Arquivoterça-feira, 1 de dezembro de 2020

SIM, ACABOU

S

SÃO PAULO (seguimos) – Ontem, segunda-feira, o “Fox Nitro” foi ao ar pela última vez em exibição inédita — ainda houve uma reapresentação hoje. O programa se despediu da programação dos canais Fox Sports depois de 4 anos, 8 meses e 2 dias, segundo a conta do nosso Thiago Alves. Ele que apresentou o “Nitro” ontem — as duas últimas edições, na verdade, porque estou de férias e só volto quinta-feira.

Tínhamos sido avisados que o programa seria extinto o dia 18 de novembro, sem maiores explicações — a fusão dos canais da Disney está sendo comandada da Argentina. Neste ano, chegamos a ficar alguns meses fora do ar por conta da paralisação das competições automobilísticas, mas voltamos em julho, junto com a F-1 e a MotoGP. Desde então, fizemos o programa em “home office”, como se diz. Nunca mais voltamos ao estúdio, e não voltaremos mais.

Foram quase 200 programas, quase todos eles com a presença dos meus queridos amigos e colegas Rodrigo Mattar, Felipe Motta, o já mencionado Thiago Alves e a lenda Edgard Mello Filho. Dezenas, centenas de entrevistas, depoimentos, selfies de pilotos brasileiros no exterior, uma linda jornada.

O que dizer nessas horas? Não sei direito. É uma pena, claro. São raríssimos os programas regulares sobre esportes a motor na TV brasileira, aberta ou fechada. Lá atrás, em 2012, quando eu estava na ESPN Brasil, também tivemos nosso programa “Limite” tirado da grade depois de seis ou sete anos no ar — fazíamos eu, Mauro Cezar Pereira e João Carlos Albuquerque, e era uma delícia.

Acho que faz parte de nossas vidas profissionais, lidar com as perdas. Mesmo quando a gente não entende bem as razões de algumas mortes, como a morte de um programa. As pessoas gostavam, sempre tratamos o esporte com o devido respeito que merece, gostávamos muito do que fazíamos — tanto que, putz, passamos anos insistindo numa segunda edição, às sextas-feiras. Tivemos até críticas favoráveis, colunistas falando bem da gente! Audiência, não sei. No Fox Sports, parece que era razoável. Quando, neste ano, passados ao segundo canal da emissora, desconfio que caiu bastante.

De qualquer forma, pensamos numa despedida digna quando soubemos que o programa do dia 29 de novembro seria o último. O clipezinho com “Faster”, de George Harrison, ficou bonito. Dá para ver aqui, acho que pode até baixar. Foi o último bloco do último “Nitro”.

Toda corrida acaba, uma hora.

HAMILTON FORA, QUEM CORRE?

H

SÃO PAULO (sobrou pra todo mundo) – Claro que a esta altura todo mundo já sabe que Hamilton está com Covid-19 e não corre domingo. Mas a notícia ainda me parece chocante o bastante. Pombas, é o heptacampeão mundial de F-1, talvez o esportista mais importante do mundo hoje em dia! E nunca tinha perdido um GP sequer desde 2007, quando estreou.

Hamilton ter se contaminado mostra que a doença atinge todo mundo, mesmo aqueles que estão tomando todas as precauções possíveis — Lewis não vê quase ninguém, evita até hotéis (na Europa, usou um motorhome para dormir nos autódromos) e nem comemorar o título com família e amigos pôde, ainda.

O coronavírus é foda, é perigoso, é uma ameaça, está matando gente no mundo inteiro. E, no Brasil, o jumento do Planalto não fez ainda um plano nacional de vacinação. É incrível. Continua minimizando tudo, negando tudo, espalhando seus perdigotos nojentos e sua ignorância por aí. E é contra a vacina.

Como chegamos a isso?

Voltando a Hamilton, por enquanto ele sente apenas sintomas leves e espera-se uma recuperação rápida. Pérez e Stroll foram os outros pilotos que perderam corridas neste ano por causa da pandemia. Ambos, depois de isolados e tratados, voltaram sem maiores problemas.

A questão agora é: quem corre em seu lugar no GP de Sakhir, domingo?

Bom, todos querem correr com esse carrão da Mercedes. A equipe ainda não revelou nada, ainda. Teoricamente, Stoffel Vandoorne, na condição de piloto reserva, deveria assumir o cockpit aberto com o impedimento de Hamilton. O belga hoje milita na Fórmula E e estava em Valência testando os elétricos da próxima temporada. Mas há uma coceirinha em gente da Mercedes para chamar Russell, vinculado à montadora. Ele já andou com o carro da equipe várias vezes, em testes, e sempre foi bem. Há questões contratuais que devem ser resolvidas junto à Williams, mas nada tão complicado assim. Hülkenberg, que virou o substituto oficial da categoria depois de ocupar as vagas de Pérez e Stroll na Martin India com competência e velocidade, corre por fora.

Seja quem for, é melhor que a Mercedes cuide para que não ganhe de Bottas. Se isso acontecer, é capaz de o finlandês abandonar a carreira para pescar arenques no Báltico.

I NEED YOU SO

I

SÃO PAULO (falta pouco) – Nikita Mazepin foi confirmado hoje pela Haas como um dos titulares para 2021. Nenhuma surpresa. Seu nome já estava na boca do povo haasiano há um bom tempo, desde o anúncio do time sobre as saídas de Grosjean e Magnussen. Ele é filho de um bilionário russo, rico mesmo, daqueles capazes até de comprar a equipe se acordar de bom humor. E a equipe precisa de grana, ô se precisa.

Mazepin, 21 anos, está na F-2 e já ganhou duas corridas neste ano. Não tem um currículo muito parrudo — é muito menos robusto que a conta bancária do pai. A Haas terá uma dupla bem jovem no ano que vem. O papi de Nikita paga a conta e o time traz para o outro carro Mick Schumacher, filho de Michael, que pode conquistar o título da F-2 domingo no Bahrein. E Mick chega de graça, porque quem banca o alemão é a academia de jovens talentos da Ferrari. Assim, com um pagante e outro que não custa nem um danone, o time americano pode organizar suas finanças e tentar fazer um carro decente para o ano que vem.

Na ilustração aí em cima vemos que Mercedes, Red Bull, AlphaTauri e a própria Haas ainda não confirmaram integralmente suas duplas para 2021. Em alguns casos, faltam apenas anúncios oficiais — Hamilton na Mercedes e Mick Schumi na Haas. A Red Bull e a AlphaTauri ainda não decidiram, mesmo. As duas equipes pertencem ao mesmo dono, como se sabe. Neste momento, as apostas indicam Albon ou Pérez na Red Bull, com Hülkenberg correndo por fora. Pérez, aliás, deu uma entrevista no Bahrein admitindo que pode ficar parado em 2021, que a Red Bull é sua única opção para a próxima temporada, mas que tem várias propostas para 2022 mesmo se tiver de tirar um sabático para pensar na vida. Na AlphaTauri, o japonês Yuki Tsunoda, apadrinhado pela Honda, é o favorito para o lugar de Kvyat.

AUDI, VW ETC.

A

SÃO PAULO (tudo muito rápido) – Hoje a Audi deu uma chacoalhada no mundo do esporte a motor. Primeiro, anunciou que vai participar do Dakar de 2022 com um carro “eletrificado” — Depois, que vai retomar seu programa de endurance no novo regulamento LMDh (Le Mans Daytona hybrid), o que significa que a marca voltará a Le Mans e correrá também em Daytona. Por fim, avisou que a aventura na Fórmula E, onde está desde o início, acaba ao final da próxima temporada, a de 2021. Em 2022, Lucas di Grassi estará desempregado. Ao menos na F-E.

Por fim, a mãe Volkswagen também fez um anúncio hoje. Mais simples e direto. Encerrou todo seu programa de motorsport. Os 169 funcionários do departamento, que fica em Hannover, serão deslocados para outras funções. Todos elas ligadas à eletrificação dos carros da marca.

Só se fala nisso no mundo dos automóveis. Elétricos, elétricos, elétricos. Um porre.

FOTO DO DIA

F

SÃO PAULO (semana longa e difícil) – Vamos tentar organizar as coisas aqui, depois de uma breve viagem e alguns dias com muitas notícias.

Começo com a alegria de ver João Paulo de Oliveira conquistar mais um título no Japãp. Foi na madrugada do domingo em Fuji, na ultracompetitiva Super GT — categoria GT300. O que aconteceu na prova está aqui.

Fiquei muito, muito feliz pelo JP. É um cara sensacional, um batalhador, um sujeito que fez a vida no Japão, guia demais e, se não bastasse tudo isso, é um militante de causas importantes que se equipara a Lewis Hamilton. Avis rara neste mundo de pilotos anódinos, amorfos, isentões ou, como acontece muito comumente Brasil, reaças insuportáveis que fazem arminha com os dedos — em todas as categorias, da Stock aos carros antigos, da Truck ao kart.

Parabéns, JP! Longa vida ao nosso samurai!

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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