Arquivosábado, 23 de julho de 2016

DO DIA NA HUNGRIA (2)

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SÃO PAULO (sempre fecha) – Foi zoado, deu pintas de grid embaralhado, mas, no fim, a lógica prevaleceu. E o grid do GP da Hungria terá duas Mercedes na primeira fila. Rosberguinho cravou Hamilton com estilo. Contou com ajuda externa — uma bandeira amarela causada por Alonso quando Lewis fazia sua última volta rápida no Q3. Mas azar dele, Hamilton, que teve de tirar o pé. Nico não tinha nada com isso, vinha um pouco depois, disse que também deu uma aliviada, e só de noite sua pole foi confirmada — ele teve de provar que não infringiu o regulamento de bandeiras amarelas. Assim, fez a 26ª pole de sua carreira, quarta no ano — depois de brevíssimo jejum de duas corridas. Massa bateu no Q1 e larga em 18º. Nasr, não muito melhor, é o 16º no grid.

[bannergoogle]Poucas vezes se viu um Q1 tão tumultuado. A chuva que despencou sobre a região de Hungaroring antes da classificação fez com que a direção de prova adiasse seu início em 20 minutos. Até o safety-car aquaplanou. Quando começou, cinco minutos de tempestade forçaram uma nova paralisação. Mais 15 minutos, bandeira verde de novo, até Ericsson bater, nova vermelha depois de mais cinco minutos. Um caos. Restavam 9min para o fim da sessão quando o piloto da Sauber se acidentou.

Às 9h55 daqui, pista liberada mais uma vez. Sainz quase bate no safety-car no pit-lane. Uma zona monumental. Alguns colocaram pneus intermediários. Então, quem bateu forte foi Massa. Adivinhem? Bandeira vermelha. Uma delícia. Faltando 5min para zerar o cronômetro, o líder da tabela de tempos era Nasr com 1min39s500… Para lembrar, no seco os melhores tempos da Mercedes foram obtidos na casa de 1min20s.

A remoção do carro de Massa foi rápida e às 10h07 os boxes foram abertos uma vez mais. A bagaça, que em condições normais de temperatura e pressão iria das 14h às 14h18 locais, já passava de uma hora de duração. Todos saíram, agora, com intermediários. Incrivelmente havia até sol em alguns trechos.

Com estes pneus, e a pista melhorando ligeiramente, cada um saiu dos boxes para pelo menos duas voltas rápidas. Alguns tentariam três. Os tempos começaram a baixar dramaticamente, como diz meu amigo Sormani. E então? Claro, bandeira vermelha. Já perdi as contas de quantas. Haryanto foi o piloto da vez. Restava 1min18s para o fim do Q1. Ninguém mais teria tempo de nada. E a direção encerrou a bagunça, degolando Palmer, Massa, Magnussen, Ericsson, Wehrlein e Haryanto.

A ordem lá na outra ponta, entre os mais rápidos, teve nas cinco primeiras posições Rosberg, Hamilton, Alonso (como anda no molhado, esse moço…), Vettel e Grosjean. Os demais se viraram e fizeram seus tempinhos.

[bannergoogle]A chuva parou, nesse ínterim. Quanto tempo o asfalto novo levaria para secar, ninguém sabia. Bottas foi o primeiro a colocar slicks. Hamilton tinha 1min31s5 com intermediários. O finlandês da Williams veio sambando lindamente, brigando com o carro e com a vida, mas virou quase 1s melhor que Lewis. Então, estava na cara: o novo asfalto era de secagem rápida. Slicks para todos.

Chamou a atenção a quantidade de voltas anuladas pela direção de prova por conta do abuso de alguns pilotos, ultrapassando os limites da pista em pontos que foram classificados como de “tolerância zero”. Com o cronômetro zerado, até Rosberg aparecia fora do top-10. Mas estava todo mundo na pista. E na medida em que os favoritos foram completando suas voltas, as zebras foram desaparecendo — uma delas, Alonso em primeiro mais de uma vez. No fim, deu Verstappinho na frente com 1min26s660. Dançaram Grosjean, Kvyat, Pérez, Raikkonen, Gutiérrez e Nasr. Não é preciso dizer que o título de vexame do dia ficou para Kimi.

Passaram adiante, pois, Verstappen, Rosberg, Ricciardo, Alonso, Hülkenberg, Vettel, Button, Bottas, Sainz e Hamilton. Palmas para a McLaren, levando seus dois carros para o Q3. Que aconteceria com pista seca e sol, chances maiores de dar a lógica depois de tanta confusão. A coisa foi tão atrapalhada que Lewis passou na bacia das almas, 0s1 mais rápido, apenas, que Grojã. Quase fica fora do Q3.

Apesar da plaquinha indicando “wet track” na saída de box, a definição dos dez primeiros no grid começou mesmo com sol e asfalto bom o bastante para todo mundo seguir com os slicks supermacios. O trilho era suficientemente seco e seguro. A primeira bateria de voltas restabeleceu a ordem natural das coisas, com Hamilton e Rosberg virando na casa de 1min20s de novo. Vantagem de 0s391 para o inglês, o que era preocupante para o líder do Mundial.

Na segunda tentativa, Nico-Nico no Fubá melhorou, mas ainda estava 0s093 atrás do companheiro. A Red Bull confirmava sem muitas dificuldades a condição de segunda força do campeonato, com seus dois carros atrás da dupla da Mercedes. A diferença de Ricardão para Comandante Amilton era de aceitáveis 0s172. Não dava para reclamar do carro, não.

[bannergoogle]E o final foi sensacional. A terceira rodada de voltas rápidas começou com todo mundo justinho no cronômetro, abrindo volta a segundos da quadriculada — Verstappen não conseguiu. A dupla da Mercedes, sim. Mas… Alonso rodou, na frente de Hamilton, causando uma amarela que estragou a volta de todos que vinham atrás. Menos de Rosberg. E o alemão, numa volta extraordinária, cravou 1min19s965 e tirou a pole de Hamilton por pentelhésimos de segundo.

O grid ficou, pela ordem, com Rosberguinho, Comandante Amilton, Ricardão, Verstappinho, Tião Italiano, Sainz Idade, El Fodón de La Clasifición, Bonitton, Hulk e Sapattos. Pode-se dizer que deu a lógica, McLaren à parte — embora fosse previsível que o time de Woking andaria direitinho numa pista travada como a de Budapeste; mas foi a primeira vez desde a volta da parceria com a Honda que os dois foram para o Q3.

É a chance de Rosberguinho se recuperar no campeonato de seu breve inferno astral. Vai ser bom, amanhã.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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