MURRAY WALKER, 97

SÃO PAULO – O British Racing Drivers’ Club (BRDC) confirmou agora há pouco a morte do locutor e comentarista Murray Walker, aos 97 anos. Responsável pelas narrações de F-1 para a BBC entre 1976 e 1997 e depois para a ITV até 2001, Walker foi a voz mais marcante de todos os tempos nas transmissões da categoria para o Reino Unido. Fez dupla com comentaristas como James Hunt, Jonathan Palmer e Martin Brundle, e era uma lenda dos microfones. Pelo tempo em que ficou no ar e pela imediata identificação com a F-1, era uma espécie de Galvão Bueno inglês.

Walker era uma figura doce e querida no meio, permanentemente curioso e interessado, humilde e sempre dispostos a aprender. Era tratado com respeito absoluto por todos os pilotos, dirigentes e colegas. Sua presença no paddock enchia o ambiente de luz e alegria.

Por que estou enchendo este texto de clichês? Porque muitas vezes só recorrendo a eles para descrever alguém como Murray Walker. Ele começou a carreira em 1948 depois de lutar na Segunda Guerra Mundial — pilotou tanques nos últimos anos do conflito. Suas primeiras transmissões esportivas foram pelo rádio em corridas de motocicletas em 1949 e no mesmo ano estreou na TV. Walker também corria de moto, assim como seu pai.

Chegou tarde à F-1, aos 52 anos, depois de conciliar as funções como comentarista de motociclismo e automobilismo na BBC com uma bem-sucedida carreira como publicitário. Narrava de pé, fazia incríveis ginásticas verbais para descrever momentos dramáticos das corridas e inventava palavras engraçadas, um hábito que passou a ser chamado de “murrayism” na imprensa.

O último GP que transmitiu na íntegra foi o dos EUA em 2001. De lá para cá, participou de muitos programas de TV sobre F-1, foi “embaixador” de marcas e equipes, sempre que a saúde permitia aparecia nos autódromos e era festejado por todos. Fazia ótimas entrevistas, também. Ninguém se recusava a falar com Murray Walker.

O BRDC não informou a causa da morte de Walker, que vai deixar uma saudade imensa em todos que fazem parte do mundo do automobilismo. Assim que a notícia chegou ao Bahrein hoje, pilotos e equipes emitiram notas de pesar e carinho. Afinal, quase todos começaram a ver F-1, e se apaixonaram por ela, ouvindo sua voz.

Abaixo, um breve vídeo de Murray Walker falando de Senna e Prost, postado no canal da McLaren alguns anos atrás.

Vá em paz, jovem velhinho.

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