FOTO DO DIA

SÃO PAULO(na rua) – O dia foi intenso (está sendo), batendo perna por aí. Inclusive numa oficina onde estão fazendo umas coisas (de lá postei a notinha do Grojã com o laptop sobre o capô de uma BMW de corrida, para vocês terem uma ideia). Então, um refresco. O Jason Vôngoli mandou a foto inacreditável — porque tem uma Universal 1957, e elas eram raras na época, também.

Enquanto o bonde prepara sua volta em grande estilo às ruas do Centro do Rio, mando essa foto de uma Universal 57 no cruzamento das ruas do Riachuelo, Francisco Muratori e Avenida Gomes Freire. O bonde da foto vai subindo para Santa Teresa.

A descrição do amigo traz a localização desse instantâneo e celebra a volta dos bondes às ruas do Rio — até onde entendo, isso vai acontecer graças às obras olímpicas com algumas linhas turísticas, confere? Falem, cariocas, vocês andam muito calados!

jason57dkw

E como sabemos que é uma 1957? Fácil. A tampa traseira dessa perua já era diferente da 1956, que tinha duas portas com abertura na vertical e dois vidrinhos. Notem que o trinco está na altura da linha de cintura. Ele abre a tampa superior para cima e a inferior, que se abre para baixo, tem a tranca do lado de dentro. Os frisos na traseira, cinco, são característicos apena desse ano de fabricação. As lanternas são iguais às da Miss Universe, assim como as luzes de placa. O nicho onde fica a licença do carro, inclusive, é claramente uma peça de carroceria alemã, porque comportava uma placa comprida, modelo europeu. Aqui, adaptaram o conjunto para o modelos de placas nacionais, mais altas e curtas.

Arrisco dizer que essa aí era azul e branca. Como a de um amigo, essa da foto aí embaixo, que espero ver restaurada um dia — ou, ao menos, limpa e preservada, ainda que com a pátina do tempo. Fico me perguntando, inclusive, se não é a mesma…

Falando em DKW, soube que a Audi também se jogou na lama com a história do software que a VW desenvolveu para fraudar inspeções de emissão de poluentes. Seus antepassados devem estar com vergonha. Meus DKWs, indignados. “Nunca escondemos fumaça alguma”, me disse um deles, o Belcar 67 — que é o mais falante da turma.

100_0017

Comentários

  • Flavio, andei de bonde com a minha família, no último sábado, dos fundos da Petrobras até a Estação do Curvelo, em Santa Tereza. Viagem agradável, mas rápida, porém o bonde está em testes, de graça, mas pelo que me lembro, a passagem, custava 70 centavos.

  • Francisco Muratori quase na esquina da Rua Riachuelo, fronteira da Lapa com Santa Teresa. Era o ponto de transição entre os ramal de Santa Teresa com os outros ramais da Light, que usavam bondes diferentes, não só no tamanho, como na Bitola também. O bonde ao fundo e do tipo que fazia serviço no resto da cidade

  • Falem o que quiserem do Eduardo Paes, mas ele está tirando do papel obras que já deveriam ter sido feitas há décadas. Ele é o primeiro prefeito de verdade em anos, se é que me entendem. Depois de Pereira Passos é ele, sem dúvida.

    Ah, sim, não tenho partido ou preferência política. É bom avisar. Não tenho religião, olho números e fatos, apenas. Em que pese o fato de parcerias com o governo federal e estadual, ele está colaborando e muito para a transformação do Rio.

    Quanto aos bondes modernos, entrei em um VLT que está aberto à visitação na Cinelândia. Achei legal, mas acho que só dará vazão ao fluxo se os intervalos forem curtos. Se a ideia é eliminar os ônibus do centro com eficiência, a solução é essa.

    • Comparar Dudu com o grande Pereira Passos é uma piada. Tivemos gente muito mais gabaritada que o “fake carioca” criado com leite de pera em condomínio fechado da Barra da Tijuca.

      Só para mencionar depois de Pereira Passos temos esses grandes governantes da cidade:

      1- Paulo de Frontin, o prefeito de densidade máxima, que em pouco mais de 6 meses duplicou a Av. Atlântica, abriu a avenida com seu nome canalizando o Rio Comprido e criando praticamente um novo bairro

      2- Carlos Sampaio, saneou a orla da Lagoa, derrubou o Morro do Castelo e construiu a Avenida Maracanã

      3- Prado Júnior Urbanizou definitivamente boa parte da Zona Sul do Rio

      4 – Pedro Ernesto, junto com Anísio Teixeira desvinculou a religião da educação nas escolas públicas da cidade, construiu o hospital Miguel Couto, o Carlos Chagas, o IASERJ ( demolido pelo Cabral), e ampliou o Souza Aguiar e se voltou contra a ditadura do Estado Novo que se articulava, criou o Instituto de Previdência para os servidores da prefeitura sem distinções de função, criou o plano de cargos e salários do funcionalismo. Construiu dezenas de escolas.

      5 e 6 e por fim Negão de Lima e Lacerda, os quais dispensam apresentação

      Portanto melhor prefeito de Passos uma ova !

      5-

  • As obras dos bondes estão absurdamente atrasadas e causando revolta nos moradores de Santa Teresa. Dizem que a empreiteira contratada não tinha qualidade suficiente e muita coisa precisou ser refeita.

    Mês passado o bonde voltou a rodar por um trecho de menos de 1km (dos 18km totais), em teste, só pro prefeito fazer bonito na mídia e agradar alguns turistas, mas a volta do sistema todo deve demorar ainda bem mais. A prefeitura nem divulga mais prazos porque não cumpriu nenhum que divulgou anteriormente.

    De positivo, pelo menos, parece que está nos planos reativar parte do trecho mostrado na foto. O local onde o bonde se encontra será o ponto de partida de uma nova linha até Santa, um trecho desativado muitas décadas atrás. Seria legal se continuasse até a Gomes Freire, mas já é alguma coisa.

    • Somente esclarecendo.
      Bonde de Santa Teresa é responsabilidade estadual. Nada a ver com o Prefeito.
      Uma excrescência da divisão de atribuições quando findo o Estado da Guanabara.
      FG, se se refere ao bondinho de Santa Teresa, de fat, quase turístico. Não oferece mais o serviço de transporte público consistente.
      Jason se refere como volta dos bondes como o início das operações do VLT. Esse nada tem de turístico. Fará uma integração de transportes importantes no centro e no Porto. 300.000 pax/dia

  • O veículo, após a perícia,´é 1957, mas a faixa de Levy Neves – PSP, indica que era um período eleitoral. Tendo ocorrido eleições gerais e eleições municipais em 1958, a simpática perua já tinha rodado alguns quilômetros.

  • É um fenômeno encontrar um DKW deste período. Preserve e restaure. Se estiver com o motor de menor cilindrada, é mais louco ainda. O que me impressiona não é só isso, mas, que naquele período, a qualidade das chapas eram muito ruins, apodreciam com facilidade.

  • Os bondes de Santa Teresa voltaram a circular em Julho/2015, após quatro anos parados, depois que a falta de manutenção provocou um grave acidente.
    Além deles, o centro do Rio vai ganhar os chamados VLTs – Veículos Leves sobre trilhos, não tão charmosos quanto os de Santa Teresa, mas que irá facilitar o deslocamento entre o aeroporto Santos Dumont e o centro da cidade, passando pelo terminal das barcas na Praça XV e na reformulada Zona Portuária.

  • Conhecendo o seu lado retrô, arriscaria dizer que a BêEme onde estava apoiando seu laptop (idiossincrasia. . .) talvez possa ser uma releitura do popular “esquife” da Cebem, famosa pelas mãos do Ciro Cayres e do “Papa Omelete”?
    Será?!?!
    Desculpe o atrevimento de tentar adivinhar. . .
    Abraço.
    Zé Maria