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quarta-feira, 29 de agosto de 2018 - 22:54F-1

SPA EM CHAMAS (4)

bel181

SÃO PAULO (tudo sob controle) – O que posso dizer a vocês é: férias dão trabalho, quando a gente decide não parar um minuto.

Explicado o atraso. Vamos em frente.

Nada de chuva, apesar de um friozinho de 17°C. Tudo para ser uma corrida chata. Foram muitas assim, nessa que é a pista mais espetacular de todas. Que ninguém se iluda. A gente tem na memória grandes provas na Bélgica. Mas quando o tempo está firme demais, o favoritismo de quem tem o melhor carro sempre se confirma em Spa-Francorchamps, porque todo mundo se espalha pelo circuito rapidamente demais. E aí não tem milagre.

Foi assim, domingo. A bem da verdade, tudo que de importante, dramático, emocionante e decisivo aconteceu nessa corrida se passou na primeira volta. A começar pelo assustador acidente envolvendo Nico Hülkenberg, Fernando Alonso e Charles Leclerc.

Não foi propriamente um acidente incomum — neguinho voando na largada em Spa é algo que acontece de vez em quando. A distância da largada até a freada fortíssima para a Source é muito grande, e como se sabe a aceleração dos carros de F-1 é brutal. Eles chegam lá como se já viessem de cano cheio lá da Bus Stop. Aí, freio frio é uma desgraça. E receio que tenha sido isso, aliado a um erro de cálculo inadmissível do alemão da Renault, que resultou naquela porrada absurda na traseira de Fernandinho.

Na hora, ao ver Alonso voando, exclamei (exclamei!): porra, esse cara ligou o foda-se mesmo! Afinal, dias atrás anunciou que está deixando a F-1 e tal… Ninguém escutou minha exclamação, e então fiquei quieto. E sorte minha que ninguém escutou, porque era uma bobagem sem tamanho o julgamento precipitado.

Nico encheu o carro do espanhol, que decolou sobre o de Leclerc, e todos se espatifaram. Grande Halo, não? Pela marca no carro do monegasco, pode-se afirmar que a gaiola protegeu o piloto, sim. Ah, se não tivesse nada passava direto!, pode argumentar alguém. Gente, nunca se sabe. E mesmo se isso for verdade, e daí? Odeio o Halo, acho feio e outro dia escrevi que, pombas, de vez em quando acontece alguma coisa mesmo, é corrida… Bobagem, também. É horrível, mas se salvar vidas, não dá para questionar.

Houve efeitos colaterais. Na confusão, a asa de Ricciardo foi arrancada e ele tocou em Raikkonen, furando seu pneu. E Bottas acertou Sirotkin.

Felizmente não foram acionadas bandeiras amarelas em toda a pista na hora, e nem o safety-car foi convocado imediatamente — graças ao tamanho do circuito, até todo mundo chegar lá de novo o pessoal teria pelo menos dois minutos para avaliar a situação. Porque foi até a metade da primeira volta que a corrida acabou sendo efetivamente decidida.

Vettel, que perdera a pole para Hamilton no sábado muito em função da chuva, partiu feito um maluco para cima do inglês para aproveitar a sequência velocíssima de Eau Rouge, Raidillon e Kemmel, onde o vácuo chupa o carro de trás lindamente. O mesmo fizeram Ocon e Pérez, que formavam a segunda fila com a nova Racing Point Force India, e na aproximação da Combes, chicane lá no alto, os quatro estavam lado a lado na reta. Belíssima imagem.

Mas ninguém quis virar herói na primeira volta, um cedeu aqui, outro ali, e as coisas se ajeitaram: Vettel freou mais tarde e levou a ponta; Pérez ficou na frente de Ocon, que achou melhor ficar na dele. E quando essa situação estava já resolvida, o safety-car foi chamado, impedindo uma tentativa imediata de reação de Hamilton que até poderia acontecer, no calor da contenda, no trecho bem rápido da Blanchimont — que leva até a chicane construída onde ficava a clássica Bus Stop.

Só na quarta volta a prova foi reiniciada, e Vettel se defendeu bem dos ataques previsíveis, mas talvez um tanto tímidos, de Hamilton. Experiência conta muito, nessa hora. Pérez, Ocon, Verstappen, Grosjean, Magnussen, Gasly, Ericsson e Sirotkin formavam o pelotão dos dez primeiros.

Até a décima volta, Verstappen já tinha se livrado dos dois carros rosáceos e assumido o terceiro lugar para correr sozinho até o fim. Vettel, àquela altura, tinha 3s5 sobre Hamilton. Dizer que a corrida terminou aí não seria exagero nenhum. Raikkonen, pouco antes, havia abandonado com um problema no eixo causado pela volta inteira de pneu furado que dera no início. Um pouco mais adiante, era Ricciardo quem abandonaria, já muito prejudicado pela quebra da asa também no comecinho.

Para não dizer que ninguém suou o macacão para se recuperar, é justo que se mencione Bottas, que largou do fundo do pelotão e teve de trocar o bico logo de cara. Com um carro muito melhor do que os demais, foi escalando o pelotão até chegar em Pérez a quatro voltas do final. Passou e assumiu o lugar que dava, quarto, porque os três primeiros já estavam léguas belgas à frente.

Vettel, Hamilton, Verstappinho, Sapattos, Pérez, Ocon, Grojã, Magnussen, Gasly e Ericsson fecharam nos pontos. Vejam que em relação às posições da primeira volta, inseriu-se apenas Bottas nessa lista, excluindo-se dela o soviético Sirotkin. E o jovem Max, para alegria dos milhares de holandeses presentes em Spa, passou os dois da Force India (não sei ainda como chamar essa equipe). Daí se conclui que a corrida não foi grande coisa. Não esteve à altura dos melhores GPs da Bélgica da história, em resumo.

Foi a 52ª vitória da carreira de Tião Italiano, agora isolado como terceiro maior vencedor da história — atrás apenas de Schumacher e Hamilton. Foi a 214 pontos, reduzindo de 24 para 17 pontos a desvantagem na classificação em relação ao britânico da Mercedes. Tem água para rolar debaixo dessa ponte, ainda. Domingo é na Itália. E, de novo, pode-se afirmar: em condições normais, sem chuva, punições, acidentes esquisitos com terceiros, a Ferrari é favorita. Neste momento do campeonato, seu motorzão anda fazendo a festa. E, em Monza, é tudo que se precisa.

26 comentários

  1. CRSJ disse:

    O Vettel deixou o Hamilton comendo poeira e coçando a cabeça até agora, ele e a Ferrari que aproveitem esse momento de reação sem errar. O Alonso acaba decolando pela segunda vez em Spa tendo dessa vez o Halo como diferença que acabou sendo útil pro Leclerc nesse choque na largada provocado por Hülkenberg. Depois da confusão da largada a corrida acabou sobrando a recuperação do Bottas que chegou em quarto e a festa da torcida holandesa nas disputas do Verstappen que chegou em terceiro.

  2. Bruz disse:

    kkkkkkkk
    Que tal a Force Pinky Point India??

  3. Paulo Pinto disse:

    Spa separa os homens dos meninos. Mais uma vez e pela última vez concluímos que Alonso não passa de um menino. Em 15 (quinze) participações no circuito e pilotando três carros vencedores, o espanhol NUNCA conseguiu vencer em Spa. E não é só. NUNCA fez pole em Spa e NUNCA fez volta mais rápida em Spa.

  4. murilo medeiros disse:

    A ultrapassagem de Vettel sobre Hamilton foi das mais bonitas que vi. Lembrando que foi à moda antiga, sem asa móvel, e com o agravante das duas Force Índia no “cangote”. A imagem dos quatro carros lado a lado no final da reta foi incrível. Pena que a corrida foi chata. Eu até cochilei no final.

    Entrou para minha lista de favoritas

    Hakkinen sobre Schumacher Spa, 2000
    De La Rosa de McLaren sobre Schumacher na Hungria, 2006 (poucos lembram)
    Rubinho de Willians sobre o Schumacher na Hungria, acho que 2010
    Massa vs Kubica, duelando na chuva por um 6 lugar, não lembro ano, nem circuito
    Massa passando 2 no hairpin do Canadá, não lembro ano, nem circuito
    Rubens dando x no Schumacher na França 99

  5. Plinio disse:

    Oi Flávio, o que achei mais legal no dia seguinte que o Kimi postou no Instagrão que terminou a casa de madeira para o filho dele que ele fez sozinho em vez de reclamar do toque e de perseguição. Esse cara tem que ficar até uns 60 anos correndo.

  6. Mônica disse:

    O meu gatão não mereceu largar no meio da pista que ele mais conhece! Ficar sem gasolina é coisa de brasileiro. Como é que pode? Olha só! Sobrou pra ele. Isso não existe!

  7. café concreto disse:

    Perdurando o uso do halo, provavelmente é mera questão de tempo o acontecimento dalgum acidente bizarro em que uma lasca do troço acabe impalando o piloto. Automobilismo é intrinsicamente perigoso, a mera velocidade sempre vai garantir isso. (Aliás, viver é perigoso – qualquer coisa que valha a pena inevitavelmente envolve riscos.)
    Pra mim é cockpit fechado ou não. O halo é um péssimo meio termo, uma reação a um acidente em que sua presença não teria feito a menor diferença. É uma questão mais de marketing (inclusive pra proteger Charlie Whiting, que na minha opinião deveria ter sido demitido) do que de segurança.

  8. guest disse:

    Em apenas uma corrida, a Force India (que teve os pontos zerados) somou 18 pontos, passando a Williams (4) e ficando a 1 ponto da Sauber (19); ainda, poderá em breve ambicionar a 7ª posição da Toro Rosso (30 pontos).

  9. Peter von Wartburg disse:

    O senhor anda um tanto relapso com nosotros…

  10. Jonivan disse:

    Acho que o rachado é só na pintura…

  11. Rodrigo Rocha disse:

    Te cobrei logo depois do jogo da Lusa e a cobrança surtiu efeito rápido…kkkk

    PS: sou o chato que pediu para tirar uma foto contigo na saída do jogo.

  12. Paulo Pinto disse:

    As penalidades que o “Lambe-Bottas” recebe dos comissários após a corrida, diga-se de passagem, nunca ultrapassam a distância para o colocado que vem a seguir. Mesmo punido, o Finlandês-Batedor nunca perde a posição. É, no mínimo, estranho.

  13. Ron disse:

    Ainda bem que nada aconteceu no acidente, mas depois fiquei preocupado ao ver um vídeo, ainda durante a corrida, mostrando o Halo da Sauber do Leclerc aparentemente rachado. Será que aquilo realmente aguenta um tranco forte ou a Sauber não usou bons materiais ali?

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