1000 (4) – HISTÓRICA, COMO NÃO?

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Bottas acena para o público: sétima pole, justo no GP 1.000

RIO(ah, as madrugadas…) – Quis o destino — e a Mercedes, e o pé direito dele — que a pole do milésimo GP da F-1 ficasse com um piloto que, muito provavelmente, não entrará para a história como um dos maiores de todos os tempos. Nem de alguns dos tempos. Um piloto normal, segundão clássico, discreto e eficiente. Nada mais que isso.

Valtteri Bottas é o cara que larga em primeiro no GP 1.000 — goste-se ou não dele, num momento histórico. Foi apenas a sétima pole de sua carreira, todas pela Mercedes, que defende desde 2017. No mesmo período, seu companheiro Lewis Hamilton marcou 23. O finlandês é daqueles caras que têm alguns momentos de brilho, eventuais. Foi assim na Austrália na abertura do Mundial, prova que dominou de cabo a rabo. Fará o mesmo em Xangai?

Depende, como sempre, da largada. E a Mercedes não terá vida fácil. A Ferrari mostrou mais velocidade de reta desde sexta e essa é a preocupação dos alemães. A corrida está aberta, sem favoritos claros.

Curiosidade do grid definido hoje: nas dez primeiras posições, as cinco filas serão formadas por duplas das mesmas equipes. Tem Mercedes na primeira, com Bottas e Hamilton; Ferrari na segunda, com Vettel e Leclerc; Red Bull na terceira, com Verstappen e Gasly; Renault na quarta, com Ricciardo e Hülkenberg; e Haas na quinta, com Magnussen e Grosjean.

Walter Sapattos cravou a pole com 1min31s547, 0s023 à frente de Luís Amilton. Recebeu elogios do parceiro, que começou mal o fim de semana, mas se acertou na classificação. Os ferraristas ficaram 0s3 atrás, uma piscadela — anos atrás li que um piscar de olhos dura três décimos de segundo; nunca conferi, mas uso esse dado o tempo inteiro, até porque a gente pisca tanto que é bem provável que algumas vezes dure isso mesmo, exatos três décimos de segundo.

A dupla da Red Bull teve desempenhos bem distintos, apesar da proximidade no grid. Verstappado foi 0s841 mais rápido que Pedro Galynha, que continua apanhando do carro e de Helmut Marko, aquele poço de sabedoria e boa educação. Como dito ontem, a Renault ocupa a posição de líder do segundo escalão. Rick Iardo foi o sétimo e Heisenberg, o oitavo. A dupla da Haas nem fez tempo no Q3, acho que para poupar pneus. Celsius Magnussen parte em nono e Romano da Granja, em décimo.

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Albon: batida forte no terceiro treino livre e perda total no carro

A turma que empacou no Q2 foi formada por K-Vyda Loka, Perecito, Raikkonão da Massa (a última vez que não passou para o Q3 fora na Hungria em 2016, interrompendo uma série de 53 provas seguidas entre o top-10), Sainz Velocidad e Mini Norris — a McLaren decepcionou. E no Q1 ficaram Strollvenga, Jorge, o Russo, Roberto Kumbica e dois que nem marcaram tempos, a saber: Toninho Giovanelli teve algum problema mecânico não revelado e Alexandre Tudo Bon deu uma panca forte no último treino livre e a Toro Rosso está até agora construindo um carro novo para ele.

Só por isso a Williams não ficou com a última fila de novo. Williams que teve na sua garagem a presença do sócio-fundador do time, Patrick Head. Ele foi um dos responsáveis pelos grandes momentos do time nos anos 90, mas estava afastado dos autódromos desde 2011. Foi chamado agora para ajudar, na condição de consultor.

Milagre, no entanto, Patrick não faz.

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Head ao lado de Claire Williams: nem uniforme colocou, para não se comprometer

Os cinco primeiros no grid largam na madrugada de amanhã com pneus médios. Vão adiar a primeira parada numa corrida que deve levar os pilotos pelo menos duas vezes aos boxes. Vai depender um pouco da temperatura, mas é o mais provável. Olho em Verstappen no início. Ele não gosta de esperar muito para tentar ganhar posições. Os demais não assustam. No fim das contas, teremos Ferrari e Mercedes no pódio. Se Max conseguir se meter entre os três primeiros, apenas provará, mais uma vez, que é um moleque foda.

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