Arquivoquarta-feira, 2 de dezembro de 2020

É RUSSELL!

É

SÃO PAULO (uia!) – A coceirinha na cabeça da turma da Mercedes acabou hoje cedo. George Russell será o substituto de Hamilton no GP de Sakhir, domingo. Ele é piloto da montadora e de Toto Wolff. A negociação com a Williams foi tranquila. Só quem vai perder o sono nos próximos dias é Bottas. Se Jorginho andar na frente do finlandês, vai ficar feio. É cruel, a F-1. Bottas que se vire.

A escolha foi boa. Vandoorne está em outra “vibe”, como se diz, fazendo testes na Fórmula E. Russell está ativo na F-1, já fez testes pela Mercedes antes e tem a chance de mostrar do que é capaz, realmente. Até aqui, tem se revelado um ótimo piloto em classificações e um pouco menos em corrida. Mas tem sempre a desculpa de guiar o pior carro do grid.

Agora, terá o melhor nas mãos. Será a primeira vez em 225 GPs que a Mercedes, que voltou à F-1 em 2010, não terá um campeão mundial num de seus carros. Lembremo-nos de que em 2010 Michael Schumacher era um de seus pilotos. Quando ele saiu, veio Hamilton, já campeão de 2008. É a história sendo escrita, amiguinhos. No mesmo dia em que o nome Schumacher é lembrado por essa curiosidade, seu filho Mick foi confirmado como titular da Haas para o ano que vem. E poderá até correr em Abu Dhabi na última etapa do Mundial, se Grosjean não se recuperar. É uma possibilidade bem concreta.

Mick Schumacher faz o banco: pode estrear já em Abu Dhabi

Mick teve autorização para ir ao paddock do Bahrein hoje para fazer o molde de seu banco, inclusive. E no fim de semana, ele pode conquistar o título da F-2 em Sakhir. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, não? Grosjean, a propósito, teve alta do hospital hoje.

Para o lugar de Russell, a Williams convocou Jack Aitken, inglês de 25 anos que também corre na F-2 sem muito brilho e é piloto reserva do time desde o início do ano. Aitken também não é um estranho no ninho. No GP da Estíria, no começo da temporada, chegou a participar de uma sessão de treinos livres na F-1.

Mas Aitken será um mero coadjuvante, por motivos óbvios. Todos os olhos estarão voltados mesmo é para Russell neste fim de semana, no esquisito traçado “oval” do Bahrein. As voltas serão completadas em menos de um minuto, algo incomum na categoria. Aliás, preciso pesquisar se alguma vez na história isso aconteceu. Depois trago essa informação.

Outro que será observado atentamente, mas por outras razões, é Pietro Fittipaldi. O brasileiro corre no lugar de Grosjean sabendo que pode até ganhar a corrida que nada muda em relação à Haas, uma vez que o time americano já confirmou sua dupla para 2021 — Nikita Mazepin será o outro piloto, confirmado ontem. Dupla de estreantes, um risco sempre. Mas o time precisa de grana, e o pai de Mazepin está cheio dela. Pietro será o quarto Fittipaldi a disputar um GP, e não se sabe quando terá uma chance dessas novamente. Dele não se devem esperar milagres. Mas às vezes, na F-1, temos corridas bem loucas em que acontecem coisas mais loucas ainda. Vai que o menino consegue emplacar um pontinho, já imaginaram? Seria mais uma loucura de um ano bem louco.

E teve mais, hoje. A FIA autorizou e Alonso participará do teste dos novatos em Abu Dhabi logo depois do encerramento do campeonato, daqui a duas semanas. Dependendo de negociações, Vettel também poderá participar desses treinos com sua nova equipe, a Force Point, que ano que vem será Aston Martin. Se isso acontecer, Sainz Jr. também poderá ser liberado pela McLaren para andar de Ferrari, assim como Ricciardo pode aparecer na equipe laranja pela primeira vez, uma vez que está deixando a Renault para a chegada de Alonso.

Considerando o momento único que vivemos, e as muitas limitações de testes imposta pela F-1 nos últimos anos, acho que seria sensato permitir que esses pilotos, que trocarão de equipe no ano que vem, começassem a trabalhar em suas novas casas. Sim, o tal “teste de novatos” ganharia aspas — Alonso, Vettel, Ricciardo e Sainz são tudo, menos novatos — e perderia sua essência. Mas em circunstâncias especiais, soluções especiais. Espero que FIA e equipes se entendam e que possam dar a largada para 2021 antes de terminar 2020.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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