PAVÃO MISTERIOSO

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RIO(é o que mais tem) – Em fevereiro, num despretensioso “GP às 10” sobre os novos patrocinadores esquisitos de algumas equipes da F-1, mencionei a tal Rich Energy, que passaria a ser “title sponsor” da Haas — incorporando-se ao nome do time. Rich Energy é uma marca inglesa de energético que diz concorrer com a Red Bull no mercado internacional.

Fui pesquisar sobre a dita cuja e o que li me deixou embasbacado. A primeira suspeita: de que a tal bebida só podia ser comprada pela internet. Confirmou-se, mas em parte. A empresa jura que suas latinhas podem ser encontradas em quatro mil pontos de venda da Inglaterra. Alguns testemunhos atestam parcialmente a veracidade dessa afirmação — tem gente que já tomou Rich Energy no país, embora ninguém, que se saiba, tenha saído por aí contando pontos de venda.

Depois surgiu uma história, esta bem confirmada, sobre o logotipo da companhia: uma cópia do símbolo de pequena fábrica inglesa de bicicletas, a Whyte Bikes. Há um processo rolando e no GP do Canadá a Rich Energy solicitou que a Haas tirasse o desenho de um veado estilizado dos carros.

Hoje, a Rich Energy, numa tuitada digna de Carluxo Dedos Nervosos, avisou que estava encerrando seu contrato com a Haas por “falta de performance”. Os termos do texto são incrivelmente duros com a equipe, uma tosqueira no mais autêntico estilo familícia — vocês sabem do que estou falando.

O CEO da empresa é um sujeito chamado William Storey, britânico de Richmond, subúrbio a oeste de Londres. No ano passado, tentou comprar a Force India. Mas até Vijay Mallya, com a corda no pescoço, acho que ali havia alguma cilada e não levou o negócio adiante. O cara, esse barbudo esquisito aí da foto, partiu então para cima de outros times e acabou se enganchando na Haas.

richloko

Storey parece ser um mitômano compulsivo quando fala de sua marca. Afirma que a bebida é muito melhor que a fabricada pela Red Bull, pois que feita com água pura dos Alpes e açúcar extraído de cana orgânica, uma fórmula secreta criada por um cientista — adivinhem — austríaco.

Quando confrontado com a dificuldade de se encontrar o produto em qualquer lugar razoavelmente civilizado, garante que, além dos tais quatro mil pontos de venda na Inglaterra, está presente em 30 países e lidera mercados como os de Malta e Gibraltar — sua distribuição, assegura, se dá em pubs, hotéis e baladas em geral.

Que o cara e suas latinhas pretas e douradas são, digamos, estranhos, ninguém parece ter dúvida. O que surpreende é alguém como Gene Haas, negociante americano experiente, daqueles caipiras que fazem conta em guardanapo de fast food, ter caído na conversa desse sujeito. Aguardemos os próximos capítulos.

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