinha que o Frank Williams se acidentou.

  8. Ricardo Bigliazzi disse:

    Vi um pouco do treino, o visual lembrou o de Austin (pista espetacular).

    Grande sacada da Mclarem. Com Ricciardo e com a sua estrutura técnica aliado a um motor Renault, que esta a cada dia melhor, o futuro pode ser promissor.

    Pista rápida ainda parece ser uma especialidade da Mercedes.

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