Arquivodomingo, 24 de julho de 2016

DO DIA NA HUNGRIA (3)

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hamilhun16

SÃO PAULO (tem dia que de noite…) – Escrevi ontem: “Vai ser bom, amanhã”. Não foi.

O GP da Hungria repetiu roteiro conhecidíssimo há décadas. Quando nada de extraordinário acontece, como um favorito largar atrás, ou uma chuva marota, ou algum safety-car fora de hora, a corrida é chata.

Curioso é que a três voltas do final as diferenças entre primeiro e segundo (Hamilton e Rosberg), terceiro e quarto (Ricciardo e Vettel) e quinto e sexto (Verstappen e Raikkonen) eram inferiores a 1s — entre os pares, bem-entendido. E nem isso fazia da prova magiar uma corrida interessante. Porque todos sabíamos que ninguém passaria ninguém.

[bannergoogle]Assim, pela primeira vez no ano tivemos uma mudança de líder do campeonato. Hamilton venceu. Rosberg chegou em segundo. As posições, invertidas no grid, foram trocadas na largada. O inglês saltou na frente do alemão, que estava na pole, e lá ficou. Apesar da proximidade durante toda a corrida, em nenhum momento Nico-Nico partiu para o ataque. A quinta vitória de Lewis na Hungria — é o maior vencedor da história da pista, deixando Schumacher para trás — foi tranquila.

Hamilton foi a 192 pontos, contra 186 de seu parceiro de Mercedes. A lógica indica que agora ele dispara na frente. Levou 11 corridas para passar o parceiro, que começou o Mundial de forma arrasadora, com quatro vitórias seguidas. Mas será que vai ser assim? Tenho minhas dúvidas. Sigo achando Rosberg um piloto bom o bastante para ser campeão. Mas ele precisava ter administrado melhor a vantagem que chegou a ser de 43 pontos. Agora, sei não. Pode ser. Sei lá.

A história da corrida de hoje em Budapeste não terá espaço reservado para capítulos muito emocionantes. A cota de coisas estranhas do fim de semana se esgotou no sábado, com a classificação chuvosa-ensolarada. Hoje, foi bem “standard”. Dá para pinçar algumas frases engraçadinhas, no máximo. “Estou guiando que nem uma vovó” — de Verstappen , quarto colocado, para a Red Bull, pelo rádio. Detalhe: à frente dele estava Ricciardo. O jovem Max, pois, insinuando que o australiano tinha de sair da sua frente. O jovem Max, às vezes, fala mais do que deveria. Mas segue sendo muito bom. Marrento, mas muito bom. Em tempo: não ultrapassou.

[bannergoogle]Teve outra coisa legalzinha no início. Button avisando que seu pedal de freio estava esquisito, a McLaren dando instruções pelo rádio, a direção de prova punindo Button. Patético.

Na volta 14, começaram os pit stops. Essa janela, para quem partiu para duas paradas clássicas, durou até a volta 18. Quem se deu bem foi Vettel, que era quinto antes do pit stop e voltou em quarto, ganhando a posição de Verstappinho. Tião Italiano parou um pouco antes. A estratégia foi acertadíssima.

Raikkonen, com a outra Ferrari, esticou bastante o primeiro “stint” por conta da péssima posição de largada — ele não foi ao Q3, vocês se lembram. Deu certo, porque largou com os pneus macios e foi ganhando posições na medida em que a turma da frente parava. Ele só fez seu pit stop na volta 29, depois de segurar Verstappen um tempão — o holandês, quando saiu dos boxes após sua parada, além de perder a posição para Vettel foi cair atrás de Kimi, que não tinha parado.

dedodolhO tagarela finlandês voltou em sétimo, atrás de Alonso, e rapidamente superou o espanhol. Na volta 34, Ricciardo decidiu antecipar seu segundo pit stop. Verstappen parou na 39. Hamilton e Vettel, na 41. Rosberg, na 42. Raikkonen, na 51. E sabem o que aconteceu? Nada. Todos mantiveram suas posições. Tirando um dedo do meio que Lewis mandou para Gutiérrez porque demorou para colocar uma volta no mexicano, nada de mais emocionante aconteceu nesse período. Isso foi na volta 53.

A última batalha por alguma coisa, que também resultou em nada, foi de Raikkonen, sexto, contra Verstappen, quinto. Foram 15 voltas de pau puro, com o ferrarista calçado de supermacios mais novos e o rubro-taurino de macios bem usados. Houve um toque, até, e Kimi perdeu parte da asa dianteira, na volta 57. Xingou o “teenager”, disse que ele estava mudando de direção mais de uma vez, mas na verdade Max defendia-se com a competência que já havia mostrado outras vezes — inclusive em disputas com o próprio Raikkonen.

Fim de papo, com Comandante Amilton levantando um troféu de vencedor pela 48ª vez na carreira. Com mais quatro, ele supera Prost e fica apenas atrás de Schumacher na lista de maiores ganhadores de corridas de todos os tempos em todos os mundos. O alemão tem 91, marca que dificilmente será alcançada nesta vida. Mas as 51 de Prost já estão maduras. Rosberguinho e Ricardão fecharam o pódio, bastante amistoso. Tião Italiano, Verstappinho, Kimi Dera Ele Ainda Estivesse na Escola, El Fodón de La Sétima Posición (Alonso ficou em sétimo em todos os treinos, no grid e na corrida), Sainz Idade, Sapattos e o Incrível Hulk fecharam a zona de pontos.

[bannergoogle]Massa teve uma das corridas mais horrendas de sua carreira, atrás o tempo todo, depois de largar igualmente atrás. Em determinado momento, a Williams postou no Twitter que “a batalha com Button pelo 18º lugar continua”. Isso, na volta 60. Parecia sacanagem. Ninguém batalha por 18º lugar. Nem eu, com meu Voyage 1987. Tenham dó. Felipe terminou em 18º, para alívio da Williams. Porque Button abandonou. O brasileiro acabou na frente, andando, apenas da dupla da Manor e de uma Sauber, a de Sonyericsson. A outra, de Felipe II, chegou à sua frente. Um negócio medonho. Sai daí, meu filho, enquanto há tempo e enquanto houver algum motivo para se animar em outro lugar. Caso contrário, é perda de tempo, dar murro em ponta de faca

Rosberguinho saiu meio desanimado da Hungria. “Tudo se definiu na largada”, bufou. “Ainda bem que a próxima corrida é logo, e na minha casa.” Melhor se coçar domingo que vem, rapazinho. Senão o hómi lá desaparece.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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