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sexta-feira, 29 de novembro de 2019 - 11:34F-1, Publicidade

MISTÉRIOS DO MARKETING

“A better tomorrow”: cascata da BAT, que faz cigarro, mesmo

RIO (enganam quem?) – Há anos a Philip Morris, proprietária da marca Marlboro, patrocina a Ferrari. Mesmo depois que a publicidade de cigarro foi proibida na categoria — hoje, no mundo civilizado, não se pode mais fazer propaganda do vício –, a empresa continuou firme e forte com o time de Maranello, renovando seus contratos por longos prazos e valores altíssimos. A Ferrari viveria da Philip Morris tranquilamente, sem precisar de outros anunciantes.

Pouca gente entende o quê, exatamente, a Philip Morris divulga nos carros da equipe italiana. E é patrocínio master, como se sabe. “Mission winnow” faz parte do nome oficial da escuderia e é a marca usada atualmente nos carros to time. E é quase impossível compreender o que significa. Quer tentar? Entre lá no site e procure saber. “Inovação”, “colaboração”, “revolução”, “transformação”, “tecnologia”, “paixão” são termos usados em quase todos os textos espalhados pela página. Tentem decifrar o que a Philip Morris está fazendo nesta descrição aqui. Conseguiu? Parabéns.

Não procurei, mas a palavra “cigarro” aparece muito pouco ao longo do site. Ou talvez nem apareça. E o que a Philip Morris faz é cigarro. Sem essa cascata de “inovação” e “revolução”. Aqui está parte do portfólio da empresa com alguns números impressionantes — como a venda de 264 bilhões de Marlboros no em 2018, SEM CONSIDERAR OS MERCADOS DOS EUA E DA CHINA. Aqui, um pouco mais sobre a companhia: 130 marcas diferentes de cigarros vendidas no mundo inteiro. Além de Marlboro, Parliament, L&M, Lark, Merit, Muratti, Chesterfield…

Win now? Win o quê, exatamente? Um câncer de pulmão?

Hoje, a McLaren anunciou a renovação e ampliação de seu contrato com a BAT — British American Tobacco. Será a principal parceira comercial da equipe. O nome da empresa é bem claro no que diz respeito ao seu “core business”. O que a BAT — que na F-1 era dona da BAR, que deu origem à Honda, depois à Brawn e hoje é Mercedes — faz é cigarro: Dunhill, Kent, Lucky Strike, Pall Mall, Rothmans, Newport, Camel, Vogue, Viceroy, Kool, Peter Stuyvesant, State Express 555.

Mas também busca “inovação”, “colaboração”, “revolução”, “transformação”, “tecnologia”, “paixão”. E faz cigarros eletrônicos e “orais” como VUSE e VELO, e no fundo essas empresas continuam fazendo o que sempre fizeram: matam pessoas.

Não, não sou um não-fumante xiita. Ao contrário, eu mesmo dou minhas pitadas de vez em quando. Nesse quesito do comportamento humano, acho que cada um faz o que quiser e se mata como achar melhor.

Apenas implico com a hipocrisia. Philip Morris e BAT são grandes patrocinadores de equipes de F-1 e a indústria do cigarro, na prática, nunca saiu da categoria. Ambas, e todas as outras que espalham seu veneno em forma de tabaco especialmente pelo Terceiro Mundo, ficam com conversinha corporativa tentando convencer os incautos (e seus acionistas, talvez) que estão muito preocupados com os fumantes, atuando firmemente em pesquisa e desenvolvimento de produtos que não os matem tão rapidamente.

Como eu dizia em priscas eras, no cu, Jaú. Vão contar essa pra outro.

Ah, só pra constar. Uma das “marcas” da BAT que aparecem hoje na McLaren é uma frase, “a better tomorrow” (“um amanhã melhor”), que segundo a empresa é uma “plataforma” orientada pelo “compromisso de oferecer um portfólio de produtos de risco reduzido que possa entregar um amanhã melhor aos nossos consumidores”.

No cu, Jaú.

32 comentários

  1. Ricardo disse:

    a era de Hipocrisia!!!

  2. Luis Felipe disse:

    Apesar de detestar cigarro ( não permito que fumem perto de mim de jeito nenhum ), é inegável que a crise financeira que há anos assola a F1 é fruto direto do banimento da veiculação/propaganda das tabaqueiras na categoria. Bernie Ecclestone sempre lutou a favor dessas empresas junto aos governos europeus. Ele sabia que ninguém com os parafusos suficientes apertados na cachola gastaria dezenas de milhões de dólares por ano em dois carros de F1 em algumas corridas por ano. Não fazia, e não faz, sentido algum, financeiramente falando. A turma do tabaco pagava, literalmente, a festa: Marlboro, Rothmans, Camel, Winfield, John Player Special, Barclays, Benson & Hedges, Gitanes, Gauloises, Lucky Strike, Mild Seven, 555 e a lista segue ad eternum.
    Infelizmente a F1 não conseguiu substitui-los como se esperava. “Ah, mas é só trazer essas empresas bilionárias de informática, Amazon, Google, Microsoft no lugar!” Vieram? Não. A coisa é de tal sorte apertada em termos de grana que as equipes não testam mais seus carros ao longo do ano há anos, o que é um absurdo, pois a F1 é um esporte que não mais permite que os pilotos simplesmente… treinem. Tudo para economizar. Sei que esse troço não tem mais volta, que os tempos são outros, que ninguém vai abrir uma brecha especialmente para a F1 ter marcas de cigarros colorindo seus carros novamente ( e como eram lindas, as pinturas! ), que é cigarro é uma zerda que mata milhões por ano no mundo inteiro, mas não serei eu a fazer campanha para expulsá-los de vez da F1, ainda mais quando se discute tão acaloradamente que outras drogas muito mais perigosas devam ter sue consumo liberado para a população, como é o caso da maconha.
    Enfim.
    Sei lá.
    Só sei que sou um nostálgico.

  3. José disse:

    Seria essa uma forma de fake news, Flávio?

    Concordo com você sobre a forma que cada achar melhor pra morrer, o que me incomoda mesmo no cigarro é a indiferença com quem não fuma. Precisamos de leis (muitas vezes contestadas) para dizer que em certos lugares não se pode fumar, o que por bom senso já deveriam perceber. Mas bom senso nunca foi o forte do bicho homem (o animal que mais deu errado na história do mundo).

  4. Danir disse:

    Eu penso que no momento que um bando de prepotentes dita o que devemos fazer ou não; eles estão abrindo as portas para que fabricantes de cigarro busquem alternativas para colocar visível seu produto, afinal a propaganda é proibida mas o cigarro não.. Sem contar que as mesmas pessoas politicamente corretas que impingem a proibição de propaganda de cigarros, fala em liberação da maconha e outras drogas. Pessoalmente não sou a favor do fumo, embora tenha sido um fumante “invertebrado” de três maços por dia. Não sinto audades. Penso que fumar foi uma besteira que fiz durante um período de minha vida.
    O limite das drogas, é na minha opinião o vício irrefreável, ou que provoque a perda das faculdades como fazem a maconha, a cocaina e outras drogas similares. São drogas que mesmo com um consumo pequeno, podem causar danos irreversíveis e ainda mais, alimentam criminosos assassinos, que caso estas drogas fossem legalizadas continuariam a cometer crimes e atrocidades. Eles não são criminosos porque as drogas são proibidas. Eles são criminiosos porque são criminosos e as drogas são seu veícuilo principal porque é fácil viciar as pessoas e como são proibidas, o lucro na venda é muito maior do que se vendessem cigarros. É bom que esses garotos que usam drogas, se conscientizem que seus fornecedores são assassinos que não exitariam em viciar ou matar seus entes queridos, do pre adolescente à vovó.
    O problema é complexo e não dá para fazer juízos baseados em falsos princípios morais.
    Se a F-1 é um esporte financiado pelos malvados produtores de cigarros, e você pensa que cigarro é uma forma de assassinar pessoas, não prestigie a F-1 enquanto o cigarro for seu maior supridor.

  5. Fausto disse:

    Bom dia…fui fumante por 10 anos..parei..e acho essa proibição de propaganda tabagista idiota…fuma quem quer…tem vários carros de F1 antigos..com Marlboro, west , Rothmans, John player special, Camel, só por isso vou fumar? Nós EUA…a cultura local..e quando vc e adulto…fume e beba bourbon…..cada um tem seu livre arbitrio

    • Valter disse:

      Eu tenho 56 anos. Fumei dos 12 até os 44 quando parei por conta de infarto. Ainda hoje, após 12 anos sinto vontade de fumar depois de um cafezinho. No meu caso a propaganda com um café quentinho, saindo fumaça
      num cenário de roça ao fundo me dá uma baita vontade de fumar, mais até do que nos anos 70 quando o cigarro era associado ao sucesso do homem….do charme das mulheres…

  6. Jorge Okamoto disse:

    “ Nesse quesito do comportamento humano, acho que cada um faz o que quiser e se mata como achar melhor.” perfeita a colocação Flávio.

  7. Israel disse:

    Pessoal, é importante que todos saibam a diferença entre cigarro eletrônico e o produto da Philip Morris.

    https://precisamosfalar.com.br/home/

  8. Valter disse:

    O Sainz pode então se tornar o piloto mais bem pago do grid. Basta acrescentar mais um número 5. Ou será proibido??

  9. Israel disse:

    Cigarro aquecido, é diferente do cigarro eletrônico.

    https://precisamosfalar.com.br/home/

  10. Ulisses disse:

    Teria alguma coisa a ver com investimentos em esporte, …. nos países sede dessas empresas, para aliviar cargas tributárias lá na Europa?
    Caso tenha algum tributarista lendo isso, e que entenda como essas “coisas” funcionam por lá …. será que pensei e falei alguma besteira?

    • ANDRÉ disse:

      É devido a questões tributarias sim, porem, digamos que sejam extra-oficiais.
      Aliás, todos os patrocinadores, exceção feita, talvez, as petroliferas, utilizam-se do mesmo artificio “tributario”

  11. Leoanrdo disse:

    Cigarros Marlboro não apenas fazem mal para os usuários, mas também são utilizados como moeda no mercado negro.

  12. Oscar disse:

    Bom lembrar que BAT – British American Tobacco – e Souza Cruz são a mesma coisa. As marcas principais no Brasil são Belmont, Continental, Derby, Dunhill, Kent (Antigo Free), Hilton, Hollywood (grande equipe!), Lucky Strike, Rothmans (Antigo Minister), Plaza, Ritz, Vogue.

  13. Lucas Orly disse:

    Lembrando que a indústria do vício continua firme e forte com patrocínios pontuais de sites de aposta (Sport Pesa na Racing Point) e bens de consumo que podem trazer consequencias a longo prazo desagradáveis como os energéticos. E que essas logomarcas são estilizadas a ponto de fazer certa menção às marcas mais famosas, questão de tempo até cortarem as asinhas da BAT e da PM

  14. Interessante como “A Better Tomorrow” conserva, ainda que fora de ordem, as mesmas letras da sigla BAT. Da mesma forma que o “Mission Win Now” da forma como é grafada no logo, ostenta um singelo “M” destacado, que na cor branca sob fundo vermelho lembra …
    A associação é imediata.
    Interessante também como o automobilismo sempre foi a principal plataforma de divulgação do tabaco, tanto que muitas das marcas citadas no post já estiveram grudadas em carros de corrida. Exemplo das pouco conhecidas por aqui Kool (Kool Green de Paul Tracy e Dario Franchitti em ’99), Viceroy na Parnelli (Indy USAC do Mario Andretti em meados de 1972 e também na F1 pouco depois) e Chesterfield, presente na McLaren M23 de um tal Nelson Piquet.

  15. Ricardo Bigliazzi disse:

    É apenas GRANA, esses caras (tabaco) arrecadam muita GRANA e a F-1 precisa de muita GRANA. Como diz a frase popular: “juntam a fome com a vontade de comer”.

    Claro que a propaganda ajuda, mas a industria do Tabaco continuará a existir se toda a propaganda for proibida.

    A meu ver a industria do tabaco é hipócrita a medida que tenta criar formas diferenciadas de propagandear os seus produtos, mas mais hipócrita é quem quer ganhar dinheiro com essa forma diferenciada de propaganda (como Ferrari e Mclarem),

    Tudo não passa da busca pela GRANA, as equipes de F-1 precisam de GRANA para ganhar corridas por isso estarão sempre faceiras para receberem caminhões de dinheiro de quem quer que seja.

  16. Neto disse:

    Os cigarros eletrônicos fazem muito menos mal, do que os cigarros tragados de forma tradicional. São basicamente vaporizadores, não se tem o consumo de fumaça tão tóxica quanto nos cigarros normais. O consumo da nicotina, continua o msm, mas sem todos os malefícios da fumaça. Sendo sincero, para um fumante ativo, que tenta parar e não consegue, o uso desse vaporizador é a solução que menos danos a saúde dele faria. Mas com esse tipo de cigarro, o consumo entre os jovens vai aumentar muito com toda certeza, e eles vão continuar lucrando. Mas é um produto mais seguro que o cigarro tradicional sim.

    • rafaelle disse:

      só um complemento, experiência própria, procure vaporizadores por convecção e “copo” de cerâmica, sem plástico, com baterias removíveis . O uso do vaporizadores que usam líquidos é muito perigoso para quem fuma muito (acumula líquido no pulmões), O melhor na minha opinião é o Arizer air II que pode ser usado tanto com tabaco como com uma infinidade de flores.
      Pesquise bastante, são mais caros mais entregam o melhor resultado.

      • Claudio Soares disse:

        Não sei se entendi. Voces estão discutindo qual o melhor cigarro eletrônico, enquanto ele esta sendo banido em quase todos os países civilizados? Depois do cigarro, não há algo mais idiota que fumar esta porcaria.

      • Alfredo Aguiar disse:

        Vocês estão de brincadeira né? Ou trabalham pra indústria do câncer e estão aqui posando de inocentes leitores. Nos Estados Unidos mais 2,300 casos de pulmões lesionados por E-Cigarrets foram reportados por hospitais em 2019, desses 89 morreram. Pessoas que eram completamente saudáveis antes de colocar essa bosta na boca, Muito salutar esse negócio fumegante. Em outros países acredita-se que as lesões pulmonares sejam reportadas sem a devida associação com as substancias causadoras. E isso é só o começo, Os malefícios a longo prazo só serão conhecidos em alguma s décadas quando as mazelas causadas por esses cigarros eletrônicos não mais puderem ser curadas.

      • Alfredo Aguiar disse:

        https://www.cdc.gov/tobacco/basic_information/e-cigarettes/severe-lung-disease.html

        Acredito que vocês, chiques caldeiras de vapor, devam entender bem inglês. Se não, vai lá no “gugol” e traduz.

      • Alfredo Aguiar disse:

        “são mais caros mais entregam o melhor resultado”
        KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

        Melhor resultado no caso, é que você morre com cheiro de florzinhas silvestres.

      • rafaelle disse:

        Pesquise pessoal , por favor. E cocaína? Acha uma “índia” ou “índio” no Peru ou Bolívia com osteoporose… Pergunte para as mães e pais que usam o óleo de cannabis. Tem vários videos no youtube. Fumar é só uma maneira mais barata para usar algo natural.

        https://www.youtube.com/watch?v=20HykzeOE9E
        https://www.youtube.com/watch?v=W31ObqCfy0U
        https://www.youtube.com/watch?v=Z1SJZWoLAV8

        Alfredo Aguiar, os carros soltam fumaça, as empresas, os aviões, as cidades enfumaçadas. A mais o problema é o cigarro.
        Se quiserem conversar mais a respeito, só pedir eu coloco o email aqui e posso ensinar muitas coisas.
        Uma forma barata “limpar” o ar das cidades seria plantar oleosas, uma delas a própria “mau dita” maconha.

    • Murilo disse:

      Neto, seu argumento de que cigarro eletrônico faz menos mal é igual a gordo que toma Coca Cola Light pra reduzir açúcar na dieta.

      • Neto disse:

        Não penso assim. Eu não defendo esse produto, somente disse que é um produto que tem uma sacada da industria tabagista, para fazer principalmente jovens voltarem a consumir esses tipos de produtos, quando o numero de fumantes cai cada vez mais no mundo todo. Agora se pode ou não se fazer propaganda não cabe a mim definir.
        Quanto a esse exemplo que você deu, acho ele meio fora de comparativo. Esse é um produto para se tentar reinventar uma industria em decadência. O consumo de refrigerantes também caem em todo o mundo, em algum momento algo novo da industira alimenticiade bebidas vai sair.
        O vaporizador faz menos mal à um fumante, assim como a coca zero faz menos mal a um diabético do que a normal. Para um fumante, o melhor é consumir qual? Para um diabético é melhor consumir qual refrigerante? Só não se pode dizer que é não consumir nenhum, que sabemos que o mundo não gira assim.

        Vale uma informação também, o cigarro eight que é vendido no Brasil inteiro, de forma irregular através de contrabando, é o maior concorrente da Souza Cruz no Brasil, e depois vem a Philip Morris em terceiro lugar. E ai? Fumar cigarro contrabandeado, ou fumar algo que continua a fazer mal, mas em uma proporção menor?

  17. Rafa N disse:

    Como diria o grande filósofo contemporâneo, Prof Clovis Filho:

    mission winnow é o petróleo da Romênia

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