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domingo, 29 de julho de 2018 - 13:13F-1

HOT HOT HOT (7)

MOGYORÓD (tem tempo) – Sim, eu sei que a corrida acabou de acabar, mas resolvi postar esta gigantesca galeria de fotos mesmo assim porque sempre que venho a um GP fico com a impressão de que tem uma porção de coisas que as pessoas gostariam de saber que existem, mas que no fim acabam ficando ocultas das transmissões de TV, do noticiário que a gente chama de “hardnews”, dos grandes ensaios fotográficos feitos por profissionais talentosos e espetaculares que produzem imagens inesquecíveis e esteticamente impecáveis de um evento como este. O textão sobre a prova sai daqui a pouco do forno.

Antes da largada dei um giro de meia hora, um pouco mais, um pouco menos, pelo paddock e pelos boxes firmemente disposto a produzir o famoso texto “aquilo que você não vê na TV”, ou “o que você nunca viu”, ou ainda “a F-1 que você só vê aqui”. Produzi exatas 40 imagens. Fiz dois cortes, e a galeria caiu para 32 — editar é a arte de jogar fora o que você acha que todo mundo iria adorar, mas no fim das contas ninguém sente falta.

Não coloquei números nas fotos, mas vai ser fácil localizá-las. A primeira fileira vai de 1 a 4, a segunda de 5 a 8 e assim por diante. Acho justo legendar uma por uma. Poderia publicá-las em tamanho grande, mas isso resultaria numa tripa mais alta que a Torre Eiffel. Para vê-las grandonas, é só clicar que teoricamente elas explodirão na tela de seu computador. Ou do celular, sei lá. Então vamos:

1. MEMORIAL – Na parede do edifício que serve como torre de controle e também abriga a sala de imprensa do autódromo, algumas placas homenageiam mortos que fizeram parte da história do GP da Hungria e/ou da Fórmula 1 como um todo. Claro que todos vão notar a placa para Ayrton Senna. Os demais, confesso que não sei quem são.

2. O CARETA – Essa figura aí é novidade para mim. Está numa mesinha colocada numa área da entrada do paddock, mesa esta cercada por alguns bancos de madeira onde as pessoas fazem hora enquanto nada acontece. Não tenho ideia se representa algum deus pré-histórico, ou se é obra de algum artista local. As garrafas d’água não fazem parte de nenhum despacho ou oferenda ao curioso ídolo de pedra. É que alguém largou lá, mesmo, desrespeitando o balofo.

3. HORA CERTA – Relógio chique é outra coisa. Não dá para perder a hora com um desses num poste.

4. CAFEZINHO – Um dos clássicos de todos os paddocks da F-1: o espresso curtíssimo da Ferrari.

5. CADA UM NO SEU QUADRADO - Quando falam à imprensa depois de treinos e corridas, os pilotos da Ferrari têm de ficar diante desse painel aí.

6. COMPOSIÇÃO CUBISTA – Tentei fazer uma foto artística compondo a geometria do caminhão com a do motorhome da Ferrari. Ficou uma bosta.

7. FARNEL – Na Red Bull, a comida é uma delícia. As instalações são luxuosas, há dois bares e um terraço. Essa área à direita aí é reservada para convidados e patrocinadores. Nem adianta tentar invadir que não passa.

8. EU SÓ QUERO É SER FELIZ – Lá embaixo fica o paddock das equipes de F-2 e GP3. Tudo muito mais modesto e raiz.

9. VARANDA GOURMET – Chamar o que a Red Bull tem de “motorhome” é maldade. Aliás, equipe nenhuma tem motorhome, mais, aqueles clássicos — um ônibus com um puxadinho, uma tenda, algumas mesinhas e uma máquina de café. OK, as estruturas vêm em caminhões e são montadas neles, muitas vezes, mas a turma das latinhas ergue um verdadeiro edifício de três andares para encher a barriga de seus convivas. Tem até varanda, de onde se vê todo o paddock.

10. VEJO FLORES – Modesta, a Honda. Ela, sim, tem algo próximo do que a gente pode chamar de motorhome. Sem grandes luxos, com decoração singela na porta. Como não entendo nada de flores nem árvores nem nada, direi que é um vaso com uma cerejeira.

11. BORRACHARIA – Por essa foto dá para perceber por que ninguém consegue entender nada dessa maluquice de pneus da F-1. Vejam a quantidade de modelos diferentes: hipermacio (rosa), ultramacio (roxo), supermacio (vermelho), macio (amarelo), médio (branco), duro (azul claro), superduro (laranja), intermediário (verde), chuva forte (azul escuro). Ficam permanentemente expostos diante do motorhome da Pirelli para que todos tentem decorar até o fim da temporada.

12. AS MINAS NA PAREDE - Lá dentro, no fundo, as famosas fotos de modelos dos calendários que a fábrica de pneus edita todos os anos desde os tempos das carruagens. Sim, ficou parecendo parede de oficina, essa decoração da Pirelli. Gostamos.

13. BIVOLT - Cada carro tem um gerador desses para ser levado ao grid. Ele alimenta baterias, cobertores elétricos para os pneus, laptops, aparelhos de barbear, secadores e ferro elétrico, mesmo aqueles 220 que espirram vapor.

14. NÃO OLHE PRA TRÁS – Casinha de pitwall cheia de computador e monitor de TV não chega a ser uma novidade. Mas reparem bem no meio da cabana. Tem um espelho retrovisor panorâmico para que o pessoal na mureta acompanhe os pit stops sem entortar o pescoço. Só vi na Haas.

15. PIPOCA - Era fim de visita aos boxes, e para expulsar todo mundo é como no carnaval de Salvador: a corda controla quem entra e quem sai. No caso, só quem sai.

16. CASAMENTO DE VIÚVA – Nunca se sabe quando vai chover, ou quando fará sol. Na dúvida, que se leve uma sombrinha que serve para as duas coisas. E quando é laranjão assim, só pode ser da McLaren. Tem ventilador para a chefia, também.

17. MÃE, ASSOPRA! - A plaquetinha nos boxes indica onde fica a caixa com equipamentos para emergências médicas. Tem Band-Aid, mertiolate, algodão, esparadrapo, sulfa, gaze, Engov, Benegrip e desfibrilador.

18. BURRO NA SOMBRA – Um deles deve ser. A repórter da Sky, certamente não. É das mais espertas do grid. A sombra foi fornecida gentilmente pela Ferrari.

19. BAGUNÇA – Pensam que é tudo com código de barras, feito de fibra de carbono e o diabo a quatro? Para montar e alinhar um carro, meu senhor, ainda precisa de gabarito de alumínio. E eles ficam jogados por todos os cantos.

20. DILDO – Foi a primeira coisa que pensei quando vi, me julguem.

21. SEXTUBE – Foi a segunda coisa que pensei quando vi o número, me julguem de novo.

22. OPEN BAR – Na Sauber, desde a chegada da Alfa Romeo, as coisas ficaram um pouco mais sofisticadas. Pode até escolher o drink.

23. CICLOVIA – Lá no fundão do paddock fica esse caminhão da tal “F1 Experiences”, que vem a ser, basicamente, a “11ª equipe” da categoria, com dois carros de dois lugares que levam convidados para dar uma voltinha em alguns circuitos do calendário. E sabem quem toca o negócio? O australiano Paul Stoddart, ex-dono da Minardi, figuraça. Até o ano passado, quem guiava os carros — restos mortais da Manor — eram Patrick Friesacher e Zsolt Baumgartner. Se os nomes metem medo — eu ficaria –, o negócio é pedir a bike emprestada.

24. A CABANA – Longe do luxo dos — vá lá — motorhomes, fica essa pequena barraca da DHL, que faz o transporte da tralha toda da F-1. Dá um pouco de pena, ninguém passa lá nem para tomar um café. Eu acabei fazendo isso, mas não tinha café.

25. EXAGERADO – Foi a McLaren que começou com essa história de erguer castelos no paddock. Não lembro bem o ano, 2000 e alguma coisa, e os caras apareceram em Imola com um trambolho que, na primeira vez, levou cinco dias para ser montado. Cinco dias! Até então, tínhamos motorhomes de verdade — já descrevi acima, ônibus ou carretas de caminhões dos quais se puxava um toldo e estava tudo resolvido, serviam perfeitamente para receber gente, comer alguma coisa e conversar com os pilotos lá dentro. Depois disso, todas as equipes começaram a gastar os tubos para se exibir para cada vez menos pessoas, já que o acesso ao paddock passou a ser muito restrito de uns dez anos para cá.

26. GOOGLE TRANSLATOR – Aparentemente, essa palavra aí quer dizer bem-vindo em húngaro. Gentil, a McLaren.

27. BRUTO – É imponente a pintura dos caminhões da Red Bull. E eles não fazem greve, nem pedem intervenção militar.

28. LUTO – Por causa da morte de seu presidente Sergio Marchionne, semana passada, as bandeiras da Ferrari foram hasteadas a meio-pau. Houve um minuto de silêncio antes da largada, também.

29. A FRESCA – Quando dá de fazer calor na Hungria, é coisa séria. Parece mesmo que ligaram um maçarico no céu. Hoje, durante a corrida, os termômetros marcaram 34°C. Daí advém uma das grandes invenções do homem: o ventilador com aguinha.

30. REFEITÓRIO – Não dá para ver direito porque está escuro, e eu queria que aparecesse a arquibancada lá no fundo para mostrar onde fica a salinha onde comemos alguma coisa quando a fome aperta na sala de imprensa — a luz de fora estragou a fotografia. Há anos, muitos anos, que o cardápio de Hungaroring é o mesmo. Tem café de coador — vocês sabem que no coador é mais forte, né? –, uma máquina de refrigerante sem marca, uma bandeja com uvas, melancia e melão, um treco que lembra um croissant com chocolate, canapés de salame e alface e, no domingo, glória suprema!, os bifinhos a milanesa que são a verdadeira razão de eu vir para cá de vez em quando. São esses bifinhos que estão na foto, junto com pães amanhecidos, bem no canto direito da imagem. Amo esses bifinhos, que são feitos com carne de porco e devem ser comidos frios e com as mãos, que terminam o almoço deliciosamente engorduradas. Acompanham pepinos em conserva, quando há.

31. FUSO – Para jornalistas que nunca sabem direito onde estão, sempre é útil um painel como esse.

32. CONFUSO – Parei para espiar o que o japonês estava escrevendo, mas sem meus óculos não consegui ler.

14 comentários

  1. Mauro Oliveira disse:

    Nos tempos de Ron Dennis esse motorhome da Mclaren era chamado pelos reporteres de “estrela da morte”

  2. virgo disse:

    Gostei da história dos gabaritos de alumínio. Quando na minha vida ia imaginar o quê eram esses troços? Quando na minha vida ia imaginar quea montagem dos carros ainda tinha alguma coisa de raiz?

  3. Flávio disse:

    Muito bom! Obrigado por mostrar o que a Globo não mostra.

  4. José Augusto Sabato disse:

    Gostei do comentário nº 20.

    Mas a propósito, para o Alfredo, quando visitei a sede da FIA tomei um belíssimo pé na bunda, e nem cruzei os umbrais.
    Agora pode entrar??

  5. Ricardo Bigliazzi disse:

    O pessoal continua o mesmo ou tem muita “cara nova” no circo?

    Muito legal esse lado não tão visivel da F-1

  6. RenatoRockshow disse:

    TOP TOP TOP!
    Obrigado.

  7. Silvio Silva disse:

    Que show!!

    Essa parte de dentro do box da F1, deve ser muito divertido, talvez hoje não tanto, mas lá nos anos 80, 90 deveria ser uma festança só.
    Como era antes FG? Você deve ter visto coisas que até Deus duvida!!!

  8. Claudio Arantes disse:

    Gostei muito!

  9. Leo Engelmann disse:

    Flavio, por curiosidade: quanto custa esse café?

  10. Alfredo disse:

    Eu não servia pra ir num negócio desses. Ia pedir essas bugigangas todas, trazer e colocar em caixas de acrílico. Mês passado estive em Paris e visitei a sede da FIA, ganhamos umas canetas do porteiro com o simbolo da FIA. A minha quando cheguei em casa coloquei numa moldura

  11. André Luis disse:

    Mais um texto ótimo!

  12. Fabio Ribeiro disse:

    Muito legal, Flavio, obrigado por todo o trabalho.

    Já que teve uma foto da turma da F2, coloco aqui o comentário: não costumo assistir as corridas, mas hoje vi a reprise da corrida de domingo antes da F1 e fiquei muito bem impressionado, corrida divertidíssima, cheia de brigas e ultrapassagens. Teve uma ultrapassagem dupla do Lando Norris que é daquelas de sair do autódromo e comprar um ingresso de novo, o moleque é muito bom!

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