Arquivomarço 2019

1001 NOITES (3) – QUE PENA

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Vettel consola o jovem companheiro: não foi dessa vez, mas o futuro está aí para ser vivido

SÃO PAULO (sem lágrimas) – Sem querer filosofar muito, a vida é assim mesmo. A gente vai do céu ao inferno rapidinho e só resta levantar a cabeça e seguir em frente. E me parece que Charles Leclerc é desses que não se deixam abater. Num primeiro momento, assim que estacionou o carro depois de receber a bandeirada no Bahrein, deve ter tido vontade de cavar um buraco no chão e nele se enterrar. Aí respirou fundo, recebeu os abraços sinceros de Hamilton e Vettel, e foi buscar seu troféu de terceiro colocado.

O que mais Leclerc vai ouvir nos próximos dias, dos colegas ao atendente do chek in no aeroporto, do carteiro ao rapaz que faz baguete na chapa para ele todas as manhãs em Monte Carlo, será: “Calma, garoto, sua hora vai chegar, você tem muito tempo pela frente”. E é a mais pura verdade. Por isso ninguém viu cenas de desespero explícito do monegasco no circuito barenita, mesmo com a carga dramática que acompanha a perda de uma corrida ganha até faltarem dez voltas para o final. Seria lindo vencer em sua segunda prova pela Ferrari. Mas não deu, e foi lindo do mesmo jeito.

Charles é um garoto de 21 anos que a vida se encarregou de amadurecer rápido. Já levou alguns tombos pesados e o de hoje foi mais um, que nem de longe se assemelha às perdas recentes de gente muito querida, como seu padrinho Jules Bianchi, depois do acidente de Suzuka em 2014, e o pai, mais recentemente. Perto disso, perder uma corrida é fichinha. Sempre tem a próxima.

Mas que ele merecia vencer, merecia. E o automobilismo tem dessas crueldades. Carros de corrida quebram, é o que sempre digo. Faz parte da natureza do esporte. Às vezes é lá atrás e ninguém liga. Às vezes é na frente e todo mundo fica morrendo de dó.

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Largada: Vettel pula na frente e Bottas também ultrapassa o jovem Charles em seu único tropeço no fim de semana

Leclerc fez a pole ontem com enorme autoridade e seu único tropeço no fim de semana foi a largada — superado por Vettel e Bottas, caiu para terceiro nos primeiros metros de um GP que começou promissor. A recuperação foi quase instantânea. Já na segunda volta, deixou Valtteri para trás. Hamilton veio junto e também passou o finlandês.

Vettel tinha começado a noite muito bem, e em três voltas já abria 1s7 para seu impetuoso parceiro. Mas sem nenhuma Mercedes na frente para atrapalhar, Charlinho mirou no alvo que lhe cabia e foi buscar. Na quinta volta, já estava na cola de Sebastian. Na sexta, passou fácil. E foi embora. No rádio da Ferrari, silêncio, Ou quase. Depois soube-se que a equipe pediu para o menino esperar duas voltas para superar Tião, se não fosse incômodo.  Ele não deu muita bola, levou uma só, e ninguém reclamou, nem ameaçou sequestrar seu cãozinho– para desespero dos que adoram demonizar o time e acham que todos seus resultados nos últimos 70 anos foram arranjados por ordem de alguma entidade satânica que recebe almas transtornadas no inferno montada num cavalo rampante.

A partir daí, Leclerc assumiu o controle absoluto da prova barenita com total serenidade, deixando para os outros a tarefa de tentar alguma coisa diferente na luta pelas duas posições restantes no pódio e pelos lugares menos entediantes do purgatório da zona de pontuação. Ali, diga-se, a brincadeira estava divertida. Ricciardo e Hülkenberg, dupla da Renault, eram os que mais se destacavam no bololô intermediário. Gasly, Norris e Raikkonen também entretinham o público.

Todo mundo começou a parar cedo para trocar pneus, indicando que dois pit stops seriam necessários para aguentar o asfalto abrasivo do circuito de Sakhir. Alguns, como Leclerc e Vettel, optaram pelos compostos médios na primeira parada. Outros, como Hamilton, seguiram nos macios. A janela de paradas devolveu Lewis à frente de Tião graças a um trabalho melhor da Mercedes.

Com pneus mais macios, esperava-se que o inglês, então, partisse para cima de Leclerc. Nada… O menino que cresceu solto pelos morros das comunidades pobres da Côte d’Azur, soberano, seguia aumentando a diferença. E quem chegou foi Vettel, que na volta 23 recuperou o segundo lugar passando fácil por Hamilton. Com Charles 8s à frente, quase metade da prova já cumprida, tudo indicava que a esperada dobradinha da Ferrari desde os treinos livres seria confirmada — e com o charme de um novato em primeiro.

A prova entrou num momento de relativa calmaria, aquela que na literatura antecede as grandes tempestades, até a turma voltar aos boxes para a segunda troca de pneus a partir da volta 33. Hamilton voltou aos médios na volta 34, mesma escolha de Vettel duas voltas depois. Charles parou na 37 e seguiu na ponta sem sustos. Com os pneus de letras amarelas, Lewis começou a andar melhor e foi para cima da Ferrari #5. Na disputa, belíssima, Sebastian acabou rodando sozinho — “foi meu erro”, admitiu –, o carro ficou esquisito e pouco depois, vibrando muito, a asa dianteira bateu no asfalto e arrebentou. O alemão teve de voltar aos boxes, trocar tudo — pneus e bico — para retomar a prova em oitavo na volta 38.

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O estouro da asa: pirotecnia no carro de Vettel depois de ser ultrapassado por Hamilton e rodar

Leclerc seguia em velocidade de cruzeiro enquanto o pau comia lá atrás. Então, veio a mensagem pelo rádio: “Tem algo estranho no motor”, alertou. A equipe não sabia o que era. No painel, a mensagem: “Fail B”. O sistema de regeneração de energia — que transforma calor das frenagens e rotação do turbo em potência — parou de funcionar. Leclerc perdeu velocidade imediatamente e começou a virar tempos cerca de 5s piores que todos os demais.

Uma tragédia grega. Com 150 cavalos a menos na traseira, Charles só pôde dizer “oh, meu Deus”. Hamilton chegou e passou na volta 48. Bottas, que estava em terceiro mais de 25s atrás quando o motor da Ferrari deu sinais de estafa, não precisou se esforçar muito para assumir o segundo lugar na volta 54, a três do final. Verstappen, que vinha logo atrás, também iria ganhar a posição.

Foi aí que o destino, tão perverso com Leclerc, resolveu lhe dar uma folguinha. Na volta 55, os dois carros da Renault quebraram ao mesmo tempo. Como ficaram em posições perigosas na pista, a direção de prova acionou o safety-car. Não haveria tempo de uma relargada e, assim, ninguém mais poderia ultrapassar Charles e sua Ferrari se arrastando. A quadriculada foi dada atrás do carro de segurança — pela oitava vez na história um GP terminou assim, sob bandeira amarela. Alívio para o monegasco, enfim. Pelo menos um trofeuzinho na estante. Melhor que nada.

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O cumprimento de Hamilton: o pentacampeão reconheceu que deu sorte

No fim das contas, a Mercedes conseguiu mais uma dobradinha, ainda que tenha sido surrada pela Ferrari desde sexta-feira. Bottas segue líder do campeonato, graças a ponto extra da melhor volta em Melbourne — que hoje ficou com Leclerc. São 44 pontos, contra 43 de Hamilton. Verstappen, quarto colocado no Bahrein, vem em seguida com 27. Vettel, Norris, Raikkonen, Gasly, Albon e Pérez fecharam a zona de pontos no GP desértico. Norris e Albon marcaram seus primeiros pontos na categoria.

Charles foi abraçado por Vettel e Hamilton, ficou chateado, claro, mas não se dissolveu em prantos. Aquele buraco que teve vontade de cavar no deserto foi trocado por palavras firmes e otimistas. “Acontece. A equipe tem de se orgulhar de como melhorou da Austrália para cá. É triste para mim e para o time, claro, mas mostramos que temos o carro mais forte. Vamos para a próxima”, falou.

Hamilton, que na salinha pré-pódio consolara o rapaz dizendo que ele tem um lindo futuro pela frente, também demonstrou alguma comiseração pelo rádio enquanto comemorava a 74ª vitória de sua carreira. “Pena o que aconteceu com o Charles, foi muito triste”, comentou com seu engenheiro. Mas a compaixão terminou aí. “Agora precisamos trabalhar para voltar a andar na frente deles, porque neste fim de semana ficamos atrás.”

É assim, Charlinho. A piedade dura pouco nessa vida que você escolheu. Então, não tenha pena de si mesmo.

O REI DO 2CV

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SÃO PAULO (o meu já foi) – Tenho um leitor que vive me mandando fotos de Citroën 2CV. É um carro adorável, claro. O “Fusca francês”. Gozado que fotos que normalmente seriam banais — eu vivo fotografando carros e nunca faço nada parecido — ficam boas pelas lentes desse rapaz. Reproduzo e-mail recebido esta semana:

Meu caro Flavio.
Você com seu Lada, eu com minha paixão pelos 2CV. Seguem dois Citröen abandonados; seduzidos & abandonados, diria eu. Estão na região de Perigord. Para você ver que nem todos respeitam as máquinas.
Forte abraço.
J.R.Duran

Sei lá, ele deve usar uma Leica analógica, revela, amplia e coloca no scanner. Vou postar uma delas.

 

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1001 NOITES (3) – TRISTE WILLIAMS

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Adorei o gráfico que me mandaram pelo Twitter. Dá para visualizar a diferença entre os tempos de cada piloto na classificação de hoje no Bahrein. Cada janelinha representa um segundo de tempo. É quando a gente vê como a Williams está no pior momento de sua história.

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1001 NOITES (2) – UH-LÁ-LÁ

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Leclerc: a primeira de muitas

SÃO PAULO (Vettel vai pirar)Cara, que coisa bacana esse Jacques Leclair. Moleque de tudo, segunda temporada, primeira na Ferrari, um tetracampeão como companheiro de equipe… Na primeira corrida, só não chegou na frente dele porque a equipe pediu para colaborar. Na segunda, fez o que é necessário como antídoto às ordens do pitwall: a pole.

Se o cara larga na frente e na frente fica, ninguém tem coragem para mandar inverter as posições — OK, o Jean Todt tinha. O menino terá, inclusive, de ser assertivo na estratégia, na hora de trocar pneus, no controle da corrida. Ficar à frente das decisões, em resumo, mostrar personalidade e força mental.

Não acho que a Ferrari vá sacaneá-lo. Isso acontece menos do que se imagina. Na maioria das vezes, ordens de equipe apenas preservam aquilo que as corporações consideram mais interessantes para elas — ainda que, também na maioria das vezes, as corporações sejam estúpidas do ponto de vista esportivo. Não tem muito espaço para questões pessoais, não. Ninguém manda um piloto deixar o outro passar porque um tem olhos azuis e o outro, cor de mel.

Hoje, Leclerc ganhar uma corrida é legal para a Ferrari do ponto de vista da imagem, da renovação. Vettel tem chance de ser campeão? Tem. E continuará tendo se for o piloto que sempre foi, mais do que o novato que divide os boxes com ele, em tese. Mas, neste sábado, ele foi eclipsado pelo jovem parceiro. Em quase todos os treinos, diga-se. Charlinho (boa, Sérgio Maurício!) é bom demais, e todos perceberam isso no ano passado, na Sauber. Será uma estrela ferrarista por um bom tempo, se não se perder pelo caminho. E não dá pinta de que um dia vá enfiar os pés pelas mãos. É humilde, tranquilo, com uma história de vida que acelerou seu amadurecimento — morte recente do pai, de seu padrinho Jules Bianchi, essas coisas que transformam meninos em homens. Estamos vendo nascer um piloto de ponta, não há dúvidas quanto a isso.

Os treinos foram legais no deserto barenita. O GP #999 da história, amanhã, será igualmente legal. Hoje, no Q1, a degola deixou para trás Toninho Giovanelli, Nicolau Hulk, Lance, o Stropício e a pobre dupla da Williams, Jorge Tá Russo e Betinho da Kumbuca. A Williams, inclusive, está trazendo Patrick Head, seu antigo sócio, para ajudar como consultor. Não vai adiantar nada, porque a única coisa que ele poderia recomendar seria a demissão de Claire Williams, e ela é dona do time. Ou incinerar os carros, e não tem dinheiro para fazer outros, nem o seguro paga.

Rick Iardo, dando sinal de vida na Renault, conseguiu passar para o Q2, e portanto Nicolau Hulk acabou sendo uma decepção. Leclair ficou em primeiro nessa parte da classificação, com Tião da Vittela em segundo. A Ferrari, como já avisara ontem, era mesmo favorita para a primeira fila. Destaques nessa fase: Mini Norris em quarto com a McLaren e Alexandre All Bom em sexto com a Toro Rosso. Luis Amilton tomou 0s7 de Leclair.

No Q2, de novo o monegasco fez um temporal, e Da Vitella teve de queimar um jogo extra de pneus porque errou na sua primeira volta. Como se diz nessas horas, sentiu a pressão. Dançaram Rick Iardo, All Bom, Galynho (esse menino vai sofrer na Red Bull), Perezito e K-Vyda Loka. Passaram as duplas da Ferrari, Mercedes, McLaren (desde o GP da Malásia de 2017 que a equipe não levava seus dois pilotos ao Q3), Haas, uma Alfa (de Kimi Dera Fosse Dez Anos Mais Jovem) e uma Red Bull (de Mad Max, por óbvio).

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Charlinho: amadureceu rápido

No Q3, Leclair tinha duas voltas para tentar a pole e Da Vittela, uma só. Os outros eram coadjuvantes. Ninguém conseguiria bater os tempos da Ferrari. Charlinho fez 1min27s958 na primeira tentativa, tempo idêntico ao da pole de Tião no Bahrein no ano passado. Incrível. E o alemão, na sua volta, não conseguiu superar o tempo do jovem amiguinho. Que ainda melhorou na segunda saída, 1min27s866, deixando Da Vittela 0s294 atrás no cronômetro. É bastante coisa.

Amilton larga em terceiro, 0s324 atrás. Bottinudo, que é líder do campeonato, não esqueçam, parte em quarto. Seguem, numa outra turma — as diferenças são grandes –, Verstappado (a 0s886), Magnatta (boa, Sérgio Maurício!), Sainz Velocidad, Romano da Granja, Hi, Konnen! e Mini Norris nas dez primeiras posições.

Charles tornou-se o 99º piloto da história a fazer uma pole. Considero o menino favorito à vitória, mas tudo depende de como largar, de onde vai estar ao final da primeira volta. Da Vittela sabe que uma derrota para o garoto pode comprometer seu ano, fará dele o xodó da equipe e da imprensa por algumas semanas, e reverter o quadro, a não ser que se tenha uma cabeça muito boa, é difícil. Alonso que o diga — lembrem como sofreu com Hamilton em 2007. E Tião, como sabemos, às vezes dá uma pirada.

Não percam amanhã. Vai ser um corridão.

1001 NOITES (1) – MOTOR DE 1313?

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Vettel: o mais rápido na noite fresca do deserto

SÃO PAULO (fome!) – Esta sexta-feira foi interessante no Bahrein. A Ferrari, aparentemente, instalou os motores certos em seus carros. Na Austrália, acredito que por engano, colocaram aquele 1.6 “sedicivalvole” do Tipo. Que não era ruim, longe de mim difamar automóvel tão simpático. Apenas pegava fogo, mas isso nada tinha a ver com o motor — era fluido da direção hidráulica que vazava, e a pirotecnia estava garantida.

Vetellino fez um tempo 0s6 melhor que Luis Amilton, o terceiro colocado. Jacques Leclair ficou em segundo, perto do alemão. Valter Bottinudo foi o quarto. O chefe novo da Ferrari falou que a Mercedes está escondendo o jogo, que não usou seus motores no modo “potência pica”, se bobear estava fazendo testes para a nova linha dos caminhões 1313, os mais lindos da marca. Que seja. Mas mesmo assim, podem apostar na Ferrari para amanhã. Não vão errar.

Depois veio a turma mais divertida, que vai se revezar na posição de primeiro dos outros nesta temporada — sim, vou incluir a Red Bull nesse grupo na desértica pista barenita, até porque parece que a equipe tem um carro só neste ano; o jovem Galynho não é páreo para Mad Max. Heisenberg ficou em quinto, à frente do holandês. Aí veio a Haas em sétimo com Magnificossen, que vem bem neste ano, seguido por Mini Norris. Esse é outro que está jantando o companheiro, Seinz Velocidade. Fechando os dez primeiros do dia, outro carro da Haas, de Romano Granja, e Daniel K-Vydaloka, da Toro Rosso.

Estou inventando esses nomes todos agora. Estão horríveis.

A sexta também mostrou que Rick Iardo não se encontrou ainda na Renault, que a Alfa Romeo está sofrendo para refrigerar seus motores — a 2300, no calor, era um inferno, também — e que a Williams, puxa vida… Beto Kumbica ficou mais de 1s atrás de Jorge Russo e falou que os carros da equipe são completamente diferentes: um é ruim, o outro é horrível.

Notícia interessante (de ontem): Ferdinando, O Sonso foi escalado pela McLaren para os testes depois da corrida, durante a semana que vem. Dá para entender? Especulem à vontade. Agora vou passear de Vemaguet na metrópole gelada, fazia tempo que eu não aparecia por aqui.

DICA PRO DESAFIO

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RIO (aff) – Muita gente respondendo errado ao desafio abaixo. Algumas dicas. O primeiro ultrapassado por Senna está na foto e foi seu maior rival na F-3. Os registros dessa ultrapassagem não são formais, no sentido que vocês conhecem hoje — ou seja, não estão na Wikipedia ou no Google; há outras fontes, crianças. Quanto à segunda pergunta, vejam as datas, ora. Tite, antes de ser técnico de equipes menores da Zona Leste, jogou no maior time do mundo.

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DESAFIO LITERÁRIO: SENNA, 1984

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capafinalRIO (mais difícil) – Vamos misturar automobilismo com literatura de novo? E uma pequena dose de futebol…

Seguinte… Ontem, segunda-feira, fez 35 anos da estreia de Ayrton Senna na Fórmula 1. Foi no GP do Brasil de 1984, em Jacarepaguá. Para marcar a data, reservamos um lote de 35 unidades do meu romance “Dois cigarros”, lançado no ano passado, para uma promoção para a blogaiada. Os 35 primeiros leitores que responderem as perguntas abaixo poderão comprar o livro com desconto por R$ 35, frete grátis, dedicatória e autógrafo do bonitão aqui.

Para participar, é preciso, antes de mais nada, mandar as respostas com seus dados completos (nome e endereço) para [email protected] Se estiverem corretas, a Gulliver vai mandar um e-mail de volta com instruções para pagamento e pedindo o comprovante do depósito na conta da editora — e assim que o participante enviá-lo, o livro será postado por carta registrada.

Prontos? Então as perguntas são:

Qual foi o primeiro piloto ultrapassado por Senna na sua prova de estreia na F-1? Afinal, o cara entrou para a história por levar a primeira ultrapassagem da carreira do tricampeão na categoria… E a segunda: o que estava fazendo no Rio o atual técnico da seleção brasileira, Tite, no dia anterior ao GP do Brasil de 1984 em Jacarepaguá?

Ah, podem mandar a resposta correta nos comentários, claro! Mas só irei publicar depois de encerrada a promoção.

Boa sorte a todos!

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MASILI, O CARTUNISTA

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RIO (bem-vindo!) – O designer Marcelo Masili passa a ser o cartunista oficial da seção “Sobre ontem…” deste blog, com o tradicional rescaldo dos GPs de F-1. Depois de duas temporadas de brilho do nosso Maurício Falleiros, ele assume a função com um currículo mais do que respeitável.

Natural de São Paulo, 39 anos, Masili é hoje diretor de arte da Arena Corinthians. Formado em Design Digital pela Anhembi-Morumbi, atua na área há mais de duas décadas com projetos para agências de publicidade, mídia impressa, empresas de marketing direto, websites e mais um monte de coisa que nem sei direito como descrever — para conhecer mais, o site oficial dele é este aqui.

A primeira obra exclusiva para o blog está aí embaixo — que já inseri na coluna da semana passada. Mattia Binotto é o alvo de seu traço elegante, sarcástico e divertido que tem a cara das nossas maluquices automobilísticas.

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SOBRE DOMINGO DE MADRUGADA

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Masashi Yamamoto e Christian Horner: a Honda está viva

RIO (vem, outono) – Tem rescaldão? Tem, sim senhor!

E começo com a foto bacana de Masashi Yamamoto sem saber se chora ou se ri ao lado de Christian Horner pelo primeiro pódio da Honda na F-1 desde 2008. Foram exatos 3.907 dias de espera desde o terceiro lugar de Barrichello em Silverstone, com a equipe de fábrica que seria extinta no final daquele ano.

Os japoneses vêm apanhando impiedosamente da crítica e do público desde a volta com a McLaren, em 2015. Alonso, que já não está mais lá, foi o maior algoz da marca, que começa vida nova com a Red Bull com um ótimo terceiro lugar de Verstappinho. Uma corrida mais do que decente do holandês, autor da única ultrapassagem de fato relevante no domingo ensolarado de Melbourne, sobre Vettel. É a imagem do GP da Austrália na opinião sempre modesta deste excelente escriba — eu.

A FRASE DE MELBOURNE

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Leclerc: calma, neném.

“Não há motivos para entrar em pânico agora”

De Charles Leclerc, sobre o desempenho pífio da Ferrari em Albert Park. Vettel foi o quarto colocado e o monegasco, quinto — seu melhor resultado na F-1, inclusive, ele que tinha conseguido um sexto pela Sauber no Azerbaijão no ano passado.

Leclerc perguntou pelo rádio o que fazer quando chegou na bunda de Vettel no fim, e a equipe mandou ficar lá mesmo para não arrumar mais problemas. Já falei disso domingo, uma babaquice em se tratando de primeira corrida do ano. Fica mal para quem pede e obedece, começa a ficar com fama de segundão, e ainda pior para quem está na frente — ah, estão ajudando você! Esse pessoal precisa fazer curso de gestão.

O GP da Austrália, de acordo com os organizadores, juntou 324 mil almas no lindo parque em quatro dias. No domingo, foram 102 mil pessoas. Essa turba toda viu, na corrida, um total de…

O NÚMERO DA AUSTRÁLIA

aus19num…ultrapassagens, seis delas sem a asa móvel. No ano passado, segundo as estatísticas da FIA, a corrida de Melbourne teve só três ultrapassagens. Sinceramente, não lembro. De qualquer forma, é uma pista dura para passar.

Há que se destacar que o pelotão do meio foi, mesmo, bem equilibrado. Do sétimo ao décimo, numa prova sem safety-car, apenas 3s separaram quatro carros de equipes diferentes: Renault (Hulk), Alfa Romeo (Kimi), Racing Point (Stroll) e Toro Rosso (Kvyat). Apenas como curiosidade, já que a Alfa Romeo estava fora da F-1 desde 1985, o resultado de Raikkonen igualou o oitavo lugar de Riccardo Patrese no GP de Portugal de 1984. O italiano fora sexto no GP da Europa daquele ano duas semanas antes, em Nürburgring — último ponto da marca na F-1 até domingo.

masili1Neste ano, esta incrível seção do blog não terá as fantásticas charges do Maurício Falleiros, que está envolvido em outros projetos pessoais. Aproveito para agradecer demais o trabalho dele nas últimas duas temporadas — as portas estão permanentemente abertas. Ele será substituído na função pelo designer Marcelo Masili, que já estreia dando uma cutucada clássica em Mattia Binotto pela ordem de equipe mequetrefe que deu aos seus pilotos em Melbourne. Deliciem-se!

O fim de semana australiano foi marcado pela inesperada e chocante morte de Charlie Whiting na quarta-feira, homenageado pelos pilotos antes da corrida. Salvo alguma falta de atenção de minha parte, na transmissão da Globo nada se mostrou sobre o tema nos minutos que antecederam a largada. Uma pena. Seria interessante saber como foi observado o luto a personagem tão querido. Na falta de outra coisa, segue a foto que foi feita com todos juntos — pilotos, chefes de equipe, dirigentes, comissários — na reta de chegada.

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O adeus a Charlie: todos reunidos em respeito ao dirigente

Bom, acho que é isso. Ah, antes que alguém diga que não demos o devido destaque ao recorde de pontos marcados por um piloto numa corrida só, os 26 de Bottas (25 da vitória e o extra da melhor volta), é preciso dizer que não foi recorde nenhum. Graças àquela insanidade da pontuação dobrada na última corrida de 2014, em Abu Dhabi, o vencedor (e campeão) Hamilton fez 50 pontos, Massa marcou 36 (foi o segundo numa prova brilhante pela Williams) e o mesmo Bottas, 30 (terminou em terceiro, também de Williams).

Ainda bem que não foi isso que decidiu o campeonato, porque Rosberg, com quem Lewis disputava o título, teve problemas de motor, foi perdendo potência e terminou em 14º, apesar de ter feito a pole. Curiosidade: foi o último pódio duplo da história da Williams. Não creio, pelo andar da carruagem, que isso se repetirá um dia.

E a gente fecha com o famosíssimo…

GOSTAMOS…

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Bottas: foi atrás do ponto

…da brincadeira do ponto extra, que deu uma agitada nas últimas voltas da corrida. Até a 42ª, a volta mais rápida era de <<< Bottas, mas na 54ª Verstappen foi lá e cravou um tempo melhor. Valtteri, então, avisou pelo rádio que ia atrás do pontinho. Tentou uma vez, não deu. Na penúltima, conseguiu. Antes, Hamilton também tinha ido buscar, sem lograr êxito — adoro a expressão “lograr êxito”.

NÃO GOSTAMOS…

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Williams: um horror

…obviamente, de ver a Williams >>> se arrastando de forma patética, com Russell tomando duas voltas do vencedor, em 16º, e Kubica uma posição atrás, tomando três voltas. Prometo que até o fim do ano a Williams não entra mais aqui, porque será assim o campeonato todo. Sempre que terminarem corridas, os dois serão os últimos a receberem a quadriculada. Uma lástima, um fim melancólico.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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