Arquivosexta-feira, 1 de abril de 2016

IS’SAKHIR Ô, Ô (1)

I

Bahrain_flag_designSÃO PAULO (longo fim de semana)Button em terceiro? É 1º de abril. Só pode. E o Alonso, coitado, tendo de ver tudo da mureta.

Mas faz parte. O primeiro dia de treinos no Bahrein serviu para colocar água na fervura da turma da AFEMP (“A Ferrari Está Mais Perto”), que todo ano coloca a equipe italiana mais próxima de quem está engolindo a categoria — talvez por achar que ela seja a única capaz de chegar no time dominante da vez, como era a Red Bull entre 2010 e 2013, como é agora a Mercedes.

A diferença de Nico-Nico no Fubá, o mais rápido do dia, para Bonitton foi de 1s280. Para a melhor Ferrari, de Raikkonen, o quinto, 1s451. Na frente dos carros vermelhos se enfiou Verstappinho, com um ótimo carro da Toro Rosso — que, no entanto, tem de converter o bom momento em pontos gordos, o que não aconteceu na Austrália.

Se tirarmos os dois carros da Mercedes da tábua de classificação de hoje, restaria um enorme e delicioso equilíbrio entre muitas equipes diferentes. De Button, o terceiro, para Pascal Wê Lá Hein?, o 19º, apenas 1s672. A lerdeza quase absoluta ficaria restrita à Sauber, hoje o pior time do grid, e Rio Haryanta, que é ruim pacas — eu achava que era bom, mas sei lá.

[bannergoogle] Gutierros e Grojã, a dupla da Haas, voltou a andar de forma consistente e mais do que honesta, no meio do pelotão. Deixara para trás, inclusive, o duo (“duo” é muito bom) da Force India, que vem sendo a decepção deste comecinho de ano, dadas as expectativas criadas pelos testes de pré-temporada. A Williams mergulhou na discrição e a Red Bull corre o risco, cada vez mais concreto, de ficar o campeonato todo atrás da filial tororrôssica.

Mesmo com o formato de classificação mantido, não deverá haver nenhuma surpresa lá na frente na definição do grid, com mercêdicos fazendo 1-2. Quer ver é a partir da segunda fila, com vários times brigando por pentelhésimos: Ferrari, Toro Rosso, Red Bull e Williams, com certeza próximos, e até McLaren, se o terceiro lugar de Jenson não tiver sido brincadeira de “April’s Fool”.

Stoffel Nãodorme fez sua estreia pela equipe no lugar de Alonso, El Fodón del Costelón, e completou 55 voltas, andando perto do inglês. Contou que Fernandinho ficou o tempo todo do lado dele, dando instruções. “Ao capotar, saia rápido do carro”, “Se tomar um choque, não se importe com os cabelos arrepiados”, “Quando quebrar, diga apenas ‘de novo'”, “Quando alguém te ultrapassar, diga ‘este motor parece de GP2′” — foram algumas das dicas.

Rosberguinho está andando muito bem. E se repetir domingo, no deserto de Sakhir, a vitória de Melbourne, vai colocar Hamilton em parafuso, o que pode ser muito bom para o campeonato. Adoro crises emocionais de pilotos.

buttonsalhir

Coisinhas que aconteceram hoje:

– Nando Parrado esteve no paddock. Quem? O uruguaio foi um dos 16 sobreviventes do acidente aéreo de 1972 nos Andes, que ficou famoso porque até carne humana os caras tiveram de comer. Aqui você encontra uma descrição da tragédia. É uma história inacreditável. Parrado se tornou piloto profissional depois disso e hoje dá palestras pelo mundo sobre sobrevivência. Tem um museu em Montevidéu sobre o assunto.

– Médios, macios e supermacios são os três pneus disponíveis para o GP — cada equipe define com alguns dias de antecedência dois tipos que serão usados no fim de semana. Os macios, com 3.190 km rodados e 45 jogos usados, foram os mais “populares”. Os médios rodaram 2.101 km (27 jogos) e os supermacios, 1.343 km (18 jogos).

– Magnólia Arrependida não percebeu que tinha sido chamado para a pesagem no segundo treino livre, foi punido e vai largar dos boxes domingo.

Bernie inventou o “lastro de tempo” como sugestão para definir o grid. Psiquiatras com camisa-de-força foram chamados.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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