QUEM TEM BAKU… (2) – MASSACRE

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Festa finlandesa: sem erros, sem emoção, Bottas leva mais uma

SÃO PAULO (no gás) – Não foi a corrida que eu esperava. A Ferrari não foi forte o bastante. Vettel não fez corrida autoral nenhuma. Leclerc é bom mas não opera milagres. Ninguém acertou o muro e não teve safety-car para embaralhar as cartas. O melhor momento da prova foi Ricardão engatando a ré e acertando Kvyat parado atrás, num acidente típico de estacionamento de shopping. Em meio ao nada quase absoluto, os aplausos, claro, devem ser dirigidos à Mercedes, que vem massacrando seus adversários.

E é só ela, mesmo, que merece elogios rasgados neste GP do Azerbaijão. Por sua competência e esportividade. Bottas venceu com Hamilton em seus calcanhares nas últimas voltas. E em nenhum momento algum palhaço entrou no rádio para falar alguma bobagem do tipo “ele está mais rápido” ou “sequestramos seu cãozinho.”

Foi a quarta dobradinha da Mercedes nas quatro primeiras corridas do ano. Um início de temporada tão avassalador nunca tinha acontecido na história da F-1. Valtteri chegou à sua quinta vitória na carreira, segunda no ano. Lewis ganhou as outras duas. Por conta daquela volta mais rápida de Melbourne, que lhe rendeu um ponto extra, o finlandês lidera o Mundial com 87 pontos. Hamilton tem 86. Está aberta a disputa. Como em 2016, ficará entre os dois prateados. Nosso simpático Sapattudo terá fôlego para levar a briga até o fim? A inspiração deve vir de Rosberg. Aliás, se eu fosse ele, contrataria Nico como “coach”.

(Odeio esse negócio de “coach”. Quando desembarco em Congonhas, no saguão onde a gente retira as bagagens, tem uma foto enorme de um cara de um instituto qualquer de “coaching”. Que merda é “coaching”? Tenho ódio desse cara da foto do saguão de Congonhas. Não sei quem é ele, mas tem cara de canastrão e picareta.)

A linda cidade de Baku recebeu com sol e temperatura de 20 graus um grid desfalcado de alguns carros que tiveram de largar dos boxes, entre eles o FNM de Raikkonen, punido por uma irregularidade na asa dianteira. Ao contrário dos anos anteriores, a largada foi das mais civilizadas de todos os tempos, com todo mundo deixando espaço para quem eventualmente tentasse alguma coisa. Bottas e Hamilton contornaram as primeiras curvas lado a lado dizendo um para o outro: vai você! Não pode ir você primeiro… Não, vai você… Então tá bom, vou eu.

E, dessa maneira, Valtteri manteve a ponta e rapidamente, em quatro voltas, já tinha quase 3s de vantagem para o companheiro de equipe, com Vettel e Verstappen na escolta. Esperava-se algo diferente de Leclerc, porque ele estava de pneus médios, mais resistentes. O monegasco fez o que dele se esperava. Perdeu duas posições na partida, porque seus pneus tracionaram menos, mas não demorou para se recuperar. Na décima volta aparecia em quarto, já que a turma da frente começou a sofrer com a borracha macia — os tempos de volta despencaram, e Charlinho aproveitou para ganhar terreno.

Na volta 11 começaram os pit stops. Vettel parou na 12ª, Bottas na 13ª, Hamilton na 14ª, Verstappen na 15ª. Leclerc, que esticaria seu primeiro stint, assumiu a ponta e chegou a ficar mais de 12s à frente do #77 da Mercedes. Mas era questão de tempo a aproximação de todos. Com os mesmos pneus médios, mas muito mais novos, todos começaram a chegar. Na volta 32, Bottas passou e reassumiu a liderança. Na 33, Hamilton fez o mesmo. Na 34, Vettel. Na 35, finalmente Leclerc parou para colocar macios. Voltou em sexto, atrás de todos eles, de Verstappen e ainda de Gasly, outro que não tinha feito pit stop ainda.

Então a prova se acomodou, com Bottas controlando a diferença para Hamilton sem sustos. Foi só na reta final da corrida que Lewis esboçou alguma coisa. Na volta 46, a cinco da quadriculada, começou a apertar o ritmo para tentar diminuir a distância para menos de um segundo, o que lhe permitiria abrir a asa móvel na perseguição ao parceiro. Leclerc, isolado em quinto depois da quebra de Gasly, parou uma segunda vez para colocar pneus macios novos e correr atrás da melhor volta e do ponto extra. Conseguiu.

Nas últimas três voltas, Hamilton encostou. Mas não o bastante. Seguro, Bottas não cometeu um erro sequer e acertou suas contas com Baku. No ano passado, lembremo-nos, liderava quando seu pneu estourou no finalzinho da corrida. Desta vez, nenhuma surpresa ruim. Manteve-se frio e sereno até receber a bandeirada, com Hamilton em segundo e Vettel fechando o pódio. Max foi o quarto, seguido por Leclerc. Fecharam os pontos Pérez (especialista em Ku, como ele chama carinhosamente a pista que já lhe deu dois pódios), da Ponto de Corrida, a dupla da McLaren Sainz Velocidade e Mini Norris (um desempenho bem aceitável do time laranja, que comemorou bastante), Strollvenga (a ex-Force India se dá bem no Azerbaijão) e Raikkonen. Vale a menção a Kimi, que fez pontos nas quatro corridas do ano.

Hamilton cumprimentou Bottas discretamente assim que o encontrou no estacionamento debaixo do pódio. “Ele mereceu a vitória”, admitiu. “É o melhor começo de temporada de uma equipe na história e sou grato por fazer parte disso.” Uau, quanta elegância! Valtteri falou com a eloquência de sempre: “Não foi fácil, embora não tenha acontecido muita coisa lá na frente”. Putz, quanta emoção. Já Vettel estava conformado. “No momento, tudo que podemos fazer é segui-los”, falou o alemão, terceiro na classificação com 52 pontos. São 35 para descontar do líder sabe-se lá como. “Se a gente não conseguir uma reviravolta em Barcelona, vai ficar difícil”, constatou. Vai mesmo.

Comentários

  • Tenho uma sugestão para a FIA: Fazer uma corrida a mais no final do ano, após o encerramento do campeonato, sem valer pontos.
    Uma corrida com os 6 pilotos melhor colocados no campeonato pilotando os carros das 5 piores equipes do campeonato.
    Adoraria ver Hamilton, Bottas, Vettel, Leclerc, Verstappen pilotando as Renault, as McLaren, as Toro Rosso, as HAAS…
    No sorteio piloto/carro.
    (Deixemos as Williams de fora. ninguém merece esse castigo nem por sorteio)
    E sem o uso do rádio para consultar o engenheiro.
    Aí sim veríamos que faz a diferença com um carro instável, mal nascido.
    Leva vantagem quem já correu por equipes menores, que sabe o que é pilotar uma carro “em construção”.
    Duvido que Hamilton “dê show” com a Renault problemática, com a McLaren inacabada…
    E também poderia se fazer o contrário: Colocar caras como Sainz, Hulkenberg, Russel. Norris, pilotando Mercedes, Ferrari e RBR.
    Acho que alguns mitos de “piloto fenomenal” seriam questionados. Outros, confirmados. E surgiriam algumas boas revelações/confirmações.
    Claro, eu sei que é impossível acontecer, mas não custa sonhar.

  • Quase nunca comento, só leio as postagens e os comentários, mas dessa vez não vou deixar passar: VAI SE LASCAR, FERRARI! VAI APRENDER A FAZER ESTRATÉGIA!

    Caramba, meu irmão, a estratégia pro Leclerc tava na cara! Na hora em que os adversários voltaram de pneus médios fazendo tempos muito bons, era pra ele ter entrado nos boxes e colocado médios novamente pra tentar voar junto (ou mais) que os caras. O carro dele tava no equilíbrio ideal pros médios. Deixava ele correr feito um louco com o segundo jogo de médios, ´pra ver quanto tempo ele botaria no restante do grid (suspeito que ficaria à frente até das Mercedes). No final da corrida, já que era o jeito, trocava pros macios e talvez conseguisse o terceiro lugar, um pódio merecido.

    Ou, como ousou sugerir o Luciano Burti, tacava os duros ali e vamos que vamos até o fim da corrida. Ou arriscava tudo pra vencer ou terminava em quinto, sexto, e a Ferrari AFINOU, escolheu ficar em QUINTO! O que é que vale mais, pra uma equipe do tamanho da Ferrari? A ÚNICA COISA que os italianos não podiam ter feito era levar o cara pra liderança e deixá-lo apodrecendo lá, rodando dois 1,5 segundo atrás, até colocar os pneus macios com pouco tempo de corrida pra ele tentar alguma coisa. Deu foi pena do Leclerc, de novo (embora a culpa por ele ter largado atrás tenha sido unicamente dele).

    A estratégia me pareceu tão perdedora que na hora eu cheguei a pensar se não era de propósito, para que o Vettel terminasse no pódio, em vez do monegasco. Pelo amor de deus :(

    Valeu, Flavinho, continue com o bom trabalho.

  • Flávio
    Quais são as responsabilidades pessoais de cada um, do chefe de equipe, mecânicos e engenheiros nas equipes de F1 durante as corridas ?
    A pergunta pode parecer esquisita, mas…
    Deve ter 1 ou vários responsáveis por tantos erros da Ferrari.
    E no caso da Mercedes, pelos acertos.
    Quanto a Bottas, dizer que é um mero coadjuvante na Mercedes, já passa a ser má vontade em criticá-lo

  • Vocês vão ter que me aturar, suas Schukruzetes invejosas! Tão pensando o quê? O Mirtão vai ganhar todas e não vai sobrar nada pra esse alemão, que tá mais perdido que eleitor do Bolsonaro!