TETRA, 25 | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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quarta-feira, 26 de setembro de 2018 - 20:09F-1

TETRA, 25

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RIO (saudades da terrinha) – Hoje o quarto título mundial de Alain Prost fez 25 anos. Dele me lembro bem, pois estava no Estoril naquele 26 de setembro de 1993 e a F-1 não falava de outra coisa que não fosse o iminente anúncio da chegada de Ayrton Senna à Williams para seu lugar. O tetra nem comoveu muita gente, pois era questão de tempo. Campeã em 1992 com Nigel Mansell, a Williams era barbada para a temporada seguinte, ainda mais com alguém como Prost ao volante. Seu companheiro de equipe era o opaco Damon Hill, e Senna, seu maior rival, não tinha carro para brigar seriamente pelo campeonato — embora tenha vencido cinco GPs, numa temporada que, para muitos, foi a melhor de sua carreira em termos de pilotagem.

Fui dar uma olhada na minha cobertura daquela corrida pela “Folha”. O tom era esse mesmo: quando Senna será anunciado pela Williams? Mas é claro que o Professor, como Prost era chamado, mereceu muito destaque. Num texto publicado em itálico, que na época indicava que seu conteúdo era opinativo, não noticioso, chamei o francês de anti-herói e relatei até detalhes sobre seu jantar na véspera num restaurante de Cascais onde eu, por coincidência, também fui alimentar a alma — em Portugal se come tão bem que é como me sinto quando estou à mesa na terrinha.

Schumacher ganhou aquela corrida, sua segunda vitória na F-1. Outro que se destacou foi Mika Hakkinen, que assumiu o carro da McLaren no lugar de Michael Andretti e se classificou na frente de Ayrton no grid. Mas acabou batendo. Senna quebrou. Prost fechou a conta com um segundo lugar clássico: sem arriscar muita coisa contra um jovem alemão que, segundo ele, se defendia “de modo muito agressivo”.

Amanhã, no “GP às 10″, falo um pouco desse fim de semana e dos dias seguintes, em que fiquei no Estoril para cobrir os testes que várias equipes fizeram na pista portuguesa. Isso porque tinha agendada uma exclusiva com Senna, na qual ele falou sobre um certo plano secreto para o futuro que eu só fui saber qual era anos depois, quando Jean Todt contou que já tinha acertado com o brasileiro para que ele corresse na Ferrari depois de dois anos na Williams — ele queria igualar Fangio, para só então realizar o sonho de vestir o vermelho de Maranello; o acidente de Imola no ano seguinte não permitiu nem uma coisa nem outra.

Foram dias curiosos. Mesmo já oficialmente desligado da McLaren, Senna foi escalado para testar um carro todo branco com motor Lamborghini que nunca seria usado pelo time — a Peugeot foi sua fornecedora em 1994. E testou. Também naquela sessão de treinos  Gil de Ferran teria uma chance com a Footwork, mas acabou dando uma cabeçada na porta de um caminhão da equipe, perdendo a oportunidade de mostrar o que tinha a oferecer.

Loucos, os anos 90.

23 comentários

  1. Comentarista Crítico disse:

    Piloto fantástico. Mas era cagao demais na chuva. E era isso que o fazia ser ofuscado por Senna. E sobre os pontos positivos: O que eu mais gostei no Prost como piloto era sua grande capacidade de vencer corridas largando em posições desfavoráveis. Coisas que pilotos atuais como o Vettel precisam aprender e mostrar urgentemente

  2. CRSJ disse:

    Alain Prost ficou com a maior performance de sua época com seu Tetracampeonato depois da morte de Senna. O Senna por sua vez nem queria disputar aquele campeonato de 1993, ele nem assinou contrato, ele até pensou em não disputar o GP Brasil daquele ano onde venceu, tudo pela obsessão em pilotar aquele foguete chamado Williams, mas não tinha jeito era a McLaren naquele ano ou nada, o Senna só assinou contrato lá pelo GP do Canadá pra ir até o fim do ano por exigência da McLaren. Aquele campeonato de 1993 não foi ruim pro Senna tendo cinco vitórias sendo Vice, só que por força do destino o ano 1993 acabou sendo sua última temporada completa na F-1. Pra quem assistiu nem parece que passaram 25 anos, tudo isso parece que foi anteontem.

  3. Eduiardo_SC disse:

    Depois desse GP, o ano de 93 ficou muito legal. Tenho essas corridas gravadas.

  4. Pdr Rms disse:

    Se o Senna tivesse sobrevivido, acho que provavelmente teria perdido os campeonatos de 94 e 95 para o Schumacher. Nessa situação, vocês acham que ele honraria esse acerto e passaria os anos finais da sua carreira naquela Ferrari (até então) mambembe, reduzindo suas chances de conquistar o tetra?

    • Mansell disse:

      Damon Hill perdeu o de 94 por 1 pontinho quando jogaram o carro nele. Sena ganharia se nao fosse o acidente. O de 95 seria do alemão sem dúvida

    • Zempa disse:

      Em 94 Hill chegou na última corrida com chance de ser campeão. Bastava chegar na frente do Schumacher. Perdeu o título pq o alemão jogou o carro em cima.

      Se o Hill tinha chance de ser campeão naquele ano vc acha que o Senna não teria?

      • Paulo Pinto disse:

        A FIA, tentando manter a temporada de 1994 competitiva, cansou de arrumar punições para Schumacher. Por isso, o Maior do Mundo chegou na última prova com apenas um ponto à frente de Hill.
        Confira a temporada em pauta no STATSF1, Seasons, 1994 e verá, por exemplo, que Berger ganhou na Alemanha com a mesma quantidade de assoalho gasto com que Schummy ganhou na Bélgica e o austríaco não foi desclassificado.
        Schummy foi desclassificado e suspenso pelas duas corridas seguidas, por problemas de bandeiras na Inglaterra.
        Nem assim conseguiu ganhar o título? Perdeu, playboy? Tá perdido!E tem outra: BATEU E TÁ BATIDO! Valeu, “Dick Vigarista”!

        Schummy forever!

      • perna quebrada disse:

        Paulo Pinto,
        Schumacher venceu 8, Hill 6
        Schumacher, não pontuou em 4 (sem contar as punições), Hill em 4

        A campanha dos dois foi muito parecida, se Schumacher tivesse corrido as duas que foi suspenso, chegariam próximos na pontuação da mesma forma na corrida da Austrália.

        E vamos combinar que aquela Benneton era mais irregular que o mandato do Temer.

      • Paulo Pinto disse:

        Perna, você está chamando a FIA de cega ao alegar tais irregularidades.
        A campanha dos dois foi muito parecida? Onde, cara-pálida?Agora, vamos aos fatos:

        A vitória cassada na Bélgica seria suficiente para Schummy ser campeão antes da Austrália. Os 10 pontos mais 1 dariam 11. Hill não passaria de vice, mesmo que vencesse a última e Schummy quebrasse.
        Simples assim.

  5. Brabham-5 disse:

    Pra mim, “se defender de modo muito agressivo” é jogar o carro em cima do rival já logo na largada, e com isso conquistar um titulo.
    Prefiro outros campeões, obrigado.

  6. Paulo Pinto disse:

    O piloto que mais se aproximou de Fangio, até então.

  7. T. Leal disse:

    Adorava aquela Williams com patrocínio da Sega e Sonic the Hedgehog no capacete do Prost.

  8. joao disse:

    3 paginas sobre F1 no maior jornal do BR.

    Bons tempos…..

  9. ms disse:

    sinto saudades de ver “o professor” correr…..dono de um estilo único de pilotagem que com seu gesto de vir ao enterro do senna depois de todas baixarias que o piloto brasileiro fez pra ele principalmente quando disputaram o título mundial mostrou ao mundo toda a grandeza do seu ser…. vida longa para nosso querido professor que ensinou a todos coisas importantes dentro e fora das pistas!

  10. almir angelo disse:

    E aí Flavim! Bons tempos aquêles. Não tínhamos que nos ficar preocupados em ficar vigiando a polìtica aqui no Brasil igual à hoje. A nossa preocupaçâo era se o Airton ou o Piquet faria de forma correta as curvas à direita ou à esquerda (sic).

  11. Mansell disse:

    Que saudades desse tempo. Eu devorava jornais. Fds era Estadão, Folha e Lance. A dona da banca reservava para mim em finais de semana com corrida. Eu preferia ir na banca mesmo. As vezes lia a noite.

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