Arquivosábado, 30 de julho de 2016

NA MANHA N’ALEMANHA (2)

N

SÃO PAULO (só nos orgânicos) – Bom, Rosberguinho precisa reagir, certo? Então, que comece bem, como agora há pouco em Hockenheim. Fez uma pole que não foi simples, porque o adversário era forte e porque sua primeira tentativa de volta rápida foi abortada por um problema em seu carro. A Red Bull ficou com a segunda fila. A Ferrari, com a terceira. Essa é exatamente a relação de forças de hoje na F-1. Se tudo correr na normalidade amanhã, os italianos perdem a vice-liderança do Mundial para os austríacos.

kvyatfodido

O Q1 reservou apenas uma surpresa entre os eliminados: Kvyat (foto), que está na boca para perder a vaga para algum moleque da Red Bull se continuar despencando, depois do rebaixamento à Toro Rosso. É uma tristeza o que está acontecendo com a carreira do soviético. Ele não é ruim. Mas não está sabendo lidar com a situação. E, assim, dá o direito de todo mundo achar que, no fundo, é ruim. Aliás, ele mesmo acha que não está guiando nada. Suas declarações pós-treino mostraram como está desencantado da vida.

Ao lado dele, ficaram na primeira ceifada Magnussen, Wehrlein, Haryanto, Nasr e Ericsson. Uma gloriosa última fila para a Sauber — outra tristeza.

[bannergoogle]A turma da frente não teve dificuldade nenhuma em passar ao Q2. Rosberguinho, que fora o mais rápido em todos os treinos livres, sofreu a primeira derrota do dia e terminou em segundo. Mas tinha água para passar debaixo da ponte. Fazer a “pole” no Q1, entre aspas, mesmo, é igual a terminar o primeiro tempo de um jogo de futebol ganhando de 1 a 0. É preciso segurar o resultado, para vencer.

E Nico-Nico não estava a fim de perder a decisão do campeonato, depois de ganhar todos os amistosos. Assim, tentou forte no Q2, mas foi superado de novo por Hamilton. Acendeu a luz amarela. A briga óbvia ficaria entre os dois no Q3, mas de onde Lewis estava tirando aqueles tempos?

Subiram para a parte final da classificação as duplas mercêdica, rubro-taurina, ferrarista, force-índica e martiniana. Estava meio na cara que as três primeiras fariam as três primeiras filas nessa ordem, salvo alguma surpresa. Briga entre equipes, mesmo, ficaria restrita a Hülkenberg, Pérez (foto), Massa e Bottas.

Motor Racing - Formula One World Championship - German Grand Prix - Qualifying Day - Hockenheim, Germany

Foi duro para Rosberguinho aguentar o tranco na hora do vamos ver. Sua primeira volta começou bem, mas ele recolheu aos boxes com um problema eletrônico. Lewis já tinha feito um temporal. O alemão saiu dos boxes quando faltavam 4min para o encerramento da sessão, tendo apenas uma bala na agulha. E acertou no alvo: 1min14s363, superando o tempo do atual líder do Mundial, que ainda melhoraria o seu na segunda tentativa, mas não o bastante. Ficou a 0s107 do platinado piloto da casa, que foi aplaudido pelos gatos-pingados nas arquibancadas.

[bannergoogle](Gatos-pingados é uma licença poética. Tinha bastante gente, mas nem sombra do público que acorria a Hockenheim no passado. Com brancos nas arquibancadas do estádio, foi mais um sábado da F-1 da depressão.)

O grid ficou com Rosberguinho/Comandante Amilton na primeira fila, seguido por Ricardão/Verstappinho na segunda e Kimi Dera Uma Breja Agora/Tião Italiano na terceira. Fecharam o top-10 Sapattos, Hulk (punido com uma posição no grid por uma cagada da Force India com pneus no Q1), Maria do Bairro e Massacrado.

poledonico16aleFoi a 27ª pole da carreira de Rosberguinho, quinta no ano. Ele é o nono piloto com mais poles na história, deixando para trás Mika Hakkinen. Deve terminar a temporada pelo menos em oitavo, superando Fangio, que tem 29. Precisa de mais seis para passar Mansell, com suas 32. Não é impossível, longe disso.

Mais difícil será ganhar o GP da Alemanha amanhã. É claro que tem, no mínimo, 50% de chances. Mas, em corrida, Hamilton tem sido muito forte. Ganhou cinco das últimas seis etapas. Como dito na Hungria, Rosberg precisa quebrar a série. Caso contrário, babau.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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