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sábado, 30 de agosto de 2014 - 1:53DKW & cia., Encontros

BLUE CLOUD, DIA 2

POÇOS DE CALDAS (nem eu acredito) – Quando olho para trás, lá em 2003, no Parque das Águas de Caxambu, vejo que fiz alguma coisa de útil nessa vida. Eu e o Paulo Renato Arantes resolvemos fazer um encontro de DKWs. Nossa base de dados: um grupo de discussão por e-mails do Yahoo!, e nada mais. Melhor: tínhamos uns carros… O PRA com seu Belcar 65, eu com alguns DKWs — na época, cinco. Se ninguém aparecesse, teríamos meia-dúzia de fumacentos para fotografar, pelo menos. E eu, um prejuízo desgraçado. Até banda de rock contratei. Loucura absoluta.

Mas quando cheguei ao parque para levar meu primeiro carro e vi um Fissore dourado lá dentro, procurando informações (“Onde é o encontro?”, perguntava o irmãozão Kurt, que viera de Curitiba, a um porteiro desinformado), tive a certeza de que tínhamos feito muito bem em arriscar a montagem daquele evento maluco.

Onze anos depois, o Blue Cloud vive um momento de encantamento. Especialmente aqueles que estão vindo pela primeira vez mal acreditam no que veem. Um encontro sem dono, em que é mais importante ver as pessoas do que os carros. E os carros trazem cada vez mais pessoas. E pessoas e carros formam um ambiente de amizade inabalável.

É um grande barato.

Estamos com 79 carros, mais uma moto, o que perfaz o total de 80 veículos até agora. A previsão é bater em 100 amanhã, o dia mais forte. Mas mesmo se não batermos o recorde do ano passado (107, com duas motos), já temos recorde de inscritos — algumas pessoas vêm sem carro, apenas para ver tudo de perto, participar, conversar, se divertir, rever os amigos, fazer novos.

É um festival de cores, beleza e camaradagem. Muitos de nós só nos vemos uma vez por ano, aqui. Mas nos falamos o tempo todo, e nisso devemos ser gratos à internet. Foi por causa dela que nos conhecemos 11 anos atrás.

Há um consenso, especialmente entre aqueles que também frequentam outros encontros de clássicos: o Blue Cloud é diferente de tudo que existe por aí. OK, pode parecer pretensioso, mas é verdade. Este encontro trouxe de volta à vida não apenas carros e uma marca destinados a cair no esquecimento. Um monte de gente, juro, ganhou uma nova vida com o BC. Seja pelas novas amizades, seja por restaurar um carro que estava abandonado por anos, ou por ter começado um novo negócio envolvendo peças, restauração, pintura, mecânica, ou por passar a trabalhar com DKWs mais de 40 anos depois do encerramento de sua produção.

Como eu disse, é um grande barato. É um grande barato olhar o auditório cheio de pessoas que vieram de dez Estados brasileiros, mais Argentina, na cerimônia oficial de abertura. É um grande barato ver o Crispim sendo aplaudido de pé. É um grande barato saber que, como disse o amigo Saulo, de Curitiba, você plantou um negócio e ele cresceu, floresceu, deu frutos. E virou eterno.

Longa vida aos nossos carrinhos. Eles estão todos felizes e sorridentes. Só quem conhece a alma de um carro a fundo sabe do que estou falando.

20 comentários

  1. Ricardo Bigliazzi disse:

    Belas fotos… o evento deve estar bem legal!

  2. Lucas Maldonado disse:

    Excelentíssimo texto,é impressionante o amor de um punhado de pessoas ressuscitar uma historia que estava fadada ao esquecimento,gostaria que a sica tivesse um destino igual ao que estes lindos fumacentos tem hoje.

    .Que sabe não teremos um White Cloud com Simca´s no futuro

  3. Nenê disse:

    Estive lá, e como em 2006 no evento da Auto Union em Interlagos, bastou um aperto de mãos para valer o passeio.

    Você, com todas as suas idiossincrasias (quem não as tem?) é um cara bacana, e me alegra ver a forma dedicada com que se dedica às suas paixões.

    Parabéns, meus sinceros parabéns!

    Nenê – Campinas

  4. Felipe Queiroz disse:

    Tive lá hoje Flávio. Vi que estava dando entrevista então não quis incomodar. Poços de Caldas é um lugar mágico, cada vez que vou tem algo diferente.
    Encontro maravilhoso, carros lindos e as pessoas mais ainda. Com certeza voltarei ano que vem.

    Antes que eu esqueça, perfeito seu 61!

    Um abraço!

  5. Alexandre Linhares disse:

    O que estou fazendo aqui e não aí!!!!!!!

  6. Anderson disse:

    Prezado ´Flávio, o evento está ficando realmente “de porte”, mas sem perder a essência. Foi muito interessante ver uma moto DKW. Será que nas próximas edições as motos MZ (RDA, herdeira direta da filosofia DKW após a separação das Alemanhas) serão bem-vindas nos próximos encontros?

  7. Alvaro Ferreira disse:

    Que beleza de evento, parabéns FG!
    Todos os carros são lindos, mas essa fila de Fissores e aquela outra de Malzonis, que maravilhas…

  8. Carlos Pereira disse:

    Muito bacana. Parabéns à todos aí.
    Mas, Flávio, você tá devendo uma baita reportagem sobre e com o Crispim pra gente aqui. Quem sabe o que ainda pode sair das memórias dele pra conhecermos ?

  9. Valente disse:

    O que mais me impressiona nisso tudo é a valentia e solidez desses carros. Motores dois tempos são mais, podemos dizer assim, sensíveis. Tudo precisa estar em ordem para não haver problemas: mancais, retentores e o lubrimat. Sempre tive motos dois tempos e corri de kart no tempo em que era preciso carburar em movimento para não “travar” o motor.
    Me impressiona esses carros rodarem 2000 kms sem nenhum problema, uma viagem normal como se fosse a 40 ou 50 anos atrás. Definitivamente não se fazem mais carros como antigamente, e desde moleque eu sempre tive simpatia pelos DKW justamente por causa do ronco do motor.
    Quero ver um desses plastimóveis de hoje funcionando perfeitamente em 2064. Certamente algum módulo, ECU, cetraria ou caixa preta vai falhar e não vai existir para repor.
    Parabéns a todos por manter esse parte de nossa história viva. Vinda longa aos fumaçentos!

  10. carlos lima disse:

    Flavio, estimado escriba, em toda loucura há lucidez, ainda mais quando se preserva a história e a cultura de uma época, de forma tão dedicada, tão bonita! Bravo!

  11. Jayme disse:

    Encontros assim são uma delícia, durante anos a fio fui em Águas de Lindóia ver o encontro paulista de carros antigos, que infelizmente foi transferido para Campos do Jordão perdendo seu charme e essência! Algumas perguntas vocês bancam sozinhos essa infraestrutura ou tem algum patrocínio? Por que não foi com a azulzinha recém reformada? E por último uma pergunta provocação, os 2 tempos aguentariam a subida até o alto do morro do Cristo? Lá tem a melhor vista da região!

  12. Paulo Torino disse:

    Nem sei o que escrever – Espetacular! Vida longa para você, Flávio Gomes

    Parabéns,

    P. Torino

  13. Alexandre disse:

    Muito bacana, lembrei-me do Cadango que meu Pai tinha…
    Parabéns aos idealizadores do evento.

  14. Luis felipe disse:

    Cara , dar vida a um carro condenado ao esquecimento e dar vida a algumas pessoas.. Putz!!! É Como vc diz, faz a vida valer a pena demais!! Parabens!!!

  15. Beto disse:

    FG, ……

    Sei de um Gordini meia là vai caqueirada que está procurando dono aqui em Curitiba !!!

    Tens pai para esta criança? Tá no casco … Precisa de um dono !

    Interessa ? Foto ?

    Beto

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