GP DE SP (4)

Lewis na frente para a Sprint: tentativa de tirar a diferença

ITACARÉ (uau) – Lewis Hamilton larga na frente amanhã na Sprint, a corridinha de meia hora que definirá o grid para o GP de São Paulo, 19ª etapa do Mundial de F-1. “Let’s go!”, disse pelo rádio assim que fechou a volta que lhe deu a pole-que-não-é-pole.

Foi o primeiro passo para tentar descontar os 19 pontos que o separam da liderança do Mundial, provisoriamente nas mãos de Max Verstappen. E, também, uma demonstração de força da Mercedes, que faz questão de avisar: ainda não está morta no campeonato.

O holandês da Red Bull terminou a classificação em Interlagos em segundo e disse que não ficou “chocado” com o resultado. “Quando se tem um motor novo, sempre vem alguma coisa”, disse, referindo-se à troca da unidade no carro do rival. “Domingo é que importa e vai estar mais quente”. Ele aposta num tempo um pouco mais camarada para tentar reverter o quadro. No frio, a Mercedes melhora bastante seu rendimento.

ATUALIZAÇÃO (0h20): Às 19h15, a Mercedes foi chamada à torre porque o comissário técnico Jo Bauer observou que a asa móvel de Hamilton estava abrindo além da medida máxima de 85 mm. O piloto corre o risco de, ainda hoje, perder seus tempos da classificação, o que significa que poderá ter de largar em último amanhã na Sprint. Até as 20h30, nenhuma decisão havia sido anunciada. Fiquem ligados no Grande Prêmio, que está em Interlagos aguardando eventual punição. Enquanto isso vejam este vídeo precioso de um leitor do site, Frederico Monteiro, que flagrou Verstappen, no Parque Fechado, “inspecionando” a asa traseira do #44. As imagens já estão correndo o mundo. E chegaram à FIA. Por volta das 22h, a entidade decidiu que só vai tratar do caso da asa móvel de Hamilton no sábado de manhã. E ao tomar conhecimento do vídeo de Monteiro, enviado ao Grande Prêmio, também resolveu convocar Verstappen para explicações. A sexta-feira do GP de São Paulo, em resumo, ainda não acabou.

Hamilton domina a classificação: Mercedes forte em Interlagos

A sexta-feira foi daquelas típicas de São Paulo, do jeito que o time alemão queria: cinzenta, com garoa e frio. Os termômetros marcavam 15°C quando começou a classificação para a Sprint, alta umidade relativa do ar — 79% –, mas sem chuva. Como já acontecera em Silverstone e Monza, apenas os pneus macios estavam liberados para a sessão. Os dois carros da Ferrari foram os primeiros a ir para a pista, com medo de vir água. Não veio.

Hamilton, que já fora o mais rápido no primeiro treino, fez uma ótima primeira volta cronometrada em 1min08s824, colocando mais de meio segundo em Verstappen no primeiro tête-à-tête da classificação. Depois, baixou para 1min08s733. Nada como um motor novinho em folha que não bate saia, não engasga, não fica rateando. Lewis fechou o Q1 em primeiro, seguido por Bottas, Sainz, Leclerc, Pérez e Verstappen nas seis primeiras posições.

Stroll, Latifi, Russell, Schumacher e Mazepin foram os eliminados. Até aí, normal. Nikita até chorou com a péssima colocação — a volta do russo da Haas foi muito ruim, mesmo. Mas a surpresa foi Latifi. Pela primeira vez na vida conseguiu se classificar na frente de Russell. O inglês-prodígio, que no ano que vem será o companheiro de Hamilton na Mercedes, só tinha ficado atrás de um companheiro de equipe no grid quando correu no Bahrein no lugar de Lewis, no ano passado — Bottas ficou à sua frente.

Latifi na frente de Russell no grid: milagre do canadense

Do primeiro ao 16º, no caso Stroll, apenas 0s930 separaram os pilotos, mais um reflexo da pequena extensão de Interlagos — 4.309 m, perdendo apenas para Mônaco, Zandvoort e Hermanos Rodríguez.

No Q2, Hamilton de novo começou bem virando na casa de 1min08s, mas seu primeiro tempo foi cancelado por exceder os limites de pista na Curva do Lago. Max, na sequência, mostrou algum poder de reação e fez 1min08s567. O inglês nem foi para os boxes e, com o mesmo jogo de pneus, fez uma segunda volta rápida em 1min08s386, 0s181 melhor que o holandês. A Red Bull começou a se preocupar. E era para se preocupar mesmo. Com um jogo de pneus novos, Lewis melhorou ainda mais e cravou 1min08s068, deixando Verstappen a 0431 de distância. Os degolados: Ocon, Vettel, Tsunoda, Raikkonen e Giovinazzi.

Lewis excede os limites da pista: no Lago, rigor dos comissários

A pergunta era: será que Max estava guardando alguma coisa para o Q3? Lewis, sabendo que irá perder cinco posições no grid de domingo, faria tudo para largar na pole da Sprint para tentar alguns pontinhos extras no fim de semana. Para quem não lembra, o vencedor da minicorrida leva três pontos, o segundo marca dois e o terceiro, um.

Os boxes foram abertos no Q3 e ninguém quis ser o primeiro a ir para a pista. Ficou um olhando para a cara do outro como a perguntar: “E aí? Vai andar não?”. Até que Leclerc se mandou. Sainz veio atrás dele. Foi a senha para os demais: todos no asfalto para ver no que ia dar. Lewis bateu o cronômetro em sua primeira saída em 1min08s107. Max virou 0s265 pior e reclamou que na metade da volta seus pneus “morreram”.

Na segunda saída, Hamilton colocou-se à frente de Bottas para dar o vácuo ao finlandês. A intenção era clara: tentar ganhar a posição de Verstappen, então segundo colocado. O rubro-taurino abriu sua volta e na primeira parcial foi mais de 0s2 pior que Lewis. Já era. Não melhorou. Lewis enfiou o pé e fez uma volta espetacular em 1min07s934. Seu parceiro finlandês não acompanhou o ritmo e ficou onde estava, em terceiro. Pérez, Gasly, Sainz, Leclerc, Norris, Ricciardo e Alonso fecharam os dez primeiros lugares.

Diferença de quase meio segundo: Red Bull preocupada

A diferença entre Hamilton e Verstappen foi de 0s438, e como já falamos é muita coisa para uma pista com a de Interlagos. “Estou superfeliz com o resultado. Um cara até me falou para eu usar mais vezes as cores do Senna no meu capacete que dá sorte”, relatou, sorrindo. “Sei que tenho um pênalti para pagar domingo e é provável que Max saia na pole, mas vou dar tudo de mim.”

Sorriso de um lado, cara feia do outro, amanhã tem mais. E à noite, no meu canal no YouTube, chegamos ao vivo para analisar a bagaça toda no “Fórmula Gomes”! Ativem aquele diabo daquele sininho, começa às 19h!

Comentários

  • Quanto ao treino, Hmailton fez o que se esperava. Motor novo, sem preocupações, andou rápido sempre. Seja com pneus médios ou macios. A diferença entre os tempos dele e de Verstappen dizem tudo. O piloto holandês em momento algum foi ameaça para Hamilton. Bottas que poderia criar algum problema para a Red Bull fico uali em terceiro. Sabendo que perderia cinco posições no grid para a corrida, Hamilton não deu qualquer e sempre liderou a folha de tempos. Gasly levando a Alpha Tauri sozinho, à frente de Ferraris e Mclarens, mas já a 0,8s atrás de Hamilton. Ferrari de fato se consolidando como terceira força nessa fase final do campeonato enquanto que Mclaren logo atrás. Ou seja, o de sempre, nenhuma novidade.
    Já toda a confusão sobre o DRS do carro de Hamilton. Apesar de todo o falatóriom acredito que a FIA adotou uma postura mais cautelosa pro se tratar dos contendores ao título, tanto de pilotos como de construtores. E sinceramente acho isso saudável. A FIA faz inspeções regulares dos carros durante as corridas para garantir as exigências técnicas do regulamento. O DRS dos carros da Mercedes certamente passaram por essa inspeção e nõa houve qualquer problema até então. O que causou toda essa celeuma foi o fato de que a Red Bull, munida de vídeos da transmissão da prova, levou essa reclamação à FIA, sobre uma possível irregularidade do equipamento dos carros germânicos. Após o classificatório constatou-se a irregularidade. Mas a que de deve essa irregularidade? Intencional? Pouco provável. Uma peça como essa, e como qualquer outra parte de um carro de F1, tem muitos elementos. E submetida a um esforço como esse, ou por fadiga de material, ou por uma montagem incorreta, ou mesmo uma quebra, pode ter sido responsável por não estar no padrão exigido pelo regulamento. A própria Red Bull já enfrentou problemas com seu sistema de DRS ao longo do campeonato. O fato de que Verstappen tenha tocado na peça e causado essa medição, apesar de improvável, pode ter contribuído para isso.
    Assim, a FIA agiu corretamente, com a cautela que é exigida nesse momento. A transparência deve ser o fator mais importante nessa decisão. Infelizmente, a FIA peca exatamente por não ser transparente, ou coerente, como mostra o caso recente envolvendo a Ferrari.
    Aguardemos.