SOBRE ONTEM DE MANHÃ

Pérez com Masashi Yamamoto: a Honda merece

SÃO PAULO(arigatô) – Faltou A FOTO neste GP da Turquia. Hamilton olhando seus pneus depois da corrida? Até tinha, mas não era grande coisa. Bottas no pódio? Ah, não foi a primeira vitória, e não teve nenhum drama muito especial — não é sua despedida da Mercedes, nem o fim de sua carreira. Alonso abraçando Mick Schumacher e pedindo desculpas pelo toque no início da prova? Era boa, mas usei ontem.

Fiquemos, então, com essa aí em cima. O piloto é Sergio Pérez e o senhor de máscara é Masashi Yamamoto, que comanda o programa da Honda na F-1. A Red Bull queria ter feito essa homenagem à montadora em Suzuka, pista que pertence à Honda, mas o GP do Japão foi cancelado e a data ficou com Istambul. A pintura dos carros do time trazia referências aos carros japoneses dos anos 60.

No fim do ano, a Honda vai embora, oficialmente. E ganhou de presente dois troféus ontem — o de Verstappen, segundo colocado, e o de Pérez, terceiro. A escolha da foto é nosso singelo tributo à marca.

O NÚMERO DA TURQUIA

2

…”hat-tricks” tem Valtteri Bottas na carreira, ou seja: pole, vitória e melhor volta em uma mesma corrida. O outro foi em 2017 em Abu Dhabi. O finlandês pode ser acusado de qualquer coisa, menos de não estar se despedindo da Mercedes com dignidade. Só para constar, o recordista em “hat-tricks” na F-1 é Michael Schumacher, com 22. Dos pilotos em atividade, Hamilton tem 18, Vettel fez oito, Alonso conseguiu cinco, e Raikkonen e Verstappen, dois cada um.

Outra cifra gerada pelo GP da Turquia, também relativa a Bottas: ele é o 35º piloto na história a entrar na casa dos dois dígitos em número de vitórias. Está empatado com outros quatro com dez triunfos: James Hunt, Ronnie Peterson, Jody Scheckter e Gerhard Berger. Desses, dois foram campeões do mundo: Hunt em 1976 e Scheckter em 1979.

“Acho que foi a melhor corrida da minha carreira”, disse o geladíssimo companheiro de Hamilton. De fato, ele foi impecável do início ao fim. Na sexta e no sábado, verdade, Lewis andou na sua frente. Inclusive na classificação. Mas como estava punido, a pole ficou com Valtteri.

Sejamos generosos com ele, pois. Abaixo, algumas imagens de Bottas nesta que, muita gente acredita, pode ter sido a última vitória de sua carreira, já que no ano que vem estará na Alfa Romeo. Claro que ainda pode vencer com a Mercedes, afinal ainda faltam seis etapas para terminar a temporada. Mas, sendo honesto, é bem pouco provável.

O para-não-para de Hamilton dominou as discussões sobre a corrida ontem em fóruns e redes sociais dedicadas à F-1. A imprensa, claro, explorou o mesmo assunto. Jornais ingleses chegaram a dizer que Lewis ficou “furioso” com a Mercedes, usando como argumento sua comunicação pelo rádio com o engenheiro Peter Bonnington, o Bono. Quando foi informado de que Gasly estava chegando, Hamilton retrucou, irritado: “Me deixe em paz!”.

Mais tarde, e mais tranquilo, o inglês escreveu em sua conta no Instagram que a mídia de seu país “exagerou”. O que nos leva à…

FRASE DE ISTAMBUL

“Não esperem que eu seja educado enquanto estou correndo.”

Hamilton, sobre o piti com Bono pelo rádio
Mercedes troca pneus de Lewis no fim: piloto e equipe vacilaram

“Ontem, arriscamos ficar na pista esperando que fosse secar, mas não secou”, continuou Hamilton via redes sociais. “Eu quis arriscar e tentar ir até o final, mas foi minha decisão e não funcionou. No final, paramos e foi o mais seguro a se fazer. Vivemos e aprendemos. Vencemos e perdemos como equipe.”

Sem crise. Mas que a Mercedes e Hamilton bobearam, bobearam. Claro que falar depois é fácil, mas está claro que para buscar o pódio ou o moço parava antes — talvez na volta 42, quando a equipe o chamou –, ou não parava, tentando alguma coisa diferente. Acabou trocando seus pneus na volta 51, a sete do final, perdendo duas posições em definitivo, sem chance alguma de recuperá-las.

Resultado final em Istambul: equilíbrio no Mundial

Aí no alto o resultado do GP da Turquia e quantos pontos cada um marcou na corrida. Bottas fez 25 da vitória e mais um extra da melhor volta. Mas o que nos interessa agora é a disputa Verstappen x Hamilton. Com os 18 pontos da segunda colocação, Max voltou à liderança do campeonato, seis à frente de Lewis.

Foi a quinta mudança na ponta da tabela desde o início do Mundial em março, no Bahrein. Hamilton foi o líder até a quarta etapa, na Espanha, quando abriu sua maior margem para o holandês: 94 x 80. Em Mônaco, a primeira virada: Verstappen venceu e Hamilton foi apenas o sétimo, com o placar apontando 105 x 101 para o piloto da Red Bull.

A partir daí, Max viveu seu melhor momento da temporada, com mais três vitórias nas quatro provas seguintes, mantendo a primeira posição por cinco corridas, até o GP da Inglaterra. Na nona etapa, no GP da Áustria, abriu 32 pontos em cima do inglês da Mercedes: 182 x 150. Foi sua maior vantagem no ano.

Verstappen: líder em nove das 16 etapas até aqui

Hamilton reagiu vencendo em Silverstone e virando o jogo com a segunda posição na Hungria, 11ª etapa, chegando a 195 pontos, contra 188 de Max — que foi abalroado por Bottas na largada e terminou a prova de Budapeste se arrastando em nono. O alívio de Lewis durou pouco. Com vitórias na Bélgica (metade dos pontos, porque nem corrida teve) e na Holanda, Verstappen voltou à ponta levando a cabo a terceira mudança de líder na temporada: 224,5 x 221,5 após a corrida de Zandvoort, 13ª do campeonato.

Na Itália, nenhum dos dois terminou a prova, mas Verstappen somou dois pontinhos na Sprint, no sábado, ampliando sua vantagem para cinco pontos. Mas já na corrida seguinte, na Rússia, Hamilton virou de novo. Venceu, com Max em segundo, e foi a 246,5 pontos, apenas dois a mais que o rival. A quinta virada, finalmente, aconteceu ontem.

Estes dados podem ser conferidos no gráfico abaixo, produzido pelos computadores de nosso conglomerado de comunicação. A interface gráfica talvez não seja compatível com os equipamentos de vocês, mas podem confiar. Foram checados e rechecados. Os pontos representam as mudanças de liderança e os valores circulados apontam qual piloto estava em primeiro após cada etapa. Os números 14 e 32 indicam as maiores vantagens que cada um abriu sobre seu oponente.

Gráfico comparativo entre Verstappen e Hamilton: copyright free

TURQUIA BY MASILI

Não é um gênio, nosso cartunista oficial? Marcelo Masili compara a disputa Hamilton x Verstappen ao cabo de guerra de “Round 6”, maior sucesso das galáxias na Netflix. Quem não está entendendo nada precisa ver a série. Quem vai despencar no abismo mortal?

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS – De ver Esteban Ocon, valente, chegar em décimo sem trocar pneus. De acordo com Rodrigo Mattar, citado no blog do Fábio Seixas, que é preguiçoso e não foi pesquisar, a última vez que um piloto terminou uma corrida sem um pit stop foi em 1997: Mika Salo no GP de Mônaco. Nem Seixas nem Mattar disseram em que posição o finlandês, então na Tyrrell, chegou. Eu, que sou diligente, fui atrás: quinto lugar. Lembrando que em 2005 não tinha troca de pneus, mas tinha pit stop para reabastecimento. Ah, a foto aí em cima, à esquerda, pode ser de Alonso. Não sei. Mas é a que arrumei.

NÃO GOSTAMOS – De ver Sebastian Vettel colocando pneus slicks, médios, na volta 38. A pista ainda estava muito molhada e não tinha a menor chance de dar certo. Na volta seguinte ele trouxe o carro para os boxes, quase bateu na entrada, e botou intermediários novos. Chegou em 18º. Para justificar a patacoada, disse que não tinha muito a perder e por isso tentou algo diferente. “Tentar algo diferente”, quando eu jogava truco, era aceitar um seis na orelha sem nenhuma manilha, nem um reizinho pra quebrar o galho. Sempre dava errado, claro.

Comentários

  • Uma corrida morna. Havia uma expectativa enorme, ainda mais diante da lembrança da corrida de 2020 em terras turcas. Mas, nada de tão extraordinário aconteceu.
    Mclaren discretíssima, Norris em sétimo e Ricciardo em décimo terceiro ao final da etapa. Ferrari mostrou força com os novos componentes do sistema híbrido nos cois carros. Leclerc chegou a liderar a prova e almejar um lugar no pódio. Sainz saindo de último no grid chegou em oitavo a meros 4 segundos de Norris. Sete pontos e meio separam as duas equipes no campeonato de construtores.
    E a vitória de Bottas diz mais sobre o carro do que sobre o piloto. Mesmo com a pista molhada e escoirregadia, o piloto finlandês não teve qualquer problema e imprimiu um ritmo forte não dando qualquer chance à Verstappen ou à Leclerc. Parece ter se recuperado dos deslizes e erros ao longo da temporada. Verstappen fez uma corrida pensando no campeonato. Simplesmente levou o carro até o final e gartantiu a liderança do campeonato. Idem Perez.
    Hamilton até o momento em que ultrapassou Tsunoda, fez vários movimentos com o carro, aparentemente testando os limites de aderência em cada parte da pista. Depois que ultrapassou o piloto japonês foi encontrar outra barreira em Perez, que defendeu brilhantemente a posição.
    Sobre a (in)decisão de parar ou não para trocar pneus, ou em que momento isso deveria ter sido feito, foi um ingrediente a mais. Parar naquele momento da corrida foi um erro, pois, nas situações da pista, o pneu intermediário levava em torno de quatro voltas para atingir a temperatura ideal. E nesse momento da corrida não havia mais tempo de recuperação. Talvez Mercedes tenha optado pela parada pois existia um risco de um pneu furado por a perder tudo. Mas por outro lado se olharmos para os tempos de volta de Hamilton entre as voltas 36 e 50, entre 1m24,068s (volta 48) e 1m25,186 s (volta 40), havia a possibilidade de chegar em terceiro à frente de Perez e de Leclerc. Mas apenas uma conjectura.
    E interessante a se observar que tanto na corrida em Sochi, como agora em Instambul, a Mercedes foi soberana. A Red Bull não conseguiu em momento algum ameaçar a equipe alemã.
    Próxima etapa será em Austin, onde o único piloto a quebrar a hegemonia da Mercedes na era híbrida, foi Raikkonen em 2018.
    Enfim, pode até ser circunstancial, mas parece que o pêndulo moveu-se em diração à Mercedes. E justamente na parte final do campeonato. Campeonato de pilotos praticamente empatado, ams entre construtores os alemãos tem uma folga considerável. O que mostra o poder de reação e a qualidade técnica da equipe. No início do campeonato, com a redução no assoalho dos carros, os carros da Mercedes eram quase meio segundo mais lentos que os carros da Red Bull. Hoje Mercedes lidera entre os construtores e a disputa entre pilotos está muito parelha. E, aparentemente com as pequenas alterações e atualizações introduzidas, tem uma pequena vantagem sobre os taurinos. E já pensando no campeonato de 2022, a equipe alemã tem testado, nos treinos livres de sexta-feira, algumas peças novas da suspensão traseira.

  • Aproveitando os elogios (que são escassos, me lembro até hoje da brilhante história da abelha gigante) do blogueiro ao Valteri Bottas vamos a um resumo real do que fez o finlandês esse ano.
    No Bahrein pilotou no ritmo de Hamilton e Verstappen.
    Na Emilia Romagna foi retirado da prova por Russel.
    Em Portugal um problema em um sensor o proibiu de atacar Vertappen, iria chegar em segundo. Fez pódio.
    Na Espanha não andou bem, mas foi pódio.
    Em Mônaco o problema da troca de pneu tirou dele um segundo lugar fácil. Um pódio perdido.
    Na França a equipe não seguiu seu conselho de fazer duas paradas, motivo que o tirou do sério e do pódio.
    Nas duas provas da Áustria foi muito bem, um 2º e um 3º lugar.
    Em Silverstone dois pódiuns, um na Sprint e outro na prova principal.
    Na Holanda foi sacrificado, mesmo assim fez pódio.
    Mais dois pódiuns na Italia, vitória na Sprint e largando de último para 3º na prova principal.
    Na Rússia optou em ser um dos primeiros a parar e ganhou oito posições em seis voltas para terminar em 5º grande recuperação. Se tivesse mais uma volta seria pódio.
    Enfim na Turquia hat trick, prova excepcional em pista molhada diga-se de passagem.
    Azerbaijão, Bottas fez uma corrida sem a sua assinatura e na Hungria foi imbecil.
    Esse é o verdadeiro resumo de Bottas na temporada.
    Quem não entende corrida, entra na onda do que é ventilado pela mídia torcedora que hoje impera na TV, sites, blogs, podcasts, etc., esses acham que Bottas faz uma temporada apagada e o pior tem gente que acredita que faz mesmo.
    Em tempo: No ano Bottas fez poles, melhores voltas, pódiuns e ganhou corrida, é hoje o responsável pela liderança do mundial de construtores. Esta ano muito mais que todos os outros, pilota para Hamilton.
    A temporada de Vartão é digna….. muito digna. Bottas é um dos grandes da F1 atual e a Mercedes que precisa dar espaço para Russel, vai forçadamente dar um tiro no pé.

  • Sobre o “piti” do Hamilton…
    É incrível o quanto pegam no pé dele, e por que?
    Por ser campeão, por ser 7 vezes campeão, por ser o melhor da atualidade?
    Ou por ser negro?

    O Kimi deu um chilique ridículo bê totalmente desproporcional por causa da mangueira de água do carro dele, e todo mundo idolatra ele por ser “ok jeito dele”.
    Fico imaginando se o Hamilton da algo igual, talvez suspendam ele da F1 por falta de educação.
    Ter que ficar se explicando sobre ter reclamado de uma decisão dos boxes, no meu da corrida, é ridículo.

    Quando o Verstappen xinga no rádio, é o jeito dele..
    Quando o Tsunoda fala 7 palavrões em uma frase com 9 palavras “é o jeito dele”
    Agora o Hamilton ficar puto pq discordou da equipe, e acha que a sua opção era melhor, “Nossa .. esse Hamilton é um ridículo, babaca, metido que não dá valor para a equipe…” E tem que se desculpar.

    Pra mim isso é um racismo escancarado e já enrustido no mundo todo. Em especial, no mundo branco da fórmula 1.

  • “A Red Bull queria ter feito essa homenagem à montadora em Suzuka, pista que pertence à Honda, mas o GP do Japão foi cancelado e a data ficou com Istambul”.

    Se era pra celebrar a primeira vitória da Honda na F1, não entendi porque não fizeram no Mexico, que foi onde Richie Ghinter venceu com o (se não me engano) R22 de 1.500cc

  • Hamilton trocou de papel com Bottas nesse GP da Turquia sendo o Coadjuvante enquanto o Bottas acaba como Protagonista, pelo o que está se vendo o Hamilton e Mercedes não estão na mesma sintonia em termos de estratégia, e com isso o Verstappen e sua Red Bull vão agradecendo.
    Verstappen corre agora com o raciocínio marcando Hamilton chegando na frente ou atrás não deixando ele escapar, com isso volta a ser o Líder.
    Gostamos: Se Ocon foi bem com sua Alpine sem trocar chegando em décimo, o Alonso da mesma Alpine acaba jogado para fora na largada ficando fora de combate chegando em décimo sexto. Um fato curioso nessa corrida da Turquia na chuva é que nenhum piloto abandonou.
    Não Gostamos: Vettel volta aos seus piores dias na F-1 fazendo uma estratégia completamente errada com seu Aston Martin chegando em décimo oitavo somente na frente das nanicas Haas, pior impossível.

  • Estas 6 provas restantes será um campeonato à parte. Dentro daquele que já está sendo um dos melhores campeonatos que vimos.
    Viés positivo para o Verstappen mas nunca dá para desprezar Hamilton e a Mercedes. Façam suas apostas!

  • comentando para você não dizer que ninguém lê o seu blog. Eu acredito que a Mercedes achava que a pista secaria e colocaria slicks no carro do Hamilton. Foi uma aposta que deu errado.