Arquivosegunda-feira, 26 de outubro de 2020

SOBRE ONTEM DE MANHÃ

S

RIO (estilo é tudo) – O abraço carinhoso de Hamilton em seu pai, depois do GP de Portugal, está eternizado. Mas tem também uma outra foto carregada de ternura que gostaria de destacar neste “day after” da corrida em que o inglês bateu o recorde de vitórias na F-1, status que ficou nas mãos de Michael Schumacher de 2001 até ontem. O número mágico de 91 vitórias foi alcançado pelo alemão na China em 2006. Mas ele se manteve como recordista desde a 52ª, na Bélgica, em 2001 — quando superou o então recordista Alain Prost.

A foto acima foi tirada de tardezinha, depois do tradicional registro com todos os integrantes que as equipes fazem após vitórias em GPs. Para aparecer junto de sua turma em Portimão, Lewis fez questão de buscar Roscoe, seu cãozinho, com quem tem dividido dias e noites no motorhome que vem usando nos autódromos. Quem não gosta de cachorro nem gente é!

O GP de Portugal de 2020 já está na história por ter sido o do recorde. Mas fica a pergunta: até onde irão os números de Hamilton? Eu acho que ele bate nas 100 poles nesta temporada, ainda. As 100 vitórias, no ano que vem. Tenho dó dos que tentarem superar essas marcas, no futuro. Não será nada fácil, não.

Dupla imbatível: Hamilton e Mercedes, fábrica de recordes

Bem, este rescaldão é dedicado aos temas que acabaram passando batidos no fim de semana, então vamos atualizar logo de cara algumas coisas.

  • Vocês viram que o pai de Vitaly Petrov foi assassinado? História mais doida, sô! Petrov voltou ao noticiário por ter sido escalado como comissário esportivo do GP de Portugal. A escolha foi muito criticada por Hamilton, porque o piloto russo andou falando umas merdas aí sobre racismo e preconceito.
  • O crime aconteceu no sábado. Petrov, obviamente, não ficou no Algarve para a corrida.
  • Esqueci de falar ontem que Hamilton reclamou de cãibras durante a prova. Disse que teve de tirar o pé no fim da reta algumas vezes, para combater a dor.
  • Na hora, anotei no meu bloquinho: “É no maxilar, de tanto dar risada do Bottas”. Pura maldade.
  • Hülkenberg estava no Algarve para trabalhar na TV. Quem o viu garante que tinha levado um capacete. Just in case. Acabou não precisando.
  • A AlphaTauri completou nove corridas seguidas nos pontos. Gasly já somou, em 12 etapas, 63. O mesmo que fez pela Red Bull no ano passado, também em 12 etapas.
  • A Red Bull abusou nos pit stops. Fez dois abaixo de 2s, um no carro de Albon (1s86) e um no de Verstappen (1s96). O segundo de Albon também foi bom (2s1). Ou seja: em 5s92, foram trocados 12 pneus.

A FRASE DE PORTIMÃO

Mattia Binotto: punhalada em Vettel

Espero que Sebastian possa se classificar melhor em Imola e mostrar do que é capaz na corrida. Charles é muito bom. Mas esperávamos um pouco mais do segundo piloto.

O “segundo piloto” é Vettel, como todos podem imaginar. A alfinetada do chefe da Ferrari, Mattia Binotto, doeu no alemão. E veio em resposta às entrevistas que ele deu depois da corrida. Sebastian terminou em décimo. Charlinho, em quarto. “É óbvio que o outro carro é mais rápido que o meu nos trechos onde perco tempo. Qualquer idiota consegue ver isso na telemetria, e eu não sou um idiota. Do outro lado tudo parece mais fácil”, disse o alemão assim que terminou a prova. Então veio a espetada.

O clima não é bom. Vettel não vê a hora de terminar este campeonato.

Voltemos a Hamilton, o recordista. Na pena do nosso Marcelo Masili, o cara que foi aplaudido por todos seus antecessores domingo. Todos aqueles que superou e que, ao mesmo tempo, admira e respeita.

Seu pai, Anthony, acabou sendo um dos personagens do fim de semana, e o abraço no filho ao final da corrida foi dos momentos mais comoventes do ano. Depois, foi corujar o filho descendo o dedo na câmera de seu tablet. Abaixo, algumas das imagens que também ficarão para a posteridade. Um pai e seu filho. Nada mais.

Ah, pode ser mais uma pequena galeria com abraços e festa? Pode, né? O cara merece.

Tem abraço com o engenheiro, o famoso Bono — ex de Schumacher na Mercedes, com Lewis desde o início no time –, abraço com Bottas, banho de champanhe de Verstappen e o carinho no carro, que muitas vezes a gente negligencia nessas horas. Que automóvel esse W11, putz.

Ah, vale a menção: Bottas chegou 25s592 atrás de Hamilton. Sim, é um grande automóvel, o W11. Mas nas mãos de Lewis, é mais.

O NÚMERO DE PORTUGAL

…vitórias. Não dava para ser outro, né? Noventa e duas vitórias, a primeira delas no Canadá em 2007, seu ano de estreia, pela McLaren. Foram 21 pela equipe inglesa, sempre com motores Mercedes. As outras 71, defendendo o time alemão, onde está desde 2013. Hamilton ganhou corridas em todas as temporadas que disputou. A pior foi justamente a da estreia pela Mercedes, em 2013, com apenas um triunfo — no GP da Hungria.

Acho que não faltou mais nada sobre a corrida. Mas vale, de novo, celebrar a volta de Portugal ao calendário e reforçar a torcida para que essa etapa permaneça no calendário. Dizem que a Liberty quer 30 milhões de euros dos promotores. Não sei se vai ser fácil arrumar essa grana num país pequeno, de mercado restrito — que vai bem economicamente, mas não rasga dinheiro. 

Para fechar, falta apenas o nosso tradicional termômetro de cada GP.

GOSTAMOS

Kimi: fenomenal

…da fenomenal largada de <<< Kimi Raikkonen, que só pelo que fez na primeira volta no Algarve já merece ser confirmado pela Alfa Romeo no ano que vem. Se você não viu, está aqui. Veja, reveja, veja de novo e fique admirando, o tempo que for preciso, a pilotagem de um veterano extra-classe.

NÃO GOSTAMOS

Stroll: excesso de bobagens

…das barbeiragens de Lance Stroll >>>, que nos treinos se enroscou em Verstappen e, na corrida, tentou passar Norris pelo lado errado e estragou a corrida de ambos. Esse moço, de vez em quando, surta.

CORRAM!

C

RIO (já encomendei o meu) – Todo mundo aqui conhece o Rodrigo Mattar, uma verdadeira enciclopédia do automobilismo e um dos maiores jornalistas do país. Há alguns anos ele começou em seu blog uma série de postagens sobre as pequenas e históricas equipes da F-1 que, finalmente, virou livro!

“Saudosas Pequenas” acaba de entrar em pré-venda pela Gulliver Editora e os primeiros compradores vão receber o livro autografado com brindes e tudo mais. Melhor ser rápido, porque tiragem de pré-venda, em geral, é limitada a não muitos exemplares — caso contrário o autor desloca o pulso de tanto fazer dedicatórias e assinar livros.

Mattar viaja com a categoria de sempre pelas trajetórias de times como Coloni, EuroBrun, Onyx, Andrea Moda, AGS, Scuderia Italia, Minardi e tantas outras, “onde tudo é construído à custa da mais pura paixão”, como diz o texto no site da editora. “Elas ajudaram a revelar ídolos que fariam história no automobilismo mundial como Nelson Piquet, Ayrton Senna e Fernando Alonso. Poucas resistiram ao longo dos anos aos altos custos do esporte, mas as histórias de muitos chefes de equipes, pilotos, engenheiros, patrocinadores e carros que, mesmo fazendo parte do fundão do grid ajudaram a construir da principal categoria do esporte automotor”, finaliza o texto de apresentação da obra na página da Gulliver.

Aliás, no livro propriamente dito eu e o Luiz Alberto Pandini fizemos os textos de apresentação e o prefácio é de Reginaldo Leme. A capa é do nosso talentosíssimo Bruno Mantovani. E as fotos, do genial Miguel Costa Jr., um dos maiores fotógrafos que já conheci.

Se quiser garantir o seu, é só clicar aqui e resolver logo essa parada! A pré-venda vai só até o dia 9 de novembro, então acelere!

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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