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terça-feira, 17 de julho de 2012 - 13:00Nas asas

5 ANOS

SÃO PAULO – Hoje faz cinco anos do maior acidente aéreo do Brasil. Eu estava por perto, moro perto. As cinzas ficaram por alguns dias na varanda. Cinco anos atrás, escrevi algumas coisas, depois de ir até lá. Reproduzo, caso alguém se interesse. Hoje vão inaugurar um memorial no local. Num dia tão frio e chuvoso quanto cinco anos atrás.

O silêncio da morte

Chove sem parar. Conheço a área. E não há por que alguém impedir minha passagem. Chego à larga avenida, que liga o norte ao sul. Pela contramão. Há um silêncio ensurdecedor, escreveria alguém. Nem o fogo crepita.

Encosto o carro. São poucos metros até as chamas, a fumaça e os carros de bombeiro. Aquele cheiro de novo.

Fico ali, olhando. Há uma fita impedindo as pessoas de passarem, mas não há muitas pessoas, e as que há não querem passar. E as que querem passar, passam. Ninguém fala, só o fogo e a fumaça.

Fico por ali, saio a pé. Nas casas e nos prédios vizinhos vivem pessoas vivas. Há silêncio e vida. Algumas luzes acesas, alguns televisores ligados para ver melhor o que está acontecendo ali do lado.

Há alguns bares abertos e toma-se café. Pego o carro, vou até o outro lado. Empaco atrás do caminhão de lixo. É preciso recolher o lixo, eles recolhem o lixo. Desviam ali, aquela quadra vai ficar com lixo esta noite. Espero recolherem o lixo. Atrás de mim, dois carros do IML esperam também, sem pressa.

Paro o carro de novo, sobre a calçada, olhando para a cabeceira xadrez. Não há sinal algum que explique nada, apenas um prédio do outro lado da rua ardendo, e a chuva que não pára.

Chegam quatro jovens. Uma moça chama o policial e pede para ir a algum lugar onde lhe digam alguma coisa. Minha mãe estava lá. No avião, diz, sem desespero. Era para estar, acrescenta.

Aquele cheiro de novo, agora com chuva. Volto ao carro, que anda lento e silencioso. Não tenho muito mais o que fazer ali. Nas casas lá perto as TVs já foram desligadas. Há silêncio, escuridão e normalidade. Há um motel funcionando. Há um hotel um pouco além, com manobrista e gente na recepção.

Está tudo normal. Só aquele pedacinho ali é que está meio esquisito, sai fumaça. Amanhã limpam tudo.

62 comentários

  1. Carlos Camacho disse:

    Sete feridos devido a derrapagem avião da Gulf Air
    Um Airbus A320 da Gulf Air, sedeada no Bahrein, sofreu no domingo (22/07) uma derrapagem na pista quando aterrava no aeroporto da cidade de Kochi, na Índia, incidente que deixou feridos sete passageiros, segundo as autoridades locais.

    O acidente ocorreu às 03:55 locais quando a aeronave aterrava no aeroporto internacional de Kochi, no sul da Índia, proveniente do Bahrein, tendo causado pânico entre os 137 passageiros, com muitos a saltarem pela porta de emergência, sem aguardarem a chegada das escadas.

    A Gulf Air tinha indicado anteriormente que o acidente tinha causado um ferido de nacionalidade indiana, que foi hospitalizado encontrando-se em situação estável.

    Comentário:
    Anexei esse artigo para que vejam que, como a coisa anda atualmente em termos de segurança numa evacuação de emergência e, se se considerar que os passageiros sentados próximos às saídas são considerados pela ANAC como TRIPULANTES POTENCIAIS…!?! Se resolverem agir como os passageiros citados no artigo, ledo engano pensar que os ‘nossos’ (passageiros) seguirão os Comandos da Tripulação. Na hora do pânico é cada um por sí e Deus depois a gente vê…! No decurso da investigação saberemos mais. É só aguardar. Abrçs. CC.

  2. Carlos Camacho disse:

    NOTA IMPORTANTE.
    Senhores: recomendo cautela; o texto abaixo é longo e pode não ser nada interessante. Portanto, antes de partirem para a próxima frase, pensem se vale a pena continuar…! Minha intenção foi e é: contribuir para o Debate Saudável. Fim da nota!
    Bons comentários. Aproveitei o conteúdo de muitos…! Penso não ter muito que acrescentar mas, penso tb que muita gente talvez nem imagine que um acidente deve deixar-nos um legado em termos de aprendizado. Ou seja, deve-se tirar algum proveito daquele que já aconteceu para que outro possa ser evitado. O último acidente conhecido com aeronaves do fabricante da aeronave que acidentou-se em 17 de Julho de 2007 (199 vítimas fatais) é o que deu origem ao Memorial. Foi em SP e foi em nosso país. O primeiro conhecido pelo mesmo motivo (assimetria de manetes de potencia) também foi no Brasil. Só que em Porto Alegre, com um A300 da extinta Cruzeiro do Sul em 07 de Dezembro de 1981. Nenhuma vítima fatal, GAD. Quase 26 anos passaram por nossas janelas, as janelas da vida. Mas a coisa não parou por aí não…! Entre esses dois eventos desastrosos mais de uma dúzia de outros acidentes e incidentes – com literais saídas de pista – aconteceram. Em 2006 houve uma tragédia com mais de uma Centena de mortos em IRKUTSK, na Rússia. Um ano antes do nosso acidente em Congonhas. Se tivessemos investido em a-p-r-e-n-d-i-z-a-d-o não teríamos 199 vítimas fatais…! Então, o erro não foi dos pilotos. O erro foi dum monte de gente que não pensou em aprender e depreender com todos os eventos acontecidos (e registrados pelo próprio fabricante da aeronave acidentada em Congonhas) que, trocando informações e conhecimento, teriam evitado o de Irkustsk e o de Congonhas…! O fabricante frances até chegou a emitir um Boletim com status “DESEJÁVEL (Desirable)” à todos os Operadores que tivessem – em suas frotas – aeronaves sem tal programa que, com certeza, teria CONTRIBUIDO SIGNIFICATIVAMENTE para evitar o acidente, visto que os pilotos teriam sido AVISADOS que as Manetes de Poténcia estavam assimetricamente posicionadas. Uma alteração muito pequena teria sido SALVADORA. E os acidentes de Irkutsk e Congonhas não teriam ocorrido…! Pouco mais que 320 aeronaves voavam pelo mundo sem o tal Dispositivo (denominado H2F3). Pouco mais que 60 no Brasil…! Por certo a CULTURA da operadora tb contribuiu…! Aliás, o CENIPA poderia muito bem incluir em suas próximas (as que foram foram) investigações de acidentes, incidentes e ocorrências de solo mais um FATOR CONTRIBUINTE (além dos Fatores Humano, Operacional e Material). Que Fator seria esse? É nada mais nada menos que o FATOR ORGANIZACIONAL. Muitas da Falhas Latentes vão se juntando e, em dado momento, habilitam a Falha Ativa e, aí, o acidente, incidente ou ocorrencia de solo acontecem. Falhas Latentes podem ser monitoradas, controladas e eliminadas. As Falhas Ativas, essas não, essas são quase-impossíveis-de-serem-’dominadas’. Daí, fica a estatística: mais de 70% dos acidentes são resultado de Falhas Humanas (Fatores Humanos). Mas o que – a meu ver – e creio que do CENIPA também – contribuiu sobremaneira para o acidente de Congonhas foi, além da ASSIMETRIA DAS MANETES DE POTÊNCIA (THRUST ASSYMETRY) foi o ASPECTO PSICOLÓGICO contido no consciente e no inconsciente dos pilotos que alí pereceram. Dados estavam “registrados” em suas mentes e corrente sanguínea: o acidente com o ATR-42 da Pantanal no dia anterior; os repórtes de pista escorregadia; o fato da pista ter sido recém-entregue após reforma e ainda sem os tais ‘groovings’ e, conseguentemente, com seu nível de drenagem degradado. Ainda, spots luminosos fortíssimos na lateral esquerda da pista que, apesar de distantes, enviavam luzes na direção das aeronaves pousando. Não bastasse esse ‘conjunto de coisas’ havia ainda algo que não se recomenda: dois comandantes numa mesma cabine de comando…! O comandante do vôo bastante experiente no tipo de avião. O segundo comandante, muito experiente noutros modelos de aviões que não aquele. No A320 não tinha mais que 250 horas. Isso pesou…! Em dado momento AMBOS perderam, literalmente perderam, a tal CONSCIENCIA SITUACIONAL. Ajudaram-se no que puderam…! Mas com 10 segundos sobre a pista…!?! Pouco tempo. Avião ligeiro. Tudo conspirando…! Vi em um dos comentários um comentario que se tivesse sido em Guarulhos…! Real!!! SE tivesse sido em GRU com quase 4.000 metros de pista os dois pilotos poderiam ter recuperado a tal CONSCIENCIA SITUACIONAL e evitado o acidente ou, então, obtido algum controle o qual, mesmo que houvesse o acidente, o mesmo seria em proporções MUITO menores. Assim, um blog como o do senhor Flávio Gomes acaba por tornar-se uma FERRAMENTA DE SEGURANÇA DE VÔO, visto que permite a troca de conhecimentos e vivencias. Ataques pontuais às opiniões não contribuem…! Tentativas (mesmo que por leigos) de contribuir, isso sim ajuda…! Contribui!!! Duvido que tenha algum Airbus voando em nosso país que não possua o H2F3 implementado. Duvido que algum piloto proponha-se desviar do SOP ou de preceitos operacionais publicados por suas empresas…! Assim, acidentes estão sendo evitados. Acreditem: EVITADOS. E não-acidentes não pontuam estatísticas. Mas tem algo que a ANAC está nos devendo e que pode contribuir para que acidentes não ocorram: o PGRF, ou seja, o PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCO DE FADIGA (meio-equivalente ao FRMS – Fatigue Risk Management System – norte-americano). Lá, nos EUA, o FRMS foi implementado em dezembro do ano passado. Aqui??? Em outubro de 2009 quase assistimos um acidente no Brasil por conta de Fadiga Humana, envolvendo privação e déficit de sono. Foi um quase acidente na categoria CFIT (Controlled Flight Into Terrain – Voo Controlado em Direção ao Terreno). Dois pilotos muito experientes deixaram passar algo que só se explicaria por algum interferencia FISIOLÓGICA: sono. Vinte horas sem dormir nos coloca sob comportamento muito parecido à de alguém que ingeriu de 3 a doses de uísque…! Bebado de sono seria uma expressão que retrata bem o exemplo. Zero alcóol no sangue…! Mas age como se estivesse alcoolizado!!! Bom!!! Os pilotos reagiram logo no primeiro aviso do EGPWS (Aviso de Proximidade do Solo). Os passageiros nem perceberam…! Experiencia dos pilotos? Comandante: perto de 14.000 horas de voo; Copiloto: mais de 7.000. Não eram novatos…! Melhor que isso: o Comandante era é é dono de um caráter incrivel e, por conta desse seu perfil, comunicou o fato ao SAFETY da empresa. Como reagiu a “empresa” (por seus prepostos, claro)??? Realizou uma pró-formatica Reunião do Comitê de Casos Egrégios e a decisão foi uma das mais ARBITRÁRIAS que já presenciei em minha vida: VIOLAÇÃO. Considerou a situação como uma VIOLAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS ESTABELECIDOS (Manual de Operações, SOP, etc). Logo, vieram as punições: o Comandante foi DEMITIDO e o Copiloto foi serveramente punido. Cade a CULTURA JUSTA??? Que se tratou de um DESVIO OPERACIONAL NÃO-INTENCIONAL isso é certo e justo. Mas VIOLAÇÃO não foi não…! Aquela tripulação vinha cumulando noites e madrugadas. Na noite anterior à ocorrencia em tela teriam tido a oportunidade de gozar de uma boa noite de sono se o “Hotel” que os hospedava não tivesse recebido um grupo de 70 jovens que não respeitaram (minimamente) o sono dos mesmos (e dos demais hóspedes…). DEMISSÃO. PUNIÇÕES. MEDOS. RECEIOS. PRESSÕES. Etc. Esses são normalmente ocorrencias ‘por dentro das empresas’. Portanto, tem a ver com FATOR ORGANIZACIONAL, … que não é levado em consideração (tecnicamente) nas Investigações dos Acidentes Aéreos em nosso país. Do escalador ao chefe-feitor o sistema como um todo gera temor, medo, receio. Tem mais medo da ‘empresa’ um piloto que da Justiça Pública. Pois a empresa – por seus feitores – tem a prerrogativa de DEMITIR sem Causa-Justa. Demite e pronto. Paga os “direitos” (aspas propositiais) e pronto. Essa é a política de SEGURANÇA OPERACIONAL que impera nas empresas nacionais…! Isso é ou não é FATOR CONTRIBUINTE??? Assim, uma pergunta que jamais será respondida, até mesmo porque os profissionais já não estão mais entre nós: “Se pudessem ter ido para Guarulhos os mesmos teriam optado por tal decisão???”. A pista de Congonhas pode ter contribuido bem pouco (aquele avião não pararia mesmo…); mas o Aspecto Psicológico CONTRIBUI (Fator Humano), e muito. E a consequencia do peso do Aspecto Psicológico influi, com certeza, na perda da Consciencia Situacional dos mesmos…! Sete de Dezembro de 1981: nosso primeiro acidente por conta de ASSIMETRIA DE MANETES DE POTENCIA. 26 anos passados a novela se repete…! Aprendemos o que??? A DEMISSÃO do Comandante Fisiológicamente afetado (por conta de Escalas de Vôo absurdas) poderá ter peso num próximo acidente que PODERIA ser evitado, naquela ou noutra empresa…! E o CENIPA fica nos devendo uma resposta: Porque não acrescenta na Investigação o FATOR ORGANIZACIONAL??? Duvido que responda, mas a esperança é a última que morre…!!! Portanto, ataques pontuais à quem queira manifestar sua opinião num Blog como o do Flávio Gomes tem o mesmo peso do Anti-CRM. Em algum momento alguém poderá trazer um dado importante, mas que por receio de ser “torpedeado” não trará. E talvez esse ‘dado’ seja um dado salvador. Que possa acrescentar algo, melhorar o sistema, ajudar a previnir…! Nesse ponto pensei em elaborar um pedido de desculpa pelo longo texto. Farei diferente! Voltarei ao início do texto e aporei uma nota na qual direi que o mesmo é longo. Assim, só chegará à este ponto quem quiser…! Frt abrç a todos. Carlos Camacho (ex-piloto).

  3. regi nat rock disse:

    muitas opiniões divergentes, convergentes, insensíveis, técnicas e leigas e por aí vai. Talvez a opinião mais insensível seja a proferida por Stalin (notório assassino de milhões de pessoas!) “um se vai numa tragédia e a comoção é mundial, 500.000 morrem num terremoto e a coisa vira estatística” Já vi – ao vivo – mais gente morta violentamente do que gostaria e francamente o memorial só existe para lembrar que a vida é frágil e se perde com estonteante facilidade. Cabe aos que nos governam, (técnica e politicamente) encontrar meios de minimizar os riscos.
    Simples assim.
    E ao piloto bem preparado e suas opiniões formuladas, lembro que um pouco de humildade, também faz bem ao ego, ATÉ de um piloto!
    E no dia seguinte ao acidente, minha filha, então com 12 anos, decolou de Congonhas, sozinha pela primeira vez, enquanto muita gente cancelou suas reservas.
    E nem eu, nem minha mulher (pilota de planador) estávamos preocupados, pois acreditamos na engenhoca voadora. Aliás, amamos voar.

  4. Luciano Silveira disse:

    Quanta opiniao absurda…

    Nao concordo com o Rodrigo Mota quando afirma que somente esse ou aquele tem o direito de comentar. Acho que todos, desde que com conhecimento de causa, tem direito à opiniao. E aposto que ele mesmo já criticou algum Procurador do Estado, Advogado da Uniao, Promotor de Justiça ou Juiz pelas acoes com as quais ele nao concordava ou ele “achava” que entendia algo. O debate é válido.

    O piloto errou? Nao sei, nao li relatório. Pode ser que tenha errado. E claro que esse nao deve ser crucificado, visto que as condições de infra estrutura em nosso país sao uma PIADA.

    Ainda, lamentável a opiniao daqueles que criticam um memorial. É coisa de brasileiro mesmo. Aí apaga da memoria, é como se nunca tivesse acontecido, e daqui a pouco vem outra anta, de qualquer dos partidos políticos, fazer as mesmas burradas. O Memorial serve para, além de lembrar as vítimas, lembrar do evento, e nao deixar que isso tenha ocorrido em vão.

    “Ah, mas é muito dinheiro”. 3,6 milhoes não é NADA quando falamos de Administração Pública. Voces por acaso prestaram atenção no orçamento que foi aprovado essa semana para o próximo ano? Pois é. São 45 bilhões de reais (isso do orçamento do governo federal… Nem sei se esse memorial será bancado pelo governo federal, estadual, municipal, ou por todos).

    Vamos nos concentrar em cada um fazer a nossa parte, EFETIVAMENTE fazer a nossa parte. Vir aqui dar chilique e xingar em um fórum não ajuda em nada. Aposto que os críticos mantém as bundas sentadas nas cadeiras, sem fazer nada para mudar a situação atual.

    • rodrigo mota disse:

      cara. concordo contigo. mas não acho justo que nossa profissão seja desrespeitada desse jeito…

      dinheiro público tem sim. mas o nosso governo faz uso indevido dele. deveríamos ter uma estrutura aeroportuária de porte. droga! Vancouver/BC/Canadá tem o tamanho de Curitiba/PR e um aeroporto com o triplo do tamanho do Aeroporto do Galeão! com 4 pistas (e uma aquatica para os hidro-aviões), ILS em todas elas e pátios enormes…

      como é que pode uma cidade Canadense do tamanho de Curitiba ter um aeroporto que é considerado “médio” pelos Canadenses e Americanos ser 3x maior que o nosso maior aeroporto?

      uma ampliação de Guarulhos, uma modernisação de Congonhas, uma ampliação REAL em Viracopos sai muito mais barato do que vidas perdidas em acidentes!

      será que não está na hora de exigirmos aeroportos compatíveis com nossa Aviação?

  5. Giulliano disse:

    Isso aconteceu bem no dia do meu aniversário, 3 dias antes eu me despedi pela ultima vez de uma querida amiga que se foi nesse desastre. Tambem foi bem nesse dia que conheci seu blog, e esse foi o primeiro texto que li aqui.

    Ainda lembro de como chorei naquele dia.

  6. Burrinho Batiquebra disse:

    Tem aeroportos com pista mais curta que Congonhas que operam com aeronaves do mesmo tamanho e com a mesma capacidade de carga. Tem gente falando besteira neste tópico.

    Quanto ao texto, me remeteu perfeitamente ao mesmo dia. Eu morava, naquela época, a uns 800 metros do local do acidente e havia passado uma hora antes exatamente no local para comprar combustível para meu automodelo 1/10 na lojinha da rua Tarquínio de Souza, exatamente ao lado do local da batida.

    Voltando para casa, o caos descrito pelo texto do FG. E o que realmente marcou foi o cheiro: inicialmente, aquela fumaça fétida de plástico queimado, combustível e demais produtos industrializados que pouco depois foi substituido por um cheiro muito pior, característico da matéria orgânica quando em combustão.

    Seguramente o dia mais triste de São Paulo, superando as tragédias dos edifícios Andraus e Joelma.

  7. Allan disse:

    Mesmo considerando (e peço para os leitores considerarem também) que: não sou especialista no assunto (nem piloto, engenheiro, fabricante, apenas interessado); acidentes acontecem, ainda que na aviação quase sempre exista (bem) mais do que uma razão (diferente do transporte terrestre, onde é bem mais comum um motorista bêbado atropelar alguém, ainda que com visibilidade 100%, via sinalizada e carro sem qualquer defeito); raros são os acidentes em Congonhas; o aeroporto existe antes de povoarem os arredores… Não consigo admitir uma pista no centro da cidade. Se a Prefeitura deixou que fossem erguidos prédios ao lado do aeroporto, então deveria tomar alguma providência, nem que fosse tirar o aeroporto dali. Já desci duas vezes em Congonhas, e foram as piores da minha vida, com a aeronave descendo no meio de prédios e até muros, tudo muito justo e sem margens para erros. A aviação deve sempre guardar uma margem de segurança, e congonhas já ultrapassou o limite.

    • rodrigo mota disse:

      Allan.

      provavelmente tu é o leigo mais sábio deste país. se você não é Aviador, sério, pense em ser um. tem perfil de cara sensato. estude mais um pouco e junte-se ao grupo. tu tem bom senso.

      faz o curso que tu vais voar muito bem. :)

    • Burrinho Batiquebra disse:

      Parece justo e sem margem para erros, mas não é. O cone de aproximação guarda uma distância segura das edificações. Nosso cérebro é treinado para medir distâncias no plano horizontal, e não vertical, por motivos evolutivos óbvios (não somos aves). É normal que tenhamos a ilusão de óptica de que as coisas abaixo estão muito mais próximas do que estão na verdade. Se você acha o pouso em Congonhas muito tenso, não sei o que iria achar disso:

      http://www.vacationideas.me/wp-content/uploads/2009/02/maho-beach-landing-boeing-747-st-maarten-airport.jpg

    • Burrinho Batiquebra disse:

      Parece justo e sem margens de erro, mas não é. O cone de aproximação guarda uma distância segura das edificações e obstáculos abaixo. O fato é que nós não temos a mesma facilidade para avaliar distâncias no plano vertical que temos no plano horizontal, por motivos evolutivos óbvios (não somos aves). Por isso, as distâncias do que está acima ou abaixo sempre parecem menores do que são na realidade por pura ilusão de ótica.

      Se você acha tenso pousar em Congonhas, não sei o que iria achar disso.

      http://www.vacationideas.me/wp-content/uploads/2009/02/maho-beach-landing-boeing-747-st-maarten-airport.jpg

      • rodrigo mota disse:

        cara.

        1) St Martein fica no nível do mar, isso faz bastante diferença em termos de meteorologia, a pressão atmosférica é maior, e os ventos também…

        2) querendo ou não St Martein tem água como área de escape…

        3) o aeroporto caribenho só tem procedimentos IFR em uma das cabeceiras e o circuito VFR é proibido a aeronaves maiores que um B737 na outra cabeceira…

        4) “cone de segurança” é relativo, um B747 não decola full tank de St Martein e o gradiente de subida é alto (5,5% a 8%), o “morro” em frente é mais distante que o morro do Pão de Açucar é em relação ao Santos Dumont e a curva a direita é obrigatória a 600FT de altura…

        5) esse mesmo cone obedece as margens Brasileiras, mas não da ICAO. o Brasil fez as diferenças na sua regulamentação. o “cone” original de Congonhas (até 1990) obedecia as normas da ICAO, depois fodeu. tanto que se dependesse da ICAO a rampa dos ILS de CGH seria de 5% e não de 3% como é hoje…

        6) operar em CGH em condições normais até vai, mas com chuva e pista molhada. olha, é marginal. em um ATR vai tranquilo, agora com um B737-800/A320 saindo/chegando de um vôo longo é outra história. vai encarar?

        7) Claro que existem/existiram aeroportos piores que Congonhas. o mais famoso foi o Kai Tak em Hong Kong, tinha aquele IGS que forçava uma curva de 90 graus a 500FT do chão em descida. se fosse em um avião de 100 assentos até vai, mas o aeroporto era internacional e o que mais tinha ali era 747/MD11/767/777/A330.

        o problema é que a ICAO xiou tanto que o governo local fez um aeroporto ultra-moderno do lado e fechou Kai Tak. apesar de desafiador era perigoso demais operar ali…

        tem Lukla que é um dos mais fudidos (oficialmente) aeroportos do mundo, fica no Everest, 500 metros de pista, 8000FT de elevação, não tem arremetida. Mas o máximo que operam lá é o super-hiper-mega STOL DHC-6…

        8) veja o padrão das pistas atuais, “cones de segurança” enormes, pistas compatíveis com as aeronaves. a ICAO vem cobrando isso, um aeroporto com o movimento de Congonhas precisa de investimentos pesados em segurança e não em aeroshoppings.

        o Gomes gosta da Russia. pois bem, vejam os aeroportos de Moscow. Sheremethevo, Domodedovo e Vnukovo. tem áreas de escape enormes, cones de segurança enormes, pistas grandes, estrutura. Moscow tem 3 aeroportos internacionais na mesma cidade! e vão ser ampliados (Domodedovo primeiro). acho que o Brasil poderia levar a sério a Aviação que tem.

        e é assim em toda mãe Russia, aeroportos com “envelope de segurança”. nos EUA também. poxa, veja Chicago. tem o O´Hare que é um monstro com 8 pistas (e não para de crescer) e uma mega estrutura, o Midway com 4 pistas para vôos curtos e isso sem contar aos aeroportos ao redor para a Aviação regional/executiva/geral…

        Congonhas já “coleciona” acidentes demais, é o tipo de “coleção” que ninguém quer. Eu não quero ver outro acidente em CGH causado por falta de investimento sério. uma pista bacana, com história bacana, que nasceu quando a VASP criou o aeroporto (antigamente chamado de “Campo da VASP”) para seus vôos…

  8. roller disse:

    olha… morei até ano passado no Edifício Electra, que fica logo atrás desta pracinha.

    neste prédio tem diversas comissárias, comissários e pilotos.

    quando eu perguntei para eles qual a sensação de morar ali, por causa do acidente ou da perspectiva de ter um novo acidente, a resposta era sempre esta: “acidentes acontecem. são imprevisíveis.”

    acidentes acontecem…. são imprevisíveis….

    e vamos que vamos a vida…..

  9. gilles disse:

    Flavio, perdi um irmao nesse acidente, nada a declarar, moro perto do aeroporto em Moema, os jatos fazem a curva em cima dos predios quando decolam, uns para a esquerda outros pela direita, o certo e que deveriam ir ate o Pico do Jaragua e virar e ir ate a Imigrantes e virar, o dia que esperemos nunca aconteça, que der algum problema numa aeronave, vai ser uma tragedia. Abraços.

  10. alberto disse:

    Flávio, esse acidente me deixou muito impressionado. Sinto muito por todas as vítimas e seus familiares, mas me deixou marcado, pois por um lance de sorte acabei nao estando nesse vôo. Eu havia pedido demissão na empresa que eu trabalhava, e teria uma reunião em Porto Alegre, com retorno previsto nesse vôo. Meu antigo chefe, por pirraça, exigiu que eu cumprisse uma semana de aviso prévio, mesmo que fosse pra ficar encostado sem fazer nada. Essa exigência do cara, impediu que eu começasse a trabalhar no novo emprego, consequentemente a reunião foi remarcada para a semana seguinte, nos mesmos horários, mesmos vôos de ida e de volta. Se o cara não tivesse me segurado na empresa naquela semana, estaria entre as 199 pessoas que infelizmente faleceram, ou seria o número 200 nessa tragédia. Hoje eu falo pro meu ex-gerente que ele acabou diretamente salvando minha vida.

  11. morpetx disse:

    Confesso que fiquei chocado com alguns comentários acima. A pouca ou nenhuma solidariedade e respeito com a dor alheia. São Paulo já foi palco de tantas tragédias…
    Tomo como exemplo o Edifício Joelma, onde tantas pessoas morreram. Devia ter sido demolido, e lá construído um memorial também.
    Quanto custa a memória dos que perecem numa tragédia?
    Enfim, há pessoas de todo tipo…

  12. Alexandre Bento disse:

    Neste dia eu estava chegando no Aeroporto de Porto Alegre. Chovia. Minha primeira vez no pássaro de ferro. A viagem do RJ para POA foi em céu de brigadeiro em uma sexta feira 13, inicio do PAN de 2007 aqui no RJ. No aeroporto não havia informações de nada. Até que um rapaz recebeu a ligação do pai, dizendo que um avião tinha se acabado em SP. O clima ficou tenso, até pq o voo tinha partido de POA. Muita polícia, reportagem. Uma zona total. Lembro do meu filho de 10 anos vendo aquelas cenas chocantes e com medo de entrar em um avião. Aliás todos ficam, por mais que se diga não. Culpar pista, piloto, presidente, reverso o que for, não trará de volta ninguém nem vai diminuir a dor dos que ficaram. Para aqueles que acreditam em Deus, que estejam com Ele e para aqueles que não acreditam que pensemos que estejam em um plano superior…

  13. Benicio disse:

    “99″ para as próximas eleições!!!

  14. Carmem Spínola disse:

    Esse texto… Li-o pela primeira vez, exatamente, três meses depois do acidente, na semana em que tinha estado em São Paulo e visto, de longe, o estrago causado. Ainda guardo em meu e-mail o comentário que fiz sobre o texto e a resposta que recebi de você, Flavinho. Brilhante texto! Abraços!

  15. Sergio Luis dos Santos disse:

    Agora vai virar moda fazer memorial… Acho isso ridículo. Fôsse um trem de suburbio carregado de trabalhadores, neca de memorial. Um caminhão ou um ônibus caindo aos pedaços com bóias frias? Neca de memorial.
    Não me venham com a história do memorial no WTC que lá a questão é diferente.
    Também acho bem curioso como parentes de vítimas de acidentes aéreos são os “VIPS” das tragédias…

    • J Fernando disse:

      Posso concordar que não se faz mesmo memorial para acidentes envolvendo pessoas de classe baixa.
      Mas, a questão do memorial envolve uma outra coisa: os corpos foram totalmente queimadoss.
      Um caminhão de bóias-frias ou ônibus acidentados, por pior que seja, há possibilidade de identificação e enterro digno dos corpos.

  16. genago crescendo disse:

    me lembro bem da globo e toda a imprensa de direita deste país querer imputar ao presidente Lula a culpa deste terrível acidente.. que época macabra..

    • J Fernando disse:

      Essa também é uma das lembranças que eu tenho deste acidente.
      Todos comovidos com a tragédia e a globo mandando repórter testar hipóteses, dizer que a culpa do acidente era falta de ranhuras na pista e tentar de todas as formas utilizar a morte de mais de 170 passageiros políticamente contra o governo Lula.
      Foi o momento em que senti náuseas da cúpula jornalística da rede globo, da folha de sp e do estadão..

  17. Acarloz disse:

    Nunca gostei de voar de CGN, depois do acidente aboli de vez …

  18. rodrigo mota disse:

    minha opinião como Piloto…

    1) provavelmente o Brasil é o único país do mundo onde permitem colocar uma aeronave de 170 lugares full combustível e carga a 50% em um aeroporto com 1900 metros de pista a 2400ft, no centro da cidade (rampa de aproximação alta) e com chuva. em qualquer outro país mais sério seria limitada a operação de aeronaves com no máximo 100 lugares e em condições pré-estabelecidas…

    2) se o mesmo acidente tivesse ocorrido em Guarulhos muito provavelmente o resultado teria sido diferente, apesar de também ficar no meio de prédios Guarulhos tem 3800 metros de pista o que para um A320 é mais que o suficiente, mesmo em condições críticas…

    3) lá fora o Aeroporto de Congonhas e Santos Dumont são conhecidos como “Air Carriers” (Porta Aviões) por motivos óbvios, uma aeronave grande não tem margem pra erro nesses lugares. o acidente com o ATR no dia anterior foi um aviso sobre o problema de coeficiente de atrito nas pistas de SBSP. a diferença é que o ATR foi feito pra parar em 1000 metros em condições críticas com frenagem total, um A320 precisaria de no mínimo 2500 metros. mas ninguém se tocou disso…

    4) culpar Piloto é fácil né? é muito fácil dizer “que os caras na frente não fizeram o trabalho direito”. vão se ferrar bando de “especialistas”!

    você tem horário pra cumprir, tem metas a seguir, a aeronave está boa e você tem experiencia na operação. aí quando você pousa e puxa os reversores o que você menos espera é uma assimetria de potência com pista molhada. na hora não dá pra pensar muito, fosse em um Piper Seneca ou no A320 o resultado teria sido o mesmo.

    tem muito “especialista” que PENSA que sabe o que é uma assimetria de potência na pista. mas nunca na vida acelerou um motor com as mãos! em baixa velocidade e com ângulo de ataque elevado uma perda de 20% em um dos motores significa uma perda de controle direcional enorme, você sente uma força de giro absurda, as vezes o freio é suficiente, as vezes não…

    são os mesmos engraçadinhos que chegam no aeroclube dizendo que tem zilhões de horas de FS2004 e que por isso sabem mais do que um Piloto de verdade. aí a gente coloca o “Piloto Virtual” em um Aero-Boero e em 15 minutos o “Piloto Virtual” borra a calça inteira, o tráfego aéreo de verdade é bem mais complicado que a IVAO/VATSIM e o Avião de verdade tem reações mais inesperadas que o B737 do Flight Simulator….

    5) não adianta fazer memoriais se as medidas corretivas não forem tomadas, ou ampliam as pistas de congonhas e santos dumont, ou restrigem os tipos de aeronaves que operam nesses aeroportos ou invistam em tecnologias de pavimento de pista! os EUA fazem isso, o Canadá também, Europa idem, Russia também, Asia e Oriente Médio também. e a nossa infraero faz o que? gasta dinheiro em aeroshoppings?

    eu quero um aeroporto com um VOR/DME que funcione o tempo todo! um ILS que esteja 24 horas operacional, eu quero pistas que me deem margem de segurança, eu quero a area ao redor do aeroporto cumprindo com a regulamentação da ICAO, eu quero um NDB que de sinal a 40NM e não a 5NM como de costume, eu quero um sistema de tráfego aéreo que não dê chiado no rádio e que permita ao controlador trabalhar direito.

    eu também quero um pátio com espaço prevendo ampliações futuras, eu quero um aeroporto que esteja preparado para expanções, claro que eu quero um terminal de passageiros comfortável, com muitos check-ins e área de entretenimento. mas isso é um aeroporto porra e não um shooping center! eu prefiro ver um pátio para 40 aeronaves com ponte de embarque para cada uma do que um Mcdonnalds!

    6) memorial é como o nome diz “memória”, uma memória para os nossos políticos investirem em nossa Aviação e pararem de limpar as bundas eleitorais com o nosso dinheiro e nosso voto. as eleições vão começar e os prefeitos e vereadores vão prometer resolver o problema do universo inteiro mas Congonhas continua sendo um “Air Carrier” para jatos, os Pilotos vão continuar a operar lá sabendo que não tem margem de segurança porque embora o Avião seja bom e os Pilotos idem todo mundo sabe que Congonhas não tem estrutura para emergências, elas acontecem ano após ano e ninguém investe um centavo para melhorar a estrutura do aeroporto…

    é por isso que eu voto “00″. enquanto não aparecer um político que preste nesse país ninguém leva meu voto. tô cansado de promessas nas eleições que nunca são cumpridas…

    • Microempresário disse:

      Rodrigo, não sou piloto, sou apenas um curioso no assunto. Mas…

      1 – A British tem A-318 operando em London City, 1500 m de pista e rampa de aproximação 5.5 graus. Tenho certeza que há outros exemplos. Não estou justificando Congonhas, mas dizer que é o pior aeroporto do mundo também é um exagero.

      2 – De que adiantaria 3800 m de pista em GRU se o avião saiu da eixo da pista? O acidente teria acontecido em qualquer aeroporto. (mas ao menos não bateria em um posto de gasolina)

      3 – Pelo que li no relatório final da investigação, a pista necessária era perto de 1900 m. Aliás, se eram necessarios 2500 m, e a pista só tem 2000, o piloto decolou com um plano de vôo ilegal? Ah, os pilotos são pressionados, blá, blá, blá.

      4 – Entre os “especialistas” que vc manda “se ferrar” está a comissão do CENIPA? Será que eles acham fácil culpar o piloto? “Ah, eles tem horário, tem metas a cumprir, puxam os reversos…” Só que não puxaram oS reversoS. Puxaram uma manete, e deixaram a outra em Climb. Erraram. Errar é humano. Botar a culpa nos outros, mais ainda.

      5 – Eu também quero que os ILS, NDB, VOR, GPS, DGPS, e tudo o mais funcionem. Também quero que as pistas sejam bem cuidadas, bem sinalizadas e, quando possível, bem grandes. Mas também quero pilotos que tentem evitar erros. Que quando operam com um reverso desativado, sigam o manual e coloquem as manetes em idle. (E que quando estiverem em um A330 no meio do oceano, não coloquem o bico do avião para cima durante três minutos enquanto o avião diz STALL! STALL! STALL!).

      E que, quando um acidente acontece, deixem um pouco o corporativismo de lado e enfrentem a realidade. Esse papo de que todo piloto é um herói e nunca erra já me cansou.

      • rodrigo mota disse:

        respondendo:

        1) A318 é bem menor que os 737-700 e A320 operados (A318 tem o porte do B737-500 e B737-600) em Congonhas. houve um processo especial de certificação para a Aeronave e para o Aeroporto London City, as tripulações que operam ali são específicas e certificadas pela JAA e EASA. o ILS de London City é específico e os A318 da BA que operam ali são especialmente modificados. e não operam em qualquer condição…

        Congonhas não é o pior Aeroporto do mundo, mas é um dos piores sim. já falei com muitos Pilotos estrangeiros e muitos deles se recusam a pousar em Congonhas com uma aeronave com capacidade superior a 50 lugares….

        2) Guarulhos tem área de escape lateral, tipo, uma pista adicional e algum canteiro lateral. claro que vai sair do eixo do mesmo jeito, MAS vai percorrer alguma distância antes de bater, isso faz a diferença entre todo mundo morto e alguns mortos. existem acidentes nos EUA com aeronaves de 300 lugares que por haver uma área de escape lateral grande no aeroporto o número de mortos foi menor…

        3) “ser necessário” e “margem de segurança” é outra história. são necessários 1900 metros para uma frenagem, mas na boa, você acha que em uma emergência real com uma aeronave desobediente 1900 metros dão conta? não não dão mesmo. aqui no Brasil todo mundo acha que “mínimo” e “seguro” são a mesma coisa. nos EUA eles tem uma política de “quanto mais melhor”, claro que uma pista de 2000 metros é suficiente para um A320, mas NENHUM aeroporto na terra da Boeing que opere uma aeronave com mais de 150 lugares tem menos de 2800 metros…

        4) Mencionei CENIPA cara-pálida? o pessoal do CENIPA é fodástico sim. são uns caras que tem o meu respeito incondicional. eles sim são especialistas porque tem de trabalhar com pressão do povão que pensa que entende de Aviação, com um delegado que obriga o CENIPA a entregar o relatorio antes do praso (coisa que a ICAO condena e já advertiu o Brasil sobre isso).

        Piloto tem prazo sim, e não me venha com esse lero-lero que poderia ter sido evitado. errar é humano. pois é. mas a mídia desceu o pau nos Pilotos. reporter falando em um computador é fácil né? senta a bunda a mach 0.82 e mostra que é fácil.

        “especialista” é o sujeito que voa na IVAO da vida e acha que voa. mas nunca tirou um CCF, nunca fez um curso inteiro e nunca fez um vôo de cheque para ver a porrada de verdade. falar que voa é muito fácil né? engraçado que não tem a coragem de tirar pelo menos o PPA e ver na prática…

        5) tipo na boa, você prestou atenção no último parágrafo? GPS e DGPS sempre vão estar funcionando porque isso é responsabilidade do NORAD dos EUA que sempre vão manter isso funcionando porque a FAA determinou por lei e o governo americano sancionou a lei. a FAA tem diretrizes específicas dizendo quando um sinal de GPS é ou não confiável. o que pode dar pau é o RECEPTOR DO GPS. mas aeronaves grandes usam o INS como backup e aeronaves pequenas usam GPS portateis como precaução…

        ILS, NDB, VOR tem de estar funcionando sim, é obrigação, claro que as vezes eles sofrem manutenção mas no Brasil é o tempo todo! qual é o governo não pode comprar equipamentos de ponta?

        A330? aham, claro claro. falar é MUITO fácil. é fácil dizer que “eu faria diferente” que “eu sou o top-gun master fodão”. é nessa hora se vê quem é Piloto e quem voa na IVAO e pensa que tem brevet…

        tu acha que os Franceses do A330 não tentaram evitar o acidente? que eles agiram intencionalmente para matar os passageiros? a AIRBUS enfatiza todas as panes críticas no simulador e judia de CADA PILOTO até o osso para que eles aprendam a corrigi-las.

        mas na hora acontece e ninguém aqui pode julgá-los de falta de competência ou heroísmo. tanto os Pilotos e passageiros do acidente da TAM como os do A330 da Air France merecem nosso respeito absoluto. e eu não vou aceitar que uma pessoa que nunca tirou um CCF na vida venha me exigir que “Pilotos tentem evitar erros” porque em todo santo vôo é o que procuramos fazer, evitar erros, agir com perfeição, tornar o vôo o mais seguro possível…

        Piloto não é herói, mas merece respeito sim, se você acha que é melhor do que nós sugiro o seguinte, tire um CCF de Primeira Classe, faça um curso de PPA, faça as horas, tire sua licença e exiba perante toda a ICAO que você é o fodástico. que você poderia ter evitado o acidente da TAM, da GOL, da PAN AM em Tenerife, da Southwest e de todas as outras empresas aéreas do mundo.

        ou então faça o seguinte, torne-se um ASV e junte-se ao CENIPA e ajude-nos a fazer uma Aviação ainda mais segura. se você tem a solução para Congonhas que não envolva mudanças drásticas eu tenho tenho ótimas notícias, os verdadeiros especialistas em acidentes aeronáuticos no Brasil querem ouví-los…

        http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/index.php/contatos/fale-conosco

        não está satisfeito, a ICAO quer ouvir também:

        http://www.icao.int/Pages/Contact_us.aspx

        desculpa Gomes pelo desabafo. mas tá cheio de “especialista” por aí que acha que entende de Aviação. e nunca podemos nos defender. lá fora não é assim, Piloto é respeitado, é cobrado sim, mas o povão não sai metendo o cacete na gente…

      • Márcio Haddad disse:

        Tem meu respeito Rodrigo Mota

      • rodrigo mota disse:

        idem Cmte. é bom poder respeitar uma pessoa e saber o nome de quem eu estou respeitando…

      • Bocage disse:

        Oi, Rodrigo!

        Estava pesquisando sobre índices de suicídios e dependência química em pilotos de linhas comerciais, conheceria algum trabalho nesse sentido?

        Abraço!

      • Microempresário disse:

        Rodrigo, poderiamos ficar semanas aqui discutindo as dimensões de Congonhas e do A320, mas não somos donos do blog.

        Só vou comentar a seguinte frase sua, para encerrar o assunto:

        “tanto os Pilotos e passageiros do acidente da TAM como os do A330 da Air France merecem nosso respeito absoluto. e eu não vou aceitar que uma pessoa que nunca tirou um CCF na vida venha me exigir que “Pilotos tentem evitar erros” porque em todo santo vôo é o que procuramos fazer, evitar erros, agir com perfeição, tornar o vôo o mais seguro possível…”

        1 – Respeito os pilotos do A320 da TAM e do A330 da Air France (respeito “absoluto” não conheço. É diferente de respeito relativo?). Isto não quer dizer que eu não possa achar que eles cometeram erros. Li de ponta a ponta o relatorio do CENIPA sobre o acidente da TAM e o relatório francês sobre o da Air France. Não estou me baseando na grande mídia e também acho ridículas as asneiras que a maioria dos jornais publicam para tentar “explicar” detalhes técnicos para os leigos.

        2 – “Eu não vou aceitar que…” é o que se chama Apelo à Autoridade. Vc gostaria que um médico fizesse uma cagada em uma cirurgia, matasse um parente seu e depois dissesse “Não vou aceitar que alguém que nunca pegou num bisturi venha me criticar !” Não, né?

        3 – Idem quanto ao “entre para o CENIPA e ajude-nos a fazer uma aviação mais segura”. Mesma estratégia de desqualificar a pessoa, ao invés de responder ao argumento. Eu não acho que “sou melhor que voces”. Só acho que “vocês” são tão humanos como todo mundo e, às vezes, fazem cagadas como todo mundo.

        4- “tire um CCF de Primeira Classe, faça um curso de PPA, faça as horas, tire sua licença e exiba perante toda a ICAO que você é o fodástico.” Se eu fosse piloto, jamais qualificaria a mim ou a outros de “fodástico”. Isso é coisa de babaca.

        5 – Vc acha que os pilotos da Air France “fizeram o possível para evitar o acidente”. Bem, a comissão francesa de investigação discorda, e muitos especialistas, sem aspas, também. Eu apenas concordo com o raciocínio deles: os pilotos estolaram uma aeronave em perfeitas condições de vôo, e forçaram-na a permanecer estolada por mais de três minutos. Uma frase que eu li (de um piloto, aí pode, né?): “Esse comportamento seria considerado inexplicavel em um aprendiz voando um Cessna 172. Em um piloto de jato, é tão além do inexplicável que eu não sei que palavra usar.”

      • rodrigo mota disse:

        caralho. a gente tira/revalida CCF todo ano, faz prova da ANAC/ICAO, faz recheque, pega pauleira em vôo e ainda tem de aturar ESPONE. é dose viu…

        1) se respeitasse os profissionais do CENIPA não viria com essa se usar London City como exemplo. as condições de Congonhas e de London City apesar de parecidas são muito diferentes…

        exemplo. o A318 da BA não decola full combustível e não opera com chuva no aeroporto, choveu vai pra Heatrow…

        2) apelo a autoridade coisa nenhuma. é simples, eu tenho um CCF que eu revalido todo santo ano na base aérea, tenho uma licença de vôo que eu tenho de rechecar sempre, tenho de fazer prova na ANAC o tempo todo.

        e você?

        médico faz igual, Juiz também, Controlador de Tráfego Aéreo idem. exigimos que leigos repeitem nossas profissões porque somente nós sabemos a porrada que pegamos no dia a dia…

        3) não desqualifico ninguém, apenas deixo claro que não tolero que um “entendido” do assunto que não se identifica nem pelo primeiro nome venha me dizer como eu devo respeitar meus colegas.

        tu não duraria 5 minutos em uma mesa com Aviadores. é assim que trocamos ideias, com argumentos lógicos e números. cadê os seus números e dados concretos? tu sabe ler um METAR/TAF pelo menos?

        4) se você fosse Piloto entenderia o que eu quiz dizer. tipo “faço um esforço desgraçado pra voar e ainda sim levo esporro sorrindo” ter um CCF significa que você todo santo ano tem que passar um dia inteiro fazendo exames dignos de atleta de olimpíadas, detalhe, somos Pilotos Civis viu?

        5) o que você define como “perfeitas condições de vôo”? quer dizer que uma aeronave voando no meio de um CB com formação de gelo claro, turbulência e alta velocidade de penetração é algo perfeito?

        obviamente que não. se uma aeronave estola a 32000FT é OBVIO que a condição de vôo não era perfeita, você a mach 0.82 tem mais do que sobra de velocidade em tempo calmo ou mesmo em uma condição mais turbulenta. agora com gelo na sua asa o perfil aerodinâmico muda e portanto o seu angulo de stall também muda, só que o gelo tipo claro é transparente e não dá pra ver sem o uso de algum auxílio…

        outra, e se o sensor “anti-gelo” do A330 tiver dado pau? e se o gelo foi formado no profundor onde não existe um sistema de anti-gelo/degelo? já pensou que a aeronave poderia ter estolado no profundor e a vibração se alastrou pela aeronave? não adianta você estar voando bem se perder o profundor e leme, você fica sem controle de atitude…

        claro que uma velocidade de penetração em turbulência elevada contribui. você a mach 0.82 batendo em uma formação de gelo severa, não há pitot-heat no mundo que dê conta. é por isso que em condições de turbulência extrema (em qualquer aeronave) deve-se voar a uma velocidade menor para que a aeronave possa “trabalhar” dentro de um alcance de parametros, sem ir rápido demais ou devagar demais.

        e tem outra, como era um jato tem o tal do “coffin corner” em que a velocidade mínima de vôo não pode ser muito baixa e a velocidade também não pode ser alta demais, porque senão você tem o stall de baixa velocidade e o stall de alta velocidade. e dependendo da altitude e do peso da aeronave estes dois tipos de stall podem ocorrer ao mesmo tempo…

        tipo. você já parou para analizar que o tal STALL do A330 da Air France pode ter sido um stall de alta velocidade causado por uma rajada de vento superior que levou a aeronave a ultrapassar o “coffin corner” e logo em seguida a um stall de baixa velocidade?

        e sim, se um Piloto de C172 falou ele pode falar sim, porque ele tem experiencia de vôo, ele sabe o que uma pessoa sente ao fazer um stall e ele sabe porque isso ocorre. um leigo não sabe…

      • Microempresário disse:

        Todas suas “hipóteses” já foram contestadas pelas caixas-pretas e pelo relatório da investigação, que evidentemente vc não leu. Lá tem os “números e dados concretos” que vc pediu.

        Pelas qualidades dos “chutes”, não vi muita diferença da imprensa sensacionalista que vc tanto xinga.

        Só exemplificando, falar em Coffin Corner é prova que vc nunca viu um manual de performance do A330.

        Aliás, será que vc é piloto mesmo? Com essa sua atitude “eu sei de tudo e prá discutir comigo tem que provar que é bom”, vc deve ser um sucesso nos treinamentos de CRM.

        Tchau.

      • rodrigo mota disse:

        já já vi sim. já vi o manual de todos os Airbus…

        aliás já fucei manuais de muitas aeronaves, justamente para saber os limites delas…

        sim sou Piloto sim. ANAC e FAA xará. passei por vôos de cheque em todos os níveis e vossa senhoria não é qualificada para questionar minhas licenças…

        eu já pousei em KMIA, KMCO, KDAB, já fiz GNSS-LPV, ILS com windshear na final no MM.

        eu já voei 3 anos e meio na Amazonia e peguei todo o tipo de pauleira que um ser humano pode imaginar. se existe alguém que aprendeu os limites estruturais de um Piper eu sou uma destas pessoas…

        e tu. fez o que?

        pergunto-me, você sabe o que é CRM? você sabe o que é hierarquia?

        sim. porque pra me questionar de minhas licenças é porque você é no mínimo um general da USAF ou Piloto de provas da Cessna…

        Or maybe ya should be that guy who talk a lot and doesn´t do anything. why don´t you use your name eh? I had a so hard checkride including do an ILS/DME in KDAB with an engine “dead” (real), I was one of few that did it with perfection…

        Face a man with your real name punk not with your nickname, that´s kid´s stuff.

        other way I know who I am. I am a guy with international certification, FAA license with IFR proficience.

        what do you have eh?

      • Acarloz disse:

        Bom, no final é assim: caiu phodeu… a culpa sempre será de “uma sequência de erros ou fatores ou etc etc
        O fato é um só: avião não pensa… Abraxx !

      • Jonathan disse:

        relaxa Cmte. Rodrigo

        isso aí é coisa de “entendido” frustado que não tem competencia de fazer o curso e tirar o CCF…

        fique sabendo sr “microempresário” que eu já voei com o Rodrigo várias vezes e posso dizer que ELE É UM DOS MELHORES COMANDANTES QUE EU CONHEÇO.

        democrático, direto, didático. nunca humilhou ninguém, sempre tratou a mim e aos outros muito bem e com respeito. mesmo quando eu errava feio ele falava “é, mas você não imagina quantas vezes eu errei a mesma coisa”. era o primeiroa chegar e o último a sair nos vôos…

        e outra você pode ler o manual trilhões de vezes que não vai adiantar se você não tiver experiencia prática. não adianta você vir falar de STALL se nunca fez um na prática…

        e outra. leu o manual do A330 inteiro e não achou o “coffin corner”? tipo, tu achas que vai estar escrito “coffin corner” na tabela deperformance? já pensou em olhar o teto absoluto e os “speed tapes” vermelhos de alta e de baixa? quanto mais próximos mais perto voce está do “coffin corner” para aquele peso…

        liga não Rodrigo. quem te conhece pessoalmente sabe quem tu é. não liga pra babacão como esse tipo de gente. teu grande defeito é torcer pra Mclaren mas um dia a gente muda isso.

        Abração!

    • Jonatas disse:

      Perfeito, meu amigo. Torçamos todos para que nenhum desastre ocorra novamente, pois 199 vidas se foram e o mesmo número de famílias foram dilaceradas…

      E que a Infraero crie vergonha na cara e… bom, serio mesmo? Creiamos em Deus porque crer em algo descente, honesto e bem feito neste país é um tanto quanto utópico…

    • morpetx disse:

      Apenas gostaria de perguntar se o amigo acredita e/ou concorda com a versão final divulgada sobre a causa principal do acidente, de que o piloto teria mantido um manete no reverso e o outro acelerando, ao invés de “idle”. Me pareceu inverossímil que dois pilotos com tantas horas de voo tivessem cometido tal equívoco.

      • rodrigo mota disse:

        cara. se o CENIPA publicou o relatorio eu não vou questiona-los…

        a gente convive com esse povo do CENIPA, são uns nerds de marca maior que vivem fuçando um quebra-cabeça gigante e achando respostas pra tudo. temos a honra de contar com tais nerds…

        MAS eu acho que SE Congonhas tivesse uma política de operações específicas isso ajudaria e muito a evitar acidentes.

        Congonhas não tem área de escape lateral, é fato, se você estiver na pista principal e sair da pista não tem outro resultado a não ser um acidente. com o ATR-42 no dia anterior foi um aviso, se fosse um ATR-72 o fim poderia não ter sido o mesmo.

        Pensemos o seguinte, se fosse em Guarulhos a cagada seria igual, MAS Guarulhos tem algum espaço extra e algumas centenas de metros a mais para a aeronave terminar a derrapagem poderiam ter sido suficientes para mudar o fim.

        o negócio é que as autoridades tem o poder de “fechar operacionalmente” um aeroporto até que as condições melhorem. se Congonhas estava operando normalmente a TAM, Airbus e os Pilotos não tinham culpa. pois acreditavam que o aeroporto estava seguro. se tivesse “fechado” o aeroporto até a chuva passar todo mundo iria pra Campinas ou Guarulhos até a situação melhorar. é simples…

        lógico que para um Avião pequeno de 6 lugares (Piper Seneca por exemplo) a pista de Congonhas é muito grande porque esse mesmo Avião de 6 lugares pousa em 500 metros e precisa de mais 300 metros para ter folga no procedimento. agora para um jato a história é outra…

        jato tem um “delay” no reverso e spoilers, é uma aeronave grande que demora pra responder, ou seja, dos 1900 metros de pista (a principal) somente 1700 são usados de fato (no pouso) porque uma aeronave não toca na cabeceira e sim na marca de 1000FT (300 metros) por causa da “rampa” do ILS. ou seja, no pouso o A320 não tinha 1900 metros disponível mas sim 1600 metros, isso com chuva, pista escorregadia e avião pesado, é muita confiança em cima do reverso, spoiler e autobrake…

        SE o mesmo acidente tivesse ocorrido com um Piper Seneca ou Cessna Caravan o máximo que teriamos visto seria a aeronave em algum hangar sofrendo manutenção no dia seguinte e os Pilotos refazendo o CCF enquanto os passageiros falariam “foi um puta susto mas estamos bem”

        eu acho que Congonhas deveria ser restrito a operação de Ponte-Aerea e só. quando eu falo “Ponte-Aérea” seriam aqueles vôos com no máximo 1 hora de duração. a aeronave nesse tipo de vôo não sai com full combustível, não sai com full carga e por isso voa mais leve, por estar próximo do destino sabe as condições instantâneas lá e no retorno idem. um vôo vindo de POA demora 1 hora e 30 minutos, mais o combustível para a alternativa, mais o combustível para espera em vôo, taxi e ventos em altitude. ou seja para um vôo de 1 hora e meia a aeronave sai com 3 horas de combustível. isso sem contar passageiros e carga…

        uma aeronave nunca sai “seca”, ela geralmente sai com muito mais combustível do que realmente precisa, para caso o negócio piore ela tem alternativas…

  19. PalomboRacing disse:

    Que lindo texto, SILENCIO!!!!!!!!!!!! seria a homenagem mais justa a todos que se foram …….. perdi amigos ali

  20. Nick B. disse:

    Fla, querido.
    Eu, há cinco anos, emocionado com aquela tragédia e com o seu texto primoroso, comentei assim:

    Não tenho palavras, não tenho opinião formada. Sou leigo em aviação e a cada dia que passa acho que entendo menos da vida.
    Só posso dizer que estou triste e profundamente chocado.
    Triste porque vidas se perderam e famílias ficaram definitivamente marcadas.
    Uma tragédia dessas marca muita coisa: as pessoas, o aeroporto, a companhia aérea, a pista, a avenida, o prédio da empresa, o posto de gasolina, o bairro, a cidade, tudo.
    Profundamente chocado porque a vida nada mais é do que algo efêmero e precário e o nosso destino não nos pertence, por mais que imaginemos o contrário.
    Estou quieto e pouco tenho o que falar.
    O assunto é o mesmo, com quem quer que se converse hoje.
    Estamos em luto. Vários de nossos irmãos morreram.
    Eu não sei exatamente qual é o meu valor nesse mundo, mas sei muito bem dimensionar a dor de uma perda.
    E perdemos mais de uma centena de irmãos.
    É assim que vejo o mundo.
    Destino a todas as pessoas de bem o mesmo tratamento, a mesma consideração, o mesmo respeito.
    Sinto a perda dessas pessoas, como sinto todos os dias por todos de bem que morrem na face deste planetinha.
    Eu sou assim.
    Se brinco? Brinco.
    Faço galhofas? Ora, se faço!
    Mas no fundo eu sinto todos os dias a tristeza que a morte de boas pessoas nos proporciona.
    E para se sentir assim não necessariamente precisamos conhecê-las.
    E eu lá conheço alguma criança palestina ou israelense inocentemente morta em razão daquela guerra absurda?
    Não, mas tenho certeza que elas querem brincar como brincam as crianças daqui.
    Querem curtir seus pais, passear, devorar guloseimas, como fazem os nossos pequenos.
    E eu não consigo ficar impassáivel com esses fatos.
    Confesso que sou extremamente emotivo.
    Eu choro com quase tudo: Uma boa poesia do Gonçalves Dias pode me levar às lágrimas. Ouvir alguma bela parceria de Tom e Vinícius também me deixa de olhos marejados. Um final de filme pastelão também me emociona. Reencontrar um velho amigo, ter notícias de algum brother distante, tudo isso é capaz de me tocar. Não contenho o pranto ao ver um animal maltratado ou morto na beira de uma estrada. Os animais têm muito a nos ensinar e nós nos recusamos a aprender.
    Estou triste mesmo.
    Não sei se alguém tem culpa e não tenho qualquer conhecimento técnico ou opinião formada para externar.
    Apenas registro a minha solidariedade à dor das famílias das vítimas.
    Fiquemos em respeitoso silêncio pelos que se foram e por suas famílias subtraídas.

    Com dor,

    Nick
    (em silêncio)

  21. disse:

    5 anos que te liguei 2 X apavorado, pois horas antes havia falado com uma amiga que morava do lado. Enfim, sempre que comento com ela, diz: Fica o olhar da fumaça na minha retina.Um slide.

  22. Harry disse:

    O silêncio da morte
    Que no fogo passa
    Na cinza fica
    Já foi
    O barulho da vida
    Continua na pedra
    Na lembrança

  23. iRineu disse:

    Também moro perto, mas do outro lado da avenida. O vento tava indo pro outro lado. Não sentí esse cheiro. Ainda bem… Também não perdí pai e irmã por questão de 5 minutos. Eles passam na frente da nova praça todo dia, bem na hora em que os aviões costumam cair. Ainda bem também…

  24. Danilo Cândido disse:

    É o fim da picada gastar R$ 3,6 milhões numa praça de 8 mil e poucos metros quadrados com o intuito de “relembrar” e “homenagear” as vítimas de um desastre e os familiares delas…como se isso fosse realmente ajudar em algo. Que ironia, um “memorial”, que daqui poucos dias será esquecido por quase todos…inclusive pelo “poder” público.
    E para agravar, mais um espaço público que dentro de pouco tempo servirá apenas para amontoar lixo, entulho e abrigar mendigos.

    • Márcio Haddad disse:

      Danilo, vá para a…

      Tenho um nome de um GRANDE amigo escrito ali, sua família toda ficou feliz pelo fato de ele receber uma homenagem. Ali não é a lapide dele… Ali é o lugar onde sei lá, em alguma estrada simples do meu Brasil teria apenas uma cruz enferrujada.
      O dinheiro ali não é nada… Quantos mil dinheiros nacionais são gastos para tanta porcaria… Ali pelo menos a família do meu amigo, e de outras tantas pessoas encontrarão sei lá…

      Nem sei mais o que escrever de tão mesquinho seria o adjetivo…?

      Vá lá onde era o Word Trade Center, e veja a “praça”/memorial feito ali.
      As pessoas que deram a vida ali merecem algo? Eu acho que sim.

      Em contra partida vejo pessoas que morrem de fome, e não recebem homenagem alguma…. Mas este pessoal recebeu. Que bom, pelo menos alguém recebeu algo.
      Pelo menos ganharam algo, que nunca será melhor do que ter a pessoa de volta, mas pelo menos tentou se fazer e fizeram algo.

      Qq dia irei na praça, irei ler o nome de meu amigo, e quem sabe derrubarei algumas lagrimas, por ser um local triste.

      Mas a você Danilo, precisa ter mais amor pelo próximo.

    • rapahel disse:

      Memoriais são importantes sim, mas pra isso é preciso respeitá-los, conservá-los, e pra isso é preciso um povo educado, civilizado. Infelizmente é mesmo o que vai acontecer, um novo antro de abandono, mendigos e larápios.

    • Gerson disse:

      Danilo, que opinião escrota. Isso não é melhor que não fazer nada?

      • Danilo Cândido disse:

        Pelo visto você e o tal “Márcio Haddad” (sósia do candidato à prefeito ?) são burros demais para entenderem qual o contexto de meu ponto de vista…não sou contra o memorial em si, mas sim ao gasto absurdo em sua execução (será que todo esse dinheiro foi mesmo aplicado na obra ou grande parte foi desviada ?), ao abandono ao qual provavelmente tal “memorial” será exposto, è ao destino, EM MINHA OPINIÃO, equivocado desta verba, que poderia ser aplicada em mais recursos de segurança e infraestrutura no aeroporto de Congonhas, ou, melhor ainda, ajuda financeira às famílias das vítimas do acidente…seria muito mais útil, não ? Ou não consegue perceber isso ?

      • Danilo, se para cada obra feita no Brasil pensarmos apenas no que poderia ser feito com o dinheiro, ou numa suposta roubalheira, não faremos nada a não ser reclamar e esperar uma “revolução educacional” à toa.

      • Márcio Haddad disse:

        Danilo, aqui cada um tem uma opinião, a minha é que qualquer dinheiro que exista nunca trará conforto a família.

        Só compartilhamos o gosto por automóveis, automobilismo, e pelos textos do Gomes.

        E o “E se…” E se… Tanta coisa o país seria melhor!

        Ainda bem que alguém fez! Se cada um fizesse a sua parte o mundo seria melhor.

        Vamos pensar no próximo, nas famílias dos nomes escritos ali, e não no que vai virar! A construção foi feita a eles… Deixem eles lá… E respeite o lugar!

    • Eufrazino disse:

      Pois é… Quantos já não devem ter mamado nessa obra, né?

      Se fosse um país sério, vá lá, uma homenagem justa. Mas a gente sabe como isso vai terminar… Eu, se governante fosse, não liberaria verba pra isso não, com todo o respeito às famílias atingidas. Os mortos já eram, não voltam mais, a verba tem de ser usada em prol de quem ficou neste planeta.

    • Microempresário disse:

      Pois é. Nesta semana, um ônibus vindo de Belém, se não me engano, despencou numa ribanceira no Paraná. Morreram dez. Não vão buscar a caixa-preta, porque não tem. Não vão formar comissões para investigar o acidente, no máximo alguém da Polícia Rodoviária vai preencher um BO ou coisa parecida. Com certeza não vão gastar 3,6 milhões em um memorial para os que morreram. Também, quem manda morrer em desastre de ônibus? Legal é morrer em desastre de avião, porque aí sai no Jornal Nacional, os familiares protestam, ficam “indignados”, pedem “justiça” (leia-se grana), e todo mundo aje como se as pobres vítimas fossem as únicas pessoas a morrer até hoje.

      Não quero ser rude nem insensível, mas não consigo entender o porquê de vítimas (e parentes das vítimas) de acidentes aéreos serem as únicas “privilegiadas”, num mundo cheio de mortes injustas.

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