“GP ÀS 10″: BOECHAT | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019 - 11:36Gomes, Grande Prêmio

“GP ÀS 10″: BOECHAT

Tô aqui colocando o despertador pra tocar. 7h30, porque ele sempre atrasa um pouco. Ouço na cama, levanto e vou pra vida. Nos meus últimos anos cinzentos e sombrios de São Paulo, era no carro que escutava, muitas vezes parado na frente da padaria, ou antes de cair na piscina para nadar feito um náufrago, arrumando motivo para ficar na rua. Já no Rio, que delícia a descoberta de um lado que não conhecia direito, o de alguém que ama sua cidade e dela nunca se esqueceu. E por ela zelou até o fim. Foram lições diárias de lucidez, sarcasmo, inteligência, delicadeza e sinceridade no ar. A sinceridade-modelo, aquilo que todos nós deveríamos ser sempre, principalmente com um microfone na mão. Secretamente, procurava fazer algo parecido. O mais perto que cheguei foi ter um Twingo. Isso nos fazia membros de uma seletíssima sociedade secreta, a dos sinceros que andam de Twingo e se escancaram no microfone. Minha doce Veruska, seu marido não deixou sucessores. Nós, que professamos a mesma fé no jornalismo, podemos no máximo tentar seguir seus passos, ainda que sem a mesma firmeza e talento, cambaleantes e confusos. Quanto ao Twingo, sei uma ou duas coisas sobre esses carrinhos que ele não devia saber porque não tinha tempo para irrelevâncias. Mas se precisar, cuido dele. Já coloquei o despertador para as 7h30. Vou ouvir o que for, levantar e sair para a vida, como sempre fiz, até acabar um dia, como tudo.

40 comentários

  1. Paulo Pinto disse:

    Quem tem o dom da palavra e a deixa escrita, não morre nunca!

  2. cristiano disse:

    O twingo foi transformado em um sofa na casa dele e mais algumas peças de obras de arte. Em uma entrevista para o Raphinha Bastos no you tube ele conta a Historia da doação para um artista plástico e o sofa que ganhou de presente de volta. Infelizmente acho que não existem fotos do sofa.

  3. Marcio Macedo disse:

    Flávio, no passado deixei de segui lo pois achava na época que sua tendência política não cabia num blog automotivo, fiz um comentário e vc simplesmente respondeu “não precisa me seguir” o que fiz imediatamente, mas na época do seu Twingo o acompanhava diariamente, quando veio a morte do Boechat lembrei da sua história e imediatamente entrei no seu blog para ler sua coluna sobre ele, realmente vc continua com o dom da palavra, parabéns

  4. René disse:

    buenas, buenas, em momentos de perda como esse nem sei se importa muito as coisas fazerem sentido, algum sentido…. as conexões estão lá e “explicar” talvez não seja muito coerente, simplesmente por só estar lá e no fundo de cada um é o que importa, não explicar… confesso, não sei pq, também lembrei dele com o Twingo..

  5. Samuel Pavan disse:

    Flavio,

    Hoje tem uma matéria no G1 sobre a Leiliane, a moça que ajudou a retirar o motorista do caminhão das ferragens, e que inclusive está lutando contra uma doença perigosa e potencialmente fatal no cérebro.

    É uma lutadora como muitos milhões por aí, diz que tem indicação médica pra fazer tudo, menos desentortar porta de caminhão, e tem a humildade de negar os rótulos fáceis que dão a ela nesse momento.

    E há um ponto que pode ser jornalisticamente interessante aqui (talvez mais que o Dia da Tartaruga): ela posa para uma foto com a família na frente de casa e atrás deles está um nada prosaico… Twingo! Que coisa! Obviamente que não sei se o carro é deles… mas que é curioso, é.

  6. Antonio disse:

    Boechat não era o melhor no que fazia.
    Ele era o ÚNICO.
    Que seu legado ilumine as pessoas que tanto o admiravam.

  7. Leandro Batista disse:

    O cara foi picudo o suficiente pra mandar o Silas Malafaia ir procurar uma rola. Sem mais…

  8. Antonio disse:

    Nem sempre concordava com as opiniões dele, mas era uma referência na Radio. Ele pelo menos tentava ser imparcial,, coisa rara no jornalismo de hoje tomado por ideologia e sensacionalismo. Um jornalismo de verdade na era do anti jornalismo.

  9. Paulo F. disse:

    Twingo , um carro que sorri para você!
    Fui leitor assíduo do Boechat quando este escrevia no JB.
    Sei muito bem como é a vida quando tempos bicudos vem!
    Mas não duram para sempre, sds Gomov!

  10. KLEBER REZENDE disse:

    A dor da perda do Boechat, minha companhia nos últimos 7 anos, é comparável a perda daquele amigo, aquele familiar querido, que você escutava, que podia não concordar, mas era lúcida suas ponderações,desde segunda-feira está um imenso vazio. Está sendo difícil chegar e ligar o PC correndo para ouvir o bom dia as 7 e poucos….. Duas pessoas que conheci na mídia que admiro e era metas conhecer era o Boechat, não deu tempo. Mas o Flavio Gomes é o outro que tenho como este amigo, este tive a felicidade de me encontrar, de conversar. Quando Boechat esteve em BH , o arrependimento de não ter largado tudo e ir no Mercado Central pelo menos para um Bom dia!

  11. FUMIO KURIHARA disse:

    Flavio, espero que você mantenha a sua dose de revoltado e indignado, sem medo de se expor e discutir quando deve ter discussão. Isso o Boechat fazia na radio, as vezes não concordava com ele, mas a mãe dele foi muito mais incisiva. Espero que o país escute vocês e consiga tornar a vida um pouco mais justa.

  12. Sergio Balbino disse:

    Sem palavras, Flávio…

    Engraçado que, eu fico imaginando… o Boechat foi um cara tão sensacional, que de alguma forma, parece que todo mundo tem uma história com ele.

    Eu tive a minha, em 2016. O “conheci” pessoalmente em uma palestra que participei. E na época eu tinha um carrinho tão simples quanto o Twingo dele.

    E sim… ele foi meu “companheiro” todos os dias de manhã dentro deste carrinho no caminho do trabalho.

    Belo vídeo Flávio…

    Obrigado, Boechat….

  13. Alexandre Neves disse:

    Acordava ávido por ouvir o comentário do Boechat sobre as notícias. Sempre me fez pensar e ver as coisas de outra óptica. O tempo passa e a gente vai ficando cada vez mais órfão.
    Bonita e sincera homenagem: Twingo.

  14. Marcelo Soutello disse:

    O cara se dizia ateu, mas tinha mais atitudes cristãs, que muita gente que bate ponto nas igrejas. E por falar em enterrar os mortos, ainda não consegui enterrar Jacarepaguá!

  15. Thiago Azevedo disse:

    Aqui em casa todos ficamos tristes. Não sei se a expressão ficar órfão é correta. Difícil descrever. Perdemos alguém que estava atento ao meio político (meio que, na sua maior parte, existe para nos esfacelar) e de alguma maneira nos representava e até nos protegia, pois batia de frente com a caterva que está deitando e rolando no poder. Apesar de estar em uma emissora de TV, mesmo que não fosse infinita, ele tinha uma independência que outros jornalistas não têm. E isso é fundamental, para que tenhamos a real consciência do que está acontecendo. Essa publicidade imparcial de alguma forma nos dá algum tipo de proteção. Quanta coisa ruim acontecendo… Força para a família, amigo e ouvintes.

  16. Marcio Marolla disse:

    Flávio, como leitor de longa data do seu blog, ao ouvir a notícia lamentei por uns instantes e logo também lembrei do Twing.

  17. Ivan Drumond disse:

    Eu ouvia sempre a Bandnews pela manhã por causa do Boechat. Era muito bom, eu concordava quase sempre com as opiniões dele. Na TV eu nunca ligava, ele parecia outra pessoa (o rádio dava mais liberdade, podia inclusive falar palavrões). Que vá em paz nessa nova dimensão, por aqui fará muita falta.

  18. Marcelo Kozak disse:

    Flavio, nessas horas de luto, tudo o que a gente espera de um amigo é ganhar um abraço, apertado, não precisam palavras. Você, falando desse modo, emocionado, foi como tivesse me abraçado. Obrigado.

  19. Celio Ferreira dos Santos disse:

    Morreu o homem , ficou a obra do jornalista , ficou o mito …

  20. Tales Gaede disse:

    Não será fácil aparecer um âncora com o carisma e a competência deste argentino filho da mãe. E o Malafaia tá curtindo as rolas?

  21. LUCIANO RIZZI disse:

    Vocês, jornalistas de verdade oriundos da mídia escrita, nos conferem um certo grau de intimidade. E essa transição para as novas mídias fez este grau se aprofundar. Curiosa esta relação, mas uma das muitas inexplicáveis da humanidade.

  22. Jonny'O disse:

    Fiquei revoltado ontem, o dia todo , eu o escutava todo dia a noite, no replay do you tube, se vai uma voz que iluminava a consciência popular, todo dia um pouquinho tirava as pessoas do breu que seus pensamentos cegos tateiam pelo dia a dia.

  23. Zé Clemente disse:

    O rádio é uma coisa realmente poderosa. O fim de um cara desse pode fazer você sentir falta dele, ainda que não o conheça. O rádio tem esse poder de fazer o cara no microfone deixar a sensação de que está próximo a você.
    Eu ouço todos os dias a cultura FM. Preciso de uma música para “sintonizar” a mente.
    Mas faz cinco anos que acordo muito cedo e voltei a ouvir noticiário no celular com fones de ouvido. E o Boechat acabou intensificando essa vontade de ouvir notícias e conentarios.
    Acho sinceramente que os ouvintes da Band devem moralmente a audiência daqui em diante. Fico tentando imaginar a solidão do Barão e os outros integrantes, que já contavam habitualmente com uma programação de trabalho com um amigo tão importante para eles.
    Da minha parte podem contar com a audiência, ainda que falte o Boechat, que nunca mais retornará.

  24. diego zomer disse:

    Que tempos, Flavinho…

    Não conhecemos pessoalmente o Boechat, assim como não nos conhecemos pessoalmente. E creio que nunca venhas a me conhecer, assim como a grande maioria de seus leitores. Natural, faz parte da coisa pública dos meios de comunicação. Mas nós o conhecemos. Os conhecemos. Fazia parte de grande parte das minhas manhãs, e quando não pelo rádio (coisa que ficou difícil na minha volta à Florianópolis) o ouvia posteriormente pelas mais diversas mídias sociais. Mas especialmente nas manhãs sua companhia era importante, era como começar o dia com um briefing de notícias e um comentário sobre as mesmas que te colocava a par do que acontece no mundo ao seu redor com um ponto de vista que muitas vezes ajudava a enxergar melhor aspectos dos assuntos mais nebulosos que nos vimos enfrentando nos últimos anos.
    perdemos alguém que sentava conosco na mesa do café da manhã, no banco do carro, na mesa do escritório, no balcão da padaria.

  25. Sanzio disse:

    Respeitava muito o Boechat. Era uma voz sóbria na época do impeachment.
    Não o ouvia na radio, mas assistia toda noite o Jornal da Band. Fui um fiel expectador ate o fatídico dia em que ele leu ao vivo o editorial da Band em apoio ao golpista do Temer, quanto a emissora se converteu de vez em panfleto golpista-partidário. A partir desse dia nunca mais assisti à Band. A última vez que o vi na TV foi no debate com os presidenciáveis.
    Salvo esse deslize, que marcou sua carreira, foi um profissional que fará falta.

  26. jader disse:

    Boechat fará falta, os comentários dele durante o Café com Jornal eram muito interessantes de acompanhar.

    Chama a atenção aquele objeto ali atrás de ti, no qual está escrito: “Brigade der Sozialistischen Arbeit”.

    Sensacional.

  27. Zé Maria disse:

    Não se preocupe com o alegado “Não faz sentido”, Flavio.
    Pois saiba que faz, e muito!
    Simplesmente porque falou com o coração e a emoção, com a dor e a saudade, pela perda do Boechat, nada de obituário datado e previsível.

  28. Comentarista Crítico disse:

    Grande jornalista! Que esteja com os anjos.

  29. joel lima disse:

    Se eu fosse falar sobre duas coisas que me marcaram ouvindo Boechat, uma é a dupla absolutamente entrosada com o José Simão. Os dois tinham uma química simplesmente total. E outra é quando do episódio do bairro do Pinheirinho, em que o bosta do Alkmin ( a única alegria que tive nessa eleição presidencial foi esse fdp ficar empatado tecnicamente com o João AmebaAmoedo) mandou tirar, acho que em 2007 ou 2008, a bala um bairro inteiro que foi criado sobre o terreno do verme Naji Nahas – e que claro a nosso justiça disse que o verme tinha que pegar o terreno dele. . E no final do comentário dele sobre a barbaridade que aconteceu, ele toca uma música, se não me engano alemã, que era cantada pelos avôs de sua mulher Veruska. É de arrepiar.

  30. murilo disse:

    Tanta gente desprezível no mundo e morre logo o Boechat. A roleta do universo errou feio.

  31. ricardo leme passos disse:

    Jornalismo com independência!! Ele vai fazer muita falta!!! Uma pena..

  32. Ricardo Bigliazzi disse:

    Claro que conhecemos!!! Como exemplo cito o que uma ouvinte disse hoje pela manhã na BandNews, Ela disse que ia todo o dia para o trabalho com o Boechat sentado no banco da frente do seu carro e o resto da equipe da BandNews no banco de trás.

    Vocês (jornalistas, artistas, e todos os outros “famosos” – para generalizar) convivem com a gente diariamente, nós os convidamos a partilhar as nossas vidas quando acessamos os conteúdos que vocês “distribuem” pela mídia que for.

    Em uma “mesa redonda de esportes” vocês estão sentados em minha sala de estar, quando leio o seu blog, estou interagindo contigo, diretamente… como não “ser próximo”??? Caramba, você manda a gente de vez em quando para “cada lugar”… e a gente volta… rs rs rs. Isso só acontece para quem a gente conhece e gosta, mesmo que tenhamos diferenças de crenças praticamente inconciliáveis.

    Deve ser estranho pra caramba para Vocês mas isso acontece sim, e com todos nós.

  33. Rodrigo Moraes disse:

    Falar do Twingo num obituário não faz muito sentido mas serviu pra confortar a gente também, com uma história mais leve do que as que a gente está vendo diariamente nos meios de comunicação. Valeu o esforço!

  34. Andre disse:

    Pensei que haveria um textão.

  35. Thiago disse:

    Tem razão Flavio, as vezes a sensação é que de fato conhecemos, sensação de que somos próximos , somos amigos.
    Sempre escuto a CBN e existem alguns “personagens” que você cria uma empatia, e este era o meu caso com o Boechat.
    Fiquei triste, é uma perda, que pena.
    Que Deus conforte e de muito carinho a família dele.
    Abraço Flavio.
    Até breve.

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