ALFA ROMEO C42

SÃO PAULO (e fim) – O carro já tinha sido visto, já tinha andado (pouco), mas a Alfa Romeo fez apenas hoje a apresentação do C42 com a pintura que será usada nesta temporada. Talvez ninguém tenha reparado nas enormes grelhas sobre os sidepods com o carro camuflado, mas foram elas que chamaram mais a atenção hoje. Também ninguém deu muita bola para a Alfa Romeo porque o time teve muitos problemas nos primeiros três dias em Barcelona, completando apenas 175 voltas — só a Haas, com 160, ficou atrás; quem andou mais, a Ferrari, chegou a 439.

A pintura é muito bonita. Trocaram o logotipo exagerado na carenagem do motor pela inscrição Alfa Romeo numa tipologia inaugurada pela fábrica nos anos 20 do século passado. Um pouco mais abaixo está escrito Tonale, que vem a ser o modelo híbrido da marca italiana lançado recentemente. Mais elegante, sem dúvida. Assim como o tom dessa cor de vinho predominante. Para mim, eu que gosto de coisas minimalistas e dessa cor em especial, a pintura mais bem resolvida de 2022. Mas isso é muito subjetivo, claro.

O trevo de quatro folhas que também é uma marca registrada da Alfa aparece discretamente ao lado da entrada de ar superior. Nas fotos abaixo, as primeiras voltas na Espanha — os 100 km regulamentares para filmagens que a FIA permite, e que em parte haviam sido gastos em Fiorano num shakedown camuflado. Na asa traseira, a equipe colocou uns adesivos que segundo consta são de realidade aumentada. Suponho que se você apontar a câmera de seu celular para eles alguma coisa deve acontecer. Pode vir o cardápio de uma cantina, por exemplo. Sei lá. Não tive a curiosidade.

Bottas, Zhou e Kubica posaram para fotos com seus chiquérrimos macacões. Valtteri, depois de cinco anos como parceiro de Hamilton na Mercedes, disse que espera encontrar sua “melhor versão” na equipe nova, sem a pressão de andar junto do heptacampeão mundial. O chinês Zhou não é ruim, fez campanhas aceitáveis nas suas três temporadas de F-2 (20 pódios, sendo cinco vitórias), passou pela Academia da Ferrari e foi piloto de testes da Alpine no ano passado. A passagem por Maranello ajudou na sua contratação pela Alfa, já que são times parceiros. Kubica traz o patrocínio da Orlen, petrolífera polonesa.

A Alfa Romeo é a única equipe que trocou integralmente sua dupla de pilotos, com a aposentadoria de Kimi Raikkonen e a dispensa de Antonio Giovinazzi. Este foi para a Fórmula E, como se sabe. Virou piloto da fraca Dragon, companheiro do brasileiro Sérgio Sette Câmara. Está odiando. A situação da Haas depois do início da guerra entre Rússia e Ucrânia pode levá-lo de volta à F-1. É muito provável que o pai de Nikita Mazepin seja obrigado a rescindir o contrato de patrocínio que permitiu a seu filho correr na categoria. As sanções econômicas à Rússia e a empresas do país determinadas pelos EUA vão respingar na equipe, que corre sob bandeira americana e tem sede na Carolina do Norte.

Giovinazzi ainda é piloto contratado da Ferrari — tanto que apareceu nas fotos oficiais da apresentação da SF-75. A Haas usa motores e outras peças feitas pela escuderia italiana, com quem mantém acordos técnicos e comerciais. Num primeiro momento, o nome de Pietro Fittipaldi foi falado. Afinal, ele é o reserva da equipe e já disputou dois GPs, em 2020, no lugar de Romain Grosjean — que quase morreu num acidente no GP do Sakhir. Mas a Haas vai precisar de muito, muito dinheiro para suprir a saída provável do clã Mazepin. E essa grana terá de vir de algum lugar. Giovinazzi, pelas ligações com a Ferrari, parece ter mais condições de conseguir algo, ou mesmo de sentar no carro sem ter de pagar nada.

Creio que na próxima semana teremos alguma definição a esse respeito. O que me parece certo é que a Haas já terá outro piloto no lugar de Mazepin na segunda bateria de treinos da pré-temporada, de 10 a 12 de março no Bahrein. A não ser que o pai de Nikita encontre uma forma, digamos, alternativa de pagar pelo cockpit, sem inscrições de sua empresa de fertilizantes, a Uralkali, e fazendo com que o fluxo de dinheiro não passe pelo sistema bancário americano. Ou, quem sabe, arranjando uma empresa laranja, digamos, com sede no Panamá. Dá para resolver. Mas as lentes de aumento estarão voltadas para essas negociações, certamente.

O novo carro da Alfa Romeo se chama C42, e a gente explica todo ano sem problema algum porque é uma historinha muito bonita e não vou brincar com isso hoje porque não estou a fim. A equipe é operada pela Sauber, que continua existindo com esse nome na Suíça e desde 2016 pertence a um fundo de investimentos do país.

Para entender como funciona, quem detém a vaga no campeonato é a Sauber. Como empresa, ela é dona dos direitos de participação no Mundial. A Alfa Romeo contrata a Sauber para tocar a operação da F-1 e “aluga” os espaços no carro para divulgar sua marca. Se amanhã acaba o contrato e a sorveteria Rochinha decide investir na F-1, pode entrar em contato com a os donos da Sauber e fazer uma oferta para, quem sabe, montar a Rochinha Formula One Team. Foi o que fez Michael Andretti no ano passado, mas a negociação acabou dando errado na fase final, por divergências sobre quem faria o que na firma.

A Alfa, como “inquilina” da Sauber, poderia batizar seus carros como quisesse. Mas numa reverência a Peter Sauber, fundador da equipe, decidiu manter a linha adotada pelo vetusto helvético desde o primeiro carro que construiu, em 1970. Sauber era louco por corridas e começara a carreira, vejam só, disputando provas de subida de montanha com um Fusca. Quando estreou na F-1, em 1993, o carro da Sauber era o C12, porque antes dele o time fizera 11 modelos diferentes em outras categorias.

E o que é o C, afinal?

C é a primeira letra de Christiane, sua mulher, essa lindona da foto aí embaixo. E o carro mostrado hoje é o 42º de uma linhagem que começou há 52 anos, quando Peter desistiu de tocar os negócios da família para se meter com automobilismo. A família tinha uma empresa, vejam só, de semáforos de trânsito.

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Eder Félix
Eder Félix
2 meses atrás

Caramba, Colega!
Comentário Completo!
Conciso, Coerente.

Edson
Edson
2 meses atrás

Tchau mazespin

FB_IMG_1646141290251.jpg
Barreto
Barreto
2 meses atrás

Será que não irão inventar algum impedimento para o chinês Zhou não pilotar?

Edson
Edson
Reply to  Barreto
2 meses atrás

Oxi, por que iriam fazer isso? A um tempão que eles queriam um piloto chinês para atrair mais $$$

Luiz
Luiz
2 meses atrás

Eu gostei da ternura quando escreveu “…essa lindona da foto aí…”

tonháo
tonháo
2 meses atrás

Acho um desperdicio o Bottas na Alfa Romeu, o cara já deu oque tinha que dar não vai fazer mais do que fez, só vai ocupar espaço que podria ser de um piloto novo que poderia dar errado, mas tambem poderia revelar alguem talentoso o Bottas acabou de virar ex-piloto em atividade.

CHAGAS
CHAGAS
Reply to  tonháo
2 meses atrás

60 troféus sorriem pra você neste momento.

Alexandre Neves
Alexandre Neves
2 meses atrás

Gostei da asa dianteira preta, estilo Ferrari

Talles
Talles
2 meses atrás

Se invertesse o branco com o vermelho seria muito fácil recordar da pintura marlboro da mclaren

Rebeca Vidali
Rebeca Vidali
2 meses atrás

Ficou elegante, afinal. Pra mim só perde pra Ferrari, Alpine e Aston Martin. É legal que o Kubica ainda tenha espaço, mesmo que só nos testes. O Fittipaldi na Haas seria legal, mas parece que o dinheiro não vai deixar. Curiosidade boba: na Alfa saiu o #7 e veio o #77; se o Giovinazzi for pra Haas, daí sai o #9 e entra o #99

Jeferson Araújo Pereira
Jeferson Araújo Pereira
2 meses atrás

Agora que já conhecemos os 10 carros, meu juízo estético escolhe a Aston Martin como o carro mais belo da F1 2022.

CHAGAS
CHAGAS
2 meses atrás

Lindo carro. A pintura só perde para Ferrari. Vamos ver se anda na próxima bateria de testes pois na primeira foi uma grande decepção.

Carlos Pereira
Carlos Pereira
2 meses atrás

Ficou muito bonita a pintura.