Arquivonovembro 2015

BON VOYAGE (6)

B

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SÃO PAULO (acelerando) – Não fui muito preparado a Londrina. Esqueci a GoPro e a pequena Sony, ninguém tinha para emprestar, as fotos de pista estão pingando aos poucos. Essa aí é uma das raras da primeira corrida, a que venci na chuva na minha nova categoria — o Rafinha está atrás com o Gol. O clique é da Monica Godoy.

Juro que não vou mais escrever sobre o Voyage, acho que vocês não aguentam mais ouvir falar dele.

Só se chegarem fotos novas.

SOBRE ONTEM DE MANHÃ

S

SÃO PAULO (ainda bem que acabou) – A sensação é geral: foi o pior campeonato dos últimos anos. Nem mesmo a pseudo-polêmica envolvendo as estratégias de Rosberg e Hamilton parece interessante. A opinião está em editorial do Grande Prêmio hoje. Concordo com cada palavra.

Mas teve rescaldo, sempre tem. A ele.

– Raikkonen, ontem, chegou aos 80 pódios na carreira. O primeiro foi na Austrália em 2002, terceiro lugar pela McLaren. O finlandês, com o terceiro de ontem em Abu Dhabi, empatou com Senna nas estatísticas. Na relação dos pilotos que levaram mais troféus para casa estão, à frente deles, estão Schumacher (155), Prost (106), Alonso (97) e Hamilton (87).

– No diz-que-diz da Mercedes, a pergunta é: a equipe errou ao chamar Hamilton para o segundo pit stop, colocando pneus macios em seu carro? Hamilton nem queria parar. Mas a escolha dos pneus nem foi tão criticada pelo piloto. “Os macios estavam bons no meu carro”, disse o inglês.

– A Mercedes, inclusive, diz que quem escolheu os macios foi o piloto, junto com seu engenheiro.

– Pela primeira vez desde que estreou na F-1, em 2001, Fernando Alonso fez menos pontos que um companheiro de equipe. Foi batido por Button, 16 x 11. Que ano, que ano…

– Nas entrevistas pós-corrida da BBC (que inveja…), Christian Horner confirmou que a Red Bull já tem um acordo de motores fechado, não revelou com quem e criticou duramente a F-1 atual. “Esses motores são lindas peças de engenharia, mas custam caro demais e a F-1 precisa voltar a ser  que era antes, com carros velozes, barulhentos, grande demanda física”, falou. Para quem entende inglês, está aí embaixo.

– Horner também disse que uma eventual saída da Renault da F-1 não afetaria a equipe. Isso pode ser interpretado de duas formas: alguém vai cuidar dos motores fabricados pela Renault (a Ilmor, provavelmente), ou o acordo não foi fechado com os franceses. Há ainda quem acredite numa surpresa, uma Red Bull-Honda. Acho muito difícil.

– Frase de Vettel, fazendo um balanço da temporada. “Se a gente olhar para onde a Ferrari estava no ano passado e para o que conseguiu neste, é quase um milagre”, falou o alemão. A saber: o time foi quarto colocado no ano passado, com 216 pontos, e pulou para segundo em 2015, com 428; três vitórias nesta temporada, contra nenhuma na última; uma pole em 2015, nenhuma em 2014; três melhores voltas agora, uma no ano passado; quatro presenças na primeira fila em 2015, nenhuma em 2014; e o grande salto na quantidade de pódios 16 x 2.

– A Manor Marussia encerrou sua participação no Mundial como única equipe zerada, mas orgulhosa de ter conseguido terminar 14 das 19 corridas com seus dois carros andando. Não é nada, não é nada, e não é nada, mesmo.

– Button considerou o GP de Abu Dhabi sua melhor corrida no ano. Por ter conseguido, nas voltas finais, não ser ultrapassado pela Williams de Bottas. O inglês terminou em 12º. A McLaren vai ter muito trabalho. Sua temporada na volta da parceria com a Honda foi pavorosa.

FOTO DO DIA

F

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SÃO PAULO (parabéns!) – Não posso deixar de registrar o excepcional resultado do Paulo Sousa, em dupla com Tiel Andrade, em sua primeira participação nas 500 Milhas de Londrina. Um lindo segundo lugar, a 3s010 do vencedor. Isso mesmo: três segundos, depois de mais de sete horas de corrida! Paulo (na foto é o penúltimo da esquerda para a direita; o carro é o #5) é meu parceiro de LF na Classic Cup e correu em Londrina pela tradicionalíssima equipe gaúcha MC Tubarão, que também colocou um carro em sexto lugar na geral.

A corrida foi muito legal. E a cobertura do Rodrigo Mattar, idem. Está tudo aqui, em textos espetaculares com a seriedade e conhecimento de sempre. Essa prova, a exemplo das 12 Horas de Tarumã e da Cascavel de Ouro, é uma peça de resistência do automobilismo brasileiro, que sobrevive — apesar dos dirigentes. Foram 32 carros no grid, centenas de pilotos e mecânicos, uma festa maravilhosa, apesar das dificuldades — entre elas, as chuvas fortíssimas que atingiram o norte do Paraná no fim de semana.

Ainda corro uma dessas.

HABIB’S (4)

H

LONDRINA (sem surpresas) – E o Mundial de F-1 acabou sem graça, como se esperava. Aliás, como se sabia que seria nessa pista ridícula de Abu Dhabi, cheia de gente bonita tomando champanhe, barcos ancorados, hotéis iluminados e picas de corrida. É um traçado muito, muito ruim. Não me lembro de ter visto uma única prova boa no circuito árabe. Se vocês viram, me contem — a de 2010 foi OK pela decisão do título, mas o resto…

Corridinha standard, dobradinha da Mercedes (12ª no ano), Ferrari no pódio, zero surpresa. Parabéns a Rosberg, que termina a temporada muito melhor que o campeão Hamilton.

Ao GP, pois.

Logo de cara, o pobre Maldonado foi atingido no meio por Alonso, que por sua vez havia tocado em Nasr. Pelotão da merda dá nisso. Fernandinho ainda conseguiu ficar na corrida. Pastor abandonou com a suspensão quebrada. Na frente, a largada foi normal, o perde-ganha de posições de curva a curva, até que todas se estabilizaram com Rosberguinho na ponta e Hamilton em segundo, ambos escoltados por Raikkonen.

Havia uma curiosidade natural pela estratégia de Vettel, largando em 15º depois da cagada da Ferrari no Q1, ontem. E ela foi: fica na pista até arregaçar a borracha, adiando a primeira parada. Isso foi cumprido à risca. Sebastian chegou a andar em segundo depois que todos pararam, na 16ª volta. Aí, naturalmente, a galera de pneu novo foi chegando e passando.

Bottas foi outro que, a exemplo de Maldonado, acordou do lado errado da cama. Em seu pit stop, a Williams o liberou quando Button entrava nos boxes. Bateram, claro. A asa dianteira do finlandês quebrou. Ele teve de voltar para trocar o bico e ainda levou um pênalti de 5s. Já tinha largado mal. Depois dessa, despencou lá para o fundão e ficou esperando a corrida acabar.

A primeira parada de Vettel aconteceu apenas na volta 24. Retornou à pista em sexto, o que não era nada ruim. Numa pista de ultrapassagens complicadas, acabou ganhando várias posições ao atrasar o pit stop. Foi inteligente, embora milagre não tenha acontecido — um pódio, por exemplo.

Nico-Nico no Fubá não parecia ter a menor dificuldade para vencer mais uma vez no ano, a sexta — terceira seguida, 14ª na carreira. Depois de sustentar a ponta na largada, abriu uma distância segura para Hamilton e foi ficando nela. Parou na volta 11, e continuou sem problemas na frente. Mas na altura da volta 25, essa diferença começou a cair. Os pneus do alemão começaram a granular na medida em que o sol se punha e o asfalto esfriava. Lewis era informado pelo rádio das dificuldades de seu parceiro e partiu para cima.

Quando apenas 1s separava os dois, Rosberg foi para os boxes, na volta 31. Hamilton enfiou o pé no porão e tentou abrir, em poucas voltas, uma vantagem suficiente para parar e voltar na frente do inimigo platinado. Não deu. Na passagem seguinte à parada de Rosberg, essa diferença era de 20s — precisaria de uns 22s para alcançar o objetivo. Na volta 35, caíra para 18s. Nico, com pneus melhores, vinha descontando. Reassumiria a ponta no momento da parada do inglês, e a questão era: com borracha mais fresca no fim da corrida Hamilton seria capaz de atacar?

Só que, na verdade, Lewis não queria parar. E começou a conversar freneticamente com a equipe pelo rádio. E o time dizendo que tinha de parar. E ele parou, na volta 42, e colocou pneus macios, e não os supermacios para um ataque final, como se imaginava. Vettel fizera isso poucas voltas antes, para buscar alguma coisa sobre Ricciardo e Pérez, à sua frente. Conseguiu e passou os dois para terminar em quarto, um resultado brilhante para quem estava tão atrás no grid.

Rosberguinho voltou à liderança, com folga: mais de 12s. Faltavam 12 voltas, e seus pneus eram 11 voltas mais velhos que os de Hamilton, que começou a remar tudo de novo, virando tempos muito bons. Só que a distância era muito grande. Talvez com pneus supermacios esse caminho pudesse ser encurtado. Mas eles gastariam mais rápido, também. A Mercedes foi conservadora, apostando na segurança. Algo que Comandante Amilton não curte muito.

Na volta 47, a diferença caíra pra 8s5. Hamilton vinha chegando, claramente. Mas já diz o sábio: chegar é uma coisa, passar é outra. Ainda mais em Abu Dhabi. E eu acrescentaria: pneus perdem performance, e por isso às vezes nem chega. Foi o que aconteceu.

O rádio informava Rosberguinho volta a volta da diferença que tinha sobre o tricampeão. O ritmo de Hamilton, excelente nas primeiras voltas após o pit stop, se estabilizou. Assim como a vantagem para o inglês, que estacionou na casa dos 7s. E assim foi até o final.

Rosberg, Hamilton e Raikkonen fizeram o último pódio do ano. Vettel, Pérez, Ricciardo, Hülkenberg, Massa, Grosjean e Kvyat fecharam a zona de pontos. 2015 acabou como começou. Previsível.

BON VOYAGE (4)

B
LONDRINA (agora, Interlagos) – Meu Voyage tem quatro pequenos furos na tampa do porta-malas. E duas entradas circulares tapadas com chapa. Nos furos, um dia, sabe-se lá quando, um aerofólio foi fixado. Nas entradas, hoje fechadas, havia válvulas para reabastecimento. Meu Voyage, um dia, sabe-se lá quando, disputou corridas de longa duração. Mil Milhas, talvez? Quando? Quem?

Ele foi encontrado no início do ano nos fundos de uma oficina. O dono precisava desocupar o imóvel, passou em frente à nossa oficina, viu uns carros de corrida, parou, conversou com o Nenê Finotti, meu chefe de equipe, e falou dele. Nenê foi lá, viu, gostou e trouxe para casa.

Um dia apareci na oficina, nem sei o que fui fazer, porque tinha parado de correr, e ele me apresentou ao Voyage. Vamos fazer, falou. Relutei. Fiquei alguns minutos olhando para o pequeno sedã, então pintado de azul e branco, vi o santantônio montado com esmero, o tanque de combustível grande que insinuava uma vida passada nas pistas em longas e difíceis provas, os faróis tímidos — Volkswagens são carros tímidos –, as pequenas rodas de aro 13, dei a volta nele, olhei a traseira, as discretas lanternas dos anos 80, e ainda relutando, falei: OK, vamos fazer.

Desde então, abril, vi o carro pouquíssimas vezes. Duas ou três, não mais. A última em agosto, talvez? Três, quatro meses sem aparecer na oficina, às voltas com milhares de outras coisas desimportantes, o Nenê me informando de vez em quando do andamento das coisas, a gente tinha combinado de estreá-lo em Londrina, até onde eu sabia ia dar tempo e o cronograma que meu chefe estabeleceu, sem nem me dizer qual era, vinha sendo cumprido à risca.

Fui conhecer meu novo carro de corrida, de verdade, ontem de manhã. Eu teria um treino livre no início da tarde e uma sessão de classificação algumas horas depois. A pintura, na verdade a “envelopada”, ficou bonita. Gostei. Vermelho, amarelo, branco, um carro alegre.

Não sei se ele me reconheceu quando cheguei ao autódromo. Nossos encontros anteriores haviam sido breves e pouco intensos, dificilmente acharia que aquele cara que passou duas ou três vezes na oficina seria seu parceiro algum dia. Na última visita, cheguei a sentar no banco que tinha comprado para marcar a posição ideal para minhas pernas e braços curtos de piloto meio-metro. Foi o contato mais íntimo que tivemos.

Por isso, talvez, o Voyage que um dia teve aerofólio traseiro e bocais de tanque de gasolina na tampa do porta-malas não deve ter ficado nem um pouco impressionado com aquele cara que, agora ele lembrava, passou duas ou três vezes na oficina nos últimos sete meses e agora estava sentado atrás do volante “quatro bolas” (o novo não ficou pronto) com uma capa de carro dobrada no assento e nas costas para alcançar direito os pedais.

Foram 11 voltas, um tempo medíocre na casa de 1min40s, mas 11 voltas tranquilas, sem sobressaltos, rodadas, ou escapadas assustadoras, apenas uma passada pela grama numa freada mal calculada, e assim ele voltou aos boxes intacto, e ao final trocamos poucas palavras, valeu, boa, até já. Me perguntaram o que achei, respondi apenas “gostei, é neutro, não sai de frente, nem de traseira”.

Poucas horas depois, o cara estranho de pernas curtas voltou, sentou no banco com a capa no assento e nas costas e foi para a classificação, e quando voltou tinha baixado dois segundos, e quando eu soube desses dois segundos, ainda dentro do carro funcionando, dei um murro no volante e disse, puta que pariu, boa, caralho, e nesse momento tenho a impressão que o Voyage envelopado com cores alegres sorriu pela primeira vez no fim de semana.

Caiu o mundo de madrugada em Londrina e a primeira corrida de hoje, pela manhã, foi com chuva. Estávamos em 18º no grid. Gosto de andar na chuva, ainda mais com tração dianteira e pouca potência — meu motor é 1.6 e usamos carburador mini-progressivo, que é divertido, mas não assusta os picas da frente com seus Weber monstruosos.

Éramos 2o no grid, embora 25 tivessem participado da classificação — alguns quebraram, outros desistiram por causa da chuva forte. Largamos bem, quatro ou cinco posições ganhas, duas ou três perdidas em poucas curvas, e minha única missão era andar perto de um Gol da mesma categoria, carro bem desenvolvido e pilotado por gente de gabarito (Rafinha na primeira bateria, Speto na segunda). E para minha surpresa, o Gol estava lá, ao alcance da nossa vista e das nossas freadas e retomadas, deixei até um Passat e uns Fuscas mais bem cotados para trás, o carrinho ia bem na chuva, e na sexta volta passei, passamos, caralho, e fomos abrindo, e a porra da corrida não acabava nunca, começava a secar, o Passat do Tranjan me alcançou faltando cinco voltas, mas até onde eu podia compreender estava em primeiro na categoria, e quando apareceu a placa de uma volta para o fim prendi a respiração e falei pela primeira vez na corrida com ele, falta uma volta, sem cagadas, por favor, eu que tenho de dizer isso, ele respondeu, e quando apareceu a quadriculada e vi o pessoal na mureta fazendo o número 1 com o dedo indicador percebi que sim, ganhamos a corrida.

Ganhamos a corrida, OK, apenas 14º na geral, mas ninguém quebrou ou bateu, e quem precisava ficar atrás ficou — com problemas no acionamento do segundo estágio do acelerador, soube depois, mas não importa. Ganhamos a corrida, rapazinho.

Ele chegou sujo e enlameado, mas inteiro e satisfeito. Prazer, garotão, agora sua vida vai ser assim, eu nesse banco com a capa dobrada para alcançar os pedais, você me levando do jeito que achar melhor.

Na segunda corrida, quebramos na volta de apresentação — algum piripaque na bomba de combustível. Chegou a funcionar de novo quando o cara da picape já ia nos rebocar para os boxes, mas apagou outra vez. OK, fica aí no meio do gramado assistindo tudo de camarote que daqui a pouco venho te buscar. Atravessei a pista, fiquei na mureta vendo os amigos correrem, quando acabou rebocamos o mocinho para os boxes, e lá chegando a bomba voltou a funcionar.

Desculpe, ele me disse. Fica tranquilo, já fizemos o bastante por hoje.

HABIB’S (3)

H

Motor Racing - Formula One World Championship - Abu Dhabi Grand Prix - Qualifying Day - Abu Dhabi, UAE

LONDRINA (calma, já conto) – Rosberguinho acordou um pouco tarde no campeonato, mas está provando que pode, sim, enfrentar Hamilton. Que, por sua vez, está se queixando de “dificuldades” com o carro. Ora, ora, senhor Hamilton!

Nico-Nico no Fubá fez, em Abu Dhabi, sua sexta pole consecutiva, o que não é fácil de conseguir em tempo nenhum. Pode conquistar a terceira vitória seguida e fechar o ano em alta, depois de um período ruim na metade da temporada. Comandante Amilton larga em segundo, com Raikkonen e Pérez na segunda fila.

A Force India vem sendo a grande surpresa do fim de semana. E Vettel foi o grande mico. Ele e a Ferrari erraram a estratégia no Q1, acharam que a voltinha com os pneus macios estava OK, e não foi o suficiente. Tião Italiano simplesmente não passou ao Q2, baita vergonha.

Temas de fim de ano, explodindo em Abu Dhabi — e podem comentar à vontade sobre eles: Mercedes acusou a Ferrari de usar a Haas para dar um migué nos limites impostos para utilização de túnel de vento; Dennis disse que Alonso pode tirar um ano sabático em 2016 e o espanhol negou; Renault deve anunciar compra da Lotus esta semana; Horner afirma que motores híbridos são uma merda.

A corrida de amanhã não deve ser grande coisa, como não são as provas em Yas Marina — a pista é ruim demais, embora bela e luminosa. Mas vamos vê-la. Agora vou escrever sobre este sábado épico em Londrina. Até já.

FOTO DO DIA

F

heinkel

LONDRINA (e chove…) – Nada a ver com nada do meu fim de semana automobilístico, mas fiquei tão espantado com o que escreveu o Eugenio Chitt no Facebook que reproduzo e pergunto: como é que vocês aí de Itajaí nunca me disseram nada?

Em Itajaí, SC, uma senhora tem uma coleção de minicarros que conta com esse Heinkel da foto. Tem até Fiat 500. No sábado ela tira o dia para passear com eles. Foto do Dagoberto Moraes.

E pergunto também: quem é essa mulher?

BON VOYAGE (3)

B

LONDRINA (sono) – Prometi que ia voltar para explicar por que minhas melhores parciais não foram registradas na melhor volta do dia. Rapidinho, então, porque tenho de dormir.

Quando se pega um carro novo em folha, como é o caso do Voyage #69, é preciso “descobrir” um traçado por setores. Assim, nas primeiras voltas cada uma é dedicada e acertar um trecho específico. Depois que você percebe que encontrou a melhor forma de frear, contornar, sair de uma determinada curva, vai para a seguinte. Até chegar ao que pode ser considerada a volta ideal.

Mas muitas vezes a gente é rápido num trecho comprometendo o seguinte. É preciso algum equilíbrio, pois. Sacrificar uma entrada de curva para sair forte dela e carregar velocidade para uma reta, por exemplo. Ou frear mais dentro em outra, matando a saída porque a reta seguinte é curta e vale mais a pena ganhar tempo na entrada do que na saída.

É possível monitorar isso com aplicativos de celular que mapeiam o circuito e dão os tempos em cada trecho. Eu não uso, porque… Porque não. Mas vou usar. Inclusive estou até sem o “hot-lap”, que me dá os tempos de volta. É ruim andar sem referência de tempo nenhuma. Se conseguir amanhã um treco pra prender o iPhone no painel, vou ver se consigo pelo menos essas informações. São muito úteis, não dá para fazer tudo na sensibilidade.

Estou sem câmera on-board, também, mas vou arrumar, prometo.

E até mais. Duas corridas pela frente. Um Voyage para conhecer. Uma vida para viver. Bye.

voyaginholondrina1

BON VOYAGE (2)

B

LONDRINA (foi bom) – A gente vai sair pra jantar, então depois conto direito. Mas o Voyaginho foi bem, hoje. Meu tempo, 1min38s591, não é particularmente impressionante por ter me colocado apenas em 18º no grid. Mas considerando que comecei o dia virando 1min45s e fechei o primeiro treino em 1min40s661, baixar dois segundos na classificação é bom. Muito bom. Porque o Nenê ontem, nos treinos livres, andou na casa de 1min37s. Ficar apenas um segundo atrás dele é algo que me deixou muito feliz.

O carro é legal. Nos entendemos bem.

Ah, o grid está aqui. Foram 25 carros na classificação, mas creio que teremos quase 30 no grid. Serão duas corridas, uma às 10h20 e outra às 13h50. Tenho uma meta de tempo para amanhã: 1min37s592. É a soma das minhas melhores quatro parciais hoje, sendo que nenhum delas foi registrada na volta mais rápida. Depois explico por quê.

PARA O MUNDO

P

roboraceLONDRINA (e esse “para” aí em cima é verbo, não preposição; maldita reforma ortográfica) – A Fórmula E vai introduzir na sua próxima temporada uma sub-categoria. Detalhe bastante relevante: os carros não terão pilotos. Isso mesmo, carros sem pilotos, elétricos, comandados por inteligência artificial.

Roborace é o nome da bagaça.

Estou ficando com medo do futuro.

TOMARA, TOMARA

T

LONDRINA (e por que não?)Pessoal da FIM e da Dorna andou visitando o Circuito dos Cristais, em Curvelo. Parece que gostaram muito do que viram. MotoGP no interior de Minas? É possível, sim. O Brasil é um mercado importante para todas as fábricas envolvidas.

Esse novo complexo esportivo e residencial de Curvelo (tem um condomínio anexo) é a coisa mais importante que aconteceu no automobilismo — e motociclismo — brasileiro em anos.

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BON VOYAGE (1)

B

LONDRINA (com calma, tudo dá certo) – O dia começou tarde por aqui. Farei meu primeiro treino daqui a pouco. A posição de banco não é a ideal, e ainda não estamos com o volante adequado. Mas o Voyage #69 já recebeu visitas ilustres, como as do infalível Nipo Luso e do impecável Rodrigo Mattar.

Daqui a pouco eu volto.

bomvoyage

HABIB’S (1)

H

LONDRINA (sorry, periferia) – Macacada, estou em Londrina para correr. Não vi os treinos. Vi os resultados e o relato no Grande Prêmio. Vi que a Mercedes andou na frente de novo e que a Force India surpreendeu. Mas agora só tenho olhos para meu Voyage. Pista daqui a pouco, meta de tempo estabelecida: 1min40s. Qualquer coisa abaixo disso é lucro.

Este post é só pra manter a tradição de dias de treinos. Depois a gente melhora.

AINDA CURITIBA

A

SÃO PAULO (o tempo passa, o tempo voa) – Parece que agora não tem mais jeito. Em matéria da “Gazeta do Povo” publicada agora há pouco, um dos donos do autódromo de Curitiba confirma que o negócio para a venda do terreno está praticamente fechado e que atividades automobilísticas na tradicional e bela pista paranaense, só até junho. Mauro Raimundo mandou a notícia pelo Twitter.

Uma pena.

Em compensação, tem gente querendo fazer um complexo turístico que inclui um autódromo em Foz do Iguaçu. Esse aí embaixo, descrito neste link aqui, da mesma “Gazeta”. Duvido muito, mas, como sempre, torço. Porque de quinhentos projetos que recebo por ano, só mesmo o de Curvelo saiu do papel.

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INTERESSE ZERO

I

SÃO PAULO (melhor se mexer) – É muito significativa a reportagem de Victor Martins publicada hoje no Grande Prêmio. No rastro da proposta de Jean Todt e Bernie Ecclestone, de implantar um motor alternativo para 2017 — algo que acabou sendo descartado –, Martins buscou saber de dez montadoras que têm envolvimento com automobilismo qual seu interesse na F-1.

Nenhuma tem.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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