TRI IN SAMPA (23)

SÃO PAULO (Lusa, meu amor, linda, maravilhosa, campeã gaúcha!) – Um dos momentos mais interessantes do GP do Brasil hoje foi a experiência de Kimi Raikkonen pelo anel externo de Interlagos. Ele perdeu a saída da Junção porque não estava enxergando nada, com a viseira embaçada, e foi direto pela área de escape. Como ali tem grama para retornar ao leito da pista, achou por bem passar pelo asfalto do lado de fora.

Por ali, nos áureos anos da Vemag e da Willys, Marinho e Bird Clemente sentavam o pé para chegar bem na 1 e na 2. Kimi foi em frente. Só que no fim da linha havia uma porteira.

Garoto simples do interior, imediatamente vieram à mente de Kimi os versos da canção que seu pai cantava para ele nos passeios de urso polar pelas estepes finlandesas. Ele até deu um sorriso dentro do capacete, lembrando daqueles dias ternos e calorosos.

Toda vez que eu viajava pela pista d’Interlagos
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo:
– Acelere o possante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindo.

Só que o menino não estava lá para ganhar a moeda de todos os anos, e Raikkonen teve de fazer meia volta, passar pela grama e voltar para a pista. “Eu sabia que podia passar pelo pit lane das outras categorias porque fiz exatamente isso em 2001 e a porteira estava aberta, mas desta vez fecharam. Ano que vem é melhor eu me certificar antes”, falou.

O falante finlandês terminou a prova em décimo e o campeonato em terceiro, com um incrível retrospecto: completou todas as voltas das 20 corridas e marcou pontos em 19 delas. A exceção foi a China. Subiu ao pódio sete vezes e ganhou uma corrida.

Para quem estava fora havia dois anos, nada mau. Figuraça, trouxe de volta à F-1 aquilo que falta à maioria dos pilotos: personalidade.

Tomara que, no ano que vem, essa Lotus que honrou o nome faça um carro mais consistente, capaz de ser competitivo em todas as pistas, e não apenas em algumas. Kimi brigando pelo título é algo que só fará bem à F-1.

Comentários