SOBRE DOMINGO À TARDE

Uma das centenas de fotos com a bandeira: imagem marcante

ITACARÉ (vamos lá…) – Há muitas imagens que poderiam ter sido escolhidas para representar dignamente o GP de São Paulo, e receio que todas elas incluam a bandeira do Brasil. O gesto de Hamilton a partir do momento em que recebeu a dita cuja de uma turma de comissários no miolo do circuito fez com que as lembranças de Senna viessem à tona, e é mais do que natural que tenha causado comoção em todos que estavam no autódromo ou viam pela TV.

Fica aqui uma constatação: muita gente, pela primeira vez em anos, não sentiu ranço de alguém com a bandeira do país, que foi surrupiada pela horda bolsonarista sob o patético mote “minha bandeira nunca será vermelha”. Ah, você politiza tudo! Sim, politizo tudo. Hoje, se vejo alguém com a camisa amarela da seleção ou embrulhado numa bandeira brasileira, tenho vontade de enfiar uma cartela de cloroquina no rabo do indigitado. Ah, você é radical e mal educado. Sim, com essa gente sou. Aliás, deveria ser mais, ando até calmo. Com fascista a gente não conversa.

Isso posto, devo dizer que a bandeira foi ideia dos comissários Leonardo Augusto, Matheus Servello e Fábio Rezende. “Não houve conotação política. Li alguns comentários de pessoas associando a bandeira ao seboso”, me escreveu Servello. “Como eu entreguei a bandeira, a última coisa que eu quero é ser associado àquele desgraçado.” Adorei. Respondi que o gesto do trio foi maravilhoso, entrou para a história dos GPs no Brasil, e a leitura política do episódio, no momento que vivemos no Brasil, é inevitável. Desconfio que se Hamilton, um cara progressista, que se posiciona contra tudo que o bolsonarismo defende — tortura, armas, misoginia, desigualdade, racismo, destruição do meio-ambiente, homofobia, negacionismo –, talvez não erguesse bandeira nenhuma se tivesse noção do que acontece no Brasil e de como a bandeira está associada ao pensamento do esgoto que elegeu esse traste.

Tá tudo bem, Matheus & amigos. Por um momento nos lembramos que nossa bandeira não é a deles.

O NÚMERO DO BRASIL

101

…vitórias tem Hamilton na carreira, e justo no Brasil ele alcançou a marca. Há um grande simbolismo aí. Lewis igualou o número de vitórias de todos os brasileiros na F-1, a saber: 41 de Senna, 23 de Piquet, 14 de Emerson, 11 de Barrichello, 11 de Massa e uma de Pace. Justo em Interlagos, e 30 anos depois de Ayrton vencer pela primeira vez em casa.

Claro que todo mundo lembrou de Senna, que inaugurou o desfile com a bandeira para comemorar vitórias no GP dos EUA de 1986 em Detroit, depois de a seleção brasileira ser eliminada pela França nos pênaltis na Copa do México. Como a Lotus, sua equipe, era parceira da Renault, Ayrton teve de aguentar a zoeira dos mecânicos e técnicos franceses. Devolveu com o verde e amarelo em punho. Quanto a Hamilton, não foi o único a desfilar com a bandeira do país em Interlagos mesmo não sendo brasileiro. Em 1992, Nigel Mansell fez algo parecido na pista e no pódio, como mostram as imagens abaixo.

Deixei de falar de dois personagens importantes do domingo, então façamos justiça a ambos agora. Primeiro, Rebeca Andrade, estrela brasileira da ginástica, duas medalhas em Tóquio. Foi ela a responsável por dar a bandeira quadriculada a Hamilton. Depois, posaram juntos para a foto histórica — dois gênios do esporte. O outro é o engenheiro formado pela Unicamp Leonardo Donisete da Silva, mineiro de Patos de Minas, 30 anos, há cinco trabalhando na Mercedes.

Donisete faz parte da equipe de estrategistas do time e ficou surpreso quando Toto Wolff o indicou para subir ao pódio ao lado de Hamilton e Bottas para receber o troféu reservado à equipe vencedora. Sua história está aqui. “Estou muito, muito feliz. Nem sei o que dizer”, falou. Leo, como é chamado internamente, é uma daquelas figuras anônimas cuja importância só mesmo quem está dentro de uma organização como a Mercedes sabe o tamanho.

Parabéns a ambos, Rebeca e Donisete. Uma mulher preta e pobre, talentosíssima, descoberta num programa público de prática esportiva na Grande São Paulo. Um rapaz formado numa universidade também pública, onde a ciência é é respeitada e o debate de ideias, aberto. A bandeira também lhes cai muito bem.

A FRASE DE INTERLAGOS

“Eu amo Brasil!”

Lewis Hamilton, em português mesmo, depois da bandeirada
Hamilton faz festa com a equipe: paixão pelo país

Como tem bastante coisa que deixei passar domingo, vamos aos nossos fantásticos tópicos coloridos para arredondar o GP de São Paulo. Tem algumas estatísticas legais que, na hora, nem lembrei de pesquisar…

COISA RARA – Hamilton nunca tinha vencido um GP tendo largado da décima posição. Foi a segunda maior recuperação de sua carreira para ganhar uma corrida. Em 2018, ele venceu na Alemanha depois de largar em 14º. No mais, foram 59 vitórias largando da pole, 27 partindo da segunda posição do grid, sete saindo em terceiro, três saindo em quarto, uma saindo em quinto e duas, em sexto.

COISA RARA II – Foi apenas a quarta vez na história que um piloto venceu um GP depois de receber algum tipo de punição antes da largada. Os outros foram Jackie Stewart (Inglaterra/1969, largou em segundo), Kimi Raikkonen (Japão/2005, largou em 17º) e Jenson Button (Hungria/2006, largou em 14º).

Riccardo: fim de longa série terminando corridas

COISA RARA III – O abandono de Daniel Ricciardo interrompeu uma sequência de 34 GPs em que o australiano da McLaren conseguiu ver a bandeira quadriculada. Seu último DNF (Did Not Finished, para os entendidos) tinha sido ainda pela Renault no distante GP da Áustria de 2020.

COISA RARA IV – Foi a primeira vez que Max Verstappen pontuou em um GP num fim de semana de Sprint. Em Silverstone ele abandonou na primeira volta, depois de acidente com Hamilton, e em Monza se enroscou no inglês na primeira chicane. Só não zerou naqueles dois finais de semana justamente porque conseguiu uns pontinhos na minicorrida da véspera.

DUPLA DINÂMICA – Desde que a Mercedes passou a correr com a dupla Hamilton-Bottas, foram 58 vitórias para a conta da equipe — 48 do inglês, dez do finlandês. Assim, eles igualaram a dupla mais vitoriosa da história, formada por Michael Schumacher e Rubens Barrichello — 49 vitórias do alemão e nove do brasileiro entre 2000 e 2005.

Espalhada de Max: Mercedes quer punição

CÂMERA INDISCRETA – Michael Masi, diretor de prova em Interlagos, disse que não teve acesso à câmera on-board de Verstappen quando ele e os comissários analisaram a espalhada do holandês para cima de Hamilton no Lago, na 48ª volta. Pois o vídeo apareceu e está aqui. Max, de fato, “alarga” a curva mais do que o normal. Mal vira o volante. Talvez com essa imagem os comissários pudessem ter punido o piloto da Red Bull.

PUNIR AGORA? – A Mercedes, então, resolveu chutar o pau da barraca. Com base em “nova evidência”, quer que a FIA puna o rival com acréscimo de 10s ao seu tempo total de prova. Com isso, ele cairia para o terceiro lugar. Faz o que a Red Bull tentou depois de Silverstone, reproduzindo na pista uma simulação do acidente entre Hamilton e Verstappen na largada e pedindo revisão da punição ao inglês — no caso, 5s durante a corrida. É só espuma, não vai rolar. Até porque se Max sabe de uma eventual punição durante a prova, tentaria abrir essa diferença para o terceiro colocado. Como estava tranquilo em segundo, tirou o pé no fim. Mas, sem dúvida, o pedido da Mercedes mostra como os ânimos estão exaltados entre as duas equipes.

VELOCIDADE ESTRANHA – Tanto que, desde domingo, Christian Horner dispara via imprensa insinuações de que algo está “estranho” com a velocidade de reta da Mercedes. Acha que tem alguma coisa irregular na asa traseira. Helmut Marko também está indignado. “Apesar da nossa liderança, estamos em desvantagem se Lewis continuar com essa diferença de velocidade por causa do motor”, acusou.

MENOS, MENOS – Apesar da diferença visível entre Hamilton e Verstappen nas retas, não foi o inglês quem registrou as maiores velocidades do domingo em Interlagos. Vejam a tabela abaixo. No “Speed Trap”, ponto de medição no fim da Reta Oposta, o mais veloz foi Sainz, motor Ferrari, com 336,7 km/h. Hamilton registrou a quinta maior velocidade ali, 333,2 km/h. Max ficou em 17º com 318 km/h. Na linha de chegada, o mais rápido foi Gasly, motor Honda (como o da Red Bull) com 344,6 km/h. Lewis ficou em 13º com 330,3 km/h. E Verstappen foi o último com 321,7 km/h. Nas intermediárias, da mesma forma, a liderança foi de motores Honda: com Gasly na primeira e Pérez na segunda. Minha conclusão: Max é que estava lento, mesmo, porque a Red Bull carregou na sua carga aerodinâmica para que ele ganhasse tempo no miolo do circuito.

Velocidades em Interlagos: Verstappen é que estava lento

CONVERSA FIADA – A McLaren divulgou comunicado hoje para desmentir boatos dando conta de que a equipe teria sido vendida para a Audi. Não sei exatamente onde isso foi publicado primeiro, mas o fato é que tomou conta das redes sociais. Chama-se a isso de “fake news”. Ou “mentira”, mesmo. Pode-se usar também o termo “chute”.

VALEU A PENA – A Bandeirantes não tem muito do que reclamar da audiência do GP de São Paulo. A emissora ficou isolada na liderança por 33 minutos entre 13h15 e 16h08, chegando a bater a Globo por 7,8 x 6,3 às 15h20 (a corrida começou às 14h). A média durante a prova foi de 6,9 pontos, com pico de 8. Durante a temporada, a média de audiência dos GPs tem sido de 4 pontos segundo os dados da Kantar Ibope Media na Grande São Paulo.

SÃO PAULO BY MASILI

Nosso cartunista Marcelo Masili não deixou de notar a reação de Toto Wolff quando Hamilton venceu o GP do Brasil. Não foi exatamente isso que ele falou, mas certamente foi algo parecido. O austríaco ficou irritadíssimo com a camaradagem dos comissários com Verstappen e, principalmente, com a punição a Lewis no sábado, jogando-o da pole para a última posição do grid da Sprint por uma irregularidade na asa móvel.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver um público diferente em Interlagos, com mais gente jovem e mulheres ocupando as arquibancadas. Não há dados estatísticos sobre o assunto, mas seria interessante uma pesquisa detalhada sobre o perfil dos que compraram ingressos para o GP de São Paulo. De qualquer forma, o clima festivo era facilmente notado nas imagens da TV e foi confirmado por aqueles que foram ao autódromo.

Público em Interlagos: mais de 180 mil pessoas em três dias

NÃO GOSTAMOS de saber que, mesmo assim, cenas de selvageria contra mulheres no mal-afamado Setor G se repetiram como em anos anteriores. Vários vídeos foram postados em redes sociais, de pessoas inconformadas com o comportamento de ogros que ainda se sentem no direito de gritar palavrões, chamá-las disso ou daquilo, tratá-las como se fossem objetos. Um bando de filhos da puta, em resumo.

Comentários

  • Quem sente ranço ao ver a bandeira do Brasil sendo demonstrada com orgulho, é esta turma do Black Box e da Foice de São Paulo. A bandeira do Brasil é da nação, não do Bozo. Teve até uma ex-colega tua da Foice que tirou foto sendo vacinada, com orgulho, porquê estava da camiseta vermelha… Vão prá China !!!

  • Tem gente reclamando como Hamilton segurou a Bandeira invertida e de cabeça para baixo, mas o que valeu foi a boa intenção dele de homenagear Senna e o Brasil de forma alegre e surpreendente, muita gente gostou no Brasil.

  • Então, independente do que pensemos individualmente sobre o que e como sentimos a bandeira nacional, uma coisa é certa: os seguidores do “presidente” não a utilizaram, assim como não utilizaram a camisa da seleção como uma mera demonstração de brasileirismo desinteressado. Pelo contrário, eles a utilizam porque se entendem como os “verdadeiros patriotas” que se contrapõem aos “vermelhos” (delírio imaginário, mas bem manipulado pelo gabinete do ódio e adjacências), como os únicos “dignos” de vestir e portar estes símbolos e neste sentido, portanto, são eles quem tentam se apropriar destas representações ditas “pátrias”. Há muita gente na esquerda que faz a leitura de que estes símbolos não pertencem aos bolsonaristas, mas a todos os brasileiros, de modo que o debate tem inúmeros pontos de vista.
    Eu particularmente penso que estes símbolos são artificialmente e ideologicamente produzidos e nem de longe servem como termômetro para se medir o “patriotismo” de qualquer brasileiro seja lá o que se entenda por “patriotismo”.
    Senão vejamos, os que acusam a esquerda de querer tornar vermelha a bandeira do Brasil, em nome de uma dominação estrangeira/comunista, defendem o que ?
    A defesa de uma bandeira cujo verde representa oficialmente a Casa de Bragança, de origem portuguesa, portanto estrangeira, e de um amarelo que representa a Casa de Habsburgo, de origem austríaca, portanto outra nação estrangeira. Não por coincidência, são casas ditas “de nobreza” que representam a branquitude europeia colonizadora e criminosa!!
    Sendo que a população brasileira é majoritariamente não branca!!
    Então vejam que essa tal bandeira “verdamarela” sequer representa a verdadeira nação brasileira!
    Aonde nela, a representação em cores da nossa ascendência africana ou ameríndia ??
    E já que falamos de origens, Brasil vem do Pau-brasil (Caesalpinia echinata), chamado assim por causa de sua forte cor vermelha!
    Se de fato se desejasse alguma coerência entre cores da bandeira nacional e símbolos nacionais, o vermelho seria muito mais coerente do que o “verdamarelo”!
    Para além da apropriação política destes ditos “símbolos nacionais” (quem assim os definiu? e com que poder ??) sinceramente não me identifico muito com essas cores nem com que elas significam, para mim muito distantes da real nação brasileira. Não que não tenha afetos por ela, consideradas tantas associações positivas que desde a infância me acompanham, mas sinceramente não me importaria nem um pouco se ela fosse aposentada e substituída por algo mais representativa do povo brasileiro e não apenas do eurocentrismo.

  • Não sei por que tanta reclamação dos posts politizados do autor da matéria, que por acaso é o dono do blog, que por acaso é o dono do site.

    Grande problema da humanidade hj está em nao ter o que fazer ou nao saber o que fazer. Se não é da mesma linha politica do Flavio Gomes e não concorda que ele escreva os posts dele, procure outro blog. Tem gente que veio ao mundo justamente para encher o saco dos outros. Faça o seu blog e vá lá dar sua opnião la.

    Mas voltando ao assunto que queria saber, sabe que fim se deu a bandeira? Hamilton levou ela embora ou voltou para o comissário de pista?

    Só para constatar, não concordo com muita coisa que o Flavio Gomes fala, mas acho que aqui não é lugar para discutir politica. Somente venho, leio o que me interessa e fecho o site, nao fico criticando o autor por ele colocar teor politico nas materias dele.

  • Meu Deus! É sério que entramos nisso?

    1 – o cara ganhou um campeonato espetacular no Brasil lutando até a última curva contra um brasileiro. O primeiro, aliás.

    Isso, por si só, poderia servir de motivos para a torcida brasileira sempre torcer o nariz para ele.

    Então, tudo isso já seria um belo de um motivo para gostar do Brasil.

    2 – o cara nunca escondeu a admiração por Ayrton Senna (em que pese muitos brasileiros torcerem o nariz para isso, é melhor engolir mesmo e ficar quieto, poi sé um fato).

    Daí conseguem meter o presidente idiota no meio disso tudo. É sério que foram cobrar e ainda pedir justificativa a quem entregou a bandeira? Se estava a serviço do babaca? Pelo amor de Deus.

    O fanatismo nesse país realmente tem muitas faces.

    Uma pergunta: não gosto do presidente, mas não posso mais colocar uma camisa do Brasil porque corro o risco de que apareça alguém querendo bater em mim e/ou enfiar cloroquina no meu toba?

    Que loucura.

    Maior loucura ainda é ver tantos loucos apontando os dedos para outros tantos loucos.

  • Caríssimo Flávio Gomes!
    Primeiramente, as cores estão maravilhosas no blog !!
    Segundamente ouvi você se lamentar brevemente num dos programas de youtube sobre o fato de que o blog era pouco lido.
    Confesso que minha frequência é bissexta, mas quando entro leio tudo e vou “voltando” até a última leitura.
    Sendo assim lhe peço que não desanime.
    A escrita e a literatura são colírios para a alma.
    Ainda mais em tempos obscurantistas como os que atravessamos.
    Viva as Letras! Viva a literatura! Viva o blog escrito!
    Terceiramente, gostaria de lembrar outra imagem icônica do GP, desta vez na abertura, e aqui cabe alguma leitura na chave da questão da bandeira, só que agora relativa ao hino nacional.
    Nem sei que pito político toca o João Carlos Martins, mas independente do debate político necessários, sempre, aquela imagem do piano no asfalto de Interlagos foi no mínimo intensa.
    O pianista e maestro executou o hino como um noturno de Chopin. Algo entre triste e esperançoso. Com o problema que ele teve nas mãos, ele ainda utiliza uma “luva” para auxílio aos dedos na teclagem, o que acresceu um detalhe imagético bastante significativo.
    Não tive como não me lembrar das centenas de milhares de vítimas do negacionismo fascitóide.
    O fato dele estar sob o Sol esturricante, esforçando-se para interpretar o hino nacional me fez achar que ele tocava também em memória de todos que se foram.
    Posso estar enganado, mas o lindo da arte é proporcionar leituras diversas de uma mesma obra.
    Grande abraço.
    Max

  • Lendo os comentário s já sabe né. Falou “ain, nada a ver politizar nossa bandeira, a bandeira é de todos; não gosto de opiniões políticas em blog de corridas; ain, nada a ver ter nojo da bandeira; nem de esquerda nem de direita; mi mi mi”.. tudo isso ai meteu 17 com força e agora não aguentam mais carregar a culpa nem em fazer malabarismos pra defender o buraco que estamos.
    Que sumam msm.

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