VERDADES & MENTIRAS

V

SÃO PAULO (sempre aparece) – De hoje em Nürburgring, nas entrevistas pré-GP de Eifel…

Verdade: emissários da turma que quer fazer o autódromo de Deodoro estiveram em Abu Dhabi no fim do ano passado, entre eles Flávio Bolsonaro. Falaram com Hamilton.

Mentira: ao contrário do que disse o consórcio Rio Motorsports, não houve uma apresentação dos planos de reflorestamento para convencer Hamilton a apoiar o projeto. Quem contou isso foi o próprio Hamilton: “Me deram uma camisa, algo assim. Não falamos sobre projeto nenhum”.

Verdade: o encontro durou poucos minutos e tudo que rendeu foi uma ridícula camisa da seleção brasileira com o nome de Hamilton nas costas.

Mentira: o consórcio anda espalhando que a construção do autódromo é sustentável e que derrubaria apenas 70 mil árvores.

Verdade: o cálculo do desmatamento feito por ambientalistas varia entre 200 mil e 300 mil árvores derrubadas na Floresta do Camboatá se essa insanidade sair do papel.

Mentira: o consórcio fala que vai replantar 700 mil árvores e fazer outra floresta. Isso não funciona desse jeito. As árvores da Olimpíada morreram todas, inclusive. Só idiotas acreditam numa cascata dessas. E uma mentira segue sendo uma mentira mesmo se idiotas acreditarem nela.

Verdade: pilotos como Felipe Massa e Lucas di Grassi, por motivos diferentes dos de Hamilton, se manifestaram publicamente contra a construção de um autódromo no Rio.

Mentira: Chase Carey tentou, sim, interferir em questão ambiental fora da alçada do governador interino do Rio ao pressionar para que as licenças ambientais sejam concedidas para fazer a pista. Não é o governador que decide isso.

Verdade: a lorota de Deodoro chegou à imprensa internacional e Hamilton foi questionado sobre o assunto. Disse que é totalmente contra derrubarem uma árvore sequer para fazer um autódromo. “Há ótimos circuitos no mundo, não precisamos de mais”, falou o inglês hoje.

Mentira: ao espalhar fotos do 01 (acho que é o 01, nunca sei direito) com Hamilton, o consórcio sugere que tem o apoio do piloto à empreitada. Não tem. Tiro no pé. Arrumaram um militante contrário à insanidade. E defensor de Interlagos.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

15 Comentários

  • Concordo com Amaral, são tantos tiros no pé que vão acabar amputando: os dois pés! Derrubar uma floresta para construir um autódromo é uma imbecilidade, mais um crime ambiental, coisa típica dos boçais que, no momento, governam o país. Será um desastre monumental, épico. A presença e o interesse do Flávio Bolsonaro nesse projeto traduzem a marca da milícia do RJ que será, sem dúvida, a maior beneficiada, além do nefasto senador. Está claro? É inacreditável que tudo isso esteja acontecendo diante dos nossos olhos pasmos, e pior, sem que possamos fazer nada.

  • Hahahahahaha!
    “O consórcio fala que vai replantar 700 mil árvores e fazer outra floresta.” Tô até vendo o tal sujeito jogando um saco de sementes num terreno qualquer e dizendo: “A minha parte eu fiz, agora elas que lutem!”
    Só sendo muito ingênuo – pra não dizer outra coisa – para acreditar.

  • Administração de Interlagos deveria plantar algumas arvores em área segura do autódromo só para criar manchete positiva. Mostrar para o pessoal da moto serra do rio que não há necessidade de crime ambiental.

  • Mais um tiro no pé, como muitos que vêm dando ao longo desses quase dois anos.
    De tanto tiro no pé, vão acabar amputando. Sem pena nenhuma. Não tenho pena de louco. Ainda mais louco consciente, como dizia a minha avó, “gente que se faz de boba pra poder viver”.
    Talvez eles não conhecessem o lado ativista do Hamilton quando quiseram engambelar (ou é engabelar?) o cara com uma camisa feita às pressas numa loja de estamparia qualquer. Afinal, eles não devem assistir as corridas, pois não assistem a Globo, porque ela é feia, má, cruel, faz bullying com o governo, fala mal dos príncipes herdeiros e do rei do pântano.
    Para Lucas e Felipe concordarem em alguma coisa, é porque realmente essa bravata é, no mínimo, pra lá de suspeita. Então se entende que quem apoia essa sandice de Deodoro ou está alienado sobre a governança, sobre o contexto ou tem algum interesse ou vantagem sobre a situação. Não consigo ver nada fora desses três cenários. Talvez um quarto, que seja sordidez patológica mesmo. Mas essa será relacionada a um dos três contextos anteriores.
    E não sabia que todas as tão faladas 10 mil árvores do “largado olímpico” morreram. Acho que todas as promessas e mentiras sobre esse processo que transformou o que era o Autódromo de Jacarepaguá num parque faraônico de trambolhos pagos a preço de ouro, e ainda por cima temporários, pra promover a Olimpíada, e que depois vieram a se tornar um serviço de inutilidade pública, poderiam ser enumeradas, daria uma bela matéria. Se por acaso algo assim já foi feito, gostaria de um link, uma dica para ler.
    Detalhe. Numa conta de padeiro, se o impacto da floresta está estimado em derrubarem 200 a 300 mil árvores, onde eles vão plantar 700 mil? Onde eles vão arrumar 700 mil mudas, desenvolverem elas, e plantarem em um local adequado? Só com esse simples raciocínio, que, imagino, até um zumbi bolsonarista deveria conseguir fazer (se conta dinheiro, sabe fazer essa conta), dá pra ver que, se a conta não fecha, tem história aí. Não faz o mínimo sentido.
    E esqueçam aquele fake de que vc pega semente de tudo que você come no café da manhã, coloca na bolsa, sai pela estrada e joga pela janela que nasce e vira floresta, tá? Muito menos sementes chinesas que vc não pediu, não que sejam radioativas ou que vão virar aliens e se apossar do seu corpo, mas podem ser espécies invasoras, e invasor não faz bem pra ninguém.

  • Interlagos é uma das pistas mais versátil, e com algumas das corridas mais emocionantes da F1, esse projeto do Rio é uma piada, e uma vergonha pro Brasil. O meu medo é que mentiras e verdades não significam mais nada. Voce diz “uma mentira continua sendo mentira mesmo se idiotas (usei esse termo proposital) acreditarem nela”

    O problema Flavio, é que muitos hoje em dia sao idiotas, oq faz com que mentiras sejam perigosas….

  • 70 mil árvores, só ? Onde 70 mil árvores é pouco ? Ok, menos árvores do que reais depositados na conta da primeira dama, sabe-se Deus lá de onde… mas ainda é muita árvore. Um dia saberemos as falcatruas por trás deste circuito…

  • Sei lá, cresci vendo aqueles caras com a face com sulcos das marcas do tempo, alguns morrendo pelas pistas mundo afora, um ronco de motor de pura sandice. Hoje vendo essa F1 pasteurizada, torço o nariz. Mas essa declaração do Hamilton, confesso sou obrigado por Lei e ser um simpatizante e porque não dizer, torcedor. Domingo para mim, já larga com um ponto.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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