MENU

terça-feira, 10 de julho de 2018 - 9:11Cinema

A CONFERIR (2)

MOSCOU (ansioso) - Já esta outra obra me parece ainda mais promissora. Dica do Rogério Franco, antes que me esqueça de dar o crédito ao blogueiro que me mandou.

O diretor francês Quentin Baillieux está terminando um curta de 15 minutos em animação contando a história do maior acidente em corridas de todos os tempos. “Le Mans 1955″ relata em imagens de computador que me parecem excepcionais a tragédia que matou mais de 80 pessoas em Sarthe, nas 24 Horas daquele ano.

Baillieux se concentra na espantosa convivência entre o horror absoluto e o êxtase dos vencedores da corrida separados por apenas algumas horas — reflexão que lhe foi despertada depois de visitar uma exposição de carros de competição dos anos 50 no Louvre, em Paris.

O filme tem um site dedicado exclusivamente a ele com algumas das ilustrações já prontas e mais informações. Tomara que a gente possa ver isso no Brasil em algum festival. Se não der, certamente estará na internet em algum momento.

7 comentários

  1. Antonio Seabra disse:

    Gostei sim, embora só tenha visto um treino de 2 horas de duração e na corrida só tenha assistido “in loco” a largada e as primeiras 5 horas aproximadamente (estava com a minha mulher, eela já não tava aguentando mais…. Le Mans é muito mais que a corrida em si, é um verdadeiro happening. Se tivermos chance, te conto mais detalhes pessoalmente. Mas foi uma experiencia e tanto.
    Quanto ao meu comentário, obrigado pela deferência. É um tema que eu adoro, desde de moleque. Mas peço desculpas por ter postado o texto “sujo”, digitar direto no “box”, sem reler em com calma dá nisso: palavras repetidas, referencias repetidas…é chato. Mas ando muito preguiçoso pra digitar no Word, revisar e depois copiar e colar.
    Abraço

    Antonio

  2. Antonio Seabra disse:

    A historia de Pierre Levegh sempre me surpreendeu e me cativou: que destino o desse cara. Ao longo do tempo, fui “descobrindo” fatos que so aguçaram mais a minha curiosidade sobre o homem, seus atos e suas consequências.a historia do acidente não deve ser contada por si só. Existem tantos fatos embutidos nela, que é difícil falar do acidente em si, sem visitar todos os ângulos desse polígono.
    A começar pelo nome: Pierre Eugene Alfred Bouillin era seu verdadeiro nome. Seu tio, piloto do inicio do seculo 20, chama-se Alfred Velghe, mas tinha o apelido de Alfred, Le “Vegh”, o que significaria algo como Alfredo, o Veloz. O tio adotou o nome de Levegh, o que seria uma corruptela de Le Vegh. Mais tarde, o sobrinho Pierre Eugene Alfred, esportista (hoquei/tenis/automobilismo), adotou o sobrenome já adotado antes pelo tio: Levegh. Pierre Levegh.
    Depois, o fato que me fez me “agarrar” a historia de Pierre Levegh, eu li nas paginas de uma das primeiras Autosporte, talvez em 64 ou 65: em LM de 1952, Levegh guiou sozinho por 23 horas e 40 minutos !!! Competindo com um Talbot Lago (aliás, lindo carro) contra Mercedes, Astons e Jaguares, Pierre Levegh assumiu a liderança com cerca de 11 horas de corrida, e daí pra frente,guiando com a regularidade de um relógio, só fez estender a sua margem sobre os concorrentes mais fortes. Dizem que o carro já apresentava um vibração no motor, e Levegh não quis entregá-lo a seu copiloto, temendo que esse não fosse capaz de cuidar do carro tão bem quanto ele. Com 23 horas de corrida tinha praticamente 5 voltas de vantagem sobre as Mercedes, e, mesmo que ele reduzisse dramaticamente seu ritmo, essas não iriam mais alcança-lo. Mas Levegh, que a essas alturas estava em estado deploravel, mais parecendo um automato, mantinha sua regularidade espantosa. Faltando menos de 20 minutos para o fim da prova, o Talbot parou na altura de Maison Blanche, com o motor quebrado. Quiça por conta da tal vibração que dera o ar de sua graça lá pela metade da corrida. Ou talvez, como muitos analistas preferem, Pierre, ao reduzir de quarta para terceira, tenha, devido ao extremo cansaço, “espetado” uma primeira e e extrapolado o RPM maximo daquele motor já doente. Fato é que ele já vinha pilotando a algumas horas com o conta-giros quebrado. A imagem de Pierre Levegh sendo conduzido de volta aos boxes, com olhar fixo e aparencia absolutamente exausta, não só fala por si: ela grita !!! Eu talvez só vi essa imagem uma unica vez, nas paginas da antiga (e maravilhosa, na epoca) Autosporte, aos meus 10 ou 11 anos de idade, e jamais a esqueci. Levegh seguiu na minha memoria de menino apaixonado por carros e corridas, e dali pra frente, tornou-se um marco e um icone pra mim. Esse desempenho chamou a atenção de Alfred Neubauer, mitico e rotundo chefe de equipe da Mercedes, que anotou seu nome como uma opção futura.
    Depois de voltar a LM em 53, levando um Talbot de fabrica ao 8 lugar, e em 54, pilotando seu antigo Talbot até ser eliminado por acidente, pretendia voltar ainda com Talbot em 1955. Sua obstinação era vencer Le Mans.
    Levegh sabia que não era tão rapido como as estrelas da epoca, mas sabia também que pra vencer na “Ronde Infernale”, o importante era guiar rápido com regularidade, e isso ele sabia fazer muito bem.
    Neubauer pretendia chamar Paul Frere (epa, olha outra incrível coincidência aqui: Frere é outro dos meus idolos) para guiar o caro numeral 20, junto a John Fitch, pela reconhecida competência do belga em guiar rapido sem espoliar a maquina. Ante a recusa de Frere, devido a compromissos já assumidos, Neubauer chamou Levegh. Uns dizem que foi pela reputação de Levegh em cuidar bem do carro, outros dizem que simplesmente foi para amenizar parte do ódio latente dos franceses contra os alemães, em função da memoria recente da Segunda Guerra.
    Durante muito tempo Levegh foi considerado culpado pelo acidente, mas um outro filme, surgido anos depois, mostrou claramente que o gatilho para o acidente foi o comportamento de Mike Hawthorn. O piloto ingles odiava tudo que fosse alemão, e detesta ser ultrapassado por um carro alemão. estava guiando seu Jaguar no limite, liderando logo a frente de Fangio, na principal Mercedes. Na ânsia de não perder tempo ao parar para abastecer, cortou abruptamente a frente do mais lento Austin Healey de Lance Macklin, obrigando Lance a frear forte e desviar a esquerda, obstruindo a passagem de Levegh, que vinha a mais de 200 km/h naquele trecho. Levegh tentou frear mas atingiu a traseira do Austin, que , por sua forma afilada, serviu como rampa de lançamento para a decolagem da 300 SLR. Dai, o desenrolar do brutal acidente, todos conhecem. O numero de mortos oficial é de cerca de 81 a 87, mas há quem garanta que esse numero foi manipulado, e que a cota real situa-se entre 120 e 130 mortos. Além disso, houve mais de 200 feridos que sobreviveram, com maior ou menor graus de sequelas.
    O grande Fangio comentou, anos mais tarde que Levegh salvou sua vida: momentos antes de colidir com Macklin, Pierre levantou o braço direito, sinalizando para Fangio, o que antecipou a reação e a frenagem do ás argentino, que escapou por pouco de se envolver no acidente.
    Algumas horas mais tarde a Mercedes, que liderava com folga, retirou seus carros da prova. Hawthorn, então se viu outra vez na liderança, e terminou vencendo a prova. Dizem que o ingles, no momento do acidente, estava devastado, por sentir-se culpado. Mas com a liderança da prova, que se transformou em vitoria final, apagou seu sentimento de culpa e deu lugar a uma alegria efusiva. e a partir daí, jogou toda a culpa sobre Lance Macklin….
    Outra curiosidade, 3 anoos depois, logo apos vencer o titulo mundial de F1, Hawthorn viria a falecer num acidente de estrada, quando “botava um pega” com uma Mercedes guiada por Rob Walker. Mike guiava seu Jaguar sedan com preparação especial feita na fabrica, especialmente para ele, ao qual ele denominava “Merc Eater” (devorador de Mercedes). Ele tentou uma manobra de ultrapassagem sobre a Mercedes de Walker (ex piloto e então chefe de equipe de F1), de forma extremamente arriscada, com pista molhada, e num trecho com trilhos de bonde, derrapou violentamente e chocou-se contra um caminhão, morrendo na hora. Não sei se é simplesmente o meu olhar desejoso em ver coincidências nesssa estoria, ou se esse acidente fatal realmente guarda alguma semelhança com o outro, que ele causou em Le Mans, na ânsia de não ser ultrapassado por uma….Mercedes.
    Finalmente, outra curiosidade a mais sobre o triste acidente. Dizem que o ACO (organizador) depois de muitas discussões, resolveu não interromper a prova pois se isso acontecesse todo o publico iria sair do autodromo naquele momento, engarrafando o trafego, o que impediria o movimento das ambulancias para socorrer e transladar os feridos aos hospitais.

    Flavio, desculpe o texto enorme e tardio, mas esse tema, pra mim, é um dos mais apaixonantes da historia do automobiismo e de Le Mans. Não podia deixar de comentá-lo.
    Como referencia adicional, esse ano fui pela primeira vez assistir in Loco as 24 horas de LM. Lá, sentado na arquibancada, na mesma reta dos boxes, porem num setor bem mais a frente do local do acidente, não pude deixar de pensar (muitas vezes) nos restos incandescentes da 300 SLR do pobre Levegh voando sobre o publico.

    Antonio

  3. Michel disse:

    Ah tá! Obrigado, Flávio.

  4. Michel disse:

    Pensei que o maior acidente da história tinha sido aquele da Suiça.

  5. Thiago Moyses disse:

    Como cineasta, animador e fã de corridas preciso assistir. Amei o trailer, parece, mesmo para um curta, bem denso nesse assunto. Do horror do acidente à glória da vitória… Obrigado pela dica! Deve ter exibições por aqui na Europa depois que ficar pronto e se esbarrar com o diretor vou motivá-lo a tentar exibí-lo no Brasil (pelo menos em festivais, porque distribuição aí é difícil).

    Abraços.

Deixe uma resposta para Michel Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>